O juiz dos R$ 500 mil está certo; nós é que estamos errados

 “Eu não tô nem aí. Eu estou dentro da lei e estava recebendo a menos. Eu cumpro a lei e quero que cumpram comigo” (Juiz Mirko Giannotte)

Ganhou uma grana e foi passear, ora bolas

Certamente não é a resposta mais adequada. Sobretudo por vir de um funcionário (público) a seus patrões (contribuintes). Fica pior na boca e na pena de um juiz, mas nada anormal, dada a costumeira arrogância da classe no trato com os “comuns”. Todos os juízes? Claro que não. Mas boa parte, sim. Contudo, após a avalanche de ofensas e impropérios que o doutor recebeu, entendo sua agressividade e desdém. Certas pessoas adoram ofender, mas não admitem resposta. É o tal do “quem fala o que quer; ouve o que não quer”. Sigamos.

Vocês devem ter lido ou ouvido. Um juiz do Mato Grosso embolsou um salário de mais de R$ 500 mil. O Portal UAI fez uma excelente matéria a respeito. Pois bem. O mundo caiu sobre o doutor e ele deu a energúmena resposta acima. Um monte de gente me pediu para escrever a respeito. Ok. Aí, vai! Mas acho que vou decepcionar. Por quê? Bem…

Não consegui enxergar onde está o erro no pagamento milionário do magistrado. O cara trabalhou, tem de receber. Ou não é isso que os 3 milhões de “coitadinhos hipossuficientes” reclamam todos os anos na famigerada Justiça Trabalhista? Só trabalhador possui direitos? O sujeito é porteiro de um prédio e de vez em quando “pilota” o elevador. Sai do emprego, corre na JT e pede equiparação salarial como ascensorista. Pede insalubridade, alega dupla jornada de trabalho, reclama danos morais, maus tratos e o escambau. Limpa os cofres do condomínio e faz a festa da indústria que se formou ao seu redor: de advogados a juízes, de peritos a desembargadores. Uma multidão que vive da prática mais injusta de justiça; aquela onde só um lado tem razão. Sei bem do que falo. Mas adiante. Voltemos ao juiz milionário.

O juiz não está errado. Nós é que estamos. Somos nós, os eleitores de quem faz as leis e permite que os Poderes definam os próprios orçamentos, inclusive salários e benesses, os responsáveis por distorções absurdas como essa. Somos nós que admitimos, com os nossos votos, salários indecentes, auxílios indecorosos (moradia, paletó, escola dos filhos, plano de saúde, aposentadoria especial, etc) da casta intocável dos Três Poderes, em todas as esferas (Municipal, Estadual e Federal). Sou eu, é você, a imprensa brasileira, quem primeiro grita contra uma reforma previdenciária que justamente tenta acabar com parte desta farra. Ou quem defende um corrupto asqueroso como Lula. Ou que prefere o churrasco de domingo a uma manifestação em praça pública. Somos nós, caros leitores, os errados. Simples assim.

O juiz não roubou. O juiz trabalhou conforme as regras contratadas. Se o contrato é ruim, mudemos. Outro dia mesmo li um edital de concurso para o Ministério Público do Rio Grande do Sul, um dos estados mais quebrados do Brasil. Salário inicial de R$ 26 mil. O do professor, no mesmo edital, R$ 1.6 mil. Do médico, R$ 2 mil. O aparato do judiciário brasileiro é o campeão disparado dos privilégios. E olhem que a competição com o Executivo e Legislativo é dura, hein? Mas os doutores chutam mesmo o balde e, como o juiz matogrossense, “estão nem aí” para o que pensamos. Desde que paguemos, claro. E reclame, para você ver! O corporativismo estatal é tão ou mais virulento que a esquerda. Não à toa serem siameses. E exploradores, claro.

Como mudar? Simples! Eleja deputados federais e senadores que toquem na maior das nossas feridas. Na maior das nossas chagas: o tamanho do Estado e o privilégio do funcionalismo público. De todo ele! Nada suga mais a riqueza geral do país do que essa praga. Nada concentra tanta renda, nas mãos de tão poucos. O custo com a corrupção é fichinha, é “peanuts” perto do custo desta máquina de moer gente que é o Estado brasileiro.

