Nova animação de Tim Burton mantém o alto padrão

por Marcelo Seabra

Em 1984, quando era um animador nos estúdios Disney, Tim Burton fez um curta que foi tido como muito assustador para o público mais novo e acabou demitido. Quase trinta anos depois, o diretor lança seu Frankenweenie (2012), a versão longa daquele experimento, curiosamente produzido pelos executivos da mesma Walt Disney Pictures. Os tempos são outros e, hoje, todos querem produções sombrias que consigam agradar a uma audiência mais ampla. O fato de ser uma animação sobre um garoto e seu cachorro pode atrair crianças, mas a história, as referências e a qualidade vão trazer os adultos.

Burton já produziu duas ótimas animações em stop-motion, O Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas, 1993) e A Noiva Cadáver (Corpse Bride, 2005), a última também dirigida por ele. Depois de lançar os duvidosos Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, 2010) e Sombras da Noite (Dark Shadows, 2012), Burton voltou a um velho projeto e usa a técnica que já domina tão bem, fazendo a primeira animação em stop-motion em IMAX 3D e em preto e branco. O roteirista John August, em sua quinta parceria com o diretor, foi chamado para desenvolver o roteiro do curta original, de Leonard Ripps, que era baseado em uma ideia original do próprio Burton. Outro antigo colaborador do diretor, Danny Elfman, entrou em campo para criar a trilha sonora.

O protagonista de Frankenweenie é Victor, um garoto de uma cidadezinha que parece ter servido também para filmar Edward Mãos de Tesoura (Edward Scissorhands, 1990). Os colegas de escola parecem todos saídos de filmes de terror, e no entanto é Victor quem é visto como diferente. Ele não tem interesse por esportes e é muito bom em ciências, o nerd de sempre. Quando seu cachorrinho, Sparky, é atropelado e morre, Victor decide usar a lições do professor Rzykruski para trazê-lo de volta. Logo, ele vai perceber que as consequências desse ato serão grandes e desastrosas.

Os pais de Victor são bem compreensivos, daqueles que todo mundo gostaria de ter. Mas o resto da cidade não é exatamente inteligente. Os garotos da escola são extremamente interessantes, cada um com suas peculiaridades, e alguns são bem espertos. Mas os adultos, de uma forma geral, são tipos bem tapados, que agem no impulso inicial, só reforçando estereótipos. Bem no estilo dos filmes clássicos de terror, que traziam hordas de aldeões com tochas querendo queimar o monstro local, um pouco como visto recentemente também em Paranorman (2012).

Burton aproveitou a oportunidade para escancarar a paródia ao Frankenstein de 1931 e também a A Noiva de Frankenstein, de 1935. Tributos não faltam, vários monstros clássicos são homenageados, seja em cenas rápidas ou com coadjuvantes bem utilizados. Da múmia aos Gremlins, passando por Drácula e lobisomem, todos têm uma chance, e até Christopher Lee aparece. O ídolo de Burton, Vincent Price, aparece como o Sr. Rzykruski (ao lado), uma caracterização perfeita com a voz de Martin Landau, o ótimo intérprete de Bela Lugosi em Ed Wood (1994). Há, inclusive, um bichinho de estimação com o nome Shelley, apenas para lembrar Mary Shelley, a autora de Frankenstein. E Sparky tem o visual “emprestado” de um desenho produzido por Burton em 1993, Vida de Cachorro (Family Dog).

Vale reforçar que, se fosse apenas um amontoado de referências e homenagens, Frankenweenie não conseguiria um resultado tão satisfatório. Os elementos usados têm harmonia, tudo tem seu lugar e sua importância. Há momentos de humor e de tensão, bem equilibrados, e Burton mostra mais uma vez do que é capaz quando está inspirado: entretenimento inteligente que pode agradar a diferentes tipos de público. E há de se exaltar a sábia decisão dos exibidores, que disponibilizaram cópias legendadas, para quem não gosta de filme mutilado.

Tim Burton prestigia o lançamento de seu novo longa

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Você conhece um dybbuk?

por Marcelo Seabra

É provável que uma pessoa que nunca tenha assistido a um filme de terror goste de A Possessão (The Possession, 2012), em cartaz a partir desta sexta-feira. Vários clichês são reunidos com bons atores e uma direção burocrática, que não inova em nada e se contenta em cumprir tabela. Para quem gosta do gênero, a repetição vai aparecer a todo momento, é possível ver referências em diversas cenas. Não se trata de homenagem, apenas de falta de criatividade mesmo. Para se ter uma ideia, o nome da menina protagonista é Emily, só faltou vir acompanhado de Rose.

