Hannibal Lecter ganha nova vida na TV

por Marcelo Seabra

Hannibal

Ele foi eleito pelo American Film Institute o maior vilão do Cinema. Rendeu um Oscar a Anthony Hopkins, uma sequência, dois longas baseados no mesmo livro, um filme de origem e, agora, chega à TV. Hannibal Lecter, criação do escritor Thomas Harris, mantém sua usual posição de coadjuvante, mas sempre rouba a cena. Em Hannibal (2013), produção exibida pela NBC nos EUA e que acaba de chegar ao AXN, ele acaba de conhecer o agente que o prenderia no futuro. Trata-se de “como tudo começou”.

Hannibal LecterO Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs, 1991 – ao lado) e Hannibal (2001) foram o suficiente para que Lecter fosse votado pelo AFI, em 2001, como o “Mais Memorável Vilão da História do Cinema”. Na primeira história, Dragão Vermelho, levada aos cinemas duas vezes (Manhunter, 1986, e Red Dragon, 2002), descobrimos como se deu sua captura pelo agente Will Graham (William Petersen/ Edward Norton). Mas por que parar agora se podemos faturar um pouco mais? Harris assinou um contrato de oito dígitos para mais dois livros da série. O primeiro, Hannibal – A Origem do Mal, foi filmado imediatamente após o lançamento (Hannibal Rising, 2007), e o próximo deve seguir a cronologia de Hannibal (de 2001).

A série de TV, criada por Bryan Fuller (produtor e roteirista de Heroes e Pushing Daisies), evita a armadilha de colocar o sociopata como vítima de situações que o levaram a perder a sanidade, caso da aberração de 2007. Ela precede o primeiro livro com o personagem, Dragão Vermelho, e narra episódios vagamente mencionados antes. Vivido pelo ótimo Mads Mikkelsen (de 007 – Cassino Royale, 2006), Lecter é um psiquiatra brilhante procurado pelo FBI para dar suporte psicológico ao agente especial Will Graham (Hugh Dancy, de Histeria, 2011) durante uma intricada investigação. Graham supostamente tem um tipo leve de autismo, quase um transe, que permite que se coloque no lugar do assassino que procura, algo muito além de analisar pistas e traçar perfil, o que o torna único para o bureau. Ele só deve tomar cuidado para não entrar demais e sacrificar sua própria saúde. Laurence Fishburne, que fazia um papel parecido em CSI, é o chefe de Graham.

HannibalPara aliviar sua mente e entender seus sentimentos, Graham se consulta com Lecter, que acaba ajudando-o na investigação. Como as teorias acabam fazendo parte das sessões, Lecter passa a ter informação privilegiada. Não haveria nenhum problema aí, se não soubéssemos que trata-se de um monstro mais perigoso que os procurados pelo FBI. O mais divertido é que o espectador entende tudo quando vê Lecter sentado à mesa se deliciando com uma iguaria preparada com esmero, enquanto um outro personagem diria trata-se de carne de porco. Ele ainda não ganhou o apelido de Hannibal, o Canibal.

Focar em psicopatas, especialmente nos carismáticos, parece ser uma moda atual da TV americana. Seria um próximo passo, depois de tantos anos de séries sobre investigações criminais, como Law and Order, CSI, Criminal Minds e as várias encarnações de Sherlock Holmes. The Following, por exemplo, traz um escritor psicótico, refinado e erudito que cria uma seita e desenvolve uma estranha relação com o agente que o persegue. Norman Bates, de Psicose (1960), é um personagem igualmente famoso (o número 2 para o AFI) que tem seus anos de formação contados em Bates Motel. E Dexter, que vai para sua derradeira temporada, dispensa apresentações. Hannibal Lecter chega para abrilhantar essa lista e nos fazer mais uma vez torcer por um sujeito longe de ser herói.

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Evil Dead ganha refilmagem bem superior

por Marcelo Seabra

Evil Dead wallpaper

Cinco amigos vão passar um fim de semana em uma cabana na floresta, passam a ser assediados por demônios e logo percebemos que eles não vão viver por muito tempo. Com essa premissa, Sam Raimi juntou um grupo de conhecidos e a mixaria de dinheiro que tinha para realizar The Evil Dead, chamado aqui de A Morte do Demônio (1981). A empreitada deu tão certo que duas sequências foram realizadas e em 2009 começaram os planos de Raimi para produzir uma refilmagem. Para a direção, foi convidado um jovem uruguaio, Fede Alvarez, que acabava de lançar seu quarto curta-metragem, Ataque de Pánico! Assim, começavam os preparativos para o novo Evil Dead – A Morte do Demônio (2013), que chega esta semana aos cinemas brasileiros.

