Clássico com as irmãs March ganha nova roupagem

por Marcelo Seabra

Já contando com várias adaptações para o Cinema e para a televisão, o livro clássico de Louisa May Alcott ganha nova versão para a telona. Escrito e dirigido por Greta Gerwig, Adoráveis Mulheres (Little Women, 2019) apresenta a uma nova geração as irmãs March, cada uma com uma personalidade bem distinta. Diferentemente de outros remakes, que chegam sem a menor explicação ou necessidade, esse é um filme que reafirma a força da mulher e o direito delas de escolherem seus destinos.

Em meados do século XIX, quatro irmãs crescem com a mãe, à espera do pai voluntário, e passam por diversas experiências envolvendo a vida doméstica, o trabalho e o amor. Com maior ou menor grau de semelhança entre elas, física e psicológica, as meninas buscam seus caminhos, mesmo que não saibam direito para onde querem ir ou o que fazer. Algumas alterações no original foram feitas para ressaltar o papel da mulher na época e a dificuldade de lutar por seus direitos. Mas o principal está lá: o retrato de vidas até então consideradas pouco importantes, que não costumavam aparecer em publicações.

Tendo celebrado recentemente o sucesso de Lady Bird (2017), Gerwig estava em alta e acabou assumindo também a direção do projeto, além do roteiro. Pensando num primeiro momento em viver a filha principal, Gerwig acabou cedendo aos pedidos da amiga Saoirse Ronan, com quem havia trabalhado em sua estreia na direção, em 2017. Dessa forma, Ronan ficou com o papel de Jo, a mais impetuosa das meninas March, a que sonha em ser independente e se manter escrevendo contos e livros. Katharine Hepburn e Winona Ryder são algumas das atrizes que já encararam essa missão, mas Ronan não fica atrás em talento e força. Indicada ao Oscar três vezes, a jovem tem muita presença de cena.

Como as outras filhas, temos Emma Watson (da franquia Harry Potter e de O Círculo, 2017) como Meg; Florence Pugh (de Midsommar, 2019) como Amy; e Eliza Scanlen (da série Sharp Objects) como Beth, a mais nova e frágil. Amy acaba sendo a que se destaca entre elas, numa ótima composição de Pugh. Ela é a mais tridimensional delas, mostrando várias facetas de um ser humano normal, com momentos de raiva e outros de frustração. A mãe fica por conta de Laura Dern, indicada a prêmios nessa temporada pelo filme do marido de Gerwig, Noah Baumbach: História de Um Casamento (Marriage Story, 2019). Apesar de ter pouco espaço, Dern é sempre ótima. Outro que faz muito com pouco é Chris Cooper (de Sem Proteção, 2012), que rouba cenas como o vizinho rico.

Completando o elenco, temos Timothée Chalamet (também de Lady Bird) como o garoto da casa em frente, que se envolve profundamente com as meninas. Chalamet resolve bem o problema, mesmo que seus personagens não variem muito. Ainda aparecem Bob Odenkirk, Tracy Letts e Louis Garrel, além da irrepreensível Meryl Streep, que consegue passar simpatia para uma tia solteirona cínica e rabugenta. Dá para ver que Gerwig não é boba ao pensar em seus atores, o que deve deixar o trabalho de direção mais focado em outros pontos.

E essa técnica funcionou bem, tudo está bem amarrado. A ótima reconstituição de época é reforçada por uma fotografia linda, responsável por vários momentos marcantes que poderiam ser enquadrados e colocados na parede. E o premiado Alexandre Desplat (de A Forma da Água, 2017) pontua tudo com uma trilha agradável, que vez ou outra aparece com mais destaque, mas tende a se manter discreta. Gerwig acertou mais uma vez – até mais do que no trabalho anterior. E ainda emendou uma dose de metalinguagem, mostrando na prática o que Alcott criticou há dois séculos e permanece atual.

Gerwig apresenta parte de seu elenco num figurino atual

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O melhor do Cinema em 2019

por Marcelo Seabra

O ano de 2019 trouxe coisa boa tanto nos cinemas quanto na TV, com as inevitáveis produções originais Netflix. O serviço de streaming trabalhou com grandes diretores, como Martin Scorsese, e conseguiu elevar seu número de acertos. Os erros sempre foram vários, e continuam sendo. 