Filmes sobre exorcismo existem às pencas, e fica muito difícil fugir do clássico maior desse subgênero: O Exorcista (The Exorcist, 1973). As comparações são inevitáveis. Os roteiristas, Juliet Snowden e Stiles White, mesmos de Presságio (Knowing, 2009), já estão inclusive trabalhando na nova versão de outro cult movie, Poltergeist. Para tentar trazer ar fresco à produção, a dupla deixou de lado os elementos do cristianismo e recorreu ao judaísmo. Nesta cultura, o dybbuk é um espírito maligno que pode possuir o corpo de uma pessoa e tomar o controle. É exatamente essa criatura que funciona como vilã em A Possessão. Para tentar dar um pouco de credibilidade, é reforçado o velho truque do “baseado em fatos”, já que o conceito surgiu de um artigo de jornal sobre um artefato supostamente assombrado.

Clyde é um pai de duas meninas que acaba de se divorciar e está se adaptando à nova vida. Pouco depois de se mudar para uma outra casa, ele recebe as filhas para um fim de semana e acaba comprando para a mais nova, a tal Emily, uma caixa antiga de madeira que chamou a atenção da pequena. Pouco a pouco, o comportamento de Emily vai mudando, a garota fica agressiva e coisas estranhas começam a acontecer. O início da adolescência e a situação dos pais já seriam o suficiente para tumultuar o período, mas Emily ainda deve enfrentar um tipo de demônio milenar.

À frente do elenco, temos Jeffrey Dean Morgan, mais lembrado como o Comediante de Watchmen (2009), um sujeito sempre simpático que traz uma leveza necessária ao personagem. Como sua ex-mulher, Kyra Sedgwick (da série The Closer) não faz muito, a história não lhe dá muita importância. Quem rouba a cena é a jovem Natasha Calis (ao lado), recém-saída da série The Firm. Ela convence como a menina endemoniada, construindo uma rápida, mas interessante jornada para a sua personagem. Aliás, as mudanças de personalidades de todos são bem desenvolvidas, incluindo aí o pai, de Dean Morgan.

Apesar de produzido por Sam Raimi e sua Ghost House, A Possessão não tem o humor de Arraste-me para o Inferno (Drag Me to Hell), longa dirigido por Raimi em 2009. Ole Bornedal, que se tornou a sensação do cinema dinamarquês em 1994 com Nightwatch – Perigo na Noite e a refilmagem americana O Principal Suspeito (1997), está no comando, e parece que se leva muito a sério. E muita coisa salta aos olhos pelos motivos errados, como um hospital praticamente abandonado no meio do caminho, por exemplo. Bornedal pretendia fazer uma obra-prima, pelo visto, e passou longe.

O casal de protagonistas prestigia a estreia em Los Angeles

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Skyfall é Bond em sua melhor forma

por Marcelo Seabra

Em sua vigésima terceira aventura oficial, James Bond está mais afiado do que nunca. Melhor dizendo, Daniel Craig está, porque seu personagem não está em uma maré boa. No novo 007 – Operação Skyfall (Skyfall, 2012), o espião é visto como ultrapassado, está fora de forma e ainda precisa salvar o serviço secreto da Inglaterra de um suposto terrorista. Ao que tudo indica, há algo no passado de M (Judy Dench) que explica os recentes ataques. O longa já está nos cinemas, mobilizando multidões pelo mundo, e é tido como um dos melhores da duradoura franquia.

Seguindo a nova tradição de contratar bons nomes para a direção, Sam Mendes (Oscar em 2000 por Beleza Americana) assume o comando da aventura. É possível ver traços de seu Estrada para Perdição (Road to Perdition, 2002) em certos momentos, e não tem como negar que ele trouxe sua bagagem para enriquecer esta franquia. Com Mendes, chegam profissionais do calibre de Roger Deakins, grande diretor de fotografia que potencializa momentos já esperados pelos aficcionados, como uma certa perseguição sobre um trem. Paisagens belíssimas marcam a produção, que passa rapidamente apesar de seus mais de 140 minutos. Outro colaborador constante do diretor é Thomas Newman, que aqui compõe uma trilha grandiosa, digna de um super-herói, sempre usando elementos da canção clássica de John Barry. Ainda no quesito música, o tema é cantado pela badalada Adele, uma boa música (ao contrário da anterior) em uma apresentação criativa que mantém o padrão da série.