Com a ajuda de seu fiel colaborador Rodo Sayagues, Alvarez teve carta branca para escrever o roteiro e fazer as alterações que se fizessem necessárias. A essência do original está lá, com diversas homenagens, mas a nova obra é bem melhor. Ações e reações são mais compreensíveis, os personagens demonstram ter mais bom senso e as situações são melhor amarradas. Os clichês habituais não se destacam, sendo usados discreta e apropriadamente, e os recursos visuais, mesmo simples e críveis, estão a anos luz do que foi visto em 1981. E, apesar de ser uma refilmagem e estarmos em uma época em que parece que tudo já foi feito, o filme realmente consegue surpreender, o que é um grande feito!

Evil DeadO elenco, todos jovens, não chama a atenção para ninguém específico, eles estão bem entrosados. As interpretações são competentes e eles realmente parecem estar em risco, visto que os próprios atores fizeram a maioria das cenas perigosas. Shiloh Fernandez (de A Garota da Capa Vermelha, 2011) é David, sujeito que estava afastado da irmã desde que a mãe ficou doente. Mia (Jane Levy, da série Suburgatory) tem um grave problema com drogas e há pouco perdeu a mãe, que era insana. Para ajudar a garota, dois amigos da região decidem chamar o irmão dela e irem todos para a cabana da floresta que frequentavam quando crianças.

O problema começa quando eles encontram um livro maldito que traz algumas invocações a demônios milenares que não sossegam até levar todas as almas possíveis. Mia, com histórico de drogas e doença mental na família, é a vítima perfeita para uma possessão, já que ninguém acredita nela. É então que o sangue começa a jorrar, fazendo a felicidade de quem procura por este tipo de filme. Não faltam ferimentos, enquanto David continua afirmando que “ficará tudo bem”. O mesmo espírito do original, que estabeleceu Ash (vivido por Bruce Campbell) como um herói do gênero terror. Campbell, aqui, entra como produtor, mantendo seu laço com a franquia.

O fato de não existirem regras definidas sobre o funcionamento do livro e dos espíritos possessores deixa o futuro nas mãos dos roteiristas, que podem manipular a ação de acordo com a necessidade. O próprio livro já é estranho: para que trazer as palavras de invocação se ele ensina também a combater o mal? Mas aí seria se prender a detalhes. O prólogo estabelece os rumos e o clima da história e os 90 minutos que se seguem são de pura diversão.

Eis os jovens a serem trucidados

Eis os jovens a serem trucidados

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The Rock vira Dwayne Johnson em O Acordo

por Marcelo Seabra

Snitch

Ao mesmo tempo em que continua em sua jornada de herói e suposto salvador de franquias que não têm para onde ir, como G.I. Joe e Velozes e Furiosos, Dwayne Johnson tenta ser levado a sério, alternando projetos de estilos diferentes. Para mostrar seu talento dramático, ele se aventurou em um longa policial como um pai que pretende salvar o filho em O Acordo (Snitch, 2013). Qualquer ator da mesma faixa etária poderia estar ali, o físico não fez diferença desta vez, e Johnson quer se afastar da alcunha que o fez famoso: The Rock. Sobra carisma ao ator, mas ele parece bem fora de lugar.

Snitch Rafi GavronJohnson vive John Matthews, um empresário do ramo de transportes que tem o filho mais velho preso em uma armadilha. A lei americana prevê atenuamento de pena para quem é acusado de tráfico se ele ajudar na prisão de outra pessoa pelo mesmo crime. Na prática, se pode armar arapucas para desavisados inocentes e curiosos, caso do jovem Matthews (Rafi Gavron, de Fuga Implacável, 2012 – acima). Vendo o filho na cadeia passando por maus bocados, ele decide se infiltrar no submundo das drogas para conseguir entregar um peixe grande. Frente a esta possibilidade, a promotora vivida por Susan Sarandon (de A Viagem, 2012) promete reduzir a pena drasticamente.

O roteiro de O Acordo, escrito pelo diretor Ric Roman Waugh (de Felon, 2008) e Justin Hayte (de Foi Apenas um Sonho, 2008), baseia-se em um evento real, mostrado em um programa na televisão americana em 1999. Na ocasião, foi discutido o absurdo de uma lei que condena uma pessoa por ela simplesmente ter recebido em casa um pacote de drogas, e ela não precisa nem saber do que se trata. Com a jogada armada, a polícia cerca a casa e apenas aguarda a entrega para dar o bote imediato. Com a delação premiada, há redução de pena para quem dedurar. O desespero para conseguir o benefício é tão grande que cabe até trair amigos e criar situações.

Eventos que ligam o aviso de inverossímil acontecem, mas não são frequentes. A facilidade com que Matthews consegue seu primeiro trabalho ilegal e as perseguições com caminhões são exemplos, mas os exageros ficam por aí. O vilão de Benjamin Bratt (da série Modern Family) é mais raso que uma tábua, mau e pronto. Sarandon também não tem muito o que fazer, vivendo uma advogada ambiciosa com aspirações políticas precisando aparecer. Por outro lado, temos Barry Pepper (de The Kennedys), que chama a atenção como o suspeito braço direito de Sarandon. Jon Bernthal, do sucesso televisivo The Walking Dead, é outro que pode se aprofundar um pouco mais em seu papel, servindo de anfitrião para Matthews no mundo das drogas.

