G.I. Joe 2 leva estupidez a um novo grau

por Marcelo Seabra

GI Joe RetaliationEm 2009, os G.I. Joes chegaram ao cinema com A Origem de Cobra (The Rise of Cobra). Agora, é a hora da vingança com G.I. Joe: Retaliação (G.I. Joe: Retaliation, 2013). Com tanto tempo em pós-produção, parecia que tinha algo errado, ficavam tentando remontar e salvar o filme. Mas uma coisa ficou clara: não daria para salvar aquilo nem com reza brava. A premissa era interessante, apesar de nada original, e os 15 ou 20 primeiros minutos se sustentam. A partir daí, a queda é vertiginosa e a revolta que começa é do tipo de te fazer pedir o dinheiro de volta. E não estranhe risadas involuntárias ao redor.

O primeiro longa dos Joes tem seus bons momentos, apesar de também não valer os minutos investidos em uma sessão. Mas o segundo vai muito mais longe no quesito estupidez. Dizer que crianças vão gostar é tratá-las com total desprezo, e já imagino alguns usando essa desculpa. Outro absurdo que ouvimos é o tal de “às vezes eu só quero desligar e ver algo assim”. Filmes de ação podem ser inteligentes, como prova Jason Bourne, ou podem ficar no básico, como um Esquadrão Classe A (The A-Team, 2010), que consegue ser despretensioso e divertido. Mas nunca devem ser estúpidos, ou tratar assim os seus espectadores.

Um sujeito dirige Ela Danço, Eu Danço 2 e 3 (2008 e 2010), sequências que não sabemos como conseguiram a luz verde, e segue com o documentário sobre Justin Bieber (Never Say Never, de 2011). Por algum motivo, ele parece ser a pessoa certa para fazer a continuação de um filme que custou caro e não arrecadou nem o dobro do custo. De quebra, ele pode pegar brinquedos que fazem parte da infância de muitos e jogá-los na lama, sem a menor cerimônia. Jon M. Chu é o nome a se evitar. E os roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick, que criaram o engraçado Zumbilândia (Zombieland, 2009), inexplicavelmente seguem com essa afronta, que certamente será uma mancha nos currículos deles.

GI Joe Retaliation sceneO cartaz de Retaliação já deixa claro que Channing Tatum não é mais “o cara”, já que Dwayne “The Rock” Johnson e Bruce Willis aparecem à frente. Sim: os envolvidos foram burros o suficiente para tirarem importância do protagonista já estabelecido, que anda chamando a atenção geral com trabalhos como Magic Mike (2012) e Anjos da Lei (21 Jump Street, 2012), colocando as fichas em The Rock e demais coadjuvantes. Do primeiro, voltam em posição de destaque Snake Eyes (o “Darth Maul” Ray Park) e seu antagonista, o supostamente falecido Storm Shadow (Byung-hun Lee, de Eu Vi o Diabo, 2010). Sério, ele não tinha morrido? A historinha deles no templo das montanhas traz à memória o horroroso Mortal Kombat 2 (1997), de tão canhestras que são as fantasias dos ninjas. E, por mais que sejam mortos, sempre aparecem outros tantos, e as espadas usadas estão sempre limpinhas.

A trama, mais do que batida, deslancha quando os Joes são traídos (o presidente é um Cobra, lembra do outro filme?) e dizimados. Os poucos que sobram se unem para descobrir o que houve. Até aí, tudo parecia correr bem e ainda se podia manter a esperança de que a atração seria digna. É quando começa o festival de chutes, bugigangas fantásticas e inacreditavelmente ridículas, diálogos constrangedores, atuações incômodas e, claro, maletas que controlam com um botão armas de destruição em massa. Eu disse maletas, no plural, porque não é só o “presidente do mundo livre” que tem uma. E é melhor nem mencionar os outros botões das maletas. O competente Jonathan Pryce, em papel duplo, é o único que parece estar se divertindo. Bruce Willis fala oi e garante o cachê como um jogador que entra em campo aos 45 do segundo tempo para participar do bicho.

Espero que o leitor perdoe o desabafo, e o aceite como um alerta. Não sei se a pior perda, após uma sessão de G.I. Joe: Retaliação, é a do dinheiro do ingresso, do tempo investido ou dos neurônios que cometeram suicídio durante. Ah, eu mencionei qual é o plano do Comandante Cobra? Quem descobrir, por favor, me conte.

Na estreia em Hollywood, os dois se perguntam para que entraram na franquia

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João e o Pé de Feijão é outro conto infantil nos cinemas

por Marcelo Seabra

Jack the Giant Slayer

Uma nova adaptação de contos de fadas consegue chegar mais longe que todas as anteriores. Não que isso seja um grande elogio, tendo em vista o que já foi feito, mas a verdade é que Jack – O Caçador de Gigantes (Jack the Giant Slayer, 2013) é uma aventura bem feita, divertida e, sobretudo, bem atuada. O diretor Bryan Singer escolheu a dedo seus atores e o cargo de protagonista ficou com o “Fera” Nicholas Hoult, que trabalhou com o produtor Singer em X-Men: Primeira Classe (2011) e mais uma vez coloca competência e carisma em seu trabalho.