Sempre apontam Sean Connery como o melhor Bond de todos, o que não é muito justo, já que ele foi o primeiro e definiu tudo. Daniel Craig vem mostrando ser um ator de recursos, ele tem expressões variadas e consegue dar a carga dramática necessária para cada cena, fazendo o público se importar com o destino do personagem. Craig é ao mesmo tempo um brutamontes que consegue derrubar vários capangas e um sujeito que demonstra, lá no fundo, ter emoções. Depois de 007 – Cassino Royale (2006), quando se permitiu amar, Bond não parece mais ter sentimentos por mulheres, só as usando enquanto necessário. No entanto, sua relação com M é mais profunda, com algo de maternal. Ambos os personagens têm algumas informações reveladas sobre seus passados, mesmo que sejam apenas migalhas, e o título do filme tem a ver com isso. Para figuras tão secretas e misteriosas, já é alguma coisa em direção a uma profundidade.

No elenco, além de Craig e Judy, temos um novo e interessante bandido na pele de Javier Bardem (ao lado), o oscarizado psicopata de Onde os Fracos Não Têm Vez (2007). Ele tem, assim como seus antagonistas, o máximo de personalidade que parece ser possível para um vilão de Bond, o que já o coloca entre os mais legais da série. Ralph Fiennes (o Voldemort de Harry Potter) vem enriquecer a turma dos mocinhos, e consegue ser mais que apenas um burocrata atrás da mesa. Naomie Harris (de Miami Vice, 2006) é a garota mais significativa, num time que inclui também a bela Bérénice Marlohe. Ben Whishaw (de Perfume, 2006) é o novo Q, o gênio da tecnologia que fornece apetrechos mais pé no chão para o espião e Albert Finney (de O Ultimato Bourne, 2007) faz uma ponta importante.

Dos três longas com Craig, Skyfall é de longe o que tem mais humor, sempre bem dosado e nada exagerado – longe das palhaçadas de Roger Moore. Não era raro ouvir risos pela sala, mesmo que o longa tenha um tom mais sério e realista, como o que Christopher Nolan fez com Batman. A história não é exatamente original e podemos reconhecer momentos de episódios anteriores, o que acaba funcionando como uma homenagem. Tudo é bem amarrado e funciona, o que realmente importa. O roteiro, novamente escrito pela dupla Neal Purvis e Robert Wade (em seu quinto Bond), teve também a colaboração de John Logan (de A Invenção de Hugo Cabret, 2011), que já foi contratado para escrever a próxima aventura. Não se sabe ainda quem será o diretor, vilão ou intérprete do tema. Craig tem contrato assegurado e, independente de qualquer coisa, podemos sempre ter uma certeza: James Bond retornará.

O diretor Mendes (de barba branca) e seu elenco na estreia em Londres

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Flashback: Espião enxuto aos 40

por Marcelo Seabra

Aproveitando a ocasião do lançamento do novo filme de James Bond, Operação Skyfall (2012) , relembro o primeiro texto que escrevi sobre o personagem. Ainda na faculdade de Jornalismo, publiquei essas linhas tortas no jornal Impressão. Era junho de 2003, época do lançamento de Um Novo Dia para Morrer (Die Another Day, 2002).

Espião enxuto aos 40

Com 007 – Um Novo Dia para Morrer (Die Another Day, 2002), o agente James Bond alcança a marca de 20 vinte filmes, produzidos ao longo de 40 anos. Com vilões interessantes e mulheres fatais ao seu redor, Bond continua se envolvendo em diversas tramas que, invariavelmente, envolvem o domínio ou extermínio do mundo.

Em sua nova missão, 007 deve descobrir a identidade de um traidor ao lado de duas agentes, além de impedir o início de uma guerra catastrófica entre as duas Coréias. Já tendo sido exibida nos cinemas em janeiro, a produção é prometida para chegar às locadoras em junho, propositalmente o começo do período de férias, melhor época para um filme-pipoca. Segundo Nise Brás, funcionária da rede Blockbuster em BH, já se fala muito no filme, previsto para o dia 11. “Muitos clientes já perguntam se o novo James Bond já chegou, e a pré-venda para locadoras começou faz tempo”, comenta.

“A série é a mais longa e de maior sucesso em todos os tempos, e importante: ela é inglesa, e não americana, ou seja, não é fruto de Hollywood”, observa, em exclusiva, o crítico Rubens Ewald Filho. E completa: “Aliás, curiosamente, durante anos, os filmes de 007 sempre renderam mais no exterior do que nos EUA (os últimos tem sido meio equivalentes)”. Ian Fleming, criador do espião, era inglês, assim como seu personagem.

O primeiro ator a representar 007 causou apreensão no estúdio que bancou a produção, a United Artists: os produtores não confiavam em um filme estrelado por alguém que eles consideravam um “pobre estivador”. Ao ser lançado, o filme faturou 60 milhões de dólares e alçou o nome de Sean Connery ao estrelato. A série oficial, de vinte filmes, já contou com cinco atores no papel principal: Sean Connery, George Lazenby, Roger Moore, Timothy Dalton e Pierce Brosnan, o atual. Vários fatores causam a troca dos protagonistas, desde a falta de aceitação da audiência (Lazenby) a idade avançada, caso de Roger Moore.