Na lista abaixo, confira os dez melhores filmes do ano – basta clicar para ler a crítica completa.

E obrigado por acompanhar O Pipoqueiro por mais um ano!

10- Meu Nome É Dolemite

09- Vice

08- Rocketman

07- Ford vs Ferrari

06- A Vida Invisível

05- Democracia em Vertigem

04- Bacurau

03- Coringa

02- Parasita

01- O Irlandês

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Repescagem 2019: 3/3

por Marcelo Seabra

Nós (Us, 2019)

Muito elogiado por Corra (Get Out, 2017), Jordan Peele criou outro longa de suspense bem elaborado. Sem a carga de crítica ao racismo do anterior, Nós parte logo para a tensão. Uma família vai passar as usuais férias na praia quando descobre que pessoas idênticas a eles vão atrapalhar os planos de tranquilidade. Ao elenco, liderado por Lupita Nyong’o, cabe a difícil missão de interpretar duas versões do mesmo personagem. Mais complicado é comprar a ideia, bem sem pé nem cabeça. Entrando na brincadeira, dá para roer todas as unhas da mão.

Os 3 Infernais (3 From Hell, 2019)

Depois de A Casa dos 1000 Corpos e Rejeitados Pelo Diabo, Rob Zombie havia seguido com a vida e outros projetos. Quase 15 anos depois, o sujeito volta ao clã Firefly para nos contar o que houve com seus personagens dementes. As chances de quem gostou antes gostar agora são grandes, mesmo que este Os 3 Infernais não chegue a lugar nenhum. Um road movie que reencena Horas de Desespero e, em meio a tiros e mortes, nos leva a um final esperado e morno.

Esquadrão 6 (6 Underground, 2019)

As redes sociais ficaram em polvorosa com a estreia na Netflix do novo filme do diretor Michael Bay e a pergunta que fica é: por que? Ele até consegue entregar obras razoáveis, mas a tentação de usar um roteiro ridículo e cortes de cinco segundos é maior. Esquadrão 6 começa sem nexo e, aos 10 minutos de exibição, o espectador já está enjoado e cansado. Chegar ao final é um exercício de paciência que nem o elenco interessante atenua. Ryan Reynolds não acerta um tom para seguir, os demais atores parecem meio perdidos e ninguém acredita nos diálogos que dizem. Mal dá para acreditar que Bay queimou 150 milhões de dólares para isso.

American Son (2019)

Outra bola fora da Netflix, diretamente da Broadway, American Son é mais um trabalho do diretor Kenny Leon a trazer questões relacionadas a racismo. Aqui, Leon prova dois pontos: não se pode acertar sempre; e é possível tratar de um assunto muito sério e errar o alvo. O que começa com uma proposta interessante de discutir as dificuldades de jovens negros na sociedade logo descamba para uma eterna e improvável DR. Além disso, a história vai trazendo elementos novos que desviam os rumos que haviam sido propostos do início. Fica a impressão de que os envolvidos queriam ampliar a discussão e acabaram se perdendo.

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Repescagem 2019: 2/3

por Marcelo Seabra

Entre Facas e Segredos (Knives Out, 2019)

Responsável por um dos melhores episódios da saga Star Wars, o diretor e roteirista Rian Johnson constrói um mistério divertido em torno de uma família. Entre Facas e Segredos começa com o patriarca morto e todos são suspeitos. Um elenco fantástico, que inclui Daniel Craig, Chris Evans, Jamie Lee Curtis, Michael Shannon, Toni Collette e Christopher Plummer, e um roteiro que lembra os melhores momentos da escritora Agatha Christie ainda arruma tempo para dar umas cutucadas em questões de lutas de classes e imigrantes. Bom humor e boas viradas vão te prender até o final.