Depois de constrangimentos como A Garota da Capa Vermelha (2011), A Fera (2011), duas Brancas de Neve (2012), João e Maria (2013) e até Alice no País das Maravilhas (2010), Singer conseguiu levantar este subgênero juntando as histórias de João e o Pé de Feijão e a do outro João, o Matador de Gigantes. O resultado é um João que sobe no pé de feijão para matar gigantes. O argumento de David Dobkin e Darren Lemke foi desenvolvido por Lemke, Dan Studney e Christopher McQuarrie e, ao contrário do que possa parecer, com tanta gente envolvida, o roteiro ficou amarradinho.

Jack the Giant Slayer sceneComo não foi muito bem de bilheteria nos Estados Unidos, o longa vinha gerando apreensão nos demais mercados. Em terras ianques, esta estreia poderia ter sido segurada para o verão e certamente teria atingido um público bem maior, que estaria em férias e disposto a filmes-pipoca. Há também o problema do público alvo: alguns o consideram muito violento e sombrio para os mais jovens, mas não adulto o suficiente para os mais maduros. Quem iria pagar para vê-lo? É difícil até para o departamento de marketing da Warner acertar no alvo com uma campanha de divulgação. O próprio título foi alterado, seria The Giant Killer – ou O Matador de Gigantes. Preferiram atenuar.

Apesar dessa expectativa pessimista, Jack é uma aventura à moda antiga, que se importa com a história a ser contada, ou recontada, e equilibra momentos engraçados e dramáticos. O jovem Jack se vê obrigado a aceitar grãos de feijão tidos como mágicos como garantia para a venda de seu cavalo. Um desses grãos cai no chão e prova que as lendas que os pais contavam são verdadeiras: há um mundo acima deles onde vivem gigantes que esperam por uma chance de vingança contra os humanos que os dominaram no passado. Cabe a Jack resolver o problema e salvar o dia.

Jack the Giant Slayer castO grupo de coadjuvantes de Jack é nada menos que ótimo. A menos conhecida Eleanor Tomlinson (do já citado Alice) vive a mocinha da trama, a princesa Isabelle. O pai dela, o Rei Brahmwell, ficou com Ian McShane (de Branca de Neve e o Caçador, 2012), que faz um monarca justo e destemido – e engraçado. Stanley Tucci (de Jogos Vorazes, 2012) consegue ser cômico e ameaçador, indo facilmente de um ponto ao outro, como o prometido da princesa. Tem também Bill Nighy (de O Vingador do Futuro, 2012), o ótimo inglês que provê a voz ao líder dos gigantes. E o grande destaque é o tipo Errol Flynn de Ewan McGregor (de O Impossível, 2012), de longe o que parece se divertir mais. Todos os personagens tomam medidas críveis, ninguém precisa fazer nada estúpido apenas para servir ao roteiro, como costuma acontecer.

Nicholas Hoult, visto recentemente no bacana Meu Namorado É um Zumbi (Warm Bodies, 2012), nem parece mais o menino de Um Grande Garoto (About a Boy, 2002). Espichado, uma década mais velho, ele se vira bem nas cenas de ação e se prova versátil e capaz de desafios mais acelerados. Ele é um dos motivos de Jack – O Caçador de Gigantes valer o ingresso e já deixa os cinéfilos ansiosos pelo novo Mad Max: Fury Road, previsto para 2014. E ele ainda deve ter vida longa como X-Man. Só esperamos que essa moda de contos de fadas passe.

Jack The Giant Slayer

“Gigantes, avançar!”

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Vikings desembarcam no History Channel

por Rodrigo “Piolho” Monteiro

Vikings posterFundado em 1995, o History Channel tinha inicialmente o objetivo de, como seu nome diz, explorar programas e shows com foco em eventos históricos. Basicamente, o canal era especializado em documentários e estudos envolvendo fatos e previsões históricas. Com o tempo, no entanto, o foco foi mudando e a programação do canal se tornou mais variada e menos documental. Hoje, além de séries intermináveis sobre assuntos que vão de previsões astrológicas à suposta comprovação da existência/influência de vida alienígena, o canal se rendeu à praga dos reality shows, a maioria com pouquíssima relação com a História.

Se essa diversificação, por um lado tira o foco do canal, por outro lhe traz dividendos em termos de verba publicitária e faz com que o History comece a investir em séries dramáticas de boa qualidade. O primeiro exemplo dessa seara foi Hatfields & McCoys, minissérie em três partes que conta a história de rivalidade entre duas famílias na fronteira entre os estados da Virgínia e do Kentucky nos anos que se seguiram à Guerra Civil americana (1861-1865). Estrelada por Kevin Costner e Bill Paxton – e já transmitida no Brasil no canal a cabo Space – a série rendeu um Globo de Ouro a Costner.

