Hoje Eu Quero Voltar Sozinho agora é longa

por Marcelo Seabra

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho Banner

Já há três semanas em cartaz no Brasil, depois de uma bela estreia na Mostra Panorama do Festival de Berlim em fevereiro, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014) segue na lista das maiores bilheterias no país. A propaganda boca a boca parece ser o maior incentivo, levando um grande público para as salas, além de todos que haviam assistido ao curta e não pensaram duas vezes para conferirem a versão mais comprida.

Em 2010, o diretor e roteirista Daniel Ribeiro lançou Eu Não Quero Voltar Sozinho, um curta-metragem que fazia parte de um programa de exibições em escolas para a discussão de temas importantes e polêmicos, o Cine Educação. Depois de muito tempo levantando verba, ele conseguiu criar a versão em longa-metragem, que parte do mesmo universo e personagens. Sem perder a simpatia e a simplicidade, o filme não se presta apenas a esticar as ideias, ele permite a Ribeiro criar mais e desenvolver melhor as situações. O curta é facilmente encontrado na internet, para quem quiser conferir.

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho elenco

Os mesmos atores do curta protagonizam o longa, apenas um pouco mais velhos. Ghilherme Lobo é Leonardo, um adolescente cego que passa pelos mesmos apuros que todo menino nessa idade. Sua melhor amiga, Giovana (Tess Amorim), está sempre perto para dar apoio e até guiá-lo, o que diminui um pouco a preocupação dos pais, excessivamente zelosos devido à deficiência do filho. A relação dos dois é estremecida com a chegada de um terceiro elemento, Gabriel (Fábio Audi), que logo se enturma com a dupla e passa a atrair mais a atenção de Leo, deixando Giovana um pouco de lado. A química entre os três atores é tal que acreditamos facilmente naquela dinâmica. E assusta ver Lobo dando entrevistas para a TV e perceber que ele não é de fato cego, tamanha é a sua competência na composição do personagem.

Como os bons filmes que retratam a adolescência (como o recente As Vantagens de Ser Invisível), Hoje Eu Quero Sair Sozinho não se preocupa em criar tensões bobas, dramalhões desnecessários ou mesmo vilões, como pais incompreensivos ou colegas desmedidamente maus. A sensibilidade está em extrair o melhor do dia a dia deles, que não passam de jovens normais, com problemas e dúvidas normais. Os diálogos são naturais, as relações entre eles crescem gradativamente, há um cuidado de dar profundidade aos envolvidos. Cuidado, inclusive, é uma palavra-chave aqui, pois temos a constante impressão de que tudo foi bem pensado, até os detalhes, o que coloca o trabalho de Ribeiro e equipe em um outro nível.

Ao sair da sessão, em um cinema tradicionalmente voltado a filmes independentes e ditos “de arte”, me surpreendi com o comentário de um senhor. Com tamanha naturalidade, parecendo um velho amigo, ele diz que não gostou do filme e que não esperava “aquilo”. A decepção desse senhor estava claramente ligada aos elementos homossexuais tratados, o que é mais um exemplo da intolerância que, em pleno 2014, está mais presente do que gostamos de reconhecer. Todos os méritos do filme são desconsiderados para que se foque na orientação sexual do personagem principal e se use isso para desmerecer a obra, o que não poderia ser mais estúpido. E não se trata de um filme gay, ou feito para o público gay. Apenas retrata conflitos românticos e descobertas pelos quais todos, em algum momento, passamos, cada um com suas especificidades. Seja o sujeito heterossexual, homossexual, azul ou amarelo.

Elenco e diretor na passagem por Berlim

Elenco e diretor na passagem por Berlim

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Homem-Aranha 2 chega mais longe

por Marcelo Seabra

Amazing Spider-Man 2 Banner

Dois anos depois de reinventar a franquia do Homem-Aranha, Marc Webb lança a segunda aventura do escalador de paredes sob a sua batuta. A boa notícia é que O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro (The Amazing Spider-Man 2, 2014) é bem superior ao anterior, não se perde com o tanto de personagens que traz e se aproxima mais do indivíduo bem humorado que conhecemos dos quadrinhos. Talvez por causa da onda séria que tomou os filmes de super-heróis há uns anos, muita gente pode estranhar o tom leve do filme.

Repetindo o casal principal, Andrew Garfield e Emma Stone têm uma química enorme. Garfield se solta mais, parece à vontade, saindo da pasmaceira do primeiro filme. E Stone segue radiante, uma figura extremamente carismática e apaixonante. O problema da vez, na história, é que Peter Parker prometeu ao moribundo Capitão Stacy (Denis Leary) se afastar de Gwen, poupando-a de qualquer risco que o Aranha possa atrair. Por isso, eles vivem entre idas e vindas, terminando e reatando. A história dos dois é bem desenvolvida e se mantém como o ponto alto da franquia.

