Os Defensores chegam à Netflix hesitantes

por Rodrigo “Piolho” Monteiro

Em 2012, o Marvel Studios lançou Os Vingadores, filme que reunia os heróis que haviam tido filmes solo lançados pelo estúdio nos anos anteriores – Homem de Ferro (2008 e 2010), Hulk (2010), Capitão América (2011) e Thor (2011) – em um único longa para “enfrentar uma ameaça que nenhum deles poderia derrotar sozinho”. Seguindo essa mesma tendência, mas em uma dimensão bem menor, chega a vez da Netflix disponibilizar Os Defensores (Defenders, 2017), uma série que reúne sob o mesmo título Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro. Todos eles tiveram séries solo no serviço de streaming com resultados variáveis.

Os Defensores segue a mesma fórmula consagrada pela Marvel e reúne seus quatro protagonistas de maneira quase – mas não muito – casual para enfrentar uma ameaça que nenhum deles poderia encarar sozinho. Quando começamos a série, Danny Rand (Finn Jones) segue usando todos os recursos financeiros dos quais dispõe para, aliado a Coleen Wing (Jessica Henwick), realizar a missão de destruir o Tentáculo, organização criminosa milenar infiltrada em Nova York.

Paralelamente, vemos Matt Murdock (Charlie Cox) em sua nova função, realizando trabalhos pro bono após o fim da parceria com Foggy Nelson (Elden Henson); Luke Cage (Mike Colter) deixando a cadeia e tentando retomar sua vida e ajudar a colocar o Harlem nos eixos e Jessica Jones (Krysten Ritter) recebendo o pedido de uma esposa que a ajude a encontrar seu marido desaparecido. Inicialmente, Jessica recusa o caso, mas, como não poderia deixar de ser, certas circunstâncias fazem-na repensar sua decisão. Aos poucos, fatos envolvendo as vidas de cada um deles isoladamente fará com que se unam, ainda que de maneira bastante relutante, para ajudar Danny a cumprir sua missão e destruir o Tentáculo antes que a organização realize seus planos para a cidade.

Com a adição de Sigourney Weaver (de Chappie, 2015 – abaixo) como Alexandra, a principal chefe do Tentáculo, praticamente todos os principais coadjuvantes das séries anteriores voltam, como Clair (Rosário Dawson, o elo entre as séries da Marvel), Misty Knight (Simone Missick), Stick (Scott Glenn), Madame Gao (Wai Ching Ho), Karen Page (Deborah Ann Woll), Trish Walker (Rachael Taylor), Elektra (Elodin Yung) e Jeri Hogarth (Carrie-Ann Moss), entre outros. Defensores tem alguns dos mesmos defeitos de praticamente todas as séries do tipo, assim como seus méritos. Existem personagens que tomam decisões que não fazem muito sentido, a não ser para estender mais a história, e coisas que desafiam a suspensão de descrença, como um personagem sofrer um ferimento relativamente grave em um episódio e, horas depois, se envolver em uma luta como se nada tivesse acontecido.

Apesar disso, Defensores acerta em muitos pontos. O principal deles é o fato de os produtores terem optado por uma série com oito episódios ao invés dos treze habituais. Isso faz com que a trama seja mais ágil e não haja momentos arrastados nem subtramas criadas simplesmente para encher o tempo pré-determinado para a produção. Além disso, houve mais tempo para os atores se prepararem para as cenas de luta, o que melhorou bastante as sequências de pancadaria na série, especialmente no que diz respeito ao Punho de Ferro de Finn. Agora, ele parece mais um artista marcial do que em sua série solo.

Outro fator positivo se dá na atuação dos protagonistas, que estão bastante confortáveis em seus papéis. A interação entre eles flui de maneira bem natural. Os roteiristas também tiveram o cuidado de dar bom tempo de tela para todos os protagonistas, ainda que, em muitas vezes, por motivos que ficam óbvios à medida em que a série progride, o foco maior caia em Danny. Por outro lado, se Matt Murdock/Demolidor pareça um pouco apagado nos episódios iniciais, ele se torna um destaque nos episódios finais. Isso traz bastante equilíbrio. As sequências de luta, se não são um primor – nenhuma delas alcança o impacto da cena do Demolidor lutando no corredor na primeira temporada –, estão bem coreografadas e fazem sentido dentro do universo ali apresentado. Há uma falha aqui e ali, inclusive relativo ao CGI em uma das sequências finais, mas nada comprometedor.

Fãs de longa data dos quadrinhos ficarão satisfeitos tanto com uma cena envolvendo Misty Knight quanto a última delas, que faz referência a um dos gibis mais clássicos do Demolidor e deve – esperamos – definir o tom da terceira temporada solo do Demônio de Hell’s Kitchen. Defensores é um final satisfatório para a primeira fase dos heróis da Marvel na Netflix. Apesar das falhas, o produto, como um todo, funciona bem e cria diversas expectativas para o que vem a seguir.