É interessante ver The Rock apanhando e caindo de cara, mas qualquer pessoa esperaria vê-lo distribuindo pancadas de volta. Não é o que o papel demanda. Independente do esforço de Johnson, ele ainda é uma figura enorme que destoa como pai de família pacato. E o carisma não esconde a falta de expressão, o que limita o resultado.

Susan Sarandon e Barry Pepper

Susan Sarandon e Barry Pepper são as autoridades

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Policial é outra ótima escolha de McConaughey

por Marcelo Seabra

Killer JoeApesar de alguns cineastas pensarem que precisam de muitos personagens e minutos para contarem uma boa história, outros provam o contrário. Com um roteiro enxuto e pouco mais de uma hora e meia, William Friedkin, diretor de nada menos que o clássico O Exorcista (The Exorcist, 1973), conta uma história de crimes e traições em um pequeno e problemático núcleo familiar que já entra para a história como alguns dos caipiras ficcionais mais estúpidos de todos os tempos. Killer Joe – Matador de Aluguel (2011) é divertido, violento e traz ótimas interpretações de todos os envolvidos.

Emile Hirsch (de Na Natureza Selvagem, 2009) é o primeiro Smith que conhecemos, Chris. Tendo sido roubado pela própria mãe, o jovem se vê numa situação complicada. Ele precisa pagar os fornecedores da droga roubada e não tem um tostão. Seu pai, o banana Ansel (Thomas Haden Church, de Compramos um Zoológico, de 2011), não tem como ajudar: ele mora em um trailer com a nova esposa e a filha e mal ganha o suficiente para sustentá-las. Chris, então, vê a saída: já que a mãe causou o problema, nada mais justo que ela ser usada para acertar tudo. Ele e Ansel decidem procurar o detetive Joe Cooper (Matthew McConaughey, de Magic Mike, 2012), conhecido entre os marginais locais como um assassino de aluguel. A mãe seria executada para que o dinheiro do seguro de vida resolvesse as dívidas deles.

Esse plano aparentemente simples não poderia dar errado, pensam Chris e Ansel. E as coisas começam a sair dos eixos quando Joe esclarece que só trabalha por pagamento adiantado, o que tornaria a jogada inviável. O matador propõe ficar com a garota Smith, Dottie (Juno Temple, de Batman Ressurge, 2012), como garantia para o pagamento, e a família aceita. Daí em diante, vemos uma sucessão de ações impensadas, trapalhadas com consequências sérias e surpresas desagradáveis.

Killer Joe McConaugheyUma boa história como esta é uma oportunidade para os atores mostrarem do que são capazes, e é o que faz McConaughey: Joe Cooper é um personagem amoral, frio e objetivo, o tipo que faz bem para qualquer carreira quando o ator sabe como conduzi-lo. Para quem vinha fazendo comédias românticas ordinárias, essa é uma grande virada, e que ele continue nesse caminho. Outra grata surpresa é Gina Gershon: mais lembrada pelo infame Showgirls (1995), a atriz tem um ótimo desempenho e sua interação com um pedaço de frango frito é traumática.

Friedkin usa a peça e o roteiro de Tracy Letts, com quem já havia trabalhado no suspense acima da média Possuídos (Bug, 2006), para construir o retrato de uma família que não se importa em matar um dos seus para conseguir dinheiro. E mesmo a vítima, que nunca chega a aparecer, também não é uma coitadinha, já que todas as menções a ela são negativas. E o membro da força policial, que deveria ser a esperança de algo de bom, de cumprimento da lei, é o pior de todos, que vai fazer com que o plano seja concluído. O espaço restrito onde vivem é muito bem utilizado, reforçando a vida opressiva que eles levam, como se aquilo fosse um círculo vicioso: eles são produto do meio, mas são eles que criam e se aproveitam do meio. É mal do ser humano querer levar vantagem, mesmo que alguém seja prejudicado, e Killer Joe deixa isso muito claro. E a pior tortura não é necessariamente física, como prova Joe Cooper.

Apresentando: a família Smith

Apresentando: a família Smith

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Tom Cruise enfrenta outra guerra de mundos

por Marcelo Seabra

Oblivion poster

Depois de viver o policial renegado Jack Reacher (2012), Tom Cruise partiu para uma aventura futurista com um personagem quase homônimo ao outro: Jack Harper, o “cara da limpeza” de Oblivion (2013). O longa é dirigido por Joseph Kosinski, que estreou na função com Tron: O Legado (Tron Legacy, 2010). O roteiro é baseado numa Graphic Novel do próprio Kosinski, com Arvid Nelson, ainda não publicada. Como se podia esperar, vemos cenários grandiosos e criativos, efeitos bem desenvolvidos e o mais importante: questões ligadas à existência humana, o que não poderia faltar numa ficção-científica que se preze.