A subtrama dos pais de Peter continua sendo explicada, e conhecemos melhor as razões dos dois. E a Oscorp, empresa onde o Professor Curt Connors (ou o Lagarto) e Richard Parker (Campbell Scott) trabalhavam, continua sendo uma fábrica de estranhezas. Dessa vez, o vilão produzido por ela é o Electro, nome pomposo para Max Dillon (Jamie Foxx, de Django Livre, 2012). Sujeito praticamente invisível, sem amigos ou hobbies, ele acaba sofrendo um acidente bizarro. Talvez o ponto mais fraco do filme, o Electro é um vilão bobo, mal aproveitado, com uma jornada muito apressada.

Amazing Spider-Man 2 Peter Harry

Mais interessante é a ligação entre Peter e Harry Osborn (Dane DeHaan, de Poder Sem Limites, 2012 – acima), o filho do milionário Norman Osborn (Chris Cooper, de Álbum de Família, 2013). Os dois eram chegados quando crianças e perderam contato. Essa é uma das relações que foram alteradas, se levarmos os quadrinhos em consideração. Afinal, a trilogia de Sam Raimi aproveitou alguns elementos e dispensou outros. Agora, o oposto acontece: o que havia sido deixado de lado aparece, numa tentativa vã de evitar repetições. Ter um intervalo de apenas cinco anos entre a primeira versão e esse reboot traz problemas como esse.

Em alguns momentos, os efeitos especiais se dão melhor que anteriormente. Em outros, o Aranha continua parecendo de borracha. O uso do slow-motion é um pouco cansativo, assim como a trilha sonora ligeiramente irritante, e ambos são empregados para mostrarem ao público o que está acontecendo, como se tudo já não fosse bem claro. Ao menos, a ação é bem mais interessante agora e tudo é bem amarrado. Vários personagens poderão ser desenvolvidos nos novos filmes da franquia, alguns já introduzidos discretamente, mas facilmente reconhecíveis pelos fãs de quadrinhos. Só podiam ter arrumado uma ponta melhor para Stan Lee, responsável pela cena mais nada a ver dos últimos tempos.

Electro é certamente um dos vilões mais fracos do Aranha

Electro é certamente um dos vilões mais fracos do Aranha

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Avengers Assemble é bola fora da Marvel

por Rodrigo “Piolho” Monteiro

Avengers Assemble

De 1930 para hoje, a rivalidade entre as editoras de quadrinhos Marvel e DC aumentou e se expandiu, na medida em que os personagens migraram para plataformas mais “modernas”, por assim dizer, como o Cinema, os videogames, a TV e o mercado do homevideo. Enquanto que no mercado original – os quadrinhos – as opiniões são bem divididas, no Cinema e na TV há uma espécie de consenso: a Marvel faz os melhores – ou mais consistentes – filmes, especialmente desde a criação do Marvel Studios, enquanto a DC (que, é sempre bom lembrar, é uma subsidiária da Warner) se dá melhor no ramo das animações, sejam elas para TV, seja para homevideo. O domínio da WB/DC nessa área vem desde a década de 1990, com Batman – A Série Animada, passando pelas cinco temporadas do desenho da Liga da Justiça e seu sem número de lançamentos diretamente para DVD, tais como os recentes Batman: Ano Um e Batman: O Cavaleiro das Trevas. Nesse mesmo período, a Marvel emplacou algumas boas séries animadas, como aquelas estreladas pelos X-Men e Homem-Aranha, mas nada que chegasse a incomodar a concorrência.

Em 2010, a Marvel tentou virar o jogo com o lançamento de Vingadores: Os Mais Poderosos Heróis da Terra, animação que foi veiculada por aqui no canal a cabo Disney X D. Inicialmente a série trazia a formação clássica do grupo – Homem-Formiga/Golias, Vespa, Homem de Ferro, Thor e Hulk, mais o Capitão América – em episódios de 23 minutos de duração com uma animação decente e que bebia bastante da fonte original, ou seja, os quadrinhos (Gavião Arqueiro e o Pantera Negra logo se juntaram ao grupo). A série trazia muitas histórias que eram praticamente adaptações de sagas mostradas anteriormente nos quadrinhos e tinha uma cronologia própria, funcionando quase como uma série de ação com atores reais, ou seja, haviam os episódios soltos, mas uma mitologia própria e uma história maior sendo desenvolvida a cada temporada. Mais ou menos como os quadrinhos da editora funcionam.

Vingadores: Os Mais Poderosos Heróis da Terra fez um sucesso relativo entre os fãs e críticos, já que, a exemplo do desenho da Liga da Justiça, podia ser apreciado não apenas pelo público infanto-juvenil, como pelo juvenil-adulto. Um segundo ano da série trouxe Miss Marvel e Visão para a formação do grupo e boa parte de sua trama girou em torno da invasão do planeta pelos skrulls, raça transmorfa bastante conhecida dos leitores e que havia estrelado a minissérie Invasão Secreta nos quadrinhos em 2008.