Ou então rezem para um louco qualquer tomar o poder e mandar todo mundo para o paredão. O risco é o louco encasquetar com você também, né? Ou comigo. Vixe!!

P.S.: Aí, doutor juiz! Aceite um conselho, que vai de graça: guarde um pouco da bufunfa, viu? Vai que seus patrões, aqueles por quem você não está nem aí, resolvam acordar para a vida e acabar com essa gracinha toda. Vai ser difícil viver como eles (seus patrões). Acredite! Poupança e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

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27 thoughts to “O juiz dos R$ 500 mil está certo; nós é que estamos errados”

  1. Vá me desculpar, mas a culpa não é nossa e a solução não é tão simples como você diz. A maior parte da população brasileira é contra essa indecência, esse abuso, essa falta de respeito. Esses caras (recuso-me a chama-los de senhores) são ladrões vestidos de toga. Dizem que estão “dentro da lei”. Claro, existe um teto salarial para funcionário público de aproximadamente 34 mil, então eles driblam (burlam) as leis recebendo salári…, ops, “vantagens, gratificações e indenizações” com respaldo do judiciário, ou seja, deles mesmos.

    1. Alexandre, meu caro, não há uma mísera lei — ou condescendência — que não parta do Legislativo. E não há um mísero, ou melhor, miserável parlamentar que não tenha sido eleito por voto direto. Logo a culpa é nossa, sim. Talvez não sua ou minha, individualmente falando, mas certamente do conjunto dos eleitores. SImples assim; triste assim! Abrs

  2. Todo mundo culpa os politicos pela situaçao do nosso país, mas os maiores culpados estao no judiciario. Eles a muito tempo ja sabiam do que aconteciam, mas nunca fizeram nada. “Rico nao vai preso no Brasil”. Eles distorcem as leis por conveniência, nos seus veredicto. Eu odeio a expressão: Cabeça de Juiz ….” Eu vejo esses magistrados como uma realeza no período feudal, onde os camponeses pagavam seus luxos. Porem um dia, esses camponeses irão se revoltar, tomar a Bastilha e cortar algumas cabeças.

    1. Olá Soares, é realmente impossível não lembrar da Bastilha. Vide que o capital não é apenas dos bens materiais. Um capital de grande relevância é o capital do SABER. Não por outro motivo, os magistrados pleiteiam penduricalho de R$ 5.000 para cada um de seus filho, pois, é uma forma de manter essa classe no poder. Não se pode, de igual modo, deixar de ver que um dos motivos da perseguição a Lula e ao PT é justamente pelo fato de o partido te ampliado os meios de acesso dos pobres ao ensino superior, acesso ao SABER. A elitizinha rapinosa e extrativista não quer, nem de longe, ser ameaçada em seus privilégios e benesses. Grato.

  3. Já de muito tempo que ouço que a justiça clama por mais verbas e que estão abarrotados de processos, com falta de espaço para funcionários, e que os juízes não podem fazer muito por falta de verbas, mas quando se trata de seus vencimentos, que se dane o mundo querem o deles primeiro e com todas as correções possíveis.Pobre daquele que espera por uma decisão de um juiz, quando se tem um processo, pedindo devolução de algum valor cobrado errado ou alguma correção de valores que lhe sejam devidos. Enquanto isto espero que os novos juízes que estão aparecendo por aí ponham fim nesta farra, mas acredito que continuará como está.