Depois de uma guerra entre humanos e uma raça alienígena, a Terra venceu, mas não tinha prêmio para levar. O planeta foi destruído e todos foram viver numa lua de Saturno. Para manter a vida lá, é preciso retirar água dos oceanos e torná-la potável. As máquinas que realizam esse processo são constantemente atacadas por seres chamados de Saqueadores, e a segurança delas é mantida pelos drones, robozinhos com artilharia pesada. Jack Harper é uma mistura de técnico e militar cuja função é manter os drones funcionando, indo às áreas de guerra contra os Saqueadores para resgatar e consertar máquinas danificadas.

Oblivion Cruise

Flashes de uma época que Harper não viveu o perseguem em sonhos e ele sente uma grande melancolia ao passar por lugares antes muito visitados e importantes, hoje destruídos. O longa começa com uma certa frieza, já que tudo é muito limpo, impessoal, com cores claras, e vai mudando à medida que Harper descobre algumas verdades sobre a realidade. As cores vão esquentando e as relações entre os personagens ficam mais naturais. Nesse ponto, o entendimento pode ficar um pouco comprometido, já que descobrimos tudo na garupa do personagem, mas logo as peças se encaixam. Até a geografia é complicada, e suspeito que não faça sentido sempre. O volume de ação não é o usual dos filmes com Cruise, o que é bom: há tempo para desenvolvimentos necessários.

Além de Cruise, que obviamente ganha mais destaque, os demais nomes do elenco de Oblivion foram bem escolhidos. Olga Kurylenko (de 007 – Quantum of Solace, 2008) é a única mais fraquinha, sem muita expressão, e sua personagem não permite aparecer muito. Andrea Riseborough (de Pior dos Pecados, 2010) mais uma vez mostra que é um nome à beira da fama, mudando de emoção com uma facilidade enorme. O Beech de Morgan Freeman não é muito diferente do Lucius Fox da trilogia Batman, com Nicolaj Coster-Waldau (de Mama, 2013) ao seu lado. Temos ainda Melissa Leo, que faz como em O Voo (Flight, 2012): uma participação menor, mas significativa.

Cruise compensa suas limitações artísticas com muito esforço físico e dedicação, sem nunca perder a preocupação com o visual. Tudo nele parece sempre estar no lugar certo, começando pelo cabelo. Tirando a vaidade, é interessante notar que é um traço do personagem buscar ser o mais livre possível, o que significa não ficar o dia todo com o uniforme designado a ele, caso da resignada colega Victoria (Riseborough). O boné dos New York Yankees, por exemplo, é um claro indicador do apego dele a coisas pequenas com um grande significado. A condição em que Harper se encontra é como o Montag de Fahrenheit 451 (1966) e há ainda referências claras a 2001 – Uma Odisséia no Espaço (2001: A Space Odyssey, 1968), além de temas similares ao mais recente Lunar (Moon, 2009). O que coloca Oblivion em muito boa companhia.

Cruise e suas belas colegas apresentam Oblivion

Cruise e suas belas colegas apresentam Oblivion

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Julgamento de produtor musical chega à HBO

por Marcelo Seabra

Phil Spector posterDepois das bem sucedidas parcerias com a HBO em Angels in America (2003) e You Don’t Know Jack (2010), Al Pacino se uniu ao canal para mais um longa inspirado em uma figura pública e polêmica. Phil Spector (2013) ganha sua primeira exibição nacional no próximo dia 13/04. Além de Pacino, (quase) sempre ótimo de se ver, há ainda outra atração: a presença de Helen Mirren, outra grande força do cinema. Isso, além de contar com David Mamet (de Cinturão Vermelho, 2008) no roteiro e na direção, o que é garantia de bons diálogos.

Phil Spector versõesNos anos 60, Spector (ao lado, em fotos mais recentes) foi um pioneiro da música norte-americana. Além de compor vários sucessos da década, como You’ve Lost That Lovin’ Feelin’, tida como a música mais tocada no século XX, ele produziu diversos artistas, como os Beatles. Foi Spector quem criou a técnica de gravação conhecida como Wall of Sound, que deu ao rock um som forte, dividido em camadas com instrumentos bem delimitados, uma riqueza digna de orquestras. Sempre nos holofotes, ele produziu John Lennon, Leonard Cohen, até os Ramones. Episódios chocantes, como ameaças com armas a artistas que não queriam seguir suas recomendações, apareceram com certa frequência, mas normalmente ficavam na esfera de boatos.