Avengers Movie assemble

Pouco após a estréia da segunda temporada da animação, o filme dos Vingadores chegou aos cinemas, gerando mais de um bilhão e meio de dólares para os cofres da Disney/Marvel. Aí, nessas decisões que apenas executivos de produtoras de cinema e TV entendem, a Marvel decidiu cancelar Vingadores: Os Mais Poderosos Heróis da Terra ao fim de seu segundo ano e substituir a série por uma outra, estrelada mais ou menos pelos mesmos personagens, mas com um nome mais apelativo e visando capitalizar em cima do sucesso do longa-metragem.

Avengers Assemble é o resultado dessa “brilhante ideia” dos executivos da Disney/Marvel. A premissa da série é mostrar o que acontece com os Vingadores logo após o filme, tanto que a formação do grupo na TV é praticamente a mesma do longa: Homem de Ferro, Thor, Hulk, Capitão América, Gavião Arqueiro e Viúva Negra, com a adição do Falcão (personagem criado na década de 1970 que durante muitos anos foi um coadjuvante nos quadrinhos do Capitão América, visto no filme recente). Só esqueceram de avisar ao grupo conhecido como Man of Action, formado pelos escritores Joe Casey, Joe Kelly, Duncan Rouleau e Steven T. Seagle e responsável pelo sucesso infantil Ben 10, de que seria interessante manter as personalidades dos personagens intacta, coisa que parece lhes ter escapado.

De qualquer forma, Avengers Assemble é o resultado da experiência de seus criadores e é uma animação que, ao contrário de sua antecessora, tem um foco bastante claro: mostrar uma versão dos Vingadores voltada exclusivamente para o público infantil. A cena no terceiro episódio onde Thor e Hulk brigam pelo último biscoito de aveia trazido pelo Falcão para uma reunião é a maior prova disso. Tudo acontece de maneira muito rápida e exagerada e todos os personagens parecem acreditar que estão em um show de humor, tamanho é o volume de piadinhas que todos – sem exceção – contam todo o tempo.

Pode ser que, assim como Ben 10, Avengers Assemble gere bastante merchandising e tenha uma vida longa na TV, atraindo mais crianças para Universo Marvel – e mais grana de seus pais para a Disney – mas, até o momento, ela não justifica o cancelamento de sua predecessora em termos de qualidade narrativa ou propósito. Afinal de contas, a Marvel já tem uma série animada estrelada prioritariamente pelos Vingadores e voltada para o público infantil, chamada Marvel: Esquadrão de Heróis, que parece até mais divertida do que essa Avengers Assemble.

O canal Disney X D já tem seu bloco dedicado ao Universo Marvel, formado por animações como Vingadores: Os Mais Poderosos Heróis da Terra, Esquadrão de Heróis, Hulk e os Agentes da S.M.A.S.H., Iron Man: Homem de Ferro e Ultimate Homem-Aranha. Avengers Assemble entra justamente nesse grupo, em exibição nas manhãs de domingo, com o título Os Vingadores Unidos.

Avengers Assemble 2

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Jovem amadurece no Verão da Minha Vida

por Marcelo Seabra

The Way Way Back

Dois atores com pequenos papéis no Cinema e na TV, Nat Faxon e Jim Rash resolveram estrear como diretores e lançaram O Verão da Minha Vida (The Way Way Back, 2013), que também escreveram. Contando uma história de amadurecimento de um adolescente, eles conseguem bons papéis para seu elenco, uma história bacana, apesar de pouco original, e um resultado com muito carisma, sensibilidade e humor.

É interessante ver, pela primeira vez, Steve Carell (de Um Divã para Dois, 2012) num papel de um sujeito não muito confiável ou simpático. Ao contrário, Trent é o babaca que namora a mãe de Duncan (Liam James, de The Killing), o protagonista. A divorciada Pam (Toni Collette, de À Procura do Amor, 2013) só quer ficar bem com o parceiro e o filho, e topa passar as férias de verão na casa de praia de Trent. Duncan não tem muita opção e vai junto, ficando completamente deslocado na maior parte do tempo.

The Way Way Back

As coisas começam a mudar para o garoto quando ele conhece a força da natureza Owen (Sam Rockwell, de Lunar, 2009 – acima), um funcionário de um parque aquático que rapidamente se torna um amigo. Seguindo uma linha bem convencional, o longa mostra Duncan aprendendo a lidar com determinadas situações e a partir para o confronto, quando necessário. Obviamente, não é o primeiro longa a tratar do tema, mas o faz com tanta leveza que se destaca dos demais. Há momentos muito engraçados, outros mais delicados, e os atores conseguem transitar bem por todos eles. Carell, após Pequena Miss Sunshine (2006), não precisa provar nada, mas ainda consegue ir além da sua persona mais comum, a do bonzinho bem intencionado. Rockwell é sempre um show à parte, e sua interação com James é bem natural, favorecendo o trabalho do mais jovem. Os demais nomes do elenco, como Allison Janney, Maya Rudolph, Rob Corddry e Amanda Peet, ajudam a reforçar o quadro principal.

