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Ricardo Kertzman nasceu em 1967. Um homem inquieto, irrequieto e inundado de sentimentos.

Público significa “de todos”; não “de ninguém”

Já passou da hora de o brasileiro compreender esta sutil, mas fundamental diferença, caso realmente queira um país melhor

Place des Vosges, Paris: qual a dificuldade em ser civilizado?

Público vem do latim publĭcus. Significa relativo ou pertencente a um povo, a uma coletividade. Algo comum, aberto a quaisquer pessoas. Sem caráter secreto, transparente, universalmente conhecido.

O tal dinheiro público, tantas vezes privatizado por governantes corruptos e suas gangues, é meu, é seu, é nosso, leitor amigo. Não é um dinheiro sem origem e sem dono. Ele veio do trabalho duro e honesto de dezenas de milhões de profissionais liberais, empresários, trabalhadores e autônomos. Ele é fruto do esforço individual de cada brasileiro que trabalha e produz.

A praça pública não pertence a mim ou a você, que me lê, mas também não é propriedade de skatistas, camelôs ou mendigos. É um espaço que deve ser compartilhado por todos, mediante regras mínimas de bom comportamento e convivência pacífica. Apropriar-se de um espaço que é coletivo, é tão criminoso quanto invadir uma propriedade privada.

O brasileiro, de um modo geral, trata o “público” como se seu não fosse. Daí abre espaço para toda sorte de maus usuários. Sejam os políticos e governantes, sejam ainda os concidadãos, seus compatriotas igualmente relapsos no trato da tal coisa pública.

Não há uma mísera manifestação — e sinto muito em rotular, mas é necessário e justo — dos tais movimentos sociais ou grupos que representam as chamadas “esquerdas”, em que prédios públicos e ruas e avenidas não sejam ou depredados ou interditados por pneus incendiados. Isso quando não ateiam fogo em ônibus, o que é ainda mais perverso. E um monumento pichado é uma agressão semelhante a sujar a parede da sala ou do quarto da nossa própria casa.

Não conheço ninguém que faça xixi no chão da cozinha da casa da mãe, mas não canso de ver marmanjões urinando em árvores por aí. Aliás, imagino que venha “do berço”. Mania mais desnecessária essa, de algumas mães, colocarem os pimpolhos para fazerem xixi na rua. Pô, será que não dá para pedir para usar o banheiro de uma loja ou bar quaisquer? Ser criança não significa poder colocar o pingulin para fora e “molhar as plantinhas” do jardim dos outros, ora.

E o que dizer dos tais cargos públicos, que de públicos não têm mais nada? Foram privatizados, pelos políticos, para serem usados ou como fonte de renda própria e de amigos e parentes, ou mesmo como mercadoria de troca em conspiratas políticas. Empregos pagos com o nosso dinheiro são distribuídos como milho aos pombos. Ou melhor, empregos não, pois a maioria dos cargos são meros nomes, sem quaisquer atividades produtivas ou em benefício da população.

Vejam: datilógrafo, radiotelegrafista, perfurador digitador, operador de computador, técnico de secretariado, técnico de nutrição, técnico de colonização no Ministério do Meio Ambiente, agente de inspeção de pesca, classificador de cacau, fiscal tributário do café, do açúcar e do álcool, apenas para citar alguns. Acreditem, meus caros, mas há um cargo para “Assessor de Check-in”. Sim, um sujeito que fica no aeroporto agilizando o embarque das excelências de Brasília. E por falar em aeroporto, no Galeão, no Rio de Janeiro, há um ascensorista para cada elevador. Sabem quantos andares? Dois!

Já passou da hora de os brasileiros entenderem, de uma vez por todas, o que está em curso no país. Se quisermos deixar este atoleiro imundo em que nos metemos e seguirmos adiante, só com extrema consciência política é que conseguiremos. O descaso com tudo o que é “público” nos trouxe até aqui. Imagino que não esteja bom para ninguém. Portanto, amigos, mãos à obra. Conscientizem-se e ensinem a quem precisa. Tá cheio de gente ao seu lado necessitando muito de uma boa lição de cidadania. Podemos — e devemos! — virar este jogo. Pensem nisto. Pois basta querermos.