Com base nos bons resultados de Hatfields & McCoys, o History resolveu investir em uma nova série de ficção histórica, dessa vez viajando um pouco mais para o norte e no passado para mostrar as primeiras incursões dos grupos vikings à Inglaterra, que marcariam o período da história conhecida como “Era Viking”. Ela foi iniciada por volta de 790 D.C. e teve seu ápice na conquista da Inglaterra em 1066 D.C. Nos séculos seguintes, uma série de fatores históricos e políticos – dentre eles a cristianização da Europa – acabaram por minimizar a influência dos povos escandinavos na cultura européia como um todo. O renascimento do interesse pela cultura viking teve um primeiro momento no fim do século XIX e sofreu um grande impulso recentemente graças aos avanços nos processos arqueológicos que a cada dia descobrem mais e mais artefatos e evidências da contribuição dos vikings não só para a cultura, mas em aspectos como a navegação.

Vikings Fimmel & WinnickCriada por Michael Hirst (roteirista dos dois Elizabeth e da série The Tudors) e produzida em conjunto com a MGM, ela conta a história de Ragnar Lothbrok (Travis Fimmel, de Os Fora da Lei, 2012 – ao lado), um guerreiro e fazendeiro viking que objetiva explorar os oceanos e saquear as terras ao oeste. Ele desafia a autoridade do chefe local, Earl Haraldson (Gabriel Byrne, da série In Treatment), que insiste em pilhar apenas as terras ao leste – já empobrecidas pelas constantes invasões vikings que ocorrem todos os verões na mesma região. Para conquistar seus objetivos, Ragnar vai contar com a ajuda do construtor de navios Floki (Gustaf Skarsgård, de Expedição Kon Tiki, 2012), seu irmão Rollo (Clive Standen, da minissérie Camelot) e sua esposa Lagertha (Katheryn Winnick, da série Bones – acima), além de uma série de personagens menores.

Vikings, no entanto, não se foca apenas nas invasões. Também joga luz no que seria o dia a dia daquela sociedade e o choque de culturas que ocorre a partir da iniciativa de Ragnar de viajar para o oeste e entrar em contato com o cristianismo, quando sua tripulação saqueia um mosteiro em Lindisfarne – fato que muitos historiadores consideram como marco primordial do início da “Era Viking” e um de seus espólios é tomar para si o padre Athelstan (George Blagden, de Os Miseráveis, 2012) como seu escravo. O protagonista é baseado na figura real de Ragnar Lodbrok, renomado herói viking que, por um breve período, chegou a ocupar o trono da Dinamarca e conquistar parte da Suécia.

A série é escrita por Hirst, que usa os consultores do History para adicionar um caráter mais histórico e acurado a suas tramas, mas não dispensa personagens no mínimo excêntricos, como o deformado leitor de runas que diz prever o futuro. Tem tudo para agradar não só aqueles interessados por esse período da História, mas também os fãs de séries de ação no estilo Spartacus ou Game of Thrones, devido à precisa reconstrução de cenários e cenas de lutas. Ainda que, obviamente, o tom aqui seja menos explícito. Com uma primeira temporada inicialmente prevista para nove episódios – quatro deles já transmitidos nos EUA –, Vikings ainda não tem data de lançamento no Brasil.

Cenas épicas não vão faltar

Cenas épicas não vão faltar

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Parker é novo veículo para Jason Statham

por Marcelo Seabra

Parker

Mais uma vez, Jason Statham prova ser um ator carismático que traz algo a mais a um projeto sem sal. Na linha que o tem consagrado, fazendo o sujeito mal humorado que briga bem e tem um código de ética a seguir, ele estrela o novo Parker (2013), em cartaz nos cinemas. Por algum motivo, julgaram necessário colocar Jennifer Lopez ao lado dele, mas não chega a comprometer. O resto do elenco também não chama muita atenção, deixando o foco do show para Statham.

Parker é um ladrão bonzinho, como fica claro quando ele ajuda uma garotinha a ganhar um bicho de pelúcia e um policial a se recompor de um ataque de nervos. Seus comparsas no próximo assalto, apresentados pelo sogro (Nick Nolte, de Caça aos Gângsteres, 2012, em outra participação pequena), o traem e são incompetentes o suficiente para não eliminá-lo. Claro que ele vai atrás, buscando a parte que lhe cabe do produto do roubo. E é mais óbvio que só o dinheiro não vai satisfazê-lo, a vingança vem junto. Para facilitar achar o bando em outra cidade, Parker usa uma corretora de imóveis (Lopez, de O Que Esperar…, 2011), e encontra logo uma burra, irritante e enxerida. E é uma personagem sem razão de existir, já que sabemos que Parker tem uma namorada (Emma Booth, de Town Creek, 2009). Para piorar, eles não têm nem um pingo de química.

Parker JLo

Taylor Hackford, diretor que andava meio sumido, tem bons filmes na bagagem, como Eclipse Total (Dolores Claiborne, 1995) e Advogado do Diabo (The Devil’s Advocate, 1997), mas nunca se mostrou um grande talento. Em Parker, ele faz algumas escolhas estranhas, entre closes e ângulos, e certas cenas têm duração e tom não muito compatíveis com o longa. A “cara” de anos 70 aparece e não se sustenta, é apenas um recurso mal aproveitado. Flashbacks reforçando o que todos já sabem e uma matéria na TV igualmente repetitiva são provas de que esse tempo parado não fez bem para Hackford. E não ajuda ter o roteirista do malsucedido Hitchcock (2012), John J. McLaughlin.