Se em alguns momentos O Verão da Minha Vida parece ser ambientado em outra época (como os anos oitenta) é porque sua trama é atemporal, diz respeito a diversas gerações. Talvez por isso, tenha superado e muito seu baixo orçamento, de módicos U$ 5 milhões. Assim como em As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower, 2012), temos uma boa amostra da adolescência pelos olhos do próprio adolescente, de forma bem honesta e crível. Nada que vá revolucionar coisa alguma, vai apenas divertir por uma hora e meia e, quem sabe, trazer boas memórias.

AnnaSophia Robb e Liam James com os diretores

AnnaSophia Robb e Liam James com os diretores

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Premissa louca marca Toque de Mestre

por Marcelo Seabra

Grand Piano

Muitos filmes partem de uma ótima premissa e se perdem no meio do caminho. Um caso interessante é o de Toque de Mestre (Grand Piano, 2013), longa que tem um ponto de partida sem pé nem cabeça, que não chega perto de se sustentar, mas até consegue divertir ao longo de sua curta projeção. Em meros 80 minutos, o diretor espanhol Eugenio Mira consegue colocar o público no meio de um concerto de piano do qual o pianista escapa sem ninguém estranhar enquanto um psicopata o mantém sob a mira de um rifle.

Elijah Wood, mais conhecido como o hobbit Frodo, da saga O Senhor dos Anéis, vive Tom Selznick, um pianista que volta aos palcos depois de um intervalo de cinco anos, quando teve um ataque de ansiedade (ou algo assim, não é lá muito importante) e interrompeu um concerto. Ele decide se apresentar para homenagear o antigo mentor, falecido recentemente. Sua esposa, a famosa atriz Emma Selznick (Kerry Bishé, de Argo, 2012), ajudou a preparar tudo e está na platéia, orgulhosa.

Grand Piano Wood

O problema de Tom começa quando ele abre a partitura, já com a orquestra tocando, e lê recados estranhos e alarmantes: se ele errar uma nota, sua esposa morre. Um maluco está armado, em algum lugar do teatro, e Tom recebe as instruções através de um fone deixado para ele. John Cusack (de O Corvo, 2012) usa sua voz friamente para fazer a tensão crescer, algo como visto em Por um Fio (Phone Booth, 2002). Mas os motivos do maluco são bem diferentes e o resultado alcançado, também. O assistente dele, vale ressaltar, é o sumido Alex Winter, ninguém menos que Bill S. Preston, um dos loucos viajantes do tempo de Bill e Ted (1989 e 1991).

Um plano mirabolante, para não dizer estúpido, é o que dará início a toda essa bobagem. Por mais que um momento ou outro sejam interessantes, é difícil não lembrar, constantemente, de onde partiu tudo. Mira não é nenhum virtuoso da direção, e o roteiro de Damien Chazelle (de O Último Exorcismo – Parte II, 2013) é o grande culpado. Para uma duração tão curta, ele pensou que deveria explicar tudo nos diálogos, até o que não precisava de explicação. Muita coisa é mencionada por alto, e ficamos com o que o filme oferece – o que geralmente não é suficiente. O ponto alto da comédia que o suspense acaba virando é quando o assassino afirma que vem preparando esse plano há três anos. Pense, ao assistir, se isso faz algum sentido.

Tanto Wood quanto Cusack fizeram produções mais sombrias há pouco. Wood foi o psicopata-título de Maniac (2012), um longa estranho que tem como único mérito emular o clima das produções dos anos oitenta. Cusack também foi um maníaco, este baseado numa figura real, em O Assassino do Alaska (The Frozen Ground, 2013), filme capenga estrelado por Nicolas Cage que atingiu pouca gente. Toque de Mestre pode ser uma certa insistência nesse caminho, com os atores procurando por temas menos convencionais. Muito bonito que tentem, mas não foi dessa vez que chegaram a algum lugar.

Grand Piano Cusack

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Divergente é a nova isca para adolescentes

por Marcelo Seabra

Divergent

Todo adolescente iria querer, nessa fase difícil da vida, um teste que lhe dissesse quem ele é, a que grupo pertence. E seria um pesadelo, nesse tipo de sociedade, o teste dar um resultado inconclusivo. Enquanto todos têm sua posição definida, você continua no escuro. É nessa situação que se vê a protagonista de Divergente (Divergent, 2014), uma garota que não sabe exatamente que decisão tomar, a que grupo se juntar. É praticamente a escolha da profissão que a proximidade do vestibular obriga, e que vai refletir para a vida toda. Metáforas não faltam.

