Heloísa Perissé é o tio Patinhas brasileiro

por Marcelo Seabra

Odeio Dia dos Namorados poster

Charles Dickens publicou seu clássico Um Conto de Natal em dezembro de 1843 e, desde então, inúmeras adaptações, assumidas como tal ou não, já ganharam as telas. O velho Ebenezer Scrooge é tão marcante que virou sinônimo de sovina e mal humorado, e deu origem ao tio Patinhas da Disney. Pois agora temos uma versão nacional de Scrooge: a personagem de Heloísa Perissé em Odeio o Dia dos Namorados (2013). Trata-se de mais uma comédia da famigerada dupla Roberto Santucci e Paulo Cursino, diretor e roteirista dos sucessos de público e fracassos de crítica De Pernas pro Ar 1 e 2 (2010 e 2012) e Até que a Sorte os Separe (2012). Como pode-se perceber, um ritmo de produção intenso.

Mais uma vez, a protagonista é uma publicitária viciada em trabalho que tem problemas em sua vida pessoal por não conseguir dosar as coisas (como em De Pernas). No caso dessa Débora de Perissé, ela praticamente não tem vida pessoal nenhuma, tamanha é a sua dedicação à agência. E ninguém aguentaria muito tempo perto dela, já que o roteiro faz questão de taxá-la de insuportável, grossa e todos os defeitos mais que pudermos pensar. E ela sempre foi assim, como podemos conferir na versão mais jovem. E essa personalidade chata (nos dois sentidos) é o principal defeito do longa, entre tantos. Perissé compõe uma mulher sem a mínima graça ou apelo, tornando difícil aceitar que alguém pudesse amá-la.

Odeio Dia dos Namorados cena

Quando conhecemos Débora, há 15 anos atrás, ela está em um imbróglio romântico (que prevê um famoso pedido de casamento que virou mania pelo mundo) com o Heitor de Daniel Boaventura. Pulamos no tempo e ela, agora poderosa na agência, pisa em todos apenas porque pode. Numa daquelas jogadas de Cinema, num acidente de carro bem feito, ela revê o amigo falecido Gilberto (Marcelo Saback), que serve como guia por vários momentos da vida da moça para provar a ela o quanto sua vida é terrível e que ela precisa mudar de atitude urgentemente. É então que cabem várias piadas com os vergonhosos anos 80, quando as roupas e cabelos eram ridículos e os Menudos faziam grande sucesso entre a rapaziada. Todas são devidamente explicadas, caso o público seja mais novo e não capte. Isso, inclusive, é recorrente no roteiro: os diálogos são bastante expositivos. Santucci e Cursino estão longe de acreditar em seus espectadores.

Para a sorte de Perissé, parte do elenco foi bem escolhida e alguns atores se mostram bem à vontade, mesmo quando a tarefa não é das melhores. Daniel Boaventura, por exemplo, desperdiça seu carisma em um herói bobinho e faz o que pode com o pouco que lhe cabe. Já Saback, como o espírito gay, mantém a compostura e se diverte com tiradas inspiradas e um humor ferino. Danielle Winits e MV Bill, no núcleo “delegacia”, conseguem arrancar uns risos, e até o usualmente chatinho André Mattos consegue se sair bem com seus dois minutos em cena. Fernando Caruso, com aqueles olhos esbugalhados, nem precisa falar nada para ser engraçado. E a eterna “Confissões de Adolescente” Daniele Valente, que já mostrou sua falta de talento na TV, comprova o que já sabíamos no Cinema.

Devido aos bons momentos ocasionais e à disposição do elenco de entrar de cabeça nas roubadas que o texto propõe, Odeio o Dia dos Namorados consegue ser melhor que os trabalhos anteriores da dupla de criadores. Se De Pernas 2 e Até que a Sorte foram campeões de público, imagine o estrago que este poderá fazer a partir desta sexta. O resultado é bem mais simpático que, inclusive, outras comédias nacionais que andaram envergonhando por aí, como aquele Agamenon (2011) horroroso e o besta E Aí, Comeu? (2012). Será que isso significa que Santucci e Cursino podem ter começado a ter um pouco mais de critério? Acho difícil, mas esperemos pelas cenas do próximo capítulo.