Um Dia de Chuva em Nova York (A Rainy Day in New York, 2019)

Mesmo em seus momentos menos inspirados, Woody Allen ainda cria obras com bons momentos e personagens mais profundos do que vemos por aí. Um Dia de Chuva em Nova York traz um protagonista quase intragável, a começar pelo nome pretensioso, Gatsby, e o acompanhamos por um fim de semana sem Sol na cidade favorita do diretor. Timothée Chalamet e Elle Fanning estão ótimos como o casal principal e são rodeados por vários intérpretes competentes, num desfile de nomes famosos. A história é bem despretensiosa e tem seus pontos fracos, mas alguns diálogos afiados podem compensar os buracos.

Durante a Tormenta (Durante la Tormenta, 2018)

O sempre interessante diretor e roteirista espanhol Oriol Paulo, criador de Um Contratempo (2016), volta a atacar com um longa intricado, que torce a cabeça do público. A belíssima Adriana Ugarte é a peça principal de Durante a Tormenta, filme que envolve um fenômeno temporal que permite a pessoas em épocas diferentes conversarem. Todas as pontas soltas se amarram em algum momento e ainda conhecemos Chino Darín, filho de Ricardo, além de vermos um papel diferente de Álvaro Morte, o Professor da série A Casa de Papel.

Klaus (2019)

Bem apropriada para o fim do ano, a animação espanhola Klaus propõe uma possibilidade para a origem do Papai Noel. Tudo começa com a chegada de um herdeiro mimado numa ilha isolada e fria dominada por duas famílias que viviam em guerra. Para tentar resolver seus próprios problemas, o riquinho se aproxima de um veterano recluso que produzia brinquedos. Com técnicas mais manuais, o resultado é bonito, além de cativante. Como a Netflix comprou os direitos de distribuição bem no início da produção, essa é a primeira animação original do serviço de streaming.

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Repescagem 2019: 1/3

por Marcelo Seabra

Parasita (Gisaengchung, 2019)

Certamente um dos filmes indispensáveis do ano, Parasita propõe um cenário de luta de classes muito rico. Tudo começa quando o professor de inglês de uma garota rica indica um amigo para substituí-lo na vaga. Esse sujeito entra na casa chique e logo vai se acostumando àquele estilo de vida. O diretor e roteirista Bong Joon Ho (de Okja, 2017) faz uma crítica muito interessante às acentuadas diferenças sociais que vale para sua Coréia do Sul, mas também para o resto do mundo capitalista. A forma de ver a chuva, por exemplo, varia muito entre quem tem uma casa boa e bem estruturada e quem não tem.

Dor e Glória (Dolor y Gloria, 2019)

Escrito e dirigido pelo prestigiado Pedro Almodóvar, Dor e Glória é um bonito drama com toques autobiográficos. Numa atuação fantástica de Antonio Banderas, conhecemos um diretor de Cinema que passa por um período de baixa criativa e reflete sobre as escolhas que fez. Outros três atores que fazem um belo trabalho são Asier Etxeandia, Leonardo Sbaraglia e Penélope Cruz, ajudando a compor um quadro sensível que visita a infância de Salvador Mallo para nos ajudar a entender sua vida adulta.

Kardec (2019)

Com uma estrutura das peças teatrais mais convencionais, Kardec mostra a jornada do professor francês Hippolyte Léon Denizard Rivail na chamada decodificação do Espiritismo. A princípio respeitado na sociedade parisiense, o educador logo se vê perseguido por quem o considerava um farsante. As duas atuações principais, de Leonardo Medeiros e Sandra Corveloni, seguram o longa que, apesar de um pouco cansativo, traz luz para uma figura interessante. Fatos são apresentados sem se pretender converter ninguém, mesmo com um diretor (Wagner de Assis) bem ligado a temas esotéricos.

Luna (2019)

Focado em questões importantes para o mundo adolescente, Luna acaba enumerando-as sem se aprofundar. E o pior: muitas vezes deixando pontas soltas sem a menor preocupação, como quando a menina pergunta para a mãe a respeito do pai e fica no vácuo. A equipe do longa está claramente empenhada e o diretor, Cris Azzi, busca abordar os assuntos de forma séria. As interpretações são de muita entrega, um comprometimento grande. Mas escolher poucos temas e enfrentá-los a fundo teria sido melhor que fazer uma lista e ir cortando.