Na mesma onda de diversas “sagas” que têm sido adaptadas da Literatura para o Cinema, Divergente, de Veronica Roth, é um amontoado de referências costuradas para um público jovem que parece querer ver atores bonitos, conflitos sobre identidade e um pouco de ação. Seja com vampiros, seja com jogos vorazes, tudo acaba chegando nos mesmos lugares, e os produtores vêem como uma ótima oportunidade de encherem os bolsos de dinheiro. O cartaz chega com a frase “Baseado no aclamado best seller”, ou algo assim, e no mínimo uma trilogia está no forno, já que hoje um filme apenas parece pouco para se contar uma história. Roth já vendeu os direitos para filmarem Insurgente (previsto para 2015) e Convergente (2016).

A trama de Divergente se passa em um mundo destruído por uma guerra nunca explicada. Por algum motivo, com a sobrevivência da raça humana como desculpa, o que sobrou do mundo é cercado e as pessoas são divididas em cinco facções, de acordo com suas características mais marcantes. Beatrice (Shailene Woodley, de Os Descendentes, 2011) é filha de dois membros da facção Abnegação, pessoas que se vestem com trapos, não podem se olhar no espelho para não cultivarem qualquer tipo de vaidade e vivem para servir. Exatamente por isso, eles são os responsáveis pelo governo. A garota, ao contrário do irmão, não poderia estar mais deslocada, e ela tem a oportunidade de mudar isso.

DIVERGENT

Todos os jovens, ao completarem 16 anos, devem fazer uma escolha numa cerimônia esquisita, na frente de todos, e não há como se arrepender depois. É chegada a hora de escolher a “casa” onde viverá o resto da vida, e Beatrice não sabe bem o que fazer. Abnegação não é para ela, mas deixar os pais na mão também não é legal. A que mais parece atraí-la é a Audácia, habitada por um bando de jovens (parece não ter adultos) que são uma mistura de West Side Story e The Warriors, todos correndo alegremente pelas ruas, pulando em trens e usando roupas que deixam claro o tanto que eles são descolados e ousados. Eles são a polícia da cidade e têm um treinamento militar que parece ter como objetivo fazer com que todos desistam logo de cara. Independente da facção que escolher, Beatrice terá problemas: a falta de resposta no teste indica que ela é uma divergente, classe que não se encaixa em nenhum grupo e é vista como uma ameaça ao governo. Todos são caçados e eliminados assim que descobertos.

Para todo mundo que quer ser especial, ter algo que diferencie, existe o risco de rejeição. Na adolescência, ser diferente pode ser um pesadelo, e todos só querem ser aceitos, caber em algum grupo. Na década de oitenta, o Cinema era mais óbvio, mostrando adolescentes passando por estas dificuldades sem precisar de metáforas, joguinhos ou realidades distópicas. John Hughes, por exemplo, enxergava esses conflitos como ninguém e criou obras marcantes, como Clube dos Cinco (1985) e A Garota de Rosa-Shocking (1986). O diretor Neil Burger (culpado por O Ilusionista, 2006) filma o roteiro de Vanessa Taylor (de Um Divã para Dois, 2012) e Evan Daugherty (de Branca de Neve e o Caçador, 2012) e o resultado é, em vários momentos, risível, mesmo não se tratando de uma comédia. O filme se leva tão a sério, com diálogos e situações tão pobres, que é impossível conter a risada. Pior é elencar os vários furos na história, começando pelo funcionamento daquela cidade, algo difícil de entender. O elenco, competente em sua maioria (não estou falando de você, Jai Courtney), não consegue compensar uma história tão furada e mal escrita. Nem a presença da Kate Winslet vale o ingresso.

Burger já avisou que não volta pra sequência

Burger (à esquerda) já avisou que não volta pra sequência

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A Princesa do Povo vai ao Cinema

por Marcelo Seabra

Diana banner

Naomi Watts já mostrou diversas vezes ser uma boa atriz. Oliver Hirschbiegel comandou ao menos dois grandes filmes: A Experiência (2001) e A Queda (2004). No entanto, a união destes dois resultou em Diana (2013), uma cinebiografia burocrática e preguiçosa da princesa de Gales famosa por seu trabalho humanitário, sua vida tumultuada e sua morte repentina. Watts faz o possível, mas o roteiro não ajuda, os diálogos são terríveis e, convenhamos, Diana não era santa. Ser humano nenhum é, não importa se é da família real ou se morreu tragicamente.

Baseado no livro Diana – Her Last Love, de Kate Snell, o roteiro de Stephen Jeffreys (de O Libertino, 2004) apresenta um período de dois anos na vida de Diana, quando ainda era um pouco misteriosa a situação romântica dela. Separada de Charles, mas não divorciada, era vítima de chacota por todos saberem da existência da amante do príncipe. Em determinado momento, ela conhece um médico paquistanês e magicamente se apaixona. Afinal, ele cura as pessoas, e isso é suficiente. Podemos suspeitar que isso tenha ocorrido de outra forma, mas é o que o filme mostra.