Weaver foi ovacionada na Comic Con

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A boneca Annabelle ganha novo voo solo

por Marcelo Seabra

Para quem achava que Annabelle já tinha tido sua origem contada, eis que surge Annabelle 2: A Criação do Mal (Annabelle: Creation, 2017). Trata-se de uma pré-continuação de uma pré-continuação, voltando mais no tempo para contar a gênese da boneca do capeta revelada na franquia Invocação do Mal (The Conjuring). Agora, vemos seu criador colocando os detalhes e finalizando a entrega, e descobrimos que ela foi a primeira de uma produção limitada de 100 exemplares. Ou seja: ainda poderemos ter uma expansão desse quadro com as outras 99.

Brincadeiras à parte, é importante ressaltar que este novo capítulo é eficiente dentro do que se propõe a fazer. Como é comum nesse universo (sim, já falam em universo compartilhado, igual aos dos quadrinhos), os cantos escuros de um casarão são bem explorados. O diretor David F. Sandberg também foi feliz em seu longa anterior, Quando as Luzes Se Apagam (2016), especialmente nesse quesito. Ele sabe bem criar um clima de suspense e explorar os elementos sobrenaturais da trama, alternando passagens bem tensas e sustos fáceis, daqueles anunciados pela trilha sonora. Ajuda muito também ter o mesmo roteirista do longa anterior, Gary Dauberman, que se mostra bem à vontade – e escreveu também o inédito longa solo da freira demoníaca, que faz aqui uma pontinha.

Muito lembrado pelo jovem cult Sexo, Rock e Confusão (Empire Records, 1995), e mais recentemente pela série Without a Trace, Anthony LaPaglia (acima) vive o artesão que cria a boneca e presenteia a filha com ela. Não vamos entrar na discussão do mau gosto do sujeito, ou talvez da falta de habilidade com rostos. A questão é que logo a tragédia chega na família, e eles se retiram da vida em comunidade por anos. O fechamento de um orfanato é a oportunidade deles fazerem o bem, e recebem em casa uma freira e as crianças sob a tutela dela. A esposa reclusa é vivida pela competente Miranda Otto (de Frankenstein: Entre Anjos e Demônios, 2014), e há ainda uma curta participação de Brad Greenquist, conhecido dos fãs do gênero como o menino morto-vivo do cartaz de O Cemitério Maldito (Pet Sematary, 1989).

Com pouco tempo no casarão, as meninas começam a notar fenômenos estranhos – dos mais discretos aos apelativos. E, como poucos diretores têm coragem de fazer, Sandberg parece ir progressivamente perdendo os freios, levando o terror aos extremos. Nada muito diferente dos demais filmes-irmãos, todos variando pouco quanto à qualidade. E, falando em pontos positivos, o elenco jovem é bem sucedido, com destaque para Lulu Wilson, que já havia chamado a atenção em uma pré-continuação de terror, Ouija: Origem do Mal (2016). Stephanie Sigman, a freira Charlotte, é outra que vem dando seus pulos, como em 007 Contra Spectre (2015), Narcos e Shimmer Lake (2017).

Todo o elenco funciona bem

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Conheça Friends From College, Ozark e Atypical

por Marcelo Seabra

A Netflix segue lançando obras num ritmo maior do que muita gente dá conta de acompanhar. Quando se fala em séries, então, é mais complicado, já que elas exigem mais tempo de dedicação. Talvez por perceber essa dificuldade com relação a tempo, a empresa esteja criando séries mais curtas, com menos episódios. É o caso de três novas atrações, que fogem dos números habituais de episódios: ao invés dos mais de 20 dos canais abertos, ou dos 13 da TV a cabo, elas têm vindo com 10 ou menos. Mesmo assim, é bom saber que não são todas dignas do seu tempo, algumas devem ser abandonadas tão logo se comprove sua chatice.

Para citar de cara a única desse pacote que não merece que seja acompanhada, começamos com Friends From College. Com todos os rápidos 10 episódios dirigidos e três escritos por Nicholas Stoller (que estreou no Cinema com Ressaca de Amor, 2008), a série foi criada por ele e Francesca Delbanco (atriz em Ressaca). E o grande chamariz, usado nas peças publicitárias, é a presença de Cobie Smulders, uma das protagonistas do sucesso How I Met Your Mother. E bem poderia ser Fred Savage, o sumido ator mais conhecido como o Kevin Arnold de Anos Incríveis (ou Wonder Years). Ou mesmo Keegan-Michael Key (de Tinha Que Ser Ele, 2016), que inventou de ser cômico e tenta nos convencer disso.