O elenco principal dá a cara a tapa

O elenco principal dá a cara a tapa

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Robert Redford convoca um ótimo elenco

por Marcelo Seabra

The Company You Keep

Ser um artista da magnitude de Robert Redford tem suas vantagens. Além de poder trabalhar no material que quiser, trabalhar com quem escolher. Ou nem precisar escolher muito e colocar logo todo mundo. O elenco de Sem Proteção (The Company You Keep, 2012), encabeçado pelo próprio ator, diretor e produtor, traz diversos nomes que já valem o ingresso. E isso é ótimo para o longa, porque se a venda de ingressos fosse depender do roteiro, não se chegaria muito longe.

The Company You Keep SarandonO inofensivo Shia LaBeouf (de Os Infratores, 2012) vive um jornalista levado a investigar a prisão de uma dona de casa pacata (Susan Sarandon, de O Acordo, 2013 – ao lado) identificada como uma terrorista que, há 30 anos, se envolveu num assalto e deixou uma vítima fatal. A turma dela vem sendo procurada, mas as identidades trocadas deixaram tudo mais difícil para o FBI, equipe que parece meio burrinha e está sempre atrás do protagonista. Muito facilmente, Ben chega ao advogado Jim Grant (Redford), que de cara sabemos esconder alguma coisa. Grant provavelmente vinha prevendo esse momento, já que tinha todo um plano de fuga traçado. Nesse momento, a trama sai correndo junto e passamos a ter três núcleos: Grant e todas as pessoas que ele procura; Ben e as outras peças do quebra-cabeça; e os agentes do FBI resumidos em Anna Kendrick (de Marcados para Morrer, 2012) e Terrence Howard (de Na Estrada, 2012).

Baseado no livro de Neil Gordon, o roteiro de Lem Dobbs (de A Toda Prova, 2011) não tem surpresas e não torna as coisas interessantes, apenas vai envolvendo mais personagens até chegar a um final anticlimático, aborrecido e convencional. Por melhor que sejam os atores, nada salva uma conclusão que joga tudo o que vimos antes por terra. Redford parece se contentar com pouco e desperdiça a oportunidade de atingir algo grandioso, não saindo do mediano – para não dizer abaixo da média.

La Beouf já mostrou não dar conta de segurar um filme sozinho, e parece sempre estar tentando ser algo que não é. Para compensar, Redford chama companhia como Brendan Gleeson, Richard Jenkins, Chris Cooper, Stanley Tucci, Julie Christie, Nick Nolte, Sam Elliot e Stephen Root. Com tanta gente na tela, não dá para desenvolver muita coisa, e eles se resumem a citar algo importante em um diálogo expositivo para que o público possa acompanhar. Seja em um campo aberto ou em uma casinha numa vizinhança como outra qualquer, Grant parece estar sempre desprotegido, a um passo da captura, como o título nacional indica. E nenhum desses grandes nomes pode ajudá-lo a salvar o filme da mesmice.

O FBI tenta segurar o jornalista, que parece bem mais competente

O FBI tenta segurar o jornalista, que descobre muito mais que eles

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Novo Star Trek vai aonde nenhum episódio jamais esteve

por Marcelo Seabra

Star Trek Into Darkness poster

Depois de revigorar a série Star Trek com o longa de 2009, o diretor/Midas J.J. Abrams seguiu em frente com uma história mais sombria e um vilão bem mais interessante, e conseguiu o que sempre se espera, mas raramente se consegue: uma sequência superior ao original. Além da Escuridão – Star Trek (Star Trek Into Darkness, 2013) chega aos cinemas colecionando críticas positivas e reunindo uma quantia considerável nas bilheterias, que em breve deve cobrir os US$ 190 milhões gastos. A estreia oficial no Brasil é só em 14 de junho, mas várias sessões estão sendo exibidas em caráter de pré-estreia.

Realizadores já consagrados sempre dizem que só farão uma continuação para suas obras se tiverem uma história adequada, que acrescente algo ao universo que criaram. Para isso, Roberto Orci e Alex Kurtzman tiveram uma mão de Damon Lindelof (de Prometheus, 2012) e os três chegaram no ponto de animar Abrams a assumir o comando novamente. Outro que volta é o compositor Michael Giacchino, que apresenta uma trilha grandiosa e adequada. O mesmo elenco foi reunido e algumas adições trouxeram sangue novo à Enterprise. Como o misterioso John Harrison, Benedict Cumberbatch (da série Sherlock – abaixo) rouba a cena e cria um vilão com conteúdo suficiente para ter o interesse do público – e para entrar para a história da série. Chegam também Peter Weller (eternamente lembrado como Robocop) e Alice Eve (de O Corvo, 2012), ambos com personagens relevantes.