Diana couple

Os pombinhos sempre terão problemas pelo nível de exposição da vida de Diana, seguida o tempo todo por fotógrafos. Hasnat Khan (vivido por Naveen Andrews, de Lost) preza sua privacidade e precisa dela para fazer um bom trabalho em suas cirurgias. Quem tem uma mínima noção do que houve sabe que, quando do acidente, Diana estava acompanhada pelo milionário Dodi Fayed. Logo, a curiosidade aqui é saber quem é Khan, como os dois se apaixonaram e o que aconteceu que os separou. Ou seja: nem depois de morta, Diana é deixada em paz por quem gosta de uma fofoca e de dar uma espiada na vida alheia. E o pior: o filme não traz nada de novo, nenhuma revelação bombástica ou observação mais aguçada sobre a personagem.

Tirando as duas vítimas do acidente, todos os demais envolvidos estão vivos, lista que inclui Khan, Charles e os filhos de Diana, William e Harry. Talvez por isso, o filme mantenha sempre um tom respeitoso sobre a figura apresentada. E é exatamente aí que mora o problema do longa de Hirschbiegel: a covardia de apresentar uma pessoa com dois lados, crível, ao invés da mocinha apaixonada e perfeita que vemos. Watts domina até os trejeitos da princesa, guardando enorme tristeza nos olhos, mesmo quando tudo parecia bem. Mas o roteiro teima em colocá-la como coitadinha, ignorando toda a profundidade de uma personalidade pública que parecia ser tão rica em nuances, contradições e conflitos internos.

Os atores ficaram bem próximos dos verdadeiros, acima

Os atores ficaram bem próximos dos verdadeiros, acima

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Universo Marvel fica mais denso com Capitão América 2

por Rodrigo “Piolho” Monteiro

Captain America 2

A exemplo das sequências de Homem de Ferro e Thor, a nova incursão do Capitão América nos cinemas, Capitão América 2: O Soldado Invernal (Captain America: The Winter Soldier, 2014), também repercute os eventos acontecidos em Os Vingadores (The Avengers, 2012), mas de maneira menos pungente do que nos longas anteriores. Aqui, o foco é o efeito que a invasão alienígena causou na S.H.I.E.L.D., a agência de espionagem que, supostamente, deveria garantir a segurança mundial e impedir exatamente que esse tipo de coisa acontecesse.

O longa começa com o Capitão (Chris Evans) e Natasha Romanoff, a Viúva Negra (Scarlett Johansson), em uma missão para resgatar reféns em um navio capturado pelo terrorista Batroc (o lutador de MMA Georges St-Pierre), a pedido de Nick Fury (Samuel L. Jackson). Apesar de bem sucedida, a missão tinha alguns aspectos obscuros que guiarão a trama e exporá alguns segredos que provavelmente repercutirão no Universo Marvel como um todo. A coisa ainda ganha um ar extra de complicação quando o Soldado Invernal do título (Sebastian Stan) entra em cena. Além de Cobie Smulders, Toby Jones e Hayley Atwell, que repetem seus papéis da franquia, completam o elenco principal as novidades Robert Redford (de Sem Proteção, 2012), Anthony Mackie (de Sem Dor, Sem Ganho, 2013), Frank Grillo (de Guerreiro, 2011) e Emily VanCamp (da série Revenge).

Captain America 2 Falcon

Quando assumiu o título do Capitão América em 2005, o escritor Ed Brubaker decidiu retomar um aspecto da personagem que há muito não se via nos quadrinhos. Por um breve período na década de 1970, o Sentinela da Liberdade era menos um super-herói e mais um super-agente (quase) secreto, realizando missões para a S.H.I.E.L.D. e ajudando a desbaratar operações de organizações criminosas como a Hidra e a I.M.A., geralmente tendo o apoio de personagens como Nick Fury e Sharon Carter (ou “Agente 13”). O Falcão (acima), outro desses coadjuvantes clássicos, aparece no filme de forma muito bem aproveitada em mais um bom trabalho de Mackie.