Como o nome já diz, somos apresentados a ex-colegas de faculdade que costumavam ser muito próximos e a vida tratou de afastá-los. Com a volta do casal principal para a cidade onde os outros moram, os reencontros e festinhas se tornam mais frequentes, o que traz de volta os ranços e ressentimentos de antigamente. Não chega a ser dramática, tampouco é engraçada. Reuniram um bando de personagens enfadonhos, nenhum com carisma suficiente para carregar a atração, e eles não avançam em direção alguma. A vida é curta para seguir algo como Friends From College.

Uma série mais bem sucedida é Ozark, também estrelada por um nome ligado à comédia. Jason Bateman, de Arrested Development e filmes como A Última Ressaca do Ano (2016), parte para algo bem mais sombrio do que costuma fazer. E ajuda muito ter alguém do porte da ótima Laura Linney (de Animais Noturnos, 2016) ao lado, além de um coadjuvante de luxo como Peter Mullan (de Cavalo de Guerra, 2011). O próprio Bateman dirige quatro dos 10 episódios e os criadores são Mark Williams e Bill Dubuque, roteiristas de O Contador (2016).

Nos primeiros minutos de Ozark, descobrimos que o casamento dos Byrde está em frangalhos e Marty ainda tem problemas no trabalho, que é nada menos que lavar dinheiro para um cartel de drogas mexicano. Para evitar um problema maior, como perder a vida, Marty pega os filhos e a esposa e vai para a região do lago de Ozark, onde terá que conseguir negócios de fachada para lavar milhões em tempo recorde. E ele logo descobre os podres que toda cidadezinha parece esconder.

As peças em Ozark são bem encaixadas. Não é nada tão chocante quanto Breaking Bad, ou espetacular quanto Game of Thrones. É uma trama pé no chão, ancorada por um elenco muito equilibrado, que mantém o suspense de tal forma que fica difícil ver um episódio por vez. Apesar de cada um durar quase uma hora, eles passam rápido, e as situações parecem cada vez mais complicadas.

Uma série que consegue ser engraçada sem fazer esforço é a novidade mais recente do serviço de streaming: Atypical. Depois de trazer os holofotes para uma colegial suicida e para uma anoréxica, o próximo tabu que a Netflix enfrenta é o autismo. Mais uma vez aparentemente voltada para o público adolescente, a obra traz uma visão leve sobre a vida de um rapaz diagnosticado dentro do espectro do autismo. Ele tem crises esporádicas, uma mãe dedicada no limite da obsessão e tudo que quer é uma vida normal. Mas o que é ser normal? Esta é uma grande questão a ser trabalhada aqui.

No papel principal, Keir Gilchrist (de Corrente de Mal, 2014) demonstra ter feito seu dever de casa. Ele parece entender bem do assunto, com reações muito naturais e condizentes com a situação. Seus pais são vividos por ninguém menos que a excepcional Jennifer Jason Leigh (de Os Oito Odiados, 2015) e Michael Rapaport (de Sully, 2016), além de um elenco de apoio muito competente. O grande trunfo de Atypical é tratar do assunto de frente, expondo as hipocrisias, as dificuldades e os momentos mais sensíveis. Sam, o tal rapaz autista, só quer ser aceito e passa pelas mesmas situações que qualquer um aos 18 anos, talvez com alguns agravantes. E a série sempre o respeita, e trata com igual consideração os dramas dos outros personagens.

O elenco todo se reuniu para o lançamento de Atypical

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Selton Mello lança O Filme da Minha Vida

por Marcelo Seabra

Nas Serras Gaúchas, um jovem vive as angústias comuns da vida enquanto imagina por onde anda o pai, que se foi. Essa é a trama de O Filme da Minha Vida (2017), novo trabalho de Selton Mello como diretor e roteirista. Mello foi escolhido a dedo pelo escritor Antonio Skármeta para cuidar da adaptação do livro, trazendo a trama para o Brasil, ao invés do Chile do autor. E o resultado é uma obra sensível, esteticamente perfeita e com alguns problemas de roteiro que se tornam maiores quando se pensa mais a respeito.

Seis anos após o elogiado O Palhaço (2011), Mello volta a escrever com seu colaborador, Marcelo Vindicato. E o tom é bem próximo: há uma nostalgia quase palpável. Se o longa anterior fazia uma homenagem ao circo e a seus integrantes, o alvo desse é o próprio Cinema. Mas o assunto é mais abrangente, englobando as relações familiares, os medos da adolescência e o início da vida adulta. E há ainda uma espécie de tributo sentimental ao veterano Rolando Boldrin, que não participava de um longa desde O Tronco, de 1999, e ganha aqui um papel bem simbólico.