Em 3 de fevereiro de 2003, o corpo de uma atriz foi encontrado na casa de Spector. Lana Clarkson tinha dentes quebrados e um ferimento de bala na boca. Um escândalo dessa grandeza logo faz mais pessoas contarem o que sabem e outras mulheres revelaram que haviam sido coagidas por Spector com armas, que ele colecionava. Em 2007, o julgamento começou e, depois de ser representado por outros advogados, ele passou a contar com a experiente Linda Kenney Baden. Assim como aconteceu com A Garota (The Girl, 2012), também da HBO, a obra atraiu críticas de todos os lados. A família de Clarkson alega que a teoria de suicídio defendida por Spector ganha muita confiança, enquanto a esposa dele alega que o marido é mostrado como um monstro megalomaníaco.

Phil Spector and Linda

Para evitar problemas, a produção já começa exibindo aqueles avisos de tratar-se de ficção. Ou tem passagens cruéis que teriam sua veracidade contestadas, ou muito foi realmente invenção. Conhecemos mesmo os fatos básicos, que cercam a chegada da advogada ao caso e o desenrolar do julgamento. Mas as conversas entre eles são cortesia do sr. Mamet, que permitem a Pacino e Mirren brilhar nos papéis principais. O personagem permite a Pacino seus exageros característicos, já que Spector é mostrado como um milionário, digamos assim, excêntrico. Ele se vê como perfeitamente normal, e sabe que há muita gente estranha e que se deixa levar pela fama e poder, mas não é o caso dele.

Phil Spector (o filme) mostra sim uma certa tendência a defender as teses de seu protagonista, mas isso simplesmente se deve ao fato de acompanharmos tudo pelos olhos da advogada. Não há o outro lado. Ao contrário de outra produção da HBO, o excepcional Virada no Jogo (Game Change, 2012), o longa não dá muitas informações sobre os retratados. O centro é o curto relacionamento profissional entre eles, e só. Para quem espera ver mais sobre a fascinante vida de Spector, desista. Mas são 90 minutos estrelados por Pacino e Mirren, o que vale – e muito – a sessão.

Sem os nomes, ficaria difícil acertar

Sem os nomes, ficaria difícil acertar

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Chega a conclusão da adaptação de O Cavaleiro das Trevas

por Rodrigo “Piolho” Monteiro

The Dark Knight Returns part 2

Lançada no Brasil diretamente para o mercado de homevideo, Batman: O Cavaleiro das Trevas – Parte 2 (Batman: The Dark Knight Returns, Part 2, 2013) fecha a obra animada que adapta para a telinha a revista homônima criada por Frank Miller (texto e arte), Klaus Janson (arte-final) e Lynn Varley (cores) nos anos de 1980 para os quadrinhos e que redefiniu a figura do Homem-Morcego desde então.  Essa segunda parte adapta a terceira e a quarta edições da minissérie, sendo que as duas primeiras foram o foco de Batman: O Cavaleiro das Trevas – Parte 1, animação lançada ao fim de dezembro de 2012 (leia aqui).

The Dark Knight Returns RobinBatman: O Cavaleiro das Trevas – Parte 2 começa poucos meses depois de onde a primeira parte termina. Batman e a nova Robin (Carrie Kelly) desbarataram  a rede criminosa conhecida como Os Mutantes e o mundo do crime de Gotham, ainda que ativo, segue desorganizado, o que faz com que o foco da história mude de direção e se divida em diversas direções paralelas, ainda que relacionadas. Com a aposentadoria de James Gordon, sua sucessora, a comissária Ellen Yindel, decide que o vigilantismo do Homem-Morcego não deve ser tolerado e começa uma caçada, ao mesmo tempo em que o ressurgimento de Batman causa efeitos indesejados no Coringa, que sai de seu estado catatônico e retoma sua obsessão por seu rival. Ardiloso e brilhante, o Palhaço do Crime convence a todos que seu passado de crimes e psicopatia se dá única e exclusivamente pela existência do Batman, passando de criminoso a vítima aos olhos de parte da população.

Nesse mesmo momento, há um conflito maior se avizinhando, na medida em que as tensões entre os Estados Unidos e a União Soviética crescem e tudo leva a crer que uma guerra nuclear se aproxima. É bom lembrar que, na época em que a obra fora publicada, havia uma guerra ideológica entre EUA e a extinta URSS, a Guerra Fria. Enquanto os soviéticos aportam armas nucleares na ilha de Corto Maltese – quase uma versão de Cuba aqui – os EUA mobilizam sua maior arma visando encerrar o conflito rapidamente. Essa arma atende pelo nome de Superman.