O astro de ação Statham pretende continuar sendo conhecido assim, já que não muda o tipo de filme que estrela. Nas franquias Carga Explosiva e Os Mercenários, em Assassino a Preço Fixo (The Mechanic, 2011) e em O Código (Safe, 2012), entre outros, ele não precisou se esforçar muito, já que faz o personagem padrão ao qual se acostumou. Isso não é necessariamente ruim, apenas um pouco repetitivo, e mostra que Statham tem noção de seus limites. O tipo de história que o falecido Donald E. Westlake costumava escrever se adequa perfeitamente a este tipo. Inclusive, o primeiro filme que vem à cabeça ao ler a trama de Parker é O Troco (Payback, 1999), também de Westlake (sob o pseudônimo de Richard Stark).

Uma premissa minimamente interessante e a presença de Statham parecem ser o suficiente para se ter um filme bacana. Vamos ver até quando essa fórmula vai aguentar. Para variar, o ator estará no sexto Velozes e Furiosos, cujo lançamento está marcado para maio. Uma nova franquia pode trazer mais fôlego – a mesma tática usada pelo colega Dwayne “The Rock” Johnson.

Nick Nolte mostra a cara rapidamente

Nick Nolte mostra a cara rapidamente

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Norman Bates ganha série de TV

por Marcelo Seabra

Bates Motel poster

Chegou à TV americana esta semana a nova série dramática Bates Motel, levando adiante a fixação atual que produtores têm demonstrado sobre Alfred Hitchcock (veja mais aqui e aqui). O programa usa os personagens criados por Robert Bloch, que Hitch imortalizou em Psicose (Psycho, 1960), e conta a história de Norman Bates antes dos eventos do livro de Bloch. O estranho é que os criadores decidiram trazer a história para os dias atuais, ao invés de ambientá-la nos anos 50, o que seria o lógico. Ou seja: são os personagens que conhecemos, mas em uma situação bem diferente. Mas não deixa de ser uma história de origem de Norman.

Carlton Cuse (de Lost), um dos responsáveis pela série, explicou em coletiva para a imprensa que não via sentido em simplesmente contar a juventude de Norman, tendo que encaixar a nova história em tudo o que já estava estabelecido. Daí, concluímos que os eventos mostrados nas três sequências do clássico devem ser desconsiderados. Em Psicose IV – O Início (Psycho IV: The Beginning, 1990), Norman (Anthony Perkins) conta a história de sua vida em um programa de rádio e descobrimos detalhes de sua relação com a mãe (Olivia Hussey) e de sua adolescência. Esqueça isso tudo! “A ideia de fazer algo contemporâneo deixa claro que estamos fazendo algo inspirado por Psicose, e não uma homenagem”, explica Cuse, segundo o site IGN. E a obra não tem nada a ver com o longa homônimo ruim de 1987, derivado de Psicose.

Bates Motel

A série começa com Norma Bates (Vera Farmiga) e o filho Norman (Freddie Highmore), então com 17 anos, se mudando para uma nova cidade para “começar de novo”. Norma é bem impulsiva e decide sozinha a mudança e a compra de um hotel simples de beira de estrada (definição, para americanos, de motel). Norman, claro, acompanha a mãe e não tem muito o que opinar. O primeiro episódio, o único exibido até agora, estabelece essa nova vida da família Bates, mas não é um drama convencional, como se pode pensar. Afinal, convencional é um adjetivo que definitivamente não se aplica aos Bates.

Mais atores de Cinema resolveram fazer a transição para a TV, e essa fronteira está cada vez mais tênue. Vera Farmiga (de Contra o Tempo, 2011) mostra ser uma ótima escolha para o papel. Forte e carinhosa na mesma medida, ela deixa entrever um leve destempero emocional e uma personalidade difícil. Mas, acima de tudo, uma mulher que ama o filho. Cabe ao jovem Highmore (de Em Busca da Terra do Nunca, 2004, e A Fantástica Fábrica de Chocolate, 2005) assumir o peso de viver um dos psicopatas mais famosos da cultura pop universal. Ele começa muito dócil e bonzinho, e a mudança que terá que acontecer (para ele chegar aonde sabemos) será o atestado de qualidade (ou falta de) da série. Os personagens adultos parecem desconfiados em demasia, enquanto as adolescentes são atiradas demais. Vamos acompanhar o desenrolar.

É complicado prever como será a trajetória de Bates Motel baseando-se apenas no primeiro episódio. Para o A&E, que a exibe, já é um sucesso. Na última segunda-feira, às 22h, a atração bateu o recorde do canal, que pertencia a Longmire, e atingiu 4,6 milhões de espectadores. A primeira temporada terá um total de dez episódios e a segunda já é vislumbrada por Cuse. “Acho que é uma história com começo, meio e fim. Não posso dizer exatamente o quanto a nossa história vai durar. Obviamente, há ganchos que espero que nos levem a uma segunda temporada. Não estamos resolvendo um crime, há um grande número de mistérios”, completa o produtor.