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Netflix conta a história dos Dois Papas

por Marcelo Seabra

A final da Copa do Mundo de futebol de 2014, no Brasil, ficou com um duelo entre Alemanha e Argentina. Anos antes, os dois países já haviam protagonizado outro embate: eram deles dois dos principais candidatos a Papa. Começando desse ponto, em 2005, Dois Papas (The Two Popes, 2019) nos leva a conhecer Joseph Ratzinger e Jorge Bergoglio, figuras proeminentes na Igreja Católica que passam a ser candidatos ao cargo deixado pelo falecido Papa João Paulo II.

Como a história é amplamente conhecida, não importa tanto como acabará. O mais interessante é acompanhar os diálogos afiados entre os dois, pessoas inteligentes e razoáveis que buscam, dentro de suas convicções, o que é melhor para a Igreja. O roteirista, Anthony McCarten, tem experiência com histórias reais: são dele os roteiros de A Teoria de Tudo (2014), O Destino de Uma Nação (2017) e Bohemian Rhapsody (2018). Detalhe: todos os três foram vencedores de diversos prêmios para o ator principal, entre eles o Oscar.

Se as conversas são a parte mais saborosa do projeto, precisaríamos de dois grandes intérpretes para dar vida a elas. E é exatamente o que o diretor Fernando Meirelles (de 360, 2011) garante. Com uma semelhança física impressionante, Jonathan Pryce (de A Esposa, 2017) vive Bergoglio, o futuro Papa Francisco. As piadas e memes relacionando os dois apareceram desde o início do pontificado de Francisco, ainda mais com Pryce fazendo um líder religioso em Game of Thrones. E coube a Anthony Hopkins (de Westworld) interpretar Ratzinger, que logo se torna Bento XVI e enfrenta graves crises na instituição.

Sem entrar tanto nos escândalos de pedofilia envolvendo padres, o filme foca nas diferenças entre as duas referências. Enquanto o alemão é conservador e sofisticado em seus hábitos, o argentino é progressista e humilde, fazendo questão de dispensar os luxos dedicados a ele. Nada do que vemos difere muito do que era divulgado sobre ambos, apenas confirmando impressões. Mas Pryce e principalmente Hopkins conseguem humanizar seus retratados. Se Francisco era visto por todos com simpatia desde o início, o mesmo não pode ser dito de Bento, que exibia frequentemente uma expressão de gênio do mal. Hopkins é muito bem-sucedido ao buscar a humanidade do personagem.

Outro mérito do roteiro de McCarten é trazer luz para a vida de Bergoglio antes de se tornar um cardeal. Na pele do ótimo argentino Juan Minujín (de Golpe Duplo, 2015), o padre faz algumas escolhas questionáveis e vemos as consequências. Enquanto o passado de Ratzinger fica para escanteio, com apenas algumas menções a possíveis ligações nazistas, Bergoglio fica bem em evidência durante a sangrenta ditadura na Argentina. Além da dificuldade de lidar com um texto profundo e ágil, os atores ainda precisaram se alternar entre línguas. Italiano, inglês e latim era comum aos dois, com Pryce falando também em espanhol com sotaque argentino. O alemão de Hopkins ficou bem superficial, o que deve ter sido um alívio para ele.

Ainda muito lembrado pela obra-prima Cidade de Deus (2002), Meirelles mostra mais uma vez ter o domínio do trabalho. Uma trilha discreta, uma fotografia que explora bem o Vaticano e os demais cenários utilizados, tanto campos abertos quanto quartos e salas, uma montagem objetiva e figurinos bonitos e funcionais são qualidades de Dois Papas. E o longa traz luz sobre a transição entre os Papas, ponto que pode não ter ficado claro para muitos na época. Mais um ponto para a Netflix, que bancou a produção e já a disponibilizou aos assinantes.