Into Darkness Cumberbatch

Como de costume em filmes de ação (a franquia James Bond é um ótimo exemplo), a projeção começa com a equipe da famosa nave em meio a uma missão para, em seguida, retornar ao lar para aguardar por uma nova tarefa. Um ataque terrorista a uma sede da Frota Estelar garante a Kirk (Chris Pine), Spock (Zachary Quinto), Uhura (Zoe Saldana) e companhia um destino certo: um planeta dominado pelos bélicos klingons na caça do exército de um homem só, Harrison. Repetem seus papéis Karl Urban (Bones McCoy, ou Magro), John Cho (Sulu), Simon Pegg (Scotty), Anton Yelchin (Chekov) e Bruce Greenwood (Capitão Pike). É importante ressaltar que não é necessário ser um fã da criação de Gene Roddenberry para acompanhar o filme, basta encostar e aproveitar. Isso, apesar de um 3D desnecessário e confuso.

Assim como foi com O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008), Além da Escuridão não precisa mais apresentar os personagens e pode ir direto ao assunto. Os membros principais da tripulação têm importância e tempo em cena similares, não deixando o peso apenas em um deles, e a ação é incessante. Por trás do ritmo frenético, intrigas políticas criam a motivação para a trama, o que distancia os universos de Star Trek e do próximo trabalho de Abrams, Star Wars, que fica naquela eterna – e divertida também – disputa entre rebeldes e Império. O público só tem a ganhar com o diretor à frente dos dois, um nerd dos bons que sabe o que fazer com o material e não se preocupa em ser tão reverente, mesmo respeitando a mitologia pré-existente e dando alguns afagos aos fãs, com elementos antigos modernizados e bem colocados.

Kirk segue à frente da equipe da Enterprise

Kirk segue à frente da equipe da Enterprise

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Terceira parte encerra as aventuras do bando de lobos

por Marcelo Seabra

The Hangover 3

Tudo começou em 2009, com um bando de amigos querendo comemorar o casamento de um deles. Uma droga depois e eles precisam refazer o caminho percorrido para lembrarem o que houve e onde foi parar um deles, que está desaparecido. Em 2011, é outro quem vai se casar, a despedida é num país exótico, a Tailândia, mas a história é a mesma, só o nível de apelação é bem mais alto. Para fechar a “saga”, mais dois anos de intervalo e temos Se Beber, Não Case! Parte III (The Hangover Part III, 2013). Este último episódio não chega perto da inovação e criatividade que o primeiro representou, mas fica bem longe da ruindade do segundo, que bate recordes de mau gosto.

The Hangover 3 Chow AlanHoje, com os atores bem mais conhecidos que em 2009, o longa deve chamar mais a atenção do público, o que pode levar muitos à descoberta tardia do primeiro, o que é bom. Pena que a curiosidade vai acabar esbarrando no segundo, o que é uma pena. Como acontece na “trilogia do segredo”, com Danny Ocean e sua turma, o fundo do poço está no meio. Esta terceira parte consegue ter seus bons momentos, mesmo que não inove em nada. A grande atração, o mimado e louco Alan (Zach Galifianakis), vai muito mais longe em termos de falta completa de traquejo social e de noção, de uma forma geral. E ele não está sozinho: é maior a participação do Sr. Leslie Chow (Ken Jeong), o traficante tresloucado das outras aventuras. Cavou-se uma ponta solta no primeiro filme para que este terceiro pudesse existir e para que a turma toda pudesse se reunir.

Dessa vez, os três “adultos” do “bando de lobos” (como eles se chamam) são convocados para acompanharem Alan a uma clínica em outro estado para uma longa temporada. Doug (Justin Bartha) é o cunhado que sempre some, e Phil (Bradley Cooper) e Stu (Ed Helms) são os responsáveis por conduzir a trama. Numa participação especial, John Goodman (de O Voo, 2012) rouba algumas cenas, e Heather Graham volta como a ex-prostituta Jade, agora uma pacata dona de casa. Melissa McCarthy, aquela aberração de Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids, 2011), aparece mais contida, e não chega a comprometer – como ela faz normalmente.