  4. Bom dia!

    normalmente eu não leio blogs, mas as vezes a indignação por alguns acontecimentos em nosso país nos faz mudar os hábitos. Uns batem panelas, outros difamam as pessoas sem conhecimento de causa (principalmente pela internet), outros apenas observam e assim por duante……no fim das contas estamos em um país onde pedalada fiscal do PT é crime e pedalada da quadrilha qur sempre mandou no país é “revisão da meta fiscal”…….
    quanta hipocrisia em quase tudo…..
    sobre a sua opinião, eu concordo plenamente com ela em alguns pontos…..mas não chego a discordar em outros…..e digo isso sobre a reforma trabalhista e a maneira que o brasileiro distorce as leis e situações em causa propria…..seja assalariado ou magistrado.
    para quem convive e acompanha, ou tem algum parente analista ou assessor sabe quem realmente trabalha e recebe 1/3 do salário do chefe……”vou tentar me esquivar de falar diretamente, já que os “deuses” se ofendem por pouca coisa.
    Que um juiz tem de ganhar muito bem eu apoio……mas ter tanto privilégio e absurdamente ter uma coisa chamada “vitaliciedade ” aí extrapola qualquer bom senso.
    parabéns pelas suas colocações e espero que se concentre menos no larápio de 9 dedos, pois com posts como esse de hoje, eu consigo ter esperança de que a sociedade entre num consenso e perceba que estamos todos num mesmo barco chamado Brasil.

  5. Leio, sempre, os seus comentários que, na maioria das vezes, são sensatos e concordo. Todavia, desta vez, acho que você extrapolou quando disse: “o tamanho do Estado e o privilégio do funcionalismo público. De todo ele! Nada suga mais a riqueza geral do país do que essa praga.” Acho que você deveria pesquisar de nem todo funcionário público tem os privilégios que você citou de funcionários do Judiciário e do Legislativo. Mesmo nesses Poderes, não são TODOS os funcionários que os detêm. Generalizar, iguala você àqueles que você diuturnamente condena. Anatematizar a todo e qualquer servidor, para um formador de opinião, é desconhecer o assunto de que está tratando em sua inteireza.

    1. Alvacir, já cansei de explicar. Leia “o todo” e não “uma parte”. O funcionário público que trabalha muito e honestamente e recebe pouco não se enquadra no “funcionalismo” a que me refiro. Quando digo que petista não presta, não preciso nominar todos aqueles que são decentes para excluí-los da crítica. Quando digo que sindicalista é uma praga, idem. E assim por diante, entendeu? Abrs

  6. Você disse tudo meu caro!
    A solução seria dissolver todos os tipos de sistemas que criaram, em todas as esferas do poder e começar do zero novamente!
    Políticos, sindicatos e os maus empresários estão acabando com o país!

  7. Bom dia!
    Esse é nosso o país!!!!!!!!!! Infelizmente é o preço que pagamos. Não importaria de pagar esses salários para o nosso judiciário, deputados, senadores, vereadores e todas essas máquinas cumprissem com a obrigação de gerir nossos tributos com justiça.
    Olha a situação da nossa educação? Saúde? E o nosso transporte?
    Minha concepção é FUNCIONÁRIO PUBLICO É UMA DOENÇA NA MÁQUINA PUBLICA.

  8. Não concordo quando vc diz ” Somos nós que admitimos, com os nossos votos,” votamos na naqueles que prometem mudar essa maquina, mas quando chegam lá, o que fazem?? Trocamos nossos deputados federais, nosso senadores, mas eles, quando entram lá, lá em Brasilia, entram no esquema. Não protegemos Lula, nem Aécio, protegemos aquilo que acreditamos, e quanto mais acreditamos menos eles fazem por nós. Não nos culpe, pois o “distritão” está vindo ai e não fomos nós que votamos, e quando saímos as ruas, somos recebidos a bala de borracha e bomba de gaz e pra eles pouco importa. Lutamos sim, infelizmente a única arama que temos são as urnas e elas, já algum tempo, não atinge mais como o mesmo efeito que deveria.

      1. Ricardo , me diga , você realmente confia em alguém que alcançando o poder não caia na mesmice do esquema corruptível ? Quem ou o quê pode afiançar essa garantia ? O Divino ? Me desculpe , demagogias manipulam a crença do eleitorado … que posteriormente é responsabilizado e condenado a ouvir ” quem os coloca lá ? ” ” vocês têm os pilantras que merecem ” …
        Me diga , você confia mesmo no ser humano ??? A desilusão tá aí … 24 hs /dia , no seu melhor !!!

