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Psicólogo graduado pela Universidade FUMEC, Pós-graduado em Psicologia Médica pelo departamento de Psiquiatria e Neurologia da Faculdade de Medicina da UFMG e Mestre em Educação, Cultura e Sociedade pela UEMG, tendo desenvolvido dissertação na área de Violência Contra a Mulher.

Terminei porque parecia que meu namorado “namorava” a própria mãe

homem jovem com mulher madura“Olá, Dr. Douglas Amorim. Namorei por 01 ano e 03 meses um filho único de mãe viúva. O falecimento do pai ocorreu em 1987, quando a mãe tinha 28 anos e o filho, apenas 01 ano. Desde então, essa mãe viveu em função do filho e hoje, ele vive em função da mãe. Durante o relacionamento eu sentia que, além da função de filho, meu namorado exercia a função de marido da mãe, pois, sempre andavam de mãos dadas, eventualmente deitavam na mesma cama de conchinha, se chamavam de “amor” etc.  Além disso, era muito complicado fazer programas a dois, pois percebia que ele se sentia culpado por deixar a mãe sozinha. Acontecia também, dele compensar a mãe pelo tempo que passava comigo a sós, ou pelos programas que fazíamos a dois. Se fôssemos ao cinema, na semana seguinte, ele iria ao cinema com ela. Comecei a sentir ciúme da mãe e também invadida, por não ter liberdade de programar uma vida só com ele. Também senti medo de estar num barco furado  me relacionando com uma pessoa que, dificilmente, conseguirá sair de casa para se casar. Conversamos muito sobre o assunto e os dois começaram uma terapia. Entretanto, ao adquirir consciência dessa relação simbiótica com a mãe, ele se sentiu pressionado e disse também que não iria mudar, pois era gostoso viver assim. Sinto falta dele, pois, a relação a dois, quando existia, era muito boa. Às vezes sinto culpa por ter sido intolerante ou ciumenta. Fico confusa pensando se me precipitei. Por outro lado, tinha medo de sempre viver uma relação a três com a sogra e de ter filhos com ele, que seriam sempre supervisionados por ela. Eu deveria ter compreendido a força dessa relação? É possível manter um relacionamento com filho único de mãe viúva?”

 

Envie sua dúvida para perguntaUAI@gmail.com  Não identificamos os autores das perguntas

 

Resposta:

Querida leitora, esse é um caso típico de adoecimento psicológico, no meu humilde modo de entender. Quando digo adoecimento, não se trata de procurar um diagnóstico nos manuais de Psicologia e Psiquiatria, como Depressão, Transtorno Bipolar ou outro qualquer. Refiro-me a algo que atravessa a vida da pessoa de tal forma, que faz com que ela fique aprisionada num quadro neurótico. Você mencionou que o pai dele faleceu quando ele tinha apenas um ano de idade. Ou seja, era um bebê. Diante de tal fato, tudo indica que o sentido da mãe passou a ser o filho, e que ele foi, inconscientemente, o substituto do marido falecido. Agindo assim, ela simplesmente se fechou para outras possibilidades de relacionamento afetivo e acabou elegendo o filho como seu objeto incondicional de amor. Ao fazer isso, obviamente, passou a mensagem que bem entendeu para o filho. Ou seja, a de que ele teria de ocupar o lugar do pai.

Como a formação da nossa personalidade vai até por volta do seis anos de idade, é provável que a influência da mãe tenha sido decisiva para que ele incorporasse esse papel e, o pior de tudo: passasse a achar natural o fato de desempenhá-lo. Com o passar dos anos, os dois desenvolveram essa relação que, convenhamos, não é nada saudável. Sentir-se culpado por deixar a mãe em casa – que não tem nenhum problema de saúde – e depois ter de fazer com ela, o mesmo programa que fez com a namorada, beira o absurdo. Chamar a mãe de amor, dormir de conchinha com ela na cama etc., não são condutas adequadas. Todos nós desempenhamos papeis na vida. Isso é típico da sociedade civilizada. Papeis de filho, de mãe, de pai, de amigo, de aluno, de profissional, entre outros, exigem comportamentos compatíveis a eles de acordo com nossa cultura.

Achei bastante interessante você ter mencionado seu desconforto com ele e ambos terem buscado tratamento psicológico. Além disso, fiquei impressionado com o que ele disse após ter tomado consciência de tudo, em seu processo de psicoterapia. O fato dele não querer mudar, porque a relação com a mãe era “gostosa”, nestes termos, mostra o quanto ficou enraizado nele e nela, a relação inadequada, na qual seu ex-namorado é filho e marido ao mesmo tempo, da mesma forma que ela é mãe e esposa. Diante de tamanha mescla de papeis, não seria de se espantar se, mais cedo ou mais tarde, uma relação incestuosa acontecesse. Parece bizarro mas, não seria o primeiro e nem o último caso registrado na humanidade. O tipo de situação que você relatou, com bastante clareza, demonstra que eles desenvolveram uma simbiose nociva para ambos, embora não julguem assim.