The Dark Knight Returns Superman

Logo as coisas saem de controle em ambos os lados. Enquanto o Superman parte para guerra contra os soviéticos, Batman e Robin encaram o Coringa enquanto tentam se esquivar da polícia. A violenta sequência em que o vilão e o Cavaleiro das Trevas se enfrentam é uma das mais gráficas da minissérie e a transposição dela para as telas foi bastante satisfatória, mantendo uma fidelidade ao original que é difícil de se ver nesse tipo de obra, já que público-alvo geralmente é mais jovem. Aqueles que conhecem o original podem imaginar. Para aqueles que nunca leram os quadrinhos, basta dizer que há bastante ação e mais sangue do que o esperado.

Com ambos os problemas superados – as situações entre EUA e URSS e entre Batman e o Coringa – é hora de amarrar as pontas soltas até então. Outra subtrama se desenrola, dessa vez envolvendo o ex-comissário Gordon: o presidente dos EUA, Ronald Reagan, recebe um pedido de ajuda de Gotham para que ele envie seu “policial superpoderoso” à cidade para cuidar do problema chamado Batman, já que há uma lei em vigor nos EUA que forçara todos os ditos heróis (super ou não) e vigilantes a se aposentarem compulsoriamente. Batman claramente está desafiando essa lei.

No final das contas, ambas as partes de Batman: O Cavaleiro das Trevas se tornam animações muito atraentes que mostram que, apesar das falhas na tela grande, no mercado de desenhos animados a Warner continua a milhas de distância da concorrente, a Marvel Comics. Seria, na verdade, interessante ver como ela se sairia se lançada diretamente no cinema, aproveitando a alta que Batman tem tido nesse meio graças à trilogia de Christopher Nolan. Os produtores, no entanto, fizeram a escolha certa, já que as concessões que precisariam ser feitas no que diz respeito ao tom e mesmo à duração da obra – mais de 140 minutos em conjunto – tornariam-na algo muito diverso do original e isso provavelmente traria mais danos do que ganhos.

O Coringa chega a ser entrevistado em rede nacional

O Coringa chega a ser entrevistado em rede nacional

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Curta argentino vira um interessante longa de terror

por Marcelo Seabra

Mama poster

Os filmes de terror atuais têm mostrado principalmente dois problemas: o fatídico momento em que o monstro se revela e acaba com todo o clima que vinha sendo construído; e o aspecto de produção de fundo de quintal, já que muitas dessas obras são realizadas com orçamento pequeno e atores não tão competentes. Mama (2012) resolveu a segunda questão, com uma ótima protagonista: a onipresente Jessica Chastain, indicada ao Oscar este ano por A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty, 2012). E se sustenta bem, até uma conclusão que perde um pouco do impacto, mas vale a jornada. É o que se chama de terror old school, respeitando a inteligência do espectador mesmo ao usar um clichê ou outro do gênero.

O longa-metragem Mama se originou de um curta homônimo, falado em espanhol (Mamá). São dois minutos bem assustadores, facilmente encontráveis no You Tube (clique aqui), que levaram o produtor Guillermo del Toro (de Não Tenha Medo do Escuro, 2011) a entrar em contato com o diretor, o argentino Andrés Muschietti. Logo, Muschietti e a irmã Barbara desenvolveram aquela pequena trama para um projeto de maior fôlego – contando ainda com Neil Cross (das séries Luther e Doctor Who) – e a coisa começou a tomar corpo. Para chamar atenção, ajudou convidar Chastain e ainda o emergente Nikolaj Coster-Waldau, mais conhecido como o regicida Jaime Lannister de Game of Thrones.

Mama sceneA trama começa em meio a uma crise econômica que desespera Jeffrey (Coster-Waldau). Vendo-se sem saída, ele mata a esposa e leva as filhas para uma cabana na floresta. Lá, descobrimos um ser sobrenatural, com um instinto maternal apurado, que protege as meninas. Cinco anos depois, vivendo como animais, elas são encontradas e levadas para a casa do tio Lucas (mais uma vez, Coster-Waldau), que vive com a namorada punk, a baixista Annabel (Chastain). Sobra para Annabel cuidar das sobrinhas recém-adquiridas, tarefa que se complicará pela presença da entidade.

Esta é outra oportunidade para Chastain mostrar que não se prende a um tipo de papel ou personagem. A atriz é bem versátil e enriquece sua Annabel, que nas mãos de alguém menos capaz poderia ter sido rasa e desprezível. Coster-Waldau, vivendo os irmãos, confirma a boa presença em cena que os fãs de Game of Thrones já conhecem. Do surto de Jeffrey à calma de Lucas, ele faz um bom trabalho e deixa o caminho livre para Chastain aparecer. Ela é, de fato, o maior êxito de Mama, um longa que consegue dar ao público o que se procura, com um clima tenso e belas imagens. Em meio a tanta bobagem que se vê, é uma surpresa bem vinda.