A crítica especializada parece concordar que Connery foi o melhor Bond, talvez por ter sido o primeiro e mais carismático. “A série se perdeu um pouco com Moore, se tornando mais gaiata e leve com este. E depois de Connery, o melhor é o atual”, diz REF. De acordo com ele, já se fala em Clive Owen (Assassinato em Gosford Park) para substituir Pierce Brosnan, que passou a viver o agente em 1995, depois de um hiato de seis anos sem filmes da série. Brosnan confirma ter assinado contrato para outras duas produções, pretendendo abandonar a série para deixar o papel para um colega mais novo. Entre os atores já cogitados para o papel estão Russel Crowe (Gladiador), Gerard Butler (Drácula 2000) e Rupert Everett (O Casamento do Meu Melhor Amigo).

Nota: o texto fica como curiosidade. Muita água já rolou desde então, Daniel Craig está em seu terceiro filme no papel e cumpriu muito bem sua obrigação em Skyfall. A crítica completa vem já, já.

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Gonzagão e Gonzaguinha ganham homenagem no cinema

por Marcelo Seabra

Depois de levar para as telas a vida de uma famosa dupla sertaneja em Dois Filhos de Francisco (2005) e de usar as letras do “Rei” Roberto Carlos como inspiração para À Beira do Caminho (2012), Breno Silveira novamente mostra que tem uma relação forte com a música brasileira e que gosta de histórias dramáticas de superação e de laços familiares. Gonzaga – De Pai para Filho é o novo trabalho do diretor, que agora volta sua atenção para o “Rei do Baião” e o filho, dois cantores e instrumentistas consagrados cujas trajetórias se confundem com a história do país. Depois de marcar a abertura do Festival do Rio, a produção chega aos cinemas do país.

Já há alguns anos, Silveira e sua habitual parceira, a roteirista Patrícia Andrade, têm desenvolvido a cinebiografia de Luiz Gonzaga, e concluíram que era uma história muito rica para duas horas de filme. Por isso, decidiram focar na relação entre pai e filho, revelando como foi difícil o convívio entre os dois. Tudo, claro, fundamentado pela história de vida do pai, nascido em 1912 em Exu, no sertão de Pernambuco. Ele nunca deixou faltar nenhum bem material a Gonzaguinha, mas o garoto queria apenas ter um pai presente, enquanto era criado pelos padrinhos. Quinze horas de gravações de conversas entre os dois serviram de base para o roteiro e para estabelecer o tom do filme, que ainda contou com diversos depoimentos de amigos e parentes dos Gonzagas, que contribuíram também com objetos pessoais que foram aproveitados em cena.

O trabalho de reconstituição de época e de cenários é bem rico, passando por momentos marcantes do país. A fotografia tira bastante proveito das paisagens do sertão, com vários planos abertos mostrando como era dura a vida daquele povo. É de lá que Luiz Gonzaga sai fugido aos 17 anos, após receber uma ameaça de morte por ter se engraçado com a filha de um coronel. Chegando em Fortaleza, ele se alista no exército e segue paralelamente desenvolvendo o talento aprendido com o pai, o experiente músico e artesão Januário. Após dar baixa, ele vai parar no Rio de Janeiro, onde forma uma dupla com o violonista Xavier Pinheiro e tenta ganhar a vida tocando para o baixo meretrício da região.

Os anos vão passando e acompanhamos Gonzagão em sua escalada rumo ao sucesso, conhecemos aquela que viria a ser sua esposa e mãe do seu filho, Odaléia Guedes, e passamos também pelos momentos difíceis, que não foram poucos. O longa procura não fazer juízo de valor quanto a seus personagens, deixando para o público formar uma opinião. Não há maniqueísmo, ninguém é taxado de vilão ou herói. O próprio Gonzagão, a exemplo de Francisco (pai de Zezé e Luciano), é durão, às vezes frio e até injusto, mas nunca um sujeito desalmado ou odioso. É apenas uma pessoa que não tem respostas para todas as situações por que passa. Até Gonzaguinha é mostrado como um cara difícil, marcado por uma sensação de abandono que o torna arredio.

Assim como em Dois Filhos de Francisco, Silveira misturou atores profissionais com gente que nunca havia atuado. O resultado, com muito trabalho dos preparadores de elenco, traz autenticidade ao longa. Para viver Gonzaga pai em três faixas etárias diferentes, foram chamados o ator Land Vieira, o músico Chambinho do Acordeon e o guia do Museu Luiz Gonzaga Adélio Lima (ao lado, esq.), todos muito competentes. O único porém é a maquiagem, que não acompanha o passar dos anos, já que cada ator permanece no papel por muitos anos e não envelhece proporcionalmente. Para Gonzaguinha, escalou-se Giancarlo Di Tommaso, descoberto por testes, Alison Santos, que já havia sido testado para À Beira do Caminho, e Júlio Andrade (acima, dir.), que se apresentou e lutou pelo papel devido à admiração que nutria pelo músico, além da grande semelhança física.