Winter Soldier1 2É importante mencionar Brubaker aqui porque The Winter Soldier (“O Soldado Invernal”), história concebida por ele e publicada nas edições 8-9 e 11-14 do gibi do Capitão América (no Brasil: Os Novos Vingadores 33-37, entre 2006-2007), foi a principal fonte de inspiração para o roteiro da dupla Christopher Markus e Stephen McFeely. A estrutura se assemelha muito à de uma aventura de James Bond e ajudou a incorporar um novo aspecto ao Universo Marvel no cinema: as histórias de espionagem, ainda que travestidas de filme de super-herói. Na verdade, todos os elementos de ambos os gêneros estão presentes aqui de uma forma ou outra e isso contribui não só para o longa em si, mas para ampliar o escopo do Universo Marvel no cinema. A exemplo do que acontece nos quadrinhos, cada filme da Marvel Studios funciona bem como elemento que tem a missão de contar uma história fechada, mas que, ao mesmo tempo, serve como ponte para algo maior. Isso é mais uma vez comprovado aqui, especialmente nas cenas pós-créditos. O filme abre o leque do tipo de trama que os Marvel Studios podem explorar no cinema, como com Os Guardiões da Galáxia, contribuindo ao mostrar o aspecto cósmico deste universo.

Com boas críticas e quase 100 milhões de dólares arrecadados em seu fim de semana de estréia, Capitão América 2 é mais um acerto da Marvel Studios e uma prova de que seus executivos têm uma ideia bem clara do que querem fazer ao transportar seus personagens dos quadrinhos para o cinema. Os diretores Anthony e Joe Russo já estão até confirmados para o terceiro. A construção do Universo Marvel cinematográfico vem sendo feita com bastante cuidado e o resultado pode ser observado a cada novo lançamento do estúdio. Quem ganha com isso, obviamente, são os fãs, que vêem seus personagens favoritos bem retratados no cinema, e o público em geral, que é agraciado com bons filmes, mesmo que sejam nada mais do que escapismo puro e simples. Às vezes, é só isso que a gente quer. E, claro, uma pequena e hilária participação de Stan Lee.

E fechamos com a Viúva Negra porque, afinal, ela merece

E fechamos com a Viúva Negra porque, afinal, ela merece

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Aronofsky bebe na Bíblia e inunda a Terra

por Marcelo Seabra

Noah banner

Acreditando ou não nos aspectos religiosos, a Bíblia é uma reunião de histórias fantásticas, com muito potencial cinematográfico. Um dos personagens mais famosos é Noé, o cara da arca que enfrenta um dilúvio enviado por Deus para limpar a maldade da Terra. Darren Aronofsky, depois dos louros colhidos por Cisne Negro (Black Swan, 2010), decidiu que seu projeto seguinte seria Noé (Noah, 2014), um desafio que poderia atrair a insatisfação tanto de cinéfilos quanto de religiosos. O resultado, do ponto de vista cinematográfico, é acima da média, e Aronofsky evita se aprofundar em discussões filosóficas.

Com uma superprodução na grandeza de O Senhor dos Anéis, o elenco não poderia ser menos espetacular. Para os papéis principais, foi escolhido o casal oscarizado de Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind, 2001), Russell Crowe e Jennifer Connelly. O também premiado Anthony “Hannibal” Hopkins vive o mítico Matusalém, avô de Noé que mais parece um encontro entre o Gollum e o Mestre dos Magos, com uma maquiagem pesada que o deformou bastante. Ray Winstone (de A Invenção de Hugo Cabret, 2011) é o principal antagonista, o rei dos imorais a serem eliminados. Na ala mais jovem, destaque para os colegas de As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower, 2012), Logan Lerman e Emma Watson.

Noah

O filme contextualiza o universo de Noé para que possamos entender como ele chegou a construir uma arca gigantesca, seguindo visões tidas em sonhos nos quais o próprio Criador lhe confia uma missão. Como é o homem o culpado por todas as desgraças que corromperam o planeta, nada mais justo que exterminá-lo e começar de novo, poupando um casal de cada espécie animal que respira sob o céu. Com pequenas liberdades quanto à fonte, o roteiro de Aronofsky e seu produtor Ari Handel traz outros questionamentos, acrescenta uns anjos disfarçados de gigantes de pedra e mostra a progressiva loucura que toma conta de Noé, que insiste em seguir em sua missão aconteça o que acontecer. O filme não abandona totalmente o místico, mas faz um esforço para fincar seus pés no chão, criando uma realidade que precisa ser “comprada” pelo espectador, Tudo, então, passa a ser muito natural e lógico, o que é fundamental para que as ações e as decisões de Noé sejam compreendidas.

Pelo fato de a contextualização ir um pouco longe no tempo, antes até da criação, o filme remete a A Árvore da Vida (The Tree of Life, 2011), talvez sem a megalomania de Terrence Malick. E a forma de contar a história é mais simples e tradicional, sem as invenções das obras anteriores de Aronofsky, como Pi (1998) e Réquiem para um Sonho (Requiem for a Dream, 2000). Quem tem uma boa oportunidade de mostrar serviço é o diretor de fotografia, Matthew Libatique, colaborador habitual do cineasta. Como a escala é bem grande, ele apresenta belos cenários, paisagens e enquadramentos, como o contra-luz de Caim e Abel.