Será que Norman conseguirá ter uma namorada?

Será que Norman conseguirá ter uma namorada?

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O Segredo da Cabana finalmente chega ao Brasil

por Marcelo Seabra

The Cabin in the WoodsCinco jovens, uns mais atraentes que os outros, vão passar um fim de semana em uma cabana no meio da floresta. Coisas estranhas vão acontecer e eles provavelmente serão mutilados. Com pequenas variáveis, esse fiapo de trama pode descrever inúmeros longas, desde o “clássico” Sexta-feira 13 (Friday the 13th, 1980) até uns mais recentes, como Cabana do Inferno (Cabin Fever, 2002), passando pelo cult Evil Dead – A Morte do Demônio (1980). Em 2011, as regras do terror foram explicadas e distorcidas por O Segredo da Cabana (The Cabin in the Woods), que só agora chega ao Brasil, direto para as locadoras. É mais um que merecia passar pelos cinemas, e isso foi prometido por algum tempo, mas ficamos a ver navios.

The Cabin in the WoodsCom uma espécie de meta história, o diretor estreante Drew Goddard e o produtor Joss Whedon, ambos roteiristas, colocam em cena os principais clichês do gênero ao levar os cinco amigos para a floresta. O interessante é que, logo na primeira cena, conhecemos dois funcionários de uma empresa misteriosa que parecem estar totalmente fora de contexto, interpretados pelos veteranos Bradley Whitford (da série West Wing – à direita) e Richard Jenkins (de Deixe-me Entrar, 2010 – à esquerda). Logos, estes dois núcleos vão se encontrar e começar a fazer sentido.

Apesar de seguirem os mandamentos que regem muitos filmes assustadores, Goddard e Whedon não escreveram um roteiro que assusta. Ele causa apreensão e, acima de tudo, curiosidade, já que você quer entender o que está acontecendo e o tal segredo da cabana parece tomar uma importância maior que o destino dos cinco. Não é nada muito intrincado, mas há peças a serem montadas, como o cartaz dá a entender, mostrando a cabana como uma espécie de cubo mágico. Depois de comandar a festa em Os Vingadores (The Avengers, 2012), Whedon é o dono da bola e tudo o que ele fizer vai despertar interesse. É surpreendente que um filme com seu nome em destaque tenha demorado tanto para chegar, e direto em vídeo.

No elenco jovem, o destaque fica por conta de Chris Hemsworth, mais conhecido como o Deus do Trovão Thor. Este é o segundo filme dele que chega ao Brasil depois de uma longa temporada no freezer (o outro é Amanhecer Violento). Ele é o cara grandão que, apesar de ser um estudante aplicado e inteligente, assume o papel do machão pouco cuidadoso. Cada um deles tem uma função, como é costume: há, além de Curt, o maconheiro paranóico, a menina virginal, a mais atirada e o bonzinho que aparece pouco. Todos prontos para o abate, que parece inevitável.

Eis os incautos adolescentes

Eis os incautos adolescentes

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Os Croods animam a pré-história

por Marcelo Seabra

Croods Poster

Famílias disfuncionais sempre existiram e nunca vão deixar de existir. Na pré-história, já conhecemos algumas, como Os Flintstones e a Família Dinossauro. A DreamWorks agora nos apresenta àquela que deve ser a primeira família humana a ter suas aventuras narradas – ao menos, em 3D. Os Croods (The Croods, 2013) acompanha pai, mãe, filhos e a sogra tentando sobreviver em meio a animais estranhos e perigosos e sem ninguém mais para ajudar ou mesmo para conversar, já que todos os vizinhos foram dizimados. Diversão garantida para crianças e adultos.

Os Croods conseguem durar tanto tempo porque o pai, Grug, cria regras que devem ajudá-los a vencer as mazelas daquele mundo. O problema é que essas regras limitam demais a vida deles, que se resumem a ficar dentro da caverna e só sair para buscar comida, jornada mostrada como uma espécie de partida de futebol americano cujo prêmio é o café da manhã, e um movimento em falso pode custar a vida. A rotina é agoniante e ter uma filha adolescente, nessas horas, dificulta tudo. Eep é a rebelde que gosta de escalar (há um momento “Missão: Impossível”), passear e descobrir coisas, exatamente o contrário do que o pai recomenda. “A curiosidade é ruim”, diz ele, buscando manter a prole por perto. Mas ela, como acontece em Valente (Brave, 2012), não se contenta com o papel de boazinha.