Complementando o elenco, há alguns rostos reconhecidos do mundo das novelas. Nanda Costa, estrela na nova Salve Jorge, vive Odaléia, e aparecem também Sílvia Buarque, Cláudio Jaborandy, Luciano Quirino, Cyria Coentro, entre outros. Alguns nomes mais famosos fazem participações especiais, como João Miguel, Zezé Motta e Domingos Montagner. Foram mais de 200 atores e 600 figurantes, todos devidamente caracterizados com grande fidelidade ao local e época que retratavam. Este belo trabalho em equipe faz com que Gonzaga – De Pai para Filho não seja apenas uma homenagem aos dois biografados, mas uma boa experiência para fãs do cinema nacional.

Não foram só os Beatles que tocaram no terraço

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Will Ferrell e Zach Galifianakis disputam o seu voto

por Marcelo Seabra

Nos Estados Unidos, há duas grandes forças políticas que se antagonizam, mesmo que frequentemente se confundam: os partidos Democrata e Republicano. Ambos têm sua dose de escândalos e políticos sem noção, o que sempre fornece bastante munição para os opositores – nada muito diferente do Brasil. Deixando a ideologia para trás, o diretor Jay Roach criou uma sátira política que não pretende criticar um lado ou o outro, mas todo o sistema. Os Candidatos (The Campaign, 2012) vai mais longe e mostra a responsabilidade do eleitor, também culpado por muito do que acontece e envergonha a todos.

Se é possível imaginar uma mistura dos três Austin Powers e dois Entrando Numa Fria com Recontagem (Recount, 2008) e Virada no Jogo (Game Change, 2012), o resultado seria Os Candidatos. Para esta comédia escrachada com tons políticos, Roach, responsável por todos os mencionados, trouxe dois atores que já viveram coadjuvantes em seus trabalhos anteriores: Will Ferrell, do primeiro Austin Powers (1997), e Zach Galifianakis, de Um Jantar para Idiotas (2010). Apesar de não se tratar de um filme inovador ou artisticamente relevante, os três estão em um bom momento e conseguem arrancar muitas risadas, que é o que importa aqui.

Ferrell, com seu charme de canastrão à Ron Burgundy (de O Âncora, 2004), vive o deputado Cam Brady, um sujeito mulherengo e mau caráter que está se candidatando pela quinta vez apenas por gostar de ser deputado, apesar de não ter feito nada pela população nos mandatos anteriores. Em toda eleição, ele se candidata e, pela falta de oponentes, vence. Este ano, após um escândalo de cunho sexual, ele sofre uma pequena queda de popularidade e dois empresários do ramo de armas (os veteranos John Lithgow e Dan Aykroyd) vêem uma oportunidade de lançarem outro candidato que poderia defender os interesses da empresa. Esta pessoa é o inofensivo Marty Huggins (Galifianakis), um pai de família bobão que cuida do departamento de turismo local.

Para agradar o pai milionário (Brian Cox, da franquia Bourne), Marty topa o desafio, mas entra tímido na disputa. As coisas mudam quando Brady começa a provocá-lo, levando a campanha a um mar de sujeiras e baixarias. Brady começa a pressionar seu chefe de campanha (vivido por Jason Sudeikis, de Quero Matar Meu Chefe, 2011) para descer o nível, enquanto Marty conta com o apoio do misterioso e experiente Tim Wattley (Dylan McDermott, da série American Horror Story), contratado pelos tais empresários para trazer a vitória. Em meio a isso tudo, Roach e seus roteiristas, Chris Henchy (de Os Outros Caras, 2010) e Shawn Harwell (da série Eastbound & Down), aproveitam para brincar com alguns clichês ligados à política, como colocar o candidato para beijar bebês ou participar de cerimônias religiosas.

Ao contrário de alguns de seus papéis anteriores, Ferrell está mais comedido, ficando dentro do que seu personagem precisa. O exagero de um Quase Irmãos (Stepbrothers, 2008), por exemplo, passa longe, e é muito bom ver que o ator de quadros brilhantes do Saturday Night Live não perdeu a mão. Com Galifianakis acontece o mesmo, e pensamos: “Como estes dois paspalhos podem ser as únicas opções para aquela pequena cidade?”. E basta assistir ao nosso horário político para ver que aquilo não está nada longe da realidade. Fica aquela sensação de que, independente de quem ganhar, nada vai mudar. Ao menos quanto ao filme, podemos rir. O problema está do lado de cá da tela.