Estes são Francisco e Bento da vida real

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A Ascensão Skywalker fecha a nova trilogia Star Wars

por Marcelo Seabra

Em 2015, tivemos nos cinemas um novo episódio da saga Star Wars após um longo hiato. Coube a J.J. Abrams a grande responsabilidade de conduzir personagens tão amados, além de apresentar os novos responsáveis por darem continuidade à série. O Despertar da Força (The Force Awakens, 2015) foi muito bem recebido por fãs e novatos. No entanto, o episódio seguinte, Os Últimos Jedi (The Last Jedi, 2017), teve uma recepção dividida, o que levou a Lucasfilm a fazer uma escolha mais segura: trazer Abrams de volta.

Star Wars: A Ascensão Skywalker (Star Wars: Episode IX – The Rise of Skywalker, 2019) acabou tomando um rumo diferente do que parecia que aconteceria. O roteirista e diretor Rian Johnson usou em Os Últimos Jedi a nostalgia que cerca os personagens clássicos, mas os levou adiante, indo corajosamente aonde nenhum homem jamais esteve. Abrams parece ter puxado o freio de mão, ficando com decisões mais óbvias e convenientes. O que não torna o longa ruim. Frustrante seria a palavra apropriada.

A Ascensão Skywalker, primeira vez na franquia em que se usa no título o icônico nome dos protagonistas, continua a história da batalha da Resistência contra a Primeira Ordem de onde havíamos parado. Enquanto Rey (Daisy Ridley) segue em seu treinamento para se tornar uma Jedi, Poe (Oscar Isaac) e Finn (John Boyega) cumprem missões visando enfraquecer a Primeira Ordem. Kylo Ren (Adam Driver), líder supremo, busca descobrir de onde veio uma transmissão que dá a entender que o Imperador Palpatine está vivo.

Nenhum dos atores chega a oferecer algo de diferente. Tudo que vemos aqui em termos de interpretação é a manutenção do que foi visto antes. Talvez um destaque seja as tentativas de humor com Poe. Temos algumas novidades, das quais a principal é Richard E. Grant (de Poderia Me Perdoar?, 2018 – ao lado) como um general formado na escola Peter Cushing de maldade. O fato que mais emociona o espectador é saber que Carrie Fisher se foi, o que obviamente torna sua participação menor. Abrams aproveita certos momentos para fazer um afago nos fãs de longa data, homenagens que, ao mesmo tempo, fazem sentido, pontuadas pela marcante trilha de John Williams.

O roteiro, escrito por Abrams e Chris Terrio (de Argo, 2012), apresenta fatos que não chegam a contradizer o que vimos antes, mas chegam perto disso. Enquanto antes tínhamos a sensação de que todos poderiam ser heróis, aqui a atenção se volta para os principais. É como se Abrams estivesse desautorizando as liberdades tomadas por Johnson. A maior surpresa, estragada pelo trailer, é a participação de Billy D. Williams, que volta ao papel de Lando. O problema é que muita gente na sala parecia nem se lembrar dele. Outro hiato, até o inevitável próximo filme, fará bem para o universo de Star Wars.

Parece que ficaremos uns anos sem ver esse pessoal

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Programa do Pipoqueiro #48 – Filmes de Natal

por Marcelo Seabra

O Programa do Pipoqueiro traz diversos convidados falando sobre seus filmes de Natal favoritos, com comentários e músicas para fechar bem o ano! Aperte o play abaixo e divirta-se!

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25 frases marcantes do Cinema

por Mais Mensagens

Muitas das frases marcantes que conhecemos vieram do Cinema. Trechos que, de tão impactantes (carregados de significado ou simplesmente cômicos), viraram jargões entre os fãs de produções cinematográficas – e até mesmo para quem não é tão fanático.

Às vezes, basta escutarmos a tal frase para imediatamente lembrarmos do filme. O que mostra como um roteiro inteligente, bem escrito e trabalhado consegue levar a obra para muito além das telas, perpetuando sua popularidade.

Entre tantas frases inesquecíveis, destacamos e listamos vinte e cinco delas. Confira:

1 – PS: Eu Te Amo (2008)

Créditos da imagem: mais mensagens

Original: “You were my whole life, but I … I was just a chapter of yours”.

Tradução: “Você foi a minha vida inteira, mas eu… Fui só um capítulo da sua”.

 

2 – Star Wars – Episódio V: O Império Contra-Ataca (1980)

Original: “I am you father.”