Não é possível ignorar a quantidade de situações na história de Noé que nunca, em hipótese alguma, seriam possíveis – a não ser que você tenha uma fé cega de que tudo é obra de Deus e para Ele tudo é possível. Em um roteiro, essas impossibilidades soam como furos e enfraquecem a obra, no caso de um espectador minimamente cético. E algumas situações que surgem no andar da carruagem tornam a experiência de assistir a Noé mais cansativa, já que prolongam a projeção. Vai ter gente julgando que aquilo não passa de historinha da Carochinha, e outros podem ficar chateados com os vários pontos que não seguem a versão “oficial”, da Bíblia. Como Cinema, no entanto, é tecnicamente impecável, uma obra eficiente a ser apreciada.

Crowe, Watson e Winstone em ação

Crowe, Watson e Winstone em ação

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Nova versão dos Três Mosqueteiros deve agradar

por Rodrigo “Piolho” Monteiro

The Musketeers

A figura do mosqueteiro – um hábil espadachim responsável pela guarda do rei da França – se tornou bastante popular graças à obra Os Três Mosqueteiros, concebida pelo escritor francês Alexandre Dumas e publicada pela primeira vez em 1844. Em seu livro, Dumas contava as peripécias de Porthos, Athos e Aramis, mosqueteiros a serviço do rei que, relutantemente, aceitam um quarto membro em seu grupo, o jovem D’Artagnan, que precisa provar-se à altura daquele importante cargo.

Desde que a obra foi publicada e, principalmente, depois que os personagens de Dumas se tornaram domínio público, a história do trio que na verdade era um quarteto tem sido recontada e adaptada das mais diversas formas e nos mais diferentes meios. No cinema, a mais recente tentativa nesse sentido foi o pirotécnico Os Três Mosqueteiros (2011), de Paul W.S. Anderson. Já na TV, coube à britânica BBC homenagear o legado de Dumas na série The Musketeers, cuja primeira temporada recentemente chegou ao fim. Ao contrário de muitas das adaptações que tentam recontar o que Dumas colocou em seu livro, a série de BBC vai mais na direção da “adaptação livremente baseada nos conceitos apresentados no original”, com resultados bastante interessantes.

A série começa quando o jovem D’Artagnan (Luke Pasqualino, de Os Bórgias) e seu pai estão viajando para Paris para tratar de negócios com a realeza. No caminho para lá, no entanto, eles são atacados por supostos mosqueteiros e seu pai acaba sendo morto. O nome “Athos” (Tom Burke, de O Libertino, 2004) é dito por um dos assassinos como sendo seu líder e isso faz com que D’Artagnan decida continuar seu caminho para Paris, dessa vez com o objetivo de vingar-se do homem que, supostamente, matara seu pai. Lá chegando, depois de alguns percalços, ele descobre que o assassinato de seu pai era parte de um elaborado plano para incriminar Athos e, consequentemente, desmoralizar a companhia dos mosqueteiros. Com a ajuda de Porthos (Howard Charles) e Aramis (Santiago Cabrera, de séries como Heroes e Dexter), o plano é desmascarado e D’Artagnan é aceito como um aprendiz de mosqueteiro.

Peter Capaldi as Cardinal Richelieu in the BBC's The Musketeers.

A partir daí, a história se desenvolve de maneira mais ou menos convencional, com os Mosqueteiros enfrentando, a cada semana, uma ameaça diferente, sendo que os episódios também servem para explorar mais o passado de cada um de seus protagonistas. Há ainda, obviamente, uma história maior que se desenrola no pano de fundo dos episódios e ela tem muito a ver com a disputa de poder entre o ambicioso e inteligente Cardeal Richelieu (Peter Capaldi, de Guerra Mundial Z, 2013 – acima), que poderia ser considerado o grande vilão da série, e o ingênuo e mimado Rei Louis (interpretado de maneira quase caricata por Ryan Cage, de O Hobbit: A Desolação de Smaug, 2013). Há ainda personagens femininos fortes, especialmente nas figuras de Constance (Tamla Kari) e da misteriosa Milady, que assume várias identidades durante a série (Maimie McCoy, também de O Libertino). O Capitão Treville, responsável pelo regimento dos mosqueteiros (Hugo Speer, que aparece na primeira parte de Ninfomaníaca, 2013) e a Rainha Anne (Alexandra Dowling, de Game of Thrones) fecham os principais personagens da série.

No frigir dos ovos, The Musketeers traz exatamente aquilo que os fãs da obra original esperariam, ou seja, histórias interessantes e divertidas, executadas da maneira usualmente competente da BBC. Com dez episódios apenas, a série, que inicialmente estava planejada para ter apenas uma temporada, foi renovada recentemente e deve retornar em 2015. Até o momento, The Musketeers não tem estréia definida por aqui.

Pequena homenagem aos Três Mosqueteiros, completos pelo autor deste texto

Pequena homenagem aos Três Mosqueteiros, na verdade um quarteto completo com o autor deste texto

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