Johnny Massaro (ao lado) e Bruna Linzmeyer repetem aqui a dupla de A Frente Fria que a Chuva Traz (2015) e mostram muita química juntos, o que é essencial para que o filme funcione. E, no meio dos dois, surge a belíssima Bia Arantes (de Real, 2017), que vai complicar as coisas um pouco. E, falando em complicado, o pai do protagonista simplesmente desaparece, caindo no mundo e deixando a mãe dele triste e isolada em casa. Os atores que vivem o casal maduro são nada menos que excepcionais: Vincent Cassel (de Jason Bourne, 2016) e Ondina Clais Castilho (que trabalhou com Mello em Sessão de Terapia).

Como Skármeta (que também escreveu O Carteiro e o Poeta) confiou plenamente no diretor, foi dada liberdade para mexer no texto e o caminho seguido pode não ter sido o mais interessante. A primeira coisa que causa estranheza é o narrador ser o próprio Mello, o que dá a entender ser uma versão mais velha de Tony. Mas, aí, Mello aparece como um outro personagem. Mesmo forçando um sotaque gaúcho, reconhecemos a voz do mineiro, o que não faz sentido. E as revelações que vão aparecendo são tão frágeis que, pensando um pouco, acha-se inconsistências que incomodam.

Dois fatores que chamam muito a atenção em O Filme da Minha Vida são a fotografia e a trilha sonora. O excelente Walter Carvalho (de Heleno, 2011) tira o melhor das serras e da cidadezinha onde a história foi filmada, montando um cenário bucólico ideal ao clima do longa. E os exemplares do cancioneiro popular brasileiro substituem os clássicos chilenos do livro, se tornando mais um aspecto divertido. Tantas ótimas características, juntas, quase superam as questões problemáticas do roteiro.

Este é um exemplo de uma bela cena

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A guerra chega ao Planeta dos Macacos

por Rodrigo “Piolho” Monteiro

Depois de ver o surgimento de uma raça de símios inteligentes em Planeta dos Macacos: A  Origem (2011) e que o vírus da gripe símia criado então se disseminou e quase exterminou a raça humana em Planeta dos Macacos: O Confronto (2014), o terceiro capítulo da série dá continuidade a esses eventos. Agora, o confronto entre símios e humanos alcança o status de guerra generalizada.

Planeta dos Macacos: A Guerra (War for the Planet of the Apes, 2017) começa algum tempo depois do que houve em O Confronto. Como essa é uma sequência direta, parece que se passaram apenas poucos dias desde que Cesar (Andy Serkis, de Vingadores: A Era de Ultron, 2015) e seus macacos se refugiaram nas florestas ao redor de São Francisco buscando uma vida pacífica, longe dos humanos. No entanto, na medida em que os fatos são esclarecidos, podemos ver que se passaram diversos meses. Nesse meio tempo, o coronel mencionado em O Confronto, aqui vivido por Woody Harrelson (de True Detective, 2014), empreendeu uma caçada desenfreada contra os símios que, em sua visão, são os responsáveis pela dizimação da humanidade.

Após o primeiro confronto entre humanos e macacos, César decide abandonar sua decisão de apenas se defender dos ataques dos humanos para empreender uma vingança pessoal contra o Coronel. Para isso, ele contará com o apoio de Maurice (Karin Konoval, de séries como Lucifer e Bates Motel), Rocket (Terry Notary, de Kong: A Ilha da Caveira, 2016), o chimpanzé conhecido apenas como Macaco Mau (Steve Zahn, de Os Seis Ridículos, 2015) e a criança humana Nova (Amiah Miller). Contra eles, está o Coronel e uma divisão inteira do exército americano.

Planeta dos Macacos: A Guerra é um filme tecnicamente muito bem feito. A captura de movimentos, que a cada dia melhora, torna a movimentação dos macacos bastante realista e o CGI, no geral, é impecável. Com relação à trama, ela é bastante sombria e, em muitos momentos, soa maniqueísta, colocando os macacos como os injustiçados e os humanos, especialmente o Coronel, como seres movidos apenas pelo sentimento de “é matar ou morrer”.

Ao longo do filme são adicionados alguns tons de cinza, especialmente no que diz respeito às razões do Coronel tomar as atitudes que toma, mas isso não torna seu personagem menos unidimensional. Imagine o Coronel como um oficial nazista responsável por um campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial e terá uma ideia do que esperar do personagem no longa. Nem mesmo as razões que o Coronel revela motivarem suas atitudes conseguem dar mais profundidade a um personagem que tem a manha de usar óculos escuros de noite e na chuva.

Uma diferença marcante de A Guerra e o Confronto é que aqui o diretor Matt Reeves (mesmo do próximo filme solo do Batman) e seu parceiro no roteiro Mark Bomback (também de O Confronto) acharam por bem inserir um alívio cômico na personagem do Macaco Mau, um chimpanzé diferente daqueles presentes na tribo de César e com os quais nos acostumamos. Infelizmente, talvez devido ao clima geral do longa, essa inclusão parece forçada e fora de lugar. Macaco Mau faz muito pouco como alívio cômico e, apesar de ter sua importância na trama, qualquer personagem com outro tipo de personalidade poderia fazer sua função. Até porque, como dito acima, tudo no longa, com raras exceções, é sombrio e sem esperança tanto para humanos como para, especialmente, os símios e não há lugar para piadas aqui.