O diretor Muschietti e seu produtor falam sobre Mama

O diretor Muschietti e seu produtor falam sobre Mama

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Animação nacional para adultos é raridade!

por Marcelo Seabra

Uma História de Amor e Fúria

Imortalidade pode parecer uma dádiva, mas o próprio Conde Drácula já provou que é uma maldição. Ainda mais quando se está sempre do lado mais fraco, aquele destinado a perder. O jornalista e cineasta Luiz Bolognesi, sempre trazendo luz a questões históricas e políticas, usa um personagem imortal para visitar algumas lutas marcantes da sociedade brasileira em Uma História de Amor e Fúria (2013), uma animação adulta que chega esta semana aos cinemas. Se animações nacionais já são raras, imagine uma para um público mais velho, que, mesmo que em situações ficcionalizadas, ainda utiliza passagens e personagens reais!

Para começo de conversa, a animação utilizada resolve, mas se prende à linguagem dos quadrinhos e acaba ficando monótona, dependendo do efeito entre as cenas para ganhar agilidade. Recuperando uma antiga tradição nacional, há bastante violência e nudez. Mas, enquanto escancara o sangue de lutas e tiros, se constrange ao mostrar as partes íntimas dos personagens. Para complementar, são utilizados efeitos sonoros que em vários momentos se mostram exagerados, chegando a incomodar pela altura. Durante as passagens em um lugar que poderia ser considerado o inferno, ou umbral, a tela fica escura, dando a entender que há algo acontecendo ali que não precisa ficar explícito. Na verdade, não está acontecendo nada, é apenas um maneirismo desnecessário. E não deixa de lembrar a novela A Viagem, aquela repetida várias vezes na TV.

Uma História de Amor e Fúria 2No início, somos apresentados a um índio tupinambá que enfrenta a chegada dos europeus e as intrigas entre eles, já que portugueses e franceses não se dão. Nesse primeiro trecho, é estabelecida a dinâmica que vai reger os seguintes: o protagonista tem uma alma gêmea e um antagonista, e eles estão fadados a se reencontrarem de novo, e de novo, e de novo… De 1500 e pouco, pulamos para 1838, ano que explodiu no Maranhão a revolução Balaiada, liderada por Manuel Francisco “Balaio”. Junto com outros colegas igualmente injustiçados, Balaio ataca o status quo dos brancos endinheirados. O próximo ponto é o auge da ditadura, nos idos de 1970, quando nosso herói é um estudante em plena guerrilha contra o governo. O último trecho se passa em 2096, quando o grande problema da humanidade é a falta de água, e por isso mesmo o elemento vira moeda e sinônimo de poder.

A estrutura, como pode-se perceber, é bem parecida com o que vimos em A Viagem (a dos irmãos Wachowski, de 2012): episódico e distante do público. A visão maniqueísta é um problema, já que o roteiro deixa sempre claro quem é bom e quem é mau, tudo muito bem definido, ingênuo. Na primeira parte de No Limite da Realidade (Twilight Zone: The Movie, 1983), somos apresentados a um sujeito racista que, como castigo, é obrigado a passar por três situações na condição do oprimido, como os judeus na Segunda Guerra. Uma História de Amor e Fúria não traz essa ironia, virando apenas a saga de um indivíduo extremamente azarado. E, assim como o Old Georgie de A Viagem, há uma figura maligna, um espírito antigo que parece perseguir o herói e está sempre disposto a fazer os humanos acessarem seu pior lado. É ele, inclusive, o responsável pela imortalidade do índio.

Uma História de Amor e Fúria 3

Para o elenco de dubladores, Bolognesi contratou três nomes muito bem estabelecidos da nossa dramaturgia. Selton Mello (de O Palhaço, 2011) é, sem dúvida, o que menos funciona. O tom de voz empregado por ele não é adequado a qualquer tipo de personagem, e passa longe do que seria necessário aqui. A narração é feita com sussurros, os diálogos não passam qualquer tipo de segurança. Ele seria bom como um traidor, um covarde, o elo fraco, e não como o herói do projeto. Na medida certa, está Camila Pitanga (de Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios, 2011), a musa dos outros vértices do triângulo. E o antagonista fica a cargo de Rodrigo Santoro (de O Último Desafio, 2013), uma voz que é pouco ouvida, mas cumpre a contento seu papel. Há pontas interessantes de Bemvindo Sequeira e Paulo Goulart, bem curtas.

Bolognesi, ao lado da esposa e sócia Laís Bodanzky, tem vários trabalhos comerciais de sucesso, como os roteiros de Bicho de Sete Cabeças (2001) e As Melhores Coisas do Mundo (2010), mas eles também se engajam em trabalhos socialmente significativos, como o Cine Mambembe, um cinema itinerante que viajou o Brasil. Uma História de Amor e Fúria (anteriormente conhecido como Lutas) é uma boa tentativa de unir esses dois lados: algo relevante, que possa fazer o espectador refletir, e que não deixe de atingir lucro, tão necessário para a manutenção da sétima arte, ainda mais sem incentivos de grandes estúdios, como acontece fora. Fazer isso tudo através de uma animação, terreno pouco explorado  é ainda mais louvável, o que só aumenta a expectativa pelo próximo trabalho de Bolognesi.