Ah, antes de atirar lixo no chão novamente, por favor lembre-se deste artigo. O Público (com P maiúsculo) agradece.

Leia mais, aqui.

22 comentários em “Público significa “de todos”; não “de ninguém”

  1. Passando pela Praça da Liberdade é fácil notar que se há alguns mendigos morando por ali, também hã uma verdadeira horda de classe média que de forma desrespeitosa, com seus cachorros, sujam a praça e destroem a grama. São pessoas ignorantes que não sabem a diferença entre canteiros de flores e local apropriado para se esparramar com seus cães. E, infelizmente, não é apenas um comportamento da chamada “esquerda”.

  2. Olá Distinto, por falar em exemplo vindo do hemisfério norte, é oportuno lembrar que a Alemanha acaba de reeleger, para o QUARTO mandato, sua máxima dirigente. Porque, então, os dirigentes dos Estados da América Latina não podem legitimamente exercer vários mandatos? Boa Semana e, Sorte, Saúde e Sabedoria.

    1. Cidrac, aqui não se faz como na Alemanha por ‘alguns’ motivos, só alguns dentre vários:
      1- o partido dela é o União Cristã Democrata (CDU), entendeu? CRISTÃ!!!
      2- Ela é MUITO competente!
      3- O alemão, na minha opinião, é o povo mais inteligente do mundo, produz, cria e é culto!

      No Brasil:
      1- Dilma é do pt ou seja, partido do caPeTa!
      2- Dilma é completamente incompetente(nem precisava comparar com A. Merkel, né mesmo? )
      3- O brasileiro é muito tapado, preguiçoso, não cria nada, e tem muitos burros que são petistas.

      Entendeu ou precisa reler o que comentei?!?

    2. LEGITIMAMENTE
      Esta é a diferença.
      Lá não tem urnas fraudadas, compra de votos com bolsas, pedaladas fiscais para maquiar contas públicas, abuso de poder econômico com verbas públicas roubadas. E não existe um projeto de poder eterno e autoritário a certos partidos com base em ideologias retrógradas.
      Lá será sempre DEMOCRACIA.

  3. Olá Inundado, ano que vem, se os golpistas que assaltaram o palácio do Planalto permitirem, teremos eleições. Uma fórmula para o começo da solução de tão complexos problemas que nos assolam seria a adoção de novo modelo eleitoral o qual adviria de uma reforma eleitoral consistente e rigorosa. É sabido que o sistema eleitoral de Pindorama é ruim e produz muitos danos ao povo, mas qual o quê. Os assaltante do Palácio do Planalto fizeram “reforma” para alijar os trabalhadores de seus direitos e querem trucidar grande parcela da população através do chamam de reforma da previdência, todavia, quanto a alterar o nefasto sistema eleitoral nenhuma palavra. Ou seja, os males continuarão a ser criado e ampliados. E para maior dos pecados e aumento do drama aqui mesmo neste espaço lemos gritarias e impropérios tipo prenda, arrebenta, trucida, esfola, porém reflexões lúcidas, serenas e meditadas quase não vê. Predomina o atirar para todos os lados a manifestar ódios e preconceitos. Haja lemingues a aplaudir desmandos do juizeco da roupa preta das Araucárias.

    1. Se os “salários” (todos com ão no final), os quais foram pagos pelos últimos presidentes e “presidenta” da República, tivessem servido para comprar votos para reformas que beneficiassem o povo e mudassem sistemas tortos (incluindo o eleitoral), e não a beneficiar empresários e esquemas de manutenção (eternização) do poder, talvez agora a gente não precisasse ter que ler seu texto, tal como foi escrito. Ao contrário do Sr. Ricardo, sempre leio tudo aqui, incluindo o que o Sr. escreve. Notei que a culpa, no seu ponto de vista, nunca tem a ver com o aparelhamento do qual o Sr., provavelmente, faz parte!
      Por mais que eu ache que seus textos têm qualidade no manejo da língua pátria, eles estão sempre recheados de bobagem, ou alguma “finta”, por serem tendenciosos. Que tal usar suas qualidades para o bem?