Candidatos e coordenadores de campanha se engalfinham

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Bons jovens atores mostram o que é a adolescência

por Marcelo Seabra

Muitos filmes podem te fazer chorar, a maioria pelos motivos errados. Crianças doentes e gente morrendo são o caminho mais fácil, e mais reprovável. O mais difícil é fazer um filme honesto sobre as dificuldades e o lado bom da vida, em qualquer que seja a etapa. O diretor, produtor e roteirista Stephen Chbosky mostra muita maturidade, apesar da pouca experiência, na condução de As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower, 2012), longa interessante, ainda que não muito original, sobre a adolescência de um garoto introvertido.

Baseado no livro semi-autobiográfico de Chbosky (de 1999), o filme nos apresenta a Charlie, um estudante de 16 anos que já mostra de cara ser bem tímido ao escrever cartas a um amigo inexistente que funcionam como um diário. Ele passou por experiências difíceis, que vão se revelando ao longo da projeção, e tenta se encaixar na escola que começa a freqüentar. Mesmo querendo passar despercebido, ele chama a atenção dos veteranos, aqueles atletas babacas que adoram sacanear tipos como Charlie. Com pouco tempo, ele identifica um colega de postura extravagante (Ezra Miller) que pode vir a ser seu amigo e se aproxima, entrando em um mundo novo para ele, com festas e pessoas igualmente à margem no quesito popularidade. Assuntos complicados são abordados, como drogas, abuso infantil e a sexualidade de adolescentes, o que fez o livro ser proibido em algumas escolas americanas.

Logan Lerman é um ator que, apesar de ter apenas 20 anos de idade, já tem uma experiência considerável. Já é protagonista de uma franquia de fantasia, Percy Jackson, viveu D’Artagnan (no Três Mosqueteiros de 2011) e teve até uma série de TV, Jack & Bobby (2004-2005), além de vários outros trabalhos. Desta vez, ele encara uma produção independente bem pé no chão com um personagem um pouco mais novo que ele, que é mais velho do que aparenta. Com um roteiro bem construído, povoado por jovens tridimensionais, fica mais fácil poder mostrar serviço. Lerman vai facilmente do garoto adorável ao nervoso, passando pelo triste, melancólico, solidário, vulnerável e a lista é grande. Com uma atuação discreta, ele mostra que seu Charlie é um ser humano bem crível, daqueles que se pode encontrar facilmente pelas escolas. Dá até vontade de saber como seria se ele tivesse sido o escolhido para ser o novo Homem-Aranha.

No papel de Patrick, o amigo homossexual e ligeiramente histriônico, Ezra Miller mostra mais uma vez porque é um nome em ascensão. Ele recebeu ótimas críticas por Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need to Talk About Kevin, 2011) e, aqui, muda radicalmente, como um jovem lidando com questões já complicadas da adolescência, às quais se soma a sua sexualidade, o que não deve ser fácil em nenhuma idade, muito menos nessa. E o outro nome importante do elenco é o de Emma Watson, superando o durável emprego como Hermione, seu primeiro, iniciado em 2001 com Harry Potter e a Pedra Filosofal e concluído no ano passado. Sam fica no limite perigoso entre uma personalidade interessante e uma apenas chata e presunçosa, com uma boa dose de insegurança por trás. Ela vive na mesma casa de Patrick, devido ao casamento dos pais, e os dois se dão muito bem, ao contrário dos usuais clichês do cinema. É na turma de Patrick e Sam que Charlie entra, e ele descobre o que é ter vários amigos, algo que vai moldar o adulto que ele vai se tornar.

A época em que a história se passa não fica muito clara, mas dá para deduzir que trata-se do início da década de 90, quando Chbosky ainda estava no colégio. Ainda era tradição dos mais sensíveis gravar fitas cassete para namoradas e amigos, fazendo aquelas seleções bregas e inesquecíveis que incluíam desde o mais moderno aos clássicos das décadas anteriores, como The Smiths, XTC e David Bowie. Inclusive, a tal música do túnel que passa a ser procurada pelos amigos é tratada como desconhecida e é um dos maiores hinos de Bowie, Heroes: falha perdoada devido ao número de acertos de Chbosky. O elenco de apoio também ajuda, com Paul Rudd e Tom Savini como professores, Dylan McDermott e Kate Walsh são os pais, Melanie Lynskey como a tia Helen e Joan Cusack como a médica. Como pode-se perceber, é um filme que merece ser conferido e lembrado.