Croods Guy Eep

Entre em confronto e outro com o pai, Eep um dia encontra um garoto errante que traz uma novidade que poderia mudar tudo: Guy consegue fazer fogo. Ele ainda traz outra notícia impactante: o mundo deles não vai durar muito tempo da forma como eles conhecem. As placas tectônicas parecem estar se ajeitando e terremotos são comuns. Guy vai mudar as vidas dos Croods e o brutamontes Grug encontra nele o seu oposto, clara metáfora sobre o futuro que bate à porta. Metáforas, inclusive, são abundantes: sobre adolescência, relacionamentos, mudanças, tempo… Mas a animação nunca fica chata, dando lições ou algo assim. Os bichinhos em cena ajudam muito com tiradas engraçadas, assim como a velha Gran, sogra de Grug, que deveria se chamar Highlander. Os traços selvagens dos personagens, que não chegam a ser estúpidos como os Gogs (1994), mas estão longe dos sociáveis e desenvolvidos Flintstones, também causam risadas quando são ressaltados, principalmente na filha mais nova, um bebê nada frágil que mais parece um cachorro de estimação.

À frente de Os Croods, estão dois animadores experientes: Kirk De Micco estreou na direção com Space Chimps – Micos no Espaço (2008) e escreveu outras várias produções, como Deu Zebra! (2005); Chris Sanders trabalha com a Disney há anos (Aladdin, O Rei Leão…) e assumiu o comando de Lilo & Stitch (2002), tendo também assinado o simpático Como Treinar o Seu Dragão (2010). De Micco e Sanders criaram a história, roteirizaram e dirigiram Os Croods e demonstram muita maturidade. Tudo é muito bem amarrado, a animação é fantástica e a terceira dimensão é interessante para dar profundidade às ricas paisagens e os animais e plantas que a povoam.

Tratando-se de uma animação, um problema já era anunciado: só há cópias dubladas na maioria das cidades (se não no país inteiro). Não adianta ter Nicolas Cage (Grug), Emma Stone (Eep), Ryan Reynolds (Guy), Catherine Keener (Ugga) e Cloris Leachman (Gran) no time de dubladores, no Brasil a equipe é toda substituída e só podemos conferir as vozes originais nos trailers disponíveis na Internet. Se isso já vem ocorrendo com dramas e suspenses com atores, imagine com desenhos! O desrespeito com o público, que não tem possibilidade de escolha, é gritante. Mesmo que a dublagem nacional seja bem feita, a obra não foi feita com ela. E passa batido para o público tupiniquim que Nicolas Cage tenha conseguido fazer um bom filme, em meio a esta maré ordinária em que ele anda.

A voz e a imagem unidas

A voz e a imagem unidas

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Duas estreias da semana têm resultados duvidosos

por Marcelo Seabra

Deadfall

Das estreias dessa semana, duas têm títulos genéricos e andamentos arrastados, mas as direções são opostas. A Fuga (Deadfall, 2012) é um policial americano que pretende ter o estilo noir, mas acaba sendo apenas violento e aborrecido, enquanto A Busca (2012) é vendido como um thriller nacional quando é, na verdade, um drama sobre o crescimento pessoal de um sujeito que vai ao encontro do filho que sumiu de casa. Certamente, vão atrair públicos diferentes e a aceitação também vai variar bastante.

Olivia Wilde Eric BanaUsando um cenário gélido da fronteira dos Estados Unidos com o Canadá, A Fuga segue dois irmãos após um assalto cujo carro capota. Eles precisam fugir a pé e Addison (Eric Bana, de Hanna, 2011) decide se separar de Liz (Olivia Wilde, de O Preço do Amanhã, 2011) para que tenham melhores chances de escapar das autoridades. O irmão vai por dentro da floresta, interagindo com os locais em meio a um inverno rigoroso, manchando a neve de vermelho. A irmã consegue uma carona com outro errante, um ex-boxeador (Charlie Hunnan, de A Tentação, 2011) que já sai da cadeia fazendo coisa errada, mesmo que por acidente.

A família de Jay mora quase no limite entre os países e Liz pretende seguir com ele até lá, onde poderia encontrar Addison para que eles fugissem para o Canadá. Então, é apresentado o casal Mills: a mãe (Sissi Spacek, a eterna Carrie, a Estranha) é doce e compreensiva, e o pai (Kris Kristofferson, o ajudante do Blade) é arredio e empacado. Os homens Mills têm uma pendenga entre eles a resolver e o acerto de contas vai unir todos os personagens em um jantar de ação de graças dos infernos. As condições climáticas são sempre tão ruins que é difícil entender a geografia do lugar. Fácil mesmo é prever o final, que chega sem surpresas.

O inexperiente Zach Dean escreveu um roteiro inexpressivo, sem emoção ou empatia pelos personagens. Tanto faz quem morre – se acabar rápido, melhor. E de fato o filme é curto, o que pode ser seu maior acerto. O austríaco Stefan Ruzowitzky (de Os Falsários, 2007) mostra que lida melhor com dramas que com uma história policial que tenta beber nas fontes clássicas. Ele insere alguns elementos-chave, como violência, sexo e assassinatos, mas passa longe de fazer algo relevante. O bom elenco é o único atrativo deste A Fuga, mesmo que o texto não permita a ninguém ter arroubos de genialidade.

