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Psicólogo graduado pela Universidade FUMEC, Pós-graduado em Psicologia Médica pelo departamento de Psiquiatria e Neurologia da Faculdade de Medicina da UFMG e Mestre em Educação, Cultura e Sociedade pela UEMG, tendo desenvolvido dissertação na área de Violência Contra a Mulher.

Pergunta de leitora – É possível curar a homossexualidade do meu filho?

mãe-homossexualidade do filho

 

“Bom dia, Dr. Douglas. Tenho 41 anos e sou mãe de dois filhos. O mais novo tem 15 anos e o mais velho acabou de completar 20. Estou passando por uma situação das mais difíceis. Meu filho mais velho me disse há duas semanas que sente atração por homens. De fato, ele nunca namorou e nunca o vi com nenhuma garota. Estou muito perdida e não sei o que fazer. Ele me disse que tem certeza do que sente e que sabe que não é só uma atração qualquer. Pra completar, ele falou que se percebe assim há muito tempo. Por favor me ajude. Me indique algum tratamento para que ele possa voltar a ser uma pessoa normal. O pai dele não sabe e acho que não aceitaria uma situação como essa de forma alguma. Não sei qual direção seguir”.

Resposta:

Olá, querida leitora. Antes de qualquer coisa é necessário se fazer um breve esclarecimento sobre a homossexualidade. O  ponto a ser entendido é que homossexualidade não é doença. Há alguns anos, a orientação homossexual de qualquer indivíduo era considerada sinônimo de patologia. Apenas em 1973, a Associação Americana de Psiquiatria retirou a homossexualidade da condição de transtorno mental. Em 1993, a OMS (Organização Mundial de Saúde) adotou o termo Homossexualidade, ao invés de Homossexualismo, uma vez que este último, transmite conotação de doença, e não, de um estado mental.

No Brasil, o Conselho Federal de Psicologia, publicou em 2003, uma carta reiterando a resolução 01/99, que proíbe os profissionais de Psicologia tratarem a homossexualidade como doença. A resolução impede os psicólogos de colaborarem com eventos ou serviços que proponham tratamentos e cura das homossexualidades, seguindo as normas da Organização Mundial de Saúde. Portanto, não tenho como indicar um tratamento, como você pediu, por dois motivos: o primeiro, porque não há doença. Logo, não há o que se curar. E segundo porque, amparado nessa concepção, está a normatização do Conselho Federal de Psicologia.

É interessante percebermos como muitas pessoas ainda têm uma visão míope e atrasada sobre determinadas situações da vida. Mesmo em pleno século XXI. Freud, em 1903, emitiu sua opinião a pedido do jornal austríaco Die Zeit, sobre uma importante personalidade da época, acusada de homossexualismo. É isso mesmo que você entendeu – Acusada de ser homossexual. A resposta foi a seguinte:  “A homossexualidade não é algo a ser tratado nos tribunais. (…) Eu tenho a firme convicção que os homossexuais não devem ser tratados como doentes, pois uma tal orientação não é uma doença. Isto nos obrigaria a qualificar como doentes, um grande números de pensadores que admiramos, justamente em razão de sua saúde mental (…) Os homossexuais não são pessoas doentes”.

Dica pra você: Por favor, pare imediatamente de pensar que seu filho é uma pessoa doente. Homossexualidade não significa doença e não diz nada sobre as coisas que são realmente importantes na vida de uma pessoa. Entre elas posso destacar o fato dele ser uma pessoa honesta, um cidadão consciente dos seus direitos e deveres, ter vontade de crescer profissionalmente, buscar ser feliz afetivamente, ter responsabilidade e solidariedade para com as outras pessoas e muito mais. Isso sim é o que importa, ora! Ele dividiu algo muito íntimo e importante com você. Julgamentos e condenações não irão colaborar em nada. Sendo assim, hora de arregaçar as mangas e fazer seu papel de mãe, perguntando a ele no que você poderia ajudá-lo. Quanto ao pai aceitá-lo ou não, isso só saberemos a partir do momento em que ele souber. Não há como falarmos sobre isso sem que ele tenha conhecimento da orientação sexual do filho.

Envie sua pergunta para perguntaUAI@gmail.comNão revelamos a identidade dos leitores

 

Um abraço,

Douglas Amorim

 

 

 

 

 

 

10 thoughts to “Pergunta de leitora – É possível curar a homossexualidade do meu filho?”

  1. Realmente é muito dificil nos colocar na posição de pai ou mãe de um filho que diga ter essa orientação sexual, quem dirá viver na pele essa situação. Pais sempre querem o sucesso pleno dos filhos, que DEUS possa ouvir cada oração, cada reza pq na minha opinião nesse momento, o q precisa prevalecer e´a estrutura familliar e o AMOR q inunda o coração de uma mãe e de um pai.

  2. Caro doutor,tenho um filho que se assumiu homossexual,bom saber que não se trata de uma doença;isto quer dizer que é apenas sua opção sexual,continuo orando para que faça uma opção hétero ;obrigado!

  3. Parabéns Douglas. Estou adorando acompanhar suas respostas. Parabéns pelo profissional que tem se tornado e pelo sucesso da coluna.

  4. Texto fraco superficial uma tela branca diria mais conselho de psicologia é nefadto castrador e tendencioso nso aceita opinião fiversa do que a midia quer

  5. Se me permitem: a questão, se é que se pode dizer que homossexualidade seja uma questão, metodologicamente falando, deve ser tomada independentemente da regulamentação em Conselhos Profissionais porque lhe é anterior: afere valores inerentes à dignidade da pessoa humana e remete ao direito de ser quem se é. Isso não se discute! Porque trata-se de um direito fundamental. Quem precisa de tratamento, logo, são os que não aceitam; o sentimento de acolhimento das diversidades precisa (e isso é imperativo) ser exercido dentro de casa. E, infelizmente, pai e mãe são os primeiros a intolerarem. Sim, é essa postura egoísta que não respeita a individualidade do próprio filho para além do cordão umbilical já rompido que precisa ser tratada. Indivíduos que não aceitam individualidades, mas antes buscam reiterar o padrões já estabelecidos é que precisam ter suas convicções revisitadas. Não se deve impor padrões que tais à formação de filhos, se de fato se ama, claro! Nessa jornada, ao longo da materno-paternidade, cumpre não se esconder atrás dos próprios preconceitos sob o argumento da proteção do filho.

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