Charlie mal sabia como era uma festa

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2 Coelhos chega à TV a cabo

por Marcelo Seabra

Uma campanha de marketing equivocada pode mais prejudicar um filme que ajudar. Por exemplo, temos 2 Coelhos (2012), que foi vendido como uma produção nacional com cara de americana – como se isso fosse necessariamente bom. De fato, o longa usa artifícios muito comuns no cinema americano, como Tarantino, ou inglês, como Guy Ritchie. Mas o diretor Afonso Poyart também tem seus méritos e não merece ficar à sombra de outros.

Apesar de em alguns momentos enganar o espectador e, em outros, depender de coincidências, o roteiro do estreante Poyart (tratado por Izaías Almada) é bem amarrado o suficiente para fazer sentido e trazer reviravoltas interessantes. A necessidade dos efeitos especiais é questionável, mas eles não chegam a atrapalhar o ótimo trabalho do elenco ou o desenvolvimento da história. E servem como atrativo para aqueles que escolhem o que assistirão pelos estímulos visuais.

Fugindo do esquema pobreza e drogas que é comum no cinema nacional, o grande tema de 2 Coelhos é a corrupção. O protagonista, Edgar (Fernando Alves Pinto), bola um plano para matar dois coelhos com uma cajadada só: derrubar um político escroque e um criminoso, dois lados de um mesmo problema. Isso é o suficiente para não estragar nada. No caminho de Edgar, cruzam personagens vividos por gente competente como Caco Ciocler, Alessandra Negrini, Marat Descartes, Thaíde e Roberto Marchese.

Alves Pinto, revelado em Terra Estrangeira (1996), ainda não é um nome muito conhecido do público. Pouco aproveitado em trabalhos como O Signo da Cidade (2007), Nosso Lar (2010) e Onde Está a Felicidade? (2011), ele merece um destaque maior, e é o que acontece aqui. Seu personagem é antipático e foge bastante do que seria um herói tradicional, mas em momento algum ele se torna odioso ou inverossímil. Alessandra Negrini também chama bastante atenção, misturando doçura e bravura na dose certa com sua Júlia, espécie de ímã que atrai todos os homens que a conhecem.

A obra de Poyart chamou tanto a atenção do mercado que os direitos de refilmagem de 2 Coelhos já foram vendidos a uma produtora ianque, a Tango Pictures. Ti West, autor de alguns roteiros de terror baratos (como House of the Devil e Cabana do Inferno 2, ambos de 2009), foi contratado, o que não exatamente cria uma boa expectativa. Na dúvida, melhor ficar com o original. Para quem bobeou ou deixou passar de propósito, a TV a cabo oferece agora uma oportunidade para conferir.

A estética de videogame ajuda a compor 2 Coelhos

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Diretor reúne amigos para história de gângsteres

por Marcelo Seabra

Alguns filmes ficam numa área perigosa, praticamente incitando o espectador a torcer por figuras nada corretas, ou mesmo totalmente foras da lei. A exemplo dos Newton Boys (1998), outros irmãos criminosos inspiraram mais uma obra: Os Infratores (Lawless, 2012) acompanha os lendários Bondurants, tidos pela população local como indestrutíveis. Trata-se de mais uma parceria entre o diretor John Hillcoat, o roteirista (e roqueiro) Nick Cave e o ator Guy Pearce, mesmo trio do ótimo faroeste A Proposta (The Proposition, 2005).

Inspirado no livro de Matt Bondurant, neto de um dos personagens, o roteiro acompanha os fortes e decididos Forrest (Tom Hardy) e Howard (Jason Clarke) e o irmão mais novo Jack (Shia LaBeouf), aquele que ainda precisa provar o seu valor. Os três começam a ganhar um bom dinheiro durante a lei seca, quando vários produtores locais abastecem o mercado de álcool. Eles, ao contrário dos demais, não fazem acordos com a polícia, e a situação se complica quando chega um um novo agente (Guy Pearce) que vai fechar o cerco, forçando um confronto inevitável.

Além dos Bondurants (acima) serem personagens com certo carisma, o agente vivido por Pearce é um sujeito detestável, com traços de psicopata que logo ficam claros. Por isso, o público não tem dúvidas de que lado tomar. A composição de Pearce é um tanto exagerada, mas ele é sempre uma presença forte. E assim é também Tom Hardy, o Bane do último Batman. O ator vem se destacando e mostrando que é um dos principais talentos aparecidos recentemente. Ele compõe seu Forrest de forma bem contida, seguindo um rígido código de honra, sendo sempre o cérebro da família – e com um casaquinho de avô. LaBeouf não faz nada diferente do que vemos por exemplo nos sofríveis Transformers e Clarke não ganha muito espaço, deixando o foco para Hardy, que sabe o que fazer com ele.