Com momentos que remetem ao pior do que a humanidade pode produzir – com diversas referências à Segunda Guerra, inclusive na forma como alguns personagens se comportam –  e alguns easter eggs que trarão alegria aos fãs da série clássica dos anos 1960, Planeta dos Macacos: A Guerra traz muito mais ação do que os anteriores e mantém a qualidade. A falta de sutileza nas referências, como é feito constantemente com Apocalypse Now (1979), pode incomodar os mais atentos. Não é um filme muito profundo nem tampouco deve se tornar um marco do cinema, mas é bem divertido.

Andy Serkis fez novamente a captura de movimentos para Caesar

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Nem trilha descolada salva Em Ritmo de Fuga

por Rodrigo “Piolho” Monteiro

Baby (Ansel Elgort, da série Divergente) é um ás do volante que possui uma condição rara chamada tinido. Isso afeta seus tímpanos, fazendo com que ele escute um zunido de maneira permanente, mais ou menos o que acontece com todos nós após comparecer a um show de música. Devido a isso, Baby utiliza fones de ouvido e escuta música o tempo todo, porque isso o ajudaria a se concentrar melhor. E foi daí que a distribuidora brasileira tirou a inspiração para adaptar o título Baby Driver para Em Ritmo de Fuga (2017).

Quando era adolescente, Baby tinha o hábito de roubar carros e fazer dinheiro com eles. Apesar de isso permitir que ele se tornasse um motorista extremamente hábil, também fez com que cruzasse o caminho de Doc (Kevin Spacey, da série House of Cards). Ao contrário da maioria das pessoas de quem Baby roubou carros, Doc é um gênio criminoso especialista em ações ousadas. Ao se tornar ciente das habilidades de Baby, ele chantageia o garoto. Por um tempo indeterminado, Baby servirá de piloto de fuga das equipes que Doc contrata para seus esquemas – sempre um time diferente – até que sua dívida esteja paga.

Quando o filme começa, Baby está a um trabalho de ficar livre da vida de crimes e da dívida com Doc. Ele tem planos que envolvem arrumar um emprego de verdade e uma garota com quem dividir sua vida. A segunda parte desse plano começa a se formar quando ele conhece Debora (Lilly James, de Cinderela, 2015) em uma lanchonete.

Escrito e dirigido por Edgar Wright (roteirista de As Aventuras de Tintim, 2011, e que, por muito tempo esteve envolvido com o filme do Homem-Formiga), Em Ritmo de Fuga é um filme bastante genérico. As cenas de perseguição, tanto de carro quanto a pé, são muito bem coreografadas e o fato de se usarem efeitos práticos ao invés de CGI ajuda a torná-las mais intensas.

Fora isso, não há nada que se destaque no filme. A maioria dos personagens – o elenco principal se completa com Buddy (Jon Hamm, da série Mad Men), Bats (Jamie Foxx, de O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro), Darling (Eiza González, da série Um Drink no Inferno) e  Joseph (C.J. Jones) – é bastante rasa e suas motivações ou não são claras ou mudam de repente, sem muitas explicações. Ou, ainda, são bem unidimensionais, do tipo “eu sou criminoso porque sou criminoso”. Há uma tentativa de dar mais profundidade ao personagem de Baby adicionando eventos traumáticos em sua infância, e mesmo assim isso não ajuda a esclarecer muito sobre sua personalidade.

Um dos grandes atrativos de Em Ritmo de Fuga deveria ser a trilha sonora, que vai do pop ao rock, passando pelo jazz, blues e música clássica. Temos aqui músicas de Queen, James Brown, Ennio Morricone, The Beach Boys, The Commodores, T. Rex, Beck, Blur, R.E.M., Barry White e uma infinidade de outros. O problema é que, numa tentativa de deixar mais clara a dependência de Baby no que diz respeito à música, muitas vezes a trilha sonora é intrusiva. São poucos os momentos no filme em que não há música e isso atrapalha. E também leva a algumas perguntas, sendo a principal delas: se Baby está o tempo todo ouvindo música com fones de ouvidos, incluindo aí as reuniões onde Doc detalha os planos dos crimes que seu time irá cometer, como é que ele ainda assim consegue escutar tudo o que é dito? Nem o melhor leitor labial conseguiria guardar tantos detalhes, especialmente se, além dos fones, usa óculos escuros o tempo todo.

Em Ritmo de Fuga é um daqueles filmes bem genéricos que falham na maioria de seus aspectos. Não é de todo ruim, mas não vale o ingresso.