A trilha sonora, apesar de não muito original (como nada no longa), é bem interessante e funciona nos momentos que pontua. Músicas como Everybody’s Talkin’ (com Nilsson), I Got a Name (Jim Croce), N.I.B. (Black Sabbath) e Evil Ways (Santana), para não mencionar A Garota de Ipanema, sempre aparecem no Cinema, o que não tira o valor delas. Billy Joel tem uma “importância” maior, duas canções são citadas (My Life e The Stranger) e até um show histórico serve como mote para uma conversa romântica. Mr. Chow cantando Hurt, do Nine Inch Nails (e regravada por Johnny Cash), é engraçadinho. Também é necessário cobrir cenas mais bobas, e temos MMMBop, dos Hanson, para isso.

Pensando no hilário Dias Incríveis (Old School, 2003), era de se esperar mais do diretor, produtor e roteirista Todd Phillips. Mas, pensando melhor, os trabalhos ruins superam os bons, como é o caso de bobagens como Escola de Idiotas (School for Scoundrels, 2006), Caindo na Estrada (Road Trip, 2000) e o próprio Se Beber II. Por esse ângulo, essa parte III é até boa, ou ao menos poderia ter sido bem pior. Vamos aguardar para ver se a trilogia se encerra aqui mesmo ou se alguém não vai resistir e inventar uma nova desculpa esfarrapada para reunir o bando de lobos.

Depois de três longas, é o fim

Depois de três longas, é o fim

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Somos Tão Jovens merece continuação

por Orozimbo Souza Júnior

Legião

Fãs da banda Legião Urbana, iguais a mim, são pessoas chatas, exigentes, possessivas, etc. Nunca se dão por satisfeitos quando o assunto envolve o grupo musical que, de Brasília, ganhou projeção nacional e internacional. Para os “legionários”, vale aquela frase de uma das músicas mais famosas do conjunto: “O que é demais nunca é o bastante”. E é com esse sentimento que muitos estão após assistirem ao filme Somos Tão Jovens (2013), que faz um recorte da trajetória dos músicos nos primeiros de carreira, lá pelos idos de final dos anos 70, início dos 80.

Thiago Mendonça“O filme é muito bom, mas eu esperava mais”, é uma frase recorrente nesses primeiros dias de exibição do longa que já bateu a casa de um milhão de espectadores. De fato, a produção tem muitos pontos a serem destacados, a começar pela atuação de Thiago Mendonça (ao lado), que interpreta Renato Russo. O ator dá show (sem trocadilhos). Há, ainda, vários momentos emocionantes no filme, os quais evito antecipar para não estragar a graça de quem ainda não assistiu. Os que têm algum conhecimento sobre o que acontecia na cena musical brasiliense daquela época sabem que há muitas e ricas histórias a serem exploradas. Por isso, o “gosto de quero mais” é reforçado.

Por outro lado, ao fazermos um exercício de imaginação, é possível entender a dificuldade em se fazer um recorte de poucas horas sobre anos tão ricos em história. Seguramente, os produtores e roteiristas do filme tiveram muito trabalho para retratarem o máximo de fatos. Um exemplo é a “condensação” de várias amigas e namoradas de Renato Russo em uma única pessoa. Gente próxima ao cantor diz que a personagem Aninha (Laila Zaid) fez o papel de umas cinco garotas que conviveram com o líder da banda.

Então, como saciar o desejo de “quero mais” dos milhões de fãs? Uma simples e óbvia sugestão é que o longa tenha continuação. Há muito o que se explorar entre os anos de 1985 (quando a banda estourou no cenário musical brasileiro) e 1996 (quando chegou ao fim, com a morte de seu líder). Sabe-se que nesse período, curto é bem verdade, os músicos enfrentaram situações das mais diversas. Desde a fama meteórica, com milhões de discos vendidos, até momentos de brigas sérias, que quase culminaram com o fim do grupo.

Os seguidores da Legião gostariam de ver retratados em tela os conturbados e lotados shows do grupo, as atribuladas relações afetivas de Renato Russo, além de seus problemas Renato Rochacom álcool e drogas, até para entenderem melhor o que se passa com uma pessoa tão brilhante que (quase) sucumbe diante de tais situações. Muita gente não entende como um dos músicos (Renato Rocha – ao lado) deixou o grupo do auge do sucesso. Há ainda muito mistério em torno dos repentinos sumiços do grupo da mídia, os quais Renato Russo até já justificara: “só aparecemos em público quando temos o que dizer”. Mas será que era isso mesmo?