Tradução: “Eu sou o seu pai.”

 

3 – Apollo 13 (1995)

Original: “Houston, we have a problem.”

Tradução: “Houston, nós temos um problema.”

 

4 – Sociedade dos Poetas Mortos (1989)

Original: “Carpe diem. Seize the day, boys.”

Tradução: “Carpe diem. Aproveitem o dia, garotos.”

 

5 – De Volta Para o Futuro (1985)

Original: “Roads? Where we’re going we don’t need roads.”

Tradução: “Estradas? Para onde vamos não precisamos de estradas.”

 

6 – O Poderoso Chefão – Parte II (1974)

Original: “Keep your friends close, but your enemies, closer.”

Tradução: “Mantenha seus amigos próximos, mas seus inimigos, mais próximos ainda.”

 

7 – Procurando Nemo (2003)

Original: “Just keep swimming.”

Tradução: “Continue a nadar.”

 

8 – O Senhor dos Anéis: As Duas Torres (2002)

Original: “My precious.”

Tradução: “Meu precioso.”

 

9 – As Aventuras de Sherlock Holmes (1939)

Original: “Elementary, my dear Watson.”

Tradução: “Elementar, meu caro Watson.”

 

10 — Último Tango em Paris (1972) 

Original: “Go, get the butter.” 

Tradução: Vá pegar a manteiga. 

 

11 — Forrest Gump (1994) 

Original: “Run, Forrest, run.” 

Tradução: Corra, Forrest, corra. 

 

12 — Os Suspeitos (1994) 

Original: “The finest trick of the devil is to persuade you that he does not exist.” 

Tradução: O melhor truque que o diabo inventou foi te convencer de que ele não existe. 

 

13 — Crepúsculo dos Deuses (1950) 

Original: ”I am big. It’s the pictures that got small.” 

Tradução: Eu sou grande. Os filmes é que ficaram pequenos. 

 

14 — Cidadão Kane (1941)   

Original: “Old age… It’s the only disease, Mr. Thompson, that you don’t look forward to being cured of”. 

Tradução: “Velhice… É a única doença, Sr. Thompson, da qual não se espera ser curado”. 

 

15 — Cidade de Deus (2002) 

“Dadinho é o caralho, meu nome é Zé Pequeno, porra!” 

 

16 – Tropa de Elite (2007)

“Você não é caveira. Você é moleque!”

 

17 — Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança (1977)

Original: “May the Force be with you.”

Tradução: “Que a Força esteja com você”. 

 

18 – Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001)

Original: “It is not worth living dreaming and forgetting to live”.

Tradução: “Não vale a pena viver sonhando e se esquecer de viver”.

 

19 — Cobra (1986) 

Original: “You’re the disease, and I’m the cure.” 

Tradução: “Você é a doença, e eu sou a cura!” 

 

20 – Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008)

Original: “You either die a hero or live long enough to see yourself become the villain”.

Tradução: “Ou você morre herói, ou vive o suficiente para se tornar o vilão.” 

 

21 – 10 Coisas que Eu Odeio em Você (1999)

Original: “I hate not being able to hate you no matter how hard I try or how little you do”.

Tradução: “Odeio não conseguir te odiar por mais que eu tente ou por menos que você faça”.

 

22 – A Culpa é das Estrelas (2014)

Original: “You gave me an eternity within our numbered days”.

Tradução: “Você me deu uma eternidade dentro dos nossos dias numerados”.

 

23 – Simplesmente Amor (2003)

Original: “You’re perfect to me”.

Tradução: “Para mim, você é perfeita”.

 

24 – Forrest Gump: O Contador de Histórias (1994)

Original: “Life is like a box of chocolates. You never know what you will find”.

Tradução: “A vida é como uma caixa de chocolates. Você nunca sabe o que vai encontrar”.

 

25 –  Clube da Luta (1999)

Original: “The first rule of Fight Club is: You do not talk about Fight Club.”

Tradução: “A primeira regra do Clube da Luta é: você não fala sobre o Clube da Luta.”

*Observação: uma regra que claramente ninguém seguiu o filme inteiro.

