Chegamos ao sétimo Pânico (Scream 7, 2026), e muitos se perguntam: como? Ainda tem adolescentes para morrer em Woodsboro? A resposta, pelo visto, é: sempre. As duas atrizes principais, Neve Campbell e Courteney Cox, estão lá, com algumas adições, como de costume. A tentativa de renovar o elenco, no quinto filme, não deu muito certo e seguimos com a programação normal. E, na cadeira de diretor, além de ser um dos roteiristas, temos Kevin Williamson, que escreveu os dois primeiros filmes. O que, infelizmente, não é garantia de qualidade.

O primeiro Pânico (Scream, 1996) foi tão marcante que originou uma franquia longeva. O segundo (1997) veio a toque de caixa, para aproveitar o sucesso do segundo, e tudo levava a crer que seria uma bomba. Repetindo a dobradinha Wes Craven na direção e Kevin Williamson no roteiro, surpreendentemente foi quase tão bom quanto o anterior. O sucesso da sequência garantiu o fechamento de uma trilogia (2000), já com outro roteirista, e Craven não segurou as pontas. Esse, sim, foi bem ruim, e demorou 11 anos para o diretor aceitar voltar àquele universo, novamente com Williamson. O que se mostrou outro erro e foi a despedida de Craven, que partiu em 2015.
Depois dessas duas tentativas malsucedidas, era de se esperar que iam deixar aqueles personagens em paz. Mas os executivos do Cinema estão sempre buscando uns dólares e contrataram Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett para ocuparem o lugar de Craven. Com a pretensão de começar do zero, lançaram Pânico (Scream, 2022), sem número, mesmo sendo o quinto. Boa arrecadação e críticas animadoras garantiram a dupla em mais um exercício de metalinguagem, piadinhas e sangue, deixando claro que a fórmula estava bem gasta.

Willliamson deve ter pensado que, se alguém era capaz de revisitar aqueles personagens, era ele, o criador. Isso já havia dado errado no quarto e agora dá errado no sétimo, mostrando que o público não tem vergonha na cara. Mesmo sabendo que tem tudo para ser ruim, assiste (e tem gente que ainda perde tempo escrevendo a respeito). Pânico 7 já começa parecendo estar no piloto automático, e segue assim por quase duas horas. Neve Campbell faz uma Sidney madura, durona e cansada. Não a deixam viver em paz com a filha (Isabel May) e o marido (Joel McHale), o delegado da cidade (surpresa!).
Depois de levarem a trama a Nova York, a bola da vez é a pequena Pine Grove, Indiana, onde Sidney foi morar. Lá, temos uma nova fauna, com diversos adolescentes que podem passar de suspeitos a vítimas em segundos. É engraçado como cada personagem é apresentado fazendo expressões ou perguntas que o deixam como assassino em potencial, e a brincadeira é tentar acertar quem seria o novo Ghostface. O problema aqui é que ninguém se importa. Quando chega a revelação, o choque é pelos motivos errados.
Depois de requentarem o falecido Billy Loomis (Skeet Ulrich), Williamson traz de volta Stu Macher (Matthew Lillard), o outro assassino do primeiro filme. O esquema de pirâmide segue firme, com a trama fazendo autorreferências que te exigem ter visto os episódios anteriores para não boiar. Enquanto as mortes vão acontecendo, você olha o relógio e tenta calcular quanto tempo ainda falta para acabar. E quanto tempo vai demorar para fazerem um novo Pânico, já que este sétimo foi o que mais faturou em toda a série, tendo chegado perto dos 200 milhões de dólares nas bilheterias pelo mundo.



