Steve McQueen reúne ótimo elenco para As Viúvas

por Marcelo Seabra

Viola Davis, sempre que tem oportunidade, mostra que é uma senhora atriz e que segura tranquilamente um filme nas costas. Mesmo que o resto do elenco seja bem interessante, ela sempre se sobressai. O veículo do momento para mostrar seu talento é As Viúvas (Widows, 2018), novo trabalho do elogiado diretor Steve McQueen. Com uma dupla dessas, não tinha como dar errado, e o resultado prende e diverte o público.

De cara, vemos o grupo encabeçado por Liam Neeson (de Noite Sem Fim, 2015) realizando um assalto que não dá muito certo. A personagem de Davis (de Um Limite Entre Nós, 2016), a viúva do sujeito, é procurada pelos donos originais do dinheiro roubado e recebe um ultimato para devolver tudo. É daí que parte uma trama que envolve vários tipos, e McQueen (de 12 Anos de Escravidão, 2013) escolhe a dedo que interpreta cada um. Temos, por exemplo, Robert Duvall (de O Juiz, 2014), um veterano que sempre faz bonito frente às câmeras, assim como Jacki Weaver (de O Rei da Polca, 2017), num papel menor.

Escrito por Lynda La Plante, o livro Widows já ganhou duas adaptações para a TV. Dessa vez, temos várias alterações na fonte. Além da pura diversão de acompanhar os desdobramentos do crime mal-sucedido, McQueen e sua co-roteirista, ninguém menos que a escritora Gillian Flynn (que escreveu o livro e o roteiro de Garota Exemplar, 2014), aproveitam para meter o dedo em algumas feridas. A política é alvo de várias críticas, são escancaradas algumas jogadas desse universo que envolvem não só conchavos e ameaças, mas crimes mais óbvios, como assassinatos. As relações familiares também são examinadas e temos como conhecer um pouco melhor cada um dos envolvidos.

O elenco mais do que competente traz Michelle Rodriguez (de Velozes e Furiosos), Elizabeth Debicki (de Guardiões da Galáxia 2, 2017) e Carrie Coon (de Vingadores: Guerra Infinita, 2018) como as outras viúvas do título, fechando um quarteto diversificado e forte. Na disputa política, temos o embate de Colin Farrell (de Animais Fantásticos, 2016) e Brian Tyree Henry (de Hotel Artemis, 2018), este último auxiliado pelo irmão gângster vivido por Daniel Kaluuya (de Corra!, 2017 – ao lado). Farrell faz o filho de Duvall e os diálogos entre os dois são dos mais marcantes e cortantes, tamanha a brutalidade com que se tratam. Entre os nomes mais famosos, temos ainda Jon Bernthal (o Justiceiro), Lukas Haas (de O Primeiro Homem, 2018) e Manuel Garcia-Rulfo (de Assassinato no Expresso Oriente, 2017).

É impressionante a habilidade que McQueen tem de passar informações e situar o público sem precisar de diálogos expositivos. Ele, inclusive, volta no tempo sem sobreaviso, e não causa qualquer tipo de confusão. Alguns enquadramentos nos permitem melhor compreensão do espaço físico, e nem precisamos ver os personagens para acompanharmos uma conversa. Todos esses elementos costurados por uma montagem ágil fazem duas horas passarem em um minuto. E, logo, estamos novamente torcendo por um novo filme do diretor.

Elas vão ter que se virar

Sobre opipoqueiro

Marcelo Seabra - Jornalista e especialista em História da Cultura e da Arte, é o criador de O Pipoqueiro. Tem matérias publicadas esporadicamente em sites, revistas e jornais. Foi redator e colunista do site Cinema em Cena por dois anos e colaborador de sites como O Binóculo, Cronópios e Cinema de Buteco, escrevendo sobre cultura em geral. Pode ser ouvido no Programa do Pipoqueiro e nos arquivos do podcast da equipe do Cinema em Cena. Twitter - @SeabraM
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