Ufa! Que lista de peso, não é mesmo?

É uma frase mais icônica do que a outra, e isso porque listamos apenas vinte e cinco, sendo que há milhares de outras frases que também marcaram gerações inteiras e que, com certeza, marcarão também as que ainda estão por vir.

Afinal, um bom filme nunca é esquecido. E ainda estrearão outros pela frente.

O cinema é muito mais do que uma forma divertida de passar o tempo. Aprendemos com o enredo das obras, nos envolvemos com a história e os personagens e, claro, somos pegos sempre por uma frase de destaque que chama a nossa atenção e queremos compartilhar com a família e os amigos – e, às vezes, até a incorporamos em nosso dia a dia.

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Netflix escancara as dores de um divórcio

por Marcelo Seabra

Variando do artificialmente descolado ao retrato pungente do cotidiano, os roteiros de Noah Baumbach costumam se beneficiar das escolhas do diretor Noah Baumbach. Em sua lista de feitos, há até uma boa atuação de Adam Sandler (em Os Meyerowitz, 2017), o que nos leva a uma conclusão óbvia: se ele consegue um bom trabalho de um careteiro contumaz, do que seria capaz com um elenco competente? História de um Casamento (Marriage Story, 2019) é mais um longa que responde essa pergunta.

Querido no circuito independente, Baumbach não costuma ser criticado. Ele é geralmente tão incensado que qualquer adjetivo abaixo de genial pega mal para o crítico. Mas a verdade é que ele já realizou muita coisa mediana e até irritante, do correto Mistress America (2015) ao incipiente Frances Ha (2012). Mas, justiça seja feita, volta e meia aparece um A Lula e a Baleia (The Squid and the Whale, 2005) que equilibra a balança. O já citado Meyerowitz também joga nesse time, marcando o primeiro ponto da dobradinha Baumbach/Netflix.

Também bancado pelo serviço de streaming, História de um Casamento fica tematicamente próximo de A Lula e a Baleia. Tanto que deveria se chamar A História de um Divórcio. Acompanhamos o relacionamento de um casal, com seu filho pequeno, entre altos e baixos. Logo, eles descem o morro e uma disputa começa a se mostrar. O roteiro envolve toda a família e as consequências de cada decisão dos dois. O que faz a diferença é o trabalho dos dois atores principais, bem conduzidos pelo diretor, ou o filme teria sido apenas mais um “destaque da semana na TV”.

Scarlett Johansson (a Viúva Negra da Marvel) e Adam Driver (o novo Darth de Star Wars) demonstram uma ótima sintonia. Cada um é bastante competente em seus momentos de brilhar, mas é quando estão juntos que mostram ainda mais peso. Suas atuações se complementam, eles têm uma química rara e evitam estereótipos em suas composições. Nenhum dos personagens é perfeito ou infalível. Muito menos um canalha puro e simples. Vemos vários lados de cada um. Suas ações falam alto, e às vezes um aponta um defeito do outro. Acaba sendo uma representação bem possível de um casal que já teve seus dias de paz e companheirismo.

Outros nomes do elenco também merecem confetes. Apesar de estar praticamente se repetindo, tamanha é a proximidade de sua personagem com a Renata Klein de Big Little Lies, Laura Dern (acima) está ótima. Talvez, com uma carga extra de doçura que faltou à dondoca da série. Alan Alda (de Ponte dos Espiões, 2015) e Ray Liotta (de Os Bons Companheiros, 1990) completam a lista de advogados, todos muito bem em suas obrigações. Merritt Wever, que parece ser a onipresente do momento (da minissérie Inacreditável, 2019), também está lá, se virando bem com o pouco que lhe cabe.

Muitos que já passaram por situações familiares parecidas vão se identificar, às vezes ao ponto de doer. Talvez por isso o filme esteja arrancando tantos elogios e burburinho em premiações. Driver e Johansson merecem os elogios, e o diretor Baumbach conduz com suavidade um texto que poderia ficar piegas ou pesado em mãos menos hábeis. Filmes como esse fazem valer a pena pagar a mensalidade da Netflix. Pena que são tão raros!

Diretor e elenco entre as filmagens

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