Para sempre, até acabar

…sorria, abrace os seus pais enquanto estão aqui (Ana Vilela, em Trem Bala)

Mãe

O primeiro toque, o primeiro olhar, o primeiro beijo. Lembranças guardadas, em um espaço qualquer, nos visitando sempre que o medo nos grita, que a dor dilacera e o pranto não cala.

O primeiro abraço, o primeiro afago, o primeiro sorriso. Doces lábios abrindo-se em dentes brancos, voz macia. Os dedos frágeis, unhas compridas a passear por fios de cabelo e dobras do corpo, a arrepiar a alma segura no embalo do amor.

O primeiro grito, a primeira palmada, o primeiro castigo. Um susto que passa, uma lágrima que seca, a raiva que não dura. O primeiro reencontro, o primeiro abraço, a primeira reconciliação. A certeza que é sublime, que é pra valer e que é para sempre.

O primeiro tchau, o primeiro “até logo”, o primeiro juízo. Vá com Deus, tome cuidado, não faça bobagem. Volte logo, volte cedo, ligue quando chegar.

O que houve?, por que está assim?, não chore mais. Estou aqui, vai passar, já passou. Eu te disse, não te disse?, não me escutou. Vê se aprende, não responde, volte aqui.

Seja feliz, siga em frente, até a volta. Te espero, venha logo, quanta saudade. Que bom que veio, já vai?, fica mais. Faz tempo, não há tempo, pare o tempo.

É a sua cara, a minha cara, somos nós dois. Faça assim, faça assado, deixe que eu faço. É você novamente, sou eu outra vez.

Ficando tarde, ficando cansada, é hora de partir.

Fique bem, fique em paz, vai dar certo, vai passar.

Até um dia,

Adeus!

 

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