Dicas pra você: querida leitora, você não tem de se sentir culpada por ter sido ciumenta e intolerante. Pra falar a verdade, acho até que sua relação com ele durou muito tempo. Não percebo precipitação de sua parte, principalmente, pela clareza do seu relato. Compreender a força dessa relação, como você disse, não pode ser sinônimo de concordar com algo que é psicologicamente adoecido. Por mais que você goste dele, o que é necessário compreender é que, optando por manter essa relação, teria de dividi-lo com outra mulher. Creio que esse não seja seu objetivo, não é mesmo? A mulher que quiser ficar com ele, terá de se sujeitar a essa situação absurda e, felizmente, você não o fez. É possível manter um relacionamento afetivo com qualquer pessoa, desde que ela te faça bem e seja equilibrada. Isso não tem a ver com o fato do indivíduo ser ou não filho único, ou ser filho único de mãe viúva. No caso que você descreveu, a mãe criou o filho para ela. Aliás, pior. Criou-o para ser marido dela. Penso que você acertou ao ter saído desse emaranhado familiar, sobretudo, porque ele afirmou categoricamente que não irá mudar. Sei que está triste mas, diante disso, não há o que ser feito. Pare de se culpar e siga sua vida. Seguramente, mais dia, menos dia, surgirá alguém interessante e que valerá a pena. Fique bem e sucesso pra você!

Um abraço do

Douglas Amorim

Psicólogo clínico, pós-graduado em Psicologia Médica, mestre em Educação, Cultura e Sociedade

Consultório: (31)3234-3244

www.douglasamorim.com.br

Instagram:@douglasamorimpsicologo

Canal no youtube: https://www.youtube.com/user/douglasdanielamorim

 

11 thoughts to “Terminei porque parecia que meu namorado “namorava” a própria mãe”

  1. Ola… acredito que nesse caso nem um grande amor compensa… estou passando por isso por um grande amor que tem uma simbiose doentia com a mãe… e no final de 4 anos estou exausta de “lutar”, no início eu não entendia, mas com o passar dos anos vi que aquilo nunca foi exatamente normal, então eu repito, nem por um grande amor compensa, o que compensa é investir em relações mais saudáveis… isso sim, se amar primeiro, estar livre, podendo compartilhar momentos a dois sem essa energia intromissiva, invasiva… obrigada pelo espaço!

  2. Eu passei 4 anos com um filhinho da mamãe. Apenas 40 dias q terminamos, estou muito decepcionado por ter tentado tanto. Mas, eu me sentia amante dele e a esposa era a mãe. Nesse caso, ele tem 50 anos, nunca casou, só teve relacionamentos complicados e a distância. A mãe sempre foi traída é ignorada pelo marido, os filhos não casaram, se relacionam de forma turbulenta, ela perturba tanto q as candidatas desistem. Muito doentio, muito triste ter perdido tanto tempo, muito ruim gostar de alguém é perder assim. Perder o q não tinha né?

  3. Olha passei por uma situação parecida so que ele tinha 32 anos e fazia todas as vontades da mãe uma pq a mãe dele foi traída acho que isto ajudou nessa situação agente namorava e a mãe dele me julgava me criticava e ele la tentando ser feliz mais todas as vezes ela falava mal de mim até que ele estourava e agente termianava e foi assim durante 3 anos termianava e voltava por causa da mãe dele foi complicado …. até que terminamos tudo e ele não aguentou mais

  4. E vc ainda sente falta dele? meu deus!! Imagino o peso q esse homem seria na sua vida!! além de mulher, c o tempo ele faria de vc a mãe…. Já pensou???

  5. Se ele fosse realmente um grande amor, você lutaria por ele com toda a sua força. Como tudo indica que não era esse o caso, você fez bem em terminar.

  6. O mais engraçado é o fato de 99,99% da mulheres tem o mesmo perfil do “cara” citado e isso absolutamente normal. Quando a história é com homem está tudo errado. Quando é com mulher está tudo bem.

  7. Vivi uma situação parecida, mas no meu caso eu namorava a mãe e posso afirmar categoricamente que você fez certinho em terminar, bola pra frente…

  8. Conheço um casal que a esposa voltou pra casa da mãe mais de 30 vezes durante 4 anos de casamento . Ficou grávida , todo mundo achando que ela ia mudar, mas continuou voltando pra casa da mãe , mas levando o filho pequeno. Não deveria ter casado né ?

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