Complementando o elenco, temos a onipresente Jessica Chastain, de Histórias Cruzadas, e Mia Wasikowska (a Alice no País das Maravilhas de 2010), ambas servindo como interesse amoroso para dois dos irmãos. Numa pequena participação, Gary Oldman (de O Espião que Sabia Demais, 2011 – ao lado) mostra mais uma grande interpretação como o maior gângster local, admirado pelo jovem Jack. É um mistério como Oldman ainda não levou um Oscar, ele reafirma sua competência com poucos segundos em cena. Não há lugar para o glamour e a política de Nucky Thompson, da série Boardwalk Empire, só para a brutalidade necessária para comandar o tráfico em meio a comparsas, clientes e concorrentes. Floyd Banner, uma mistura de ladrões históricos como Pretty Boy Floyd e Baby Face Nelson, merecia um filme inteiro só para ele.

Como a história de Os Infratores se passa no início dos anos 30, num pequeno distrito da Virginia (o mais molhado do país, como diz o título do livro de Matt, referência à bebida ilegal), uma minuciosa direção de arte era necessária, e não vemos nada menos que soberbo. O diretor de fotografia francês Benoît Delhomme, também de A Proposta, usa as paisagens do estado para criar belos cenários e mantém tudo muito sóbrio, só levando luz à casa dos Bondurants quando Jessica Chastain aparece usando seus belos e destoantes vestidos. Sua beleza tenta trazer um equilíbrio para a violência que marca aqueles tempos em lugares como Franklin.

O diretor Hillcoat leva seu elenco para Cannes

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Novo trabalho de Wes Anderson é bem cativante

por Marcelo Seabra

Boas surpresas são sempre bem vindas, e Moonrise Kingdom (2012) é uma delas. Apesar de ser geralmente muito querido pela crítica, Wes Anderson dirige longas estranhos sobre pessoas esquisitas e não posso dizer que eles me agradam. O novo trabalho, no entanto, tem uma história cativante e dois pré-adolescentes, mesmo não sendo muito comuns, adoráveis como protagonistas. Apesar de ser ambientado na costa da Nova Inglaterra em 1965, o tom de fábula se aplica a qualquer lugar e época.

Os novatos Jared Gilman e Kara Hayward são os dois jovens nada populares que empreendem uma fuga juvenil, naquela idade limite entre a infância e a pré-adolescência. Todos os adultos que os cercam se mobilizam para encontrá-los e acompanhamos o casal enquanto eles seguem uma velha trilha indígena, a Moonrise Kingdom do título. Dentre os adultos mais importantes, temos os pais da garota, o chefe do acampamento do garoto, o policial local, a representante do Serviço Social e o chefe dos escoteiros, todos envolvidos na situação como se só vivessem para isso.

As paisagens paradisíacas facilitam o trabalho do diretor de fotografia, Robert D. Yeoman, que usa cores claras que dão a impressão de tranqüilidade, o que acaba se refletindo na personalidade dos moradores. São todos muito pacíficos e a cidade parece não conhecer crimes graves, daí a mobilização que o desaparecimento dos dois gera. Sabemos que a brincadeira não vai durar muito, mas será importante para a formação de ambos. Filmes sobre essa etapa da vida já geraram clássicos queridos por gerações, caso de Conta Comigo (Stand By Me, 1986), por exemplo, e Moonrise Kingdom pode estar indo para o mesmo caminho, a julgar pela boa acolhida que o filme vem recebendo pelo mundo.

Anderson e seu colega roteirista Roman Coppola não pretendiam fazer nada muito realista, e criaram uma cidadezinha como aquelas que só existem no imaginário norte-americano. Natureza de cores vivas cerca os cidadãos, mas eles não parecem tão felizes. O casal de Bill Murray e Frances McDormand mal se olha e se comunica aos gritos pela casa, em meio aos vários filhos. Bruce Willis faz um policial bonzinho, mas solitário e amargurado, enquanto Edward Norton é o enérgico chefe dos escoteiros que não parece ter vida além de suas duas ocupações – ele ainda é professor de matemática, sua segunda profissão. Os dois principais parecem seguir para o mesmo destino, já que carregam a cruz de não serem muito queridos por seus pares aparentemente por serem mais espertos e inteligentes.

O elenco fantástico de Moonrise Kingdom ainda conta com Harvey Keitel, Tilda Swinton e Bob Balaban. Bill Murray está presente nos últimos seis filmes do diretor, tendo faltado apenas no primeiro. Esta é uma parceria longa que ainda deve dar bons frutos. Torço para que Anderson pare de trabalhar com o amigo Owen Wilson, co-roteirista de seus trabalhos mais aborrecidos, e continue criando personagens tão carismáticos, apesar de melancólicos.

Uma bela estreia para os jovens atores

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