    2. Cidrac, peraí: pelo jeito você é um Petista ou um PSolista ou, um daqueles “inocentes” da Rede, não? Apenas, para refrescar sua memória o Brasil está como está, principalmente, após os trágicos governos petista colega. Arruinaram o país em todos os aspectos. O bandido do ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, era elogiadíssimo por Lula e Dilma. Chegaram a dizer que ele, Sérgio Cabral, era o exemplo de político a ser seguido. Aí vem com a novelinha de “Gorpista”. Quem nos aplicou um verdadeiro golpe foi o Lulopetismo que desintegrou os poucos valores que tínhamos. Sua conversinha não cola mais colega. Bom caráter vem berço, se aprender em casa. Respeitar o que é público e, por que não, o privado se aprende dentro de casa, apesar, de achar que a escola deveria voltar a ensinar boas maneiras e educação moral e cívica. O Lulismo já passou e, para nossa felicidade, não retorna mais. Então, colega mais trabalho, educação e cidadania coisas que as esquerdas desconhecem, não é mesmo?

      1. Silva, 1 – em que pese quem sou eu tenha a mínima relevância para os diálogos aqui travados, esclareço que não sou nenhuma das três hipóteses aventadas por você. Sou, sim, um Zé Coisa Nenhuma como a maioria do povo de Pindorama. E, justamente por ter de pagar tudo os meus estudos, a partir da 4a série, ter cursado tardiamente o supletivo; levantar todos aos dias as cinco da manhã, para estudar e trabalhar e ir dormir lá pelas 21h; viver fora dos favorecimentos concedidos à elitizinha rapinosa e extrativista, seja do setor privado, seja da cúpula do funcionalismo público; de conhecer bem a realidade da área rural e das periferias das grandes cidades é que falo não apenas pelo que leio em pranchetas, mas pelo que tenho vivido por experiência própria. Essa vivência ajuda a perceber o diferencial na qualidade dos governo do PT, como no passado o governo de Getúlio Vargas.
        2 – Eu entendi mal ou você afirmou que até a chegada do PT ao governo o Brasil era bem administrado e que seu povo vivia bem? É isso mesmo?

  4. Gostei dos ascensoristas de elevadores para prédio de dois andares (gostei, pra não dizer outra coisa). Se houvesse um espaço para bizarrices da república as postagens não teriam fim. Pérolas como: dois meses de férias para o judiciário (grande parte), auxílio livro, 13º salário para ministros de estado, Jesus Cristo, é muita putaria com o dinheiro dos impostos (que me perdoem as putas).

  5. Caro Ricardo,
    Gostaria de lhe pedir licença para responder ao comentário do Sr. Cidrac acima.
    Este senhor, eu já reparei adora fazer comentários aqui diariamente e já percebí também que você (Ricardo) o ignora.
    O Sr. Cidrac gosta de parecer ser culto, erudito mas é grosseiro ao não chamar ninguém pelo nome.
    O Ricardo é o “inundado”, o juiz Sergio Moro é ” o juizeco da roupa preta das araucárias, o Aécio é o “mininu que ligava ventilador para empinar pipas” e por aí vai.
    Cidrac, o juiz Sergio Moro é, para mim a pessoa mais correta e corajosa em tudo o que faz hoje no Brasil e merece todo o respeito. Só por colocar o ladrão Lula na cadeia terá o meu respeito para o resto da vida.
    Os golpistas que assaltaram o palácio do Alvorada estão lá PORQUE A DILMA COLOCOU O TEMER E O PMDB NA CHAPA DELA E VOCÊS VOTARAM NELES.
    O PADILHA FOI MINISTRO DO LULA, O GEDDEL FOI MINISTRO DO LULA, O MOREIRA FRANCO FOI MINISTRO DO LULA E ESTA QUADRILHA TODA DO PMDB FOI MUITO BOA ENQUANTO FOI ÚTIL PARA O LULA E A DILMA, portanto senhor Cidrac procure ser mais bem informado antes de escrever bobagens ou então o senhor o faz consciente e portanto é desonesto.

