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Psicólogo graduado pela Universidade FUMEC, Pós-graduado em Psicologia Médica pelo departamento de Psiquiatria e Neurologia da Faculdade de Medicina da UFMG e Mestre em Educação, Cultura e Sociedade pela UEMG, tendo desenvolvido dissertação na área de Violência Contra a Mulher.

Pergunta de leitora sobre abandono do pai após divórcio

abandono do pai

“Olá, Dr. Douglas. Meus pais se separaram quando eu tinha apenas 10 anos. Minha relação com meu pai era ótima e ele era tudo pra mim. Depois da separação ele se afastou muito e hoje, 20 anos depois, nossa relação praticamente não existe. Ele não sabe nada sobre minha vida e quase não me vê mais. Carrego um sentimento muito grande de abandono e sei que ele me trocou por sua atual esposa. Ela o proibiu de ver a mim e aos meus irmãos. Sei também que esse sentimento trava a minha vida e não me deixa encontrar a pessoa certa para ser meu marido e pai dos meus filhos. Dentro de mim sinto que já o perdoei, mas, o sentimento de abandono e solidão ainda não passou. O que faço para me curar e ficar livre disso”?

Resposta:

Olá, querida leitora. Quando ocorre separação dos pais, principalmente de forma repentina, o impacto psicológico sofrido pela criança é praticamente inevitável. Sobretudo em um contexto como este, no qual você o tinha como ídolo e importante figura de amor. Realmente faltou habilidade e/ou vontade do seu pai em lidar com a situação da separação. Isso pode ser identificado pelo fato da sua esposa atual tê-lo proibido de ver os filhos do primeiro casamento e ele ter aceitado essa condição. Será que ela fez isso por insegurança? Não sabemos ao certo, mas, a verdade é que ela proibiu e ele obedeceu.

Você mencionou ainda que esse sentimento de abandono trava a sua vida e que não te deixa encontrar o homem certo para você. Possivelmente, pelo seu relato, você não esteja se relacionando atualmente com ninguém, certo? Agora veja que contrassenso: se seu pai te abandonou, a ponto de não participar mais de praticamente nada da sua vida, você sofreu um primeiro abandono. A partir de então, você ficou fixada nessa situação a ponto de não se permitir encontrar uma pessoa legal! Ou seja, um segundo abandono. Só que dessa vez é você mesma quem está se abandonando! Consegue perceber isso?

Dica pra você: quanto ao abandono por parte de seu pai, parece que não há muito o que se fazer. Ele se afastou por escolha própria, mesmo que tenha sido por meio de uma proibição da atual esposa. Ele poderia ser recusar a fazê-lo, porém, optou por obedecê-la. Agora, quanto ao que você está fazendo consigo, há sim o que se fazer, ora! Se você estiver consciente ou inconscientemente esperando seu pai retornar e se aproximar de você, para aí sim, você poder ser feliz do ponto de vista afetivo, muito cuidado. Pode ser que você esteja se condenando a permanecer sozinha eternamente. Pode ser que seu pai nunca volte. A dica fundamental é desvincular uma coisa da outra. Para isso é necessário começar a entender que é possível ser feliz com uma pessoa sim, independentemente do que te aconteceu em outra época.  Para isso é preciso se fazer um exercício que não é nada fácil. É vivenciar a morte e o luto simbólicos de pessoas que estão vivas. Principalmente daquelas que gostamos e que infelizmente não podemos conviver por algum motivo. Você já perdoou seu pai e isso foi muito digno da sua parte. Agora é hora de seguir a sua vida. Coloque o seu merecimento de ser feliz acima destes sentimentos de abandono e solidão.

Um abraço,

Douglas Amorim

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