  9. Concordo com você. Penso igualmente. Ele, o juiz, estudou, fez um concurso, onde se pressupõe uma condição de igualdade, foi aprovado, nomeado, tudo conforme as regras legais, tendo portanto todo o direito de receber o valor que lhe é devido pelo serviço prestado. Bem diferente da classe legisladora brasileira, que só consegue ser eleita, se tiver (muito) recurso financeiro. Aí, quando se pensa que tudo irá ficar de maneira mais igualitária, em termos de candidatura eleitoral, eles dão um jeitinho de mudar tudo para que não haja mistura. Típico da classe. Voltando ao caso do Juiz, todo mundo quer ter o prestígio e o glamour do cargo máximo, mas todo mundo aceitaria fazer isso pelo salário que recebe hoje? Duvido. Ninguém quer. Ele está exercendo o que lhe é de direito. Cabe uma reflexão mais profunda. Deixemos de sermos Donas Candinhas, que ficam preocupadas com o jardim do vizinho e vamos trabalhar para cuidar do nosso jardim, para que ele fique verdinho e bonito também. Traduzindo a analogia, estude! Que talvez no futuro, o beneficiário meio milionário, seja você.

  10. Minha percepção é que a festa de todas estas classes que se acham superiores (Médicos, Advogados, Juizes, Políticos…), está para acabar com as próximas gerações, não por conta da mudança do pensamento do povo e, sim, por conta das novas tecnologias que estão mostrando que, cada vez menos, precisamos de seres humanos para ganhar salários altíssimos para fazer algo que, até há pouco, era privilégio de uma minoria de família abastada. Os médicos já estão começando a sentir na pele, hoje, este monte de “Clínicos” que ganhavam absurdo para decorar alguns nomes e pedir pros pacientes, já estão ganhando bem menos e, até, tendo dificuldades em ter novos clientes. Cirurgiões já começaram a ser trocado por robôs… É só esperar, a evolução das coisas é natural, nem precisamos mexer a bunda da cadeira.

  11. Se algum dia, algum familiar desse juiz for assassinado num assalto, que ele diga o mesmo: “não estou nem aí”. Muitos servidores públicos vivem como nababos enquanto a população em geral vive com salários vergonhosos. São muitos benefícios para a classe do Dr. Mico enquanto a população não encontra nem remédio de uso continuo nos postos de saúde. Como você disse, culpa nossa, do nosso voto. A pobraiada (de escola) sabe votar?

  12. Sua linha de raciocínio é ótima, parabéns, nunca tinha lido um texto sei mas gostei da sua dinâmica argumentativa. As generalizações como pressupostos de discussão é que são problemáticas, contaminam o raciocínio e aproximam o texto de um manifesto mais que dê uma análise. Basta lembrar que alguns servidores aposentados do Rio de janeiro, estão vivendo de doações e morando em abrigos de indigentes. Nem todos estão nessa situação e nem todos tem privilégios milionários. Generalizações servem para perpetuar as distorções, os privilégios pois eles são invibilizados, quais carreiras tem privilégios e recebem salários milionários? Da forma como foi conduzido, o governo achata ainda mais o salário do professor e do policial e diz que economizou. E estará tudo certo. C’est la vie.

      1. Não se preocupe; o importante é se fazer entender. Aqui não é prova do Enem. Só quando quero sacanear uns bobinhos que os provoco com os erros. Abrs

  13. Esta prática é ilegal pois destoa do princípio constitucional da razoabilidade (bom senso) – especialmente neste momento de crise econômica – tanto que o privilégio pode ser revisto pelo CNJ depois da forte repercussão negativa.
    Quando vemos membros da justiça e do legislativo cagarem e andarem para nossa CF/1988 fica difícil acreditar no Brasil e nas suas instituições, ou seja, caminhamos no rumo da barbárie engrenados de 5ª marcha.
    Mas respeito a sua opinião e admiro seu espirito crítico.

    Salve Galo!

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