Wright levou o elenco para o lançamento no Reino Unido

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Christopher Nolan vai à guerra com Dunkirk

por Marcelo Seabra

O desespero. De andar na rua com soldados inimigos à espreita. De pegar um barco sem saber se ele chega ao outro lado. De pilotar um avião com todas as chances apontando para uma morte violenta. Christopher Nolan mais uma vez surpreende o público. Muda para um gênero até então inexplorado por ele, sem magia ou fantasia, e assina uma pérola chamada Dunkirk (2017). Por favor, deem um Oscar a este senhor.

Se até hoje o título de filme com a batalha mais real era de O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan, 1998), essa época passou. E há uma enorme diferença: no longa de Spielberg, a tal batalha ocupava uma sequência; no de Nolan, é o tempo todo. Sob pontos de vistas diferentes, os acontecimentos são mostrados várias vezes, uma complementando a outra e situando ainda mais o espectador e aumentando a tensão.

Algo que chama a atenção logo de cara é o desenho de som, feito com um cuidado impecável. Ele predomina em boa parte da exibição, casado com uma ótima trilha sonora (de ninguém menos que Hans Zimmer) que sabe se impor assim como praticamente some em alguns momentos. Dessa forma, não precisamos de tantos diálogos, e esse é outro presente do diretor e roteirista. O silêncio preenche bem os espaços deixados, nos levando a acompanhar aqueles jovens que se encontram num conflito do qual não há muitas chances de sair.

Dunquerque (ou Dunkerque) é uma cidade na costa norte da França situada a 10 km da Bélgica e separada da Inglaterra por uns 100 km de mar. Em 1940, ela foi palco de um episódio não muito famoso da Segunda Guerra Mundial. Não convém explicar demais, ou citar o apelido dado por Churchill a esse ocorrido. Basta dizer que franceses e ingleses estavam acuados por alemães e foi dramático. E aterrorizante. E a forma como Nolan orquestra tudo é magnífica, arrancando o melhor de todos os seus colaboradores.

Tido por seus detratores como um realizador frio, dentre outros defeitos, Nolan mostra que sabe ouvir críticas e faz seu trabalho mais emocional. Isso, em menos de 110 minutos. Mesmo que não os conheçamos a fundo, seus personagens logo caem nas graças de todos e nos vemos torcendo por eles. Mesmo porque eles representam qualquer jovem que tenha ido à guerra, tendo voltado ou não. Os atores escolhidos, muitos estreando na tela grande, até se parecem, o que aumenta essa sensação de que eles simbolizam muitos outros. Em um desses papéis, o cantor Harry Styles prova ser bem versátil.

Entre os rostos conhecidos do elenco, o destaque não poderia ir a outro que não o excepcional Mark Rylance (Oscar como coadjuvante em Ponte dos Espiões, 2015 – acima). Ele aproveita bem cada segundo em cena com expressões que nos levam a entender aquele senhor sem esforço algum. Dois vilões de Batman, velhos conhecidos de Nolan, estão muito bem: Tom Hardy (o Bane) e Cillian Murphy (o Espantalho). Há também os oficiais vividos por Kenneth Branagh (de Operação Sombra: Jack Ryan, 2014) e James D’Arcy (de O Destino de Júpiter, 2015), além da voz inconfundível e não creditada de Michael Caine (o Alfred).

Poucas vezes, os horrores da guerra ficaram tão claros e foram tão bem retratados como em Dunkirk. Com um tema sério, e tão caro aos membros mais tradicionais da Academia, não seria difícil que Nolan ganhasse seu primeiro Oscar como Melhor Diretor. E seria muito merecido – é só olhar a carreira dele. A tecnologia IMAX, aliada à bela fotografia de Hoyte Van Hoytema (de Interestelar, 2014), pode causar uma impressão forte e acobertar falta de conteúdo. Felizmente, não é o caso, e ela só acrescenta.

O terror vem de todos os lados, até de cima

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Netflix retrata a anorexia em O Mínimo para Viver

por Marcelo Seabra

Com uma frequência cada vez maior, a Netflix segue lançando obras interessantes e pautando a crítica. O Mínimo para Viver (To the Bone, 2017) é a novidade mais recente, mostrando com um olhar bem natural a vida de uma jovem com anorexia. Escrito e dirigido pela produtora veterana Marti Noxon, o filme parece ter na equipe alguém que realmente sofreu da doença, tamanha é a naturalidade com que trata o tema. E tem: a própria Noxon, além da protagonista. O problema é a falta de foco, é deixar o assunto de lado e se importar mais com uma historinha romântica meia boca.

Lily Collins, coadjuvante em Okja (2017), também da Netflix, ganha aqui o papel principal como Ellen, uma artista de 20 anos que arrisca seriamente a saúde em busca de uma magreza que nunca é suficiente. Ela parece muito doente, de tão magra, mas sua condição não permite que ela mesma veja isso. A anorexia é mostrada de uma forma bem real, e até leve, com as personagens fazendo piadas – seria Emma Stone gorda ou apenas teria os ossos largos? O tom é bem-vindo, já que um filme dessa natureza poderia ter sido algo triste e intragável, e Collins está muito bem no papel.