O diretor apresenta seu trio de dubladores principais

O diretor apresenta seu trio de dubladores principais

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G.I. Joe 2 leva estupidez a um novo grau

por Marcelo Seabra

GI Joe RetaliationEm 2009, os G.I. Joes chegaram ao cinema com A Origem de Cobra (The Rise of Cobra). Agora, é a hora da vingança com G.I. Joe: Retaliação (G.I. Joe: Retaliation, 2013). Com tanto tempo em pós-produção, parecia que tinha algo errado, ficavam tentando remontar e salvar o filme. Mas uma coisa ficou clara: não daria para salvar aquilo nem com reza brava. A premissa era interessante, apesar de nada original, e os 15 ou 20 primeiros minutos se sustentam. A partir daí, a queda é vertiginosa e a revolta que começa é do tipo de te fazer pedir o dinheiro de volta. E não estranhe risadas involuntárias ao redor.

O primeiro longa dos Joes tem seus bons momentos, apesar de também não valer os minutos investidos em uma sessão. Mas o segundo vai muito mais longe no quesito estupidez. Dizer que crianças vão gostar é tratá-las com total desprezo, e já imagino alguns usando essa desculpa. Outro absurdo que ouvimos é o tal de “às vezes eu só quero desligar e ver algo assim”. Filmes de ação podem ser inteligentes, como prova Jason Bourne, ou podem ficar no básico, como um Esquadrão Classe A (The A-Team, 2010), que consegue ser despretensioso e divertido. Mas nunca devem ser estúpidos, ou tratar assim os seus espectadores.

Um sujeito dirige Ela Danço, Eu Danço 2 e 3 (2008 e 2010), sequências que não sabemos como conseguiram a luz verde, e segue com o documentário sobre Justin Bieber (Never Say Never, de 2011). Por algum motivo, ele parece ser a pessoa certa para fazer a continuação de um filme que custou caro e não arrecadou nem o dobro do custo. De quebra, ele pode pegar brinquedos que fazem parte da infância de muitos e jogá-los na lama, sem a menor cerimônia. Jon M. Chu é o nome a se evitar. E os roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick, que criaram o engraçado Zumbilândia (Zombieland, 2009), inexplicavelmente seguem com essa afronta, que certamente será uma mancha nos currículos deles.

GI Joe Retaliation sceneO cartaz de Retaliação já deixa claro que Channing Tatum não é mais “o cara”, já que Dwayne “The Rock” Johnson e Bruce Willis aparecem à frente. Sim: os envolvidos foram burros o suficiente para tirarem importância do protagonista já estabelecido, que anda chamando a atenção geral com trabalhos como Magic Mike (2012) e Anjos da Lei (21 Jump Street, 2012), colocando as fichas em The Rock e demais coadjuvantes. Do primeiro, voltam em posição de destaque Snake Eyes (o “Darth Maul” Ray Park) e seu antagonista, o supostamente falecido Storm Shadow (Byung-hun Lee, de Eu Vi o Diabo, 2010). Sério, ele não tinha morrido? A historinha deles no templo das montanhas traz à memória o horroroso Mortal Kombat 2 (1997), de tão canhestras que são as fantasias dos ninjas. E, por mais que sejam mortos, sempre aparecem outros tantos, e as espadas usadas estão sempre limpinhas.

A trama, mais do que batida, deslancha quando os Joes são traídos (o presidente é um Cobra, lembra do outro filme?) e dizimados. Os poucos que sobram se unem para descobrir o que houve. Até aí, tudo parecia correr bem e ainda se podia manter a esperança de que a atração seria digna. É quando começa o festival de chutes, bugigangas fantásticas e inacreditavelmente ridículas, diálogos constrangedores, atuações incômodas e, claro, maletas que controlam com um botão armas de destruição em massa. Eu disse maletas, no plural, porque não é só o “presidente do mundo livre” que tem uma. E é melhor nem mencionar os outros botões das maletas. O competente Jonathan Pryce, em papel duplo, é o único que parece estar se divertindo. Bruce Willis fala oi e garante o cachê como um jogador que entra em campo aos 45 do segundo tempo para participar do bicho.

Espero que o leitor perdoe o desabafo, e o aceite como um alerta. Não sei se a pior perda, após uma sessão de G.I. Joe: Retaliação, é a do dinheiro do ingresso, do tempo investido ou dos neurônios que cometeram suicídio durante. Ah, eu mencionei qual é o plano do Comandante Cobra? Quem descobrir, por favor, me conte.

Na estreia em Hollywood, os dois se perguntam para que entraram na franquia

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