    1. Olá Murilo, não retire de ninguém aquilo que é da pessoa. Você falta com a verdade ao afirmar que não chamo ninguém pelo nome. É justamente o contrário, pois, embora neste espaço muita gente omita o nome, eu em regra, chamo as pessoas pelos seus nomes. 1 – Veja que o blogueiro é quem se apresenta como inundado, logo, ele é quem escolheu essa alcunha, o que me autoriza a utilizá-la, sendo que também me dirijo a ele como Distinto. É só conferir. (Aliás o blogueiro tira sarro quando alguém me dirige algum impropério, mas quando elogia ou diz algo em apoio às minhas posições, mantém um silêncio de porta. E tá sempre dizendo que não lê o que escrevo, sacumé né: eu ganhei, nós empatamos, eles perderam). 2 – Quanto as duas outras pessoas mencionadas, não é necessário lembrar que são ocupantes de cargos públicos, logo, se submetem a avaliação contínua dos cidadãos e, como são agente públicos de péssima qualidade só posso lhes direcionar o desprezo, o escárnio, o sarcasmo, a desaprovação, a vaia. (Quem tem boca vaia a Roma). Já quando se trata de um congressista como Roberto Requião (Paraná) ou de magistrados do naipe de Sebastião Reis e Rogério Schietti Cruz (MG) esses sim merecem meu respeito, referência e adoção de seus exemplos.
      3 – Quanto a galera do PMDB, o partido que vive a chantagear o país, você que já é bem grandinho deveria ter se dado conta que o sistema eleitoral brasileiro impões esse arranjo espúrio. Sendo evidente que não é o PT, é qualquer partido que chegue ao Planalto terá de dar cargos, pois, de outra forma não governa. Sendo muito fácil perceber que os realmente afinados como o PCdoB e PDT não provocam os estragos dos PMDB, PP, PTBs e caterva da vida. Lembre-se que na manobra do Golpe, dentre os do PMDB, somente Kátia Abreu e o bravo Roberto Requião não passaram a foice na destemida e honesta Presidente Dilma. Grato.

    2. Sérgio,
      vc esqueceu de escrever sobre o Jose Dirceu ‘cumpanheru’ de lula e dilma que fez UM MONTE de cirurgias plásticas pra disfarçar, é ex-político, ex-advogado(registro cancelado pela OAB), ex-ministro-chefe da casa civil, ‘ex’ em mais uma ‘pá’ de coisas e foi deportado para o México em troca da libertação do embaixador norte-americano Charles Burke Elbricke, voltou ao Brasil na clandestinidade, lavagem de dinheiro, mensalão, e é petista(o pior defeito) e mais outra ‘pá’ de outras porcarias.
      A justiça aumentou a pena dele para mais de 30 anos e vai demorar muito pra ele ter mais um título de ‘ex’…
      ex-presidiário!

  6. Também acho o texto irretocável, Ricardo!

    …mas, ‘não adianta’ tentar ensinar português, o significado e origem das palavras pra petistas,
    é ‘perca di tempu’!
    Eles são até criativos, inventam palavras para cargos que nem deviam existir,
    veja bem: (what is between brackets was copied and pasted from your magnific text)
    (Assessor de Check-in(q isso?!); técnico de colonização no Ministério do Meio Ambiente; agente de inspeção de pesca(vich); classificador de cacau(mamãe me acorda); fiscal tributário do café, do açúcar e do álcool, apenas para citar alguns)
    ->….dos 60 mil cargos públicos que o governo pretende eliminar.
    Imagine o trabalho que deve dar só pra classificar 60 mil cargos esquisitos, vão precisar criar o cargo de “enumerador de desocupados que talvez só vão no ‘trabalho’ assinar presença e receberem como laranjas”!

  7. ” Ele veio do trabalho duro e honesto de dezenas de milhões de profissionais liberais, empresários, trabalhadores e autônomos”..Hoje você falou bonito, sem posição partidária. Aliás, tens uma gramática perfeita. Entretanto, quando fez esta frase entre aspas, ficou em evidência que profissionais liberais são milhões e trabalhadores e autônomos são o mínimo. Nesta hora a ordem dos fatores alteram o produto. Parabéns. Muito bom texto.

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