A família de Ellen tem suas complicações, com um pai ausente, uma mãe que mudou de estado para viver com a companheira e uma madrasta controladora. O roteiro parece querer explicar a origem da doença da garota, o que não era necessário. Do histórico dela, também sabemos pouco. O que importa, para Noxon, é este momento da jornada, é quando Ellen conhece o Dr. William Beckham, um médico muito disputado, cujos métodos parecem ser nada ortodoxos. No papel, Keanu Reeves (mais conhecido como John Wick) parece tão relaxado que é até difícil ver nele alguém que lida com a vida e possível morte de seus pacientes. Raramente o vemos trabalhando, o que complica entender também a fama de infalível do personagem.

Do meio em diante, Ellen conhece melhor os outros hóspedes da casa para onde o médico a envia, uma espécie de clínica para vítimas de distúrbios alimentares. Cada um se encaixa num estereótipo: tem uma grávida, uma que vomita tudo o que come, uma que vive num mundo de pôneis e por aí vai. As coisas se tornam enfadonhas quando ela se aproxima de um bailarino chato e insistente que se recupera de uma lesão. O ator, Alex Sharp, é um vencedor do prêmio Tony que faz sua estreia no Cinema. Ele mostra grande habilidade, mas o que lhe cabe não é uma tarefa agradável.

O Mínimo para Viver perde o foco e uma oportunidade de se aprofundar em sua protagonista, caindo na cilada dos filmes para a televisão – alcunha negativa de obras de antigamente, aquelas que normalmente vemos na TV aberta em tardes preguiçosas. Noxon e Collins reviveram alguns dos dramas de suas juventudes, mas os vários talentos empregados acabam se perdendo e o resultado não passa do mediano. Isso, sem antes 20poupar a ótima Lili Taylor (de Invocação do Mal, 2013), que passa por uma cena constrangedora de amamentação.

Noxon e Collins lançaram o longa em Sundance

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Michael Bay insiste em um quinto Transformers

por Marcelo Seabra

Chega aos cinemas essa semana a quinta aventura de uma franquia que está completando dez anos de existência. Como continua inexplicavelmente rendendo muito dinheiro, ela não dá sinais de acabar. Transformers: O Último Cavaleiro (Transformers: The Last Knight, 2017) leva a sério a ideia de ir mais longe a cada episódio, com explosões e conflitos de escalas astronômicas. E exagera também nos clichês característicos de Michael Bay e na ininteligibilidade do roteiro, que exige mais paciência que compreensão do espectador.

Lendo a crítica do quarto filme da franquia, quase desisto de assistir ao quinto. E podemos perceber que tudo de ruim que foi visto na aventura anterior se repete aqui: excessos de câmera lenta; um humor insistente e fora de lugar; imagens contraluz e trêmulas; trilha sonora extremamente invasiva; ação impossível de entender; cenas que duram segundos; desenho de som exagerado e altíssimo; combates e destruição que se repetem; e humanos nada críveis e insossos. Isso tudo distribuído em duas horas e meia que mais parecem cinco, de tão cansativas.

Mark Wahlberg volta ao papel do inventor e mecânico Cade Yeager, agora com um draminha de estar afastado da filha por ser um criminoso procurado. Ajudando os autobots, igualmente fora da lei, ele mantém um ferro velho como base de operações. Tanto o herói quanto os robôs  parecem circular tranquilamente, e os militares que os rastreiam não fazem nada a respeito. Quando uma menina totalmente descabida salva uns garotos enxeridos que invadem os destroços de um estádio, Yeager aparece magicamente e a trama tem início.

Com um quê de Prometheus e Covenant, é introduzida uma espécie de deusa que teria criado a raça dos Transformers, e Optimus Prime parte em busca dela. A partir daí, posições ideológicas são alteradas, novos personagens entram na história e a Terra chega perto da destruição. Entre as adições ao elenco, temos como destaque Sir Anthony Hopkins (de Westworld) passando vergonha, algo que se tornou uma constante na carreira do ator, e Tony Hale (de Arrested Development e Veep), um comediante ótimo que é desperdiçado numa conversa sem sentido sobre física e matemática. Stanley Tucci é reaproveitado em outro papel, na introdução do filme que acaba sendo a melhor sequência. Se o quarto voltava aos dinossauros, este vai à era do Rei Arthur.