Há registros de confusões e brigas em shows, tanto na plateia quanto no palco. Seria interessante saber o que de fato ocorreu nessas ocasiões. Isso para não falar do drama vivido pelo músico, desde que soube de sua doença, até seus derradeiros dias de vida. Os últimos e melancólicos discos da banda (A Tempestade e Uma Outra Estação) tiveram fatos ainda desconhecidos por muita gente. Em algumas músicas, nota-se claramente como a saúde de Renato Russo estava debilitada. Sua poderosa voz quase não sai em muitas canções. Isso para não falar que houve música que chegou a ser gravada somente na parte instrumental, porque ele já não tinha forças para cantar.

Recentemente, soube de uma passagem revelada pelo músico Carlos Trilha, que acompanhou a banda por vários anos. Ele disse que a certa altura da gravação dos últimos discos, Russo estava impaciente e mal humorado. Certa feita, teria chegado aos estúdios de gravação e reclamado de tudo. Trilha assim o respondeu: “Pois é, né, senhor Renato Russo. Nós estamos aqui dando duro todos os dias e você quase não aparece. Quando o faz, vem reclamar”. A resposta, que segundo Carlos Trilha dói até hoje, foi a seguinte: “Você não entende, não é? Eu estou doente, estou morrendo”. Em seguida, ambos se abraçaram e choraram. Fico arrepiado só em imaginar uma cena dessas no cinema. Por isso, endosso o coro: “quero mais”.

Renato Russo

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João de Santo Cristo finalmente chega aos cinemas

por Marcelo Seabra

Faroeste Cabloco posterDepois de anos de falatório a respeito de uma possível adaptação da música Faroeste Caboclo para o Cinema, alguém resolveu colocar as mãos na massa. Coube ao publicitário René Sampaio fazer sua estreia em um longa metragem, com a árdua tarefa de levar às telas as aventuras de João de Santo Cristo, personagem imortalizado na longa letra de Renato Russo, lançada no terceiro disco da Legião Urbana, em 1987. Para o elenco, foram chamados dois atores praticamente desconhecidos e uma estrela da televisão fazendo sua estreia na tela grande, todos muito bem escolhidos.

Para viver João, Fabrício Boliveira (o Marreco do segundo Tropa de Elite, 2010) aceitou a missão e a cumpriu a contento, criando um personagem tridimensional e crível. Seu rival, Jeremias, fica com Felipe Abib (de Vai que Dá Certo, 2013), que abusa um pouco do histrionismo, mas nem por isso sai da medida. É um playboy com as costas quentes, traficante filho de militar. A mocinha, descrita na música como uma menina linda que faria um homem se arrepender de seus pecados, foi de presente para Isis Valverde, e é quem acaba tendo mais trabalho. Sua Maria Lúcia é a pobre menina rica típica, com pai senador e em eterna crise de depressão. Suas razões e motivações permanecem desconhecidas, e a atriz precisa tirar leite de pedra. O uruguaio César Troncoso, atualmente na novela das seis, é o primo Pablo, presença forte responsável por bons momentos. O elenco ainda conta com o falecido Marcos Paulo, em seu último trabalho, uma ponta como o tal senador.

A maior tarefa da produção seria preencher os buracos que Renato Russo sabiamente deixou. Afinal, a ele importava contar uma história rápida, em música, e alguns detalhes importantes foram deixados de lado. Para dar liga, muito teve que ser inventado e alguns personagens foram criados, caso do policial corrupto vivido por Antônio Calloni. Escrito a seis mãos (Marcos Bernstein, José de Carvalho e Victor Atherino), o roteiro vai e volta no tempo, usando bons flashbacks para explorar a letra ao máximo, até para explicar ações do protagonista. Para os fãs da Legião, nenhuma surpresa quanto ao conteúdo, mas a forma de contar é bem interessante. A cena do rock de Brasília serve como pano de fundo para a trama, ambientada na capital nos anos 80, e bandas como a própria Legião embalavam as festinhas, além do punk rock que vinha de fora.