A Busca

Reforçando o bom e recente caldo brazuca, o cineasta de primeira viagem Luciano Moura reuniu verba de vários patrocínios, inclusive do pólo cinematográfico de Paulínia e da Globo Filmes, para realizar A Busca, com um orçamento total de R$ 5 milhões. Para criar interesse pelo longa, chamou Wagner Moura para o papel principal. O ator já mostrou várias vezes ser mais que “apenas” o Capitão Nascimento de Tropa de Elite (2007 e 2010) e se firmou como o provável melhor ator do nosso cinema atual. Graças à presença dele, muita gente deve conferir a obra. O ritmo lento pode ser um complicador para o público, mas o grande problema são as pontas soltas relacionadas aos personagens. A participação de Lima Duarte, por exemplo, fica flutuando, sem qualquer tipo de aprofundamento ou propósito.

Wagner MouraTheo (Moura) é um médico que parece ter se distanciado da família, afundando-se no trabalho, até que a esposa (Mariana Lima, de Doce de Mãe, 2012) resolve que é hora de ir cada um para um lado. Eles precisam, então, se acostumar com essa nova e triste situação. Intransigente e controlador, ele inconscientemente continua mandando na vida do filho e da agora ex-mulher. Um belo dia, o menino junta suas trouxas e some de casa. Começa aí a busca de Theo pelo jovem Pedro (Brás Antunes), que pegou a estrada e vai deixando rastros. No caminho, Theo conversa com todo tipo de gente, na clássica tradição do road movie. Desde agricultores a neo-hippies, passando por um aposentado esquentado, ele vai encontrando essas pessoas e, conseqüentemente, conhecendo melhor o próprio filho, e a si mesmo. Em uma das pequenas participações está Leandro Firmino da Hora, mais conhecido como Zé Pequeno, que vive um borracheiro.

Luciano Moura, que não é parente de Wagner, faz sua estreia na direção de um longa-metragem e conseguiu espaço no Festival de Sundance, do Rio e na Mostra de São Paulo. O título A Cadeira do Pai foi abandonado por este besta A Busca, que é provavelmente mais comercial e ajudaria mais a trazer espectadores. Resta saber como serão as críticas, já que o lado positivo e o negativo praticamente se equilibram. A movimentação incessante do protagonista, sempre passos atrás do filho, acaba cansando, mas Wagner Moura é um talento que merece ser acompanhado.

"Família" reunida para a estreia de A Busca

“Família” reunida para a estreia de A Busca

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Trio de veteranos faz os Mercenários da terceira idade

por Marcelo Seabra

Stand Up GuysUm projeto com Al Pacino sempre chama a atenção. Ele é um desses raros atores que arrastam o público aos cinemas sem que se saiba ao menos o tema do longa. Tudo bem que ele teve sua cota de bombas, como Gigli (2003) e uma produção do Adam Sandler que nem vale a pena mencionar, mas sua moral continua alta entre os fãs. Dessa vez, ele se uniu a outros dois ótimos veteranos, Christopher Walken e Alan Arkin, para contar uma história de criminosos da velha guarda se reencontrando. Amigos Inseparáveis (Stand Up Guys, 2013) é marcante por reunir este trio, e só. Se fossem outros atores, o filme certamente não teria recebido atenção alguma, indo direto para a TV a cabo. O que acontece também com O Último Desafio, Duro de Matar 5 etc.

O fraco roteiro do estreante Noah Haidle começa com Val (Pacino) saindo da cadeia após 28 anos de pena. Ao longo da projeção, ficamos sabendo os detalhes sobre a condenação. Do lado de fora da penitenciária, está Doc (Walken) esperando, e ele leva o amigo para tirar o atraso e se divertir um pouco. A turma estará completa quando eles conseguirem resgatar Hirsch (Arkin), o terceiro “mosqueteiro”, aquele com a saúde mais debilitada. Juntos, os três pretendem viver uma última aventura antes que cada um siga o seu caminho. Isso, ao som das canções originais de Bon Jovi, responsável pela trilha.

Stand Up Guys duo

O projeto é anunciado como uma comédia, mas tem no máximo algumas cenas engraçadinhas. Qualquer interesse que o filme desperte depende exclusivamente de seus intérpretes, que conseguem transformar um diálogo repetitivo (sobre “os bons tempos”, por exemplo) em algo minimamente relevante. Al Pacino assume seu modo exagerado, em um equilibrado contraponto à atuação calma e calculada – quase apática – de Walken, que misteriosamente repete os mesmos trejeitos em todo trabalho e, mesmo assim, é frequentemente bem sucedido. Arkin, em alta desde o Oscar por Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine, 2006) e mais ainda após a nova indicação por Argo (2012), tem uma participação mais discreta, mas tão competente quanto as dos colegas.

Para reunir atores desse nível, imagina-se que o diretor é um sujeito poderoso, com amigos nas altas esferas, ou que ao menos tenha uns favores para cobrar. Nunca daria para chutar que se trata de Fisher Stevens, um coadjuvante habitual mais visto na TV (como em Early Edition e Lost) e com experiência na direção em apenas um longa metragem, Foi Só um Beijo (Just a Kiss, 2002). Ele esteve numa produção nacional, O Que É Isso, Companheiro?, que também conta com Arkin. Talvez, como ator, Stevens tenha de fato esses contatos. Ou, apenas, podemos supor que Pacino, Walken e Arkin imaginaram que seria divertido aprontar em grande estilo mais uma vez, como nos bons tempos.