A mocinha da vez, que não deixa nada a dever à beleza de suas antecessoras, é Laura Haddock (a mãe do Starlord – ao lado), uma acadêmica muito culta num vestido de stripper – como ela é descrita em determinado momento. Esse é outro defeito do roteiro: fazer graça com suas inconsistências e faltas de noção, como se isso as desculpassem. Hopkins, por exemplo, faz pose o tempo todo e acaba sendo descrito como cool. A tal garota do início, vivida por Isabela Moner, chega a responder um sonoro “Eu não sei” quando lhe perguntam o que ela está fazendo no meio da guerra. Ninguém sabe, Isabela.

A experiência de assistir a O Último Cavaleiro pode ser associada a ter uma dor de dente. Ou, mais precisamente, a um tratamento de canal, já que é interminável e doloroso. Por um lado, a boa notícia é que Michael Bay anunciou que este será o último Transformers com ele na direção. Por outro, a ruim é que a franquia deve seguir por mais muitos anos, além de ter derivados sendo escritos nesse momento.

O elenco principal se juntou a Bay no lançamento

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Castlevania vai do jogo para as telas

por Rodrigo “Piolho” Monteiro

Lançado no Japão pela Konami em 1986, Castlevania tornou-se um sucesso mundial e, desde então, gerou mais de 30 jogos com a mesma temática, contando aí continuações diretas ou derivados. Cultuado por pelo menos duas gerações de jogadores, o jogo foi adaptado pela Netflix em formato de animação e, desde 7 de julho, está disponível no serviço de streaming.

A história da franquia é bastante simples e acompanha, basicamente, os Belmont, uma família de caçadores de vampiros em sua luta contra seres das trevas, em especial seu patriarca, Drácula. A série animada não se afasta muito dessa premissa, ainda que comece em um momento equivalente ao terceiro jogo da série.

Usando um estilo de animação que mescla técnicas japonesas e ocidentais, Castlevania começa em 1450, na Wallachia, terra onde o Conde Vlad Dracul, ou simplesmente o Conde Drácula (Graham McTavish, de Creed: Nascido para Lutar, 2015), era uma figura temida por todos, especialmente pela forma como punia seus inimigos. Drácula vivia em isolamento e era deixado em paz por todos, até que uma mulher, Lisa (Emily Swallow, de séries como Supernatural), decide abordá-lo em busca de um conhecimento que apenas o Conde poderia lhe proporcionar. Em troca, ela lhe ensinaria tudo o que pudesse sobre a condição humana.

Vinte cinco anos se passam e Drácula se tornou um viajante, que percorre o mundo para conhecer mais o ser humano. Lisa, graças ao conhecimento obtido com seu agora marido, se tornou uma curandeira das mais competentes. Em uma Europa dominada pela Santa Inquisição, uma mulher dotada de conhecimentos não acessíveis aos homens da Igreja não poderia ser nada senão uma bruxa. Assim, enquanto Drácula está fora, Lisa é capturada, condenada e, sob as ordens do Bispo (Matt Frewer, de O Bom Gigante Amigo, 2016), queimada na fogueira como a bruxa que seria.

Ao voltar a Wallachia e tomar conhecimento do destino de sua esposa, Drácula sai de seu isolamento e dá um ano ao povo do país para fazer as pazes com seu deus antes de liberar o exército do inferno sobre aquela terra. Ao final do prazo, somos apresentados a Trevor Belmont (Richard Armitage, da trilogia O Hobbit), o último descendente de uma família caçadora de monstros que foi excomungada pela Igreja. Trevor, no entanto, é um caçador decadente e se preocupa menos com o flagelo que Drácula infligirá sobre Wallachia, e depois ao resto do mundo, e mais em viver sua vida. Suas preocupações se resumem, basicamente, a comer, dormir, ficar bêbado e começar tudo de novo na próxima cidade. Isso, no entanto, muda quando ele é arrastado para um cenário onde é praticamente forçado a desenferrujar suas habilidades e encarar o exército infernal.

A primeira temporada de Castlevania tem apenas quatro episódios, com cerca de 24 minutos cada. Em conjunto, formam um longa-metragem que serve como um grande prólogo ao universo onde se passam suas histórias. A série alterna bons e maus momentos, o desenvolvimento lento é repentinamente acelerado e há algumas boas sequências de ação, além de bastante violência e sangue. Cortesia de Warren Ellis, roteirista bastante conhecido dos fãs de quadrinhos e que teve uma de suas principais obras, Red – Aposentados e Perigosos, adaptada para a telona. É dele também a história que serviu de base para o roteiro de Homem de Ferro 3.

Apesar de um diálogo genérico aqui e ali e um belo vacilo dos tradutores da Netflix, que mantêm a ordem religiosa dos Speakers no inglês nos três primeiros episódios e passam a traduzir o termo como os Oradores no quarto, Castlevania é uma série divertida e deve agradar tanto aos fãs do jogo quanto aos de histórias de vampiros. Uma segunda temporada, com oito episódios, já foi encomendada e deve estrear em algum momento de 2018 na programação do serviço.

Era só colocar a ficha e jogar

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