Faroeste Cabloco casal

A relação entre Maria Lúcia e Santo Cristo, como João fica conhecido, é praticamente um exemplo do que é a síndrome de Estocolmo, já que ele entra na vida da menina como um criminoso que a mantém refém. Isso é um mérito do filme: João não é um coitadinho, nada é amenizado. Ele consegue buscar oportunidades, mas a vida no crime é mais rentável e atraente. Não colocar panos quentes, evitando ter um herói romântico, é uma decisão corajosa e honra a letra de Renato, que imaginou um faroeste moderno, na poeira de Brasília, com uma boa dose de violência. Belas imagens pontuam a produção, inclusive com algumas sacadas interessantes, como o fundo branco de incertezas que espera por Maria Lúcia em certo momento.

Diz-se que Renato compôs Faroeste Caboclo aos 18 anos, gravando-a alguns anos depois. Qualquer que seja a verdade, é fato que a música merecia essa adaptação há muito tempo. Mas fazer Cinema no Brasil é complicado, rala-se para conseguir um orçamento de R$ 6 milhões. A falta de grana para finalização adiou a estreia da produção de outubro de 2012 para 30 de maio de 2013, o que acabou coincidindo com a chegada de outro longa inspirado pelo cantor e compositor, Somos Tão Jovens (2013), que visita seus anos de formação (e também conta com Bernstein e Atherino). E teve também um ótimo documentário recentemente sobre a chamada “turma da colina”: Rock Brasília (2011). Renato Russo nunca esteve tão atual, 17 anos depois de sua morte.

A gangue de Jeremias vai caçar João

A gangue de Jeremias vai caçar João

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Nelson Rodrigues chega ao século XXI

por Marcelo Seabra

Bonitinha Mas Ordinaria

“O mineiro só é solidário no câncer”. Esta frase, que denuncia a crueza do mundo, foi atribuída a Otto Lara Resende pelo colega Nelson Rodrigues, e acabou marcando uma das mais célebres histórias de Rodrigues, chamada propositalmente de Otto Lara Resende ou Bonitinha, Mas Ordinária. A peça acabou ganhando os teatros e, logo depois, chegou ao Cinema. A primeira adaptação foi em 1963, com Jece Valadão e Odete Lara, e seguiu-se uma segunda, em 1980, com Lucélia Santos, José Wilker e Vera Fischer. Em 2013, modernizada, a história está nas telas novamente, com a famigerada dupla Diler Trindade, o produtor, e Moacyr Góes, o diretor.

Para o papel principal dessa nova adaptação, foi convocado o ótimo João Miguel, visto recentemente em À Beira do Caminho (2012). Ele vive o mineiro Edgard, um sujeito humilde que recebe uma estranha proposta: se casar com uma menina bonita, de boa família, e ter todos os benefícios que viriam disso. Cabe a Peixoto (Leon Góes, habitué nos filmes do irmão), superior de Edgard no trabalho, fazer a proposta e convencê-lo das vantagens de deixar os escrúpulos de lado e garantir seu futuro, como o próprio Peixoto fez. A menina em questão é filha de ninguém menos que Dr. Werneck (Gracindo Jr., de Tainá 3, 2011), o milionário e imoral dono da empresa.

Bonitinha Mas Ordinaria casal

A frase de Otto Lara fica na cabeça de Edgard, que por ela entende que o todo mundo é inescrupuloso e com ele não seria diferente. Aceitar se casar com Maria Cecília (Letícia Colin, de Amor?, 2011) seria abrir mão de sua liberdade e arriscar passar o resto da vida à sombra dos Werneck, como capacho do doutor. A menina foi estuprada por cinco negros e, para evitar um escândalo na alta sociedade, a mãe decide preparar esse casamento. Cecília escolhe Edgard, que já trabalha para o pai há 11 anos, e ele fica indeciso entre a segurança do dinheiro e o amor à vizinha, a batalhadora Ritinha (Leandra Leal, de Boca, 2010).

A história tem inconsistências que podem incomodar. De início, já é de se estranhar por que um milionário inconseqüente não pagou profissionais para castigarem os estupradores da filha. Uma certa dose de racismo é observada, já que o problema parece ser maior porque os estupradores eram negros. Claro que tirar a trama dos anos 50 e jogá-la nos dias de hoje traria alguns problemas que precisariam ser tratados. Mas a base da peça é a honra da menina estuprada, que seria restaurada com um casamento imediato. Hoje, isso só se justificaria nos grotões brabos do interior do país, e não no Rio de Janeiro. Se a premissa é difícil de aceitar, o que vem pela frente já é recebido com um pé atrás. E Nelson Rodrigues pode até tratar de temas atemporais, mas para abordá-los ele usa costumes de uma época que não permitem uma transposição adequada. Ao contrário de Shakespeare, com quem isso tem sido feito há um bom tempo (exemplo aqui).

A jovem e desconhecida Letícia Colin tem sua boa aparência apropriada por Góes, como fez Bertolucci em Beleza Roubada (Stealing Beauty, 1996), e constrói uma figura imaculada. Ela mantém o alto nível do elenco – João Miguel inclusive ganhou o prêmio de Melhor Ator no Cine PE 2013 – e é uma atriz que valerá a pena acompanhar. Ao contrário das produções anteriores, o Bonitinha, Mas Ordinária de 2013 não é uma pornochanchada e não tem desfiles de mulheres peladas, a nudez é bem discreta – algumas cenas não poderiam faltar, tratando-se de Rodrigues. Ainda mais em comparação com Lucélia Santos na versão de 1980. Isso é até previsível, sabendo-se que a dupla Góes e Diler está por trás de filmes da Xuxa e do Padre Marcelo. Mesmo sem tanta ousadia e com o anacronismo, dá para se divertir.

Letícia Colin e Leandra Leal, as estrelas da produção

Letícia Colin e Leandra Leal, as estrelas da produção

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Locadoras reservam boas novidades

por Marcelo Seabra

10 Years banner

Reuniões de ex-colegas de escola são assunto em vários filmes, uns mais bem sucedidos que outros. Aquela atrocidade chamada Gente Grande (Grown Ups, 2010) é exemplo de como fazer errado – e ainda vai ganhar uma sequência esse ano. Disponível nas locadoras com bastante atraso, 10 Anos de Pura Amizade (10 Years, 2011) é uma obra divertida, que apresenta rapidamente um número enorme de personagens e, mesmo assim, eles se mostram simpáticos e cativantes.

Channing Tatum (de Magic Mike, 2012) encabeça o elenco, que conta ainda com a esposa dele, Jenna Dewan-Tatum, além de Rosario Dawson, Oscar Isaac, Kate Mara, Justin Long, Brian Geraghty, Lynn Collins, Anthony Mackie, Chris Pratt, Max Minghella e Ron Livingston, entre muitos outros. São todos colegas de colégio (e seus agregados) que se reencontram 10 anos depois, na cidadezinha onde moravam. O longa é bem objetivo, começando com o grupo se formando e se preparando para a festa.

10 Years couple

É interessante ver, uma década depois, essas pessoas tão diferentes, que conviveram devido a um fator geográfico, tentando reatar alguma amizade. Claro que alguns mantiveram contato, mas a maioria não tinha notícias uns dos outros. Daí, aparecem surpresas, como quem se casou, quem teve filho, quem se deu bem na profissão e quem vende hipotecas. Há até um músico de sucesso na turma (Isaac), que acaba chamando bastante atenção em meio aos demais. O foco da história, escrita por Jamie Linden (de Querido John, 2010), é o personagem de Tatum, um sujeito que vive esperando o momento certo para levar a relação com a namorada (Dewan-Tatum) adiante, talvez por insegurança quanto a uma antiga paixão (Dawson – acima). Linden estreia na direção com a obra.

Welcome to the Punch posterOutro destaque no mercado de homevideo é um policial direto e com estilo na medida certa. Inimigos de Sangue (Welcome to the Punch, 2013) não é exatamente original, mas é bem atuado e amarrado o suficiente para chamar mais atenção que os genéricos que chegam aos quilos nas locadoras. Tudo bem que o título nacional não faz sentido, mas o original se mostra uma escolha acertada. Sem espetáculos pirotécnicos, o diretor e roteirista Eran Creevy realiza um típico longa policial britânico, longe do humor de Guy Ritchie, bem mais cru, violento e realista.

Nos papéis principais, James McAvoy (de Em Transe, 2013) e Mark Strong (de A Hora Mais Escura, 2012) se equilibram bem em extremos. Strong vive mais um vilão, um traficante e assaltante que se vê obrigado a voltar a Londres para ajudar o filho. O jovem meliante aparece ferido, vai para o hospital e uma conspiração começa a se revelar. Cabe ao detetive de McAvoy aproveitar a oportunidade para prender Sternwood, o mesmo homem que o deixou manco após uma perseguição três anos antes. É claro que eles se verão peças em um tabuleiro bem maior.

Welcome to the Punch

O íntegro e obstinado Max Lewinsky poderia ter sido retratado como um zé ninguém obcecado, como ele mesmo se descreve, mas McAvoy consegue dar dimensões a ele, inclusive abrindo um pouco de sua vida pessoal. O mesmo pode-se dizer de Strong, que compõe um criminoso com valores e sentimentos, como fica claro quando se fala do filho dele. Andrea Riseborough, vista esse ano em Oblivion, também merece aplausos como a parceira de Lewinsky, e o elenco principal fica completo com David Morrissey (o Governador de The Walking Dead), como o chefe da dupla, e Peter Mullan (de Cavalo de Guerra, 2011), o comparsa de Sternwood.

Creevy, em seu segundo trabalho (depois do inédito Shifty, de 2008), mostra ter um bom domínio da narrativa e não perde o foco da trama, mesmo envolvendo política e politicagem. Em nenhum momento o público se perde, o que torna possível acompanhar Lewinsky em sua investigação e até antecipar alguns momentos. A chuva de tiros vai divertir e acobertar uns furos aqui e ali e o resultado, apesar de esquecível pouco tempo depois, é honesto e respeita a inteligência do espectador.

O diretor orienta seus astros

O diretor orienta seus astros

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Leatherface chega ao mundo das 3 dimensões

por Marcelo Seabra

Texas Chainsaw 3D

Em 1974, Tobe Hooper dirigiu um filme de terror marcante e estamos pagando por isso até hoje. O Massacre da Serra Elétrica 3D – A Lenda Continua (Texas Chainsaw 3D, 2013) é tão ruim quanto seu título nacional apelativo indica e pretende ser a sequência direta para o original, apesar de parecer um remake atualizado. Não é bem necessário ter assistido a um para conferir o outro, este tipo de filme é auto-explicativo. A história, claro, é bem simples: grupo de jovens vai arrumar uma desculpa para ser estraçalhado pelo louco de plantão. E o vilão é ninguém menos que o icônico Leatherface, agora em 3D. Não que faça alguma diferença.

Sexo e violência seguem sendo os ingredientes principais dessa subdivisão sangrenta do gênero terror. Mais o segundo que o primeiro, na verdade. Sangue e vísceras não faltam, além da malfadada serra elétrica. A família, agora chamada de Sawyer (ao contrário da refilmagem de 2003, que os chamava de Hewitt), tem hábitos alimentares bem estranhos, e o jovem deficiente mental Jed é o principal entusiasta da caça a seres humanos para o jantar. Anos depois dos habitantes da cidade terem se vingado dos Sawyers, uma garota descobre ter sido adotada e recebe, como herança, uma mansão no meio do mato da cidadezinha do interior do Texas. Aquela com o matadouro ao lado, velha conhecida dos fãs do original.

Texas Chainsaw 3D Alexandra

Massacre 3D usa elementos de outras séries duradouras, como o fato de Leatherface ser um gigante descontrolado com a mente de uma criança, como Jason, e a importância dos laços de família, como Michael Myers. Mas deixa vários buracos no meio, a começar pela protagonista, vivida pela insípida Alexandra Daddario (de Passe Livre, 2011 – acima). Se ela foi adotada e nunca soube de sua história, como a falecida sabia para quem deixar a casa? E se Leatherface vive trancado na casa, quem o alimentou após a morte da avó? Estes são alguns exemplos, além de exageros como uma simples derrapagem que deixa o veículo de rodas para cima e uns arquivos que são convenientemente deixados em uma mesa para que sejam descobertos. E o que há com a blusa de Daddario, que insiste em se abrir – e nunca revela nada?

Sustos fáceis permeiam toda a produção. A baixa qualidade dos diálogos pode ser atribuída à capacidade intelectual dos personagens, um bando de caipiras estereotipados e estúpidos. Ou à falta de criatividade de seus quatro roteiristas, nenhum digno de nota, ou de seu diretor, um tal John Luessenhop (de