Stand Up Guys cast

Surpresa no porta-malas do carro!

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Oz revisita o caminho de tijolos amarelos

por Marcelo Seabra

Oz the Great and Powerful poster

Um lugar qualquer, acima do arco-íris, esconde uma terra de que só se ouviu falar em canções de ninar. Essa, claro, é a descrição mais apropriada da terra de Oz, apresentada no clássico O Mágico de Oz (The Wizard of Oz, 1939) e revisitada agora em Oz: Mágico e Poderoso (Oz the Great and Powerful, 2013), produção que marca a estréia do diretor Sam Raimi no mundo 3D. Para essa empreitada, ele chamou James Franco, com quem trabalhou na trilogia do Homem-Aranha, e completou o elenco com três lindas bruxas: Mila Kunis, Rachel Weisz e Michelle Williams. Nada como ter um generoso orçamento de US$ 200 milhões!

Como trata-se da história anterior à obra de 39, a maior parte do trabalho seria respeitar tudo o que já havia sido estipulado, o que o filme assinado por Victor Fleming definiu. Há um respeito pela obra original, que aparece na manutenção de certas características, como o contraste entre a poeira e a falta de cores do Kansas e a exuberância da nova terra; e a atmosfera de sonho que envolve a aventura, reforçada pelo uso dos mesmos atores em personagens diferentes nos dois mundos. E um certo Sr. Baum é mencionado, homenageando o criador desse mundo, L. Frank Baum, cujo livro entrou de tal forma na cultura americana que passou a ser referência constante no mundo pop. Essa semana, por exemplo, Elton John passeou pelo Brasil cantando Goodbye Yellow Brick Road, um de seus maiores sucessos, inspirado pelo caminho de tijolos amarelos do filme.

Oz the Great and Powerful charactersOscar Diggs, ou Oz (Franco), aqui é ainda um mágico picareta de parques de diversão que vive a galantear garotas e ganha a vida com truques baratos de ilusionismo. Um belo dia, escapando de suas constantes enrascadas, ele é pego por um tornado e vai parar na terra de Oz. Lá, ele descobre que uma profecia local prevê que um mágico poderoso homônimo ao lugar vai chegar e libertar todos do domínio da bruxa maligna que reina. Ele conhece então três bruxas e precisa descobrir quais são as reais intenções delas: as personagens de Weisz (de O Legado Bourne, 2012), Kunis (de Ted, 2012) e Williams (de Sete Dias com Marilyn, 2011). Claro que teremos algumas lições de moral, mas elas vêm no meio de situações divertidas, o que normalmente é tachado de “entretenimento para a família”. Este rótulo normalmente tem uma conotação negativa, mas não é o caso.

No quesito personagens, Oz, o principal, é sempre um canastrão propositalmente. Franco precisava de um pouco mais de charme para convencer, mas não causa nenhum embaraço. As três atrizes cumprem bem as suas obrigações, indo até onde o roteiro permite, já que as bruxas não têm muita profundidade. Não se desenvolve o histórico delas, com apenas algumas informações jogadas no ar. Quem rouba a cena são os Oz the Great and Powerful Finley Chinacoadjuvantes não-humanos, que curiosamente parecem ter mais emoções que qualquer outro. O macaquinho alado e a menininha de porcelana são ótimos e respondem por momentos engraçados e ternos, com boas dublagens de Zach Braff (da série Scrubs) e Joey King (vista em Batman Ressurge, 2012). E tratando-se de um filme de Raimi, não podiam faltar pontas de seu irmão, Ted Raimi, e de seu amigo de infância, Bruce Campbell.

O sucesso nas bilheterias pelo mundo tem sido maior que os executivos da Disney poderiam prever, apesar de ser o que torciam para acontecer. Foram US$ 80 milhões arrecadados na estreia na América do Norte, somados aos US$ 69.9 milhões de outros 46 países, o que dá um ótimo resultado. Mas os críticos andam bem desanimados, acusando o longa de sofrer de falta de criatividade, mágica, carisma, sensibilidade. As comparações, claro, não são muito justas, já que o original é amado pelo público há sete décadas, e o fato é que Oz tem muitos méritos. Raimi parece se inspirar no colega Tim Burton e lembra muito Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, 2010), longa que ganhou Oscars nas categorias de Direção de Arte e Figurinos. O humor é bem ingênuo, o tom é de fábula e há conveniências apenas para fazer com que a história se resolva – a manipulação é palpável. Este é o grande defeito: a sensação de que tudo foi feito milimetricamente para casar com o longa de 39 e agradar. Pode não ser algo inovador ou espetacular, o que para muitos já é pecado o suficiente, mas não deixa de ser satisfatório. E, como bônus, ainda dá vontade de assistir ao original.

Oz the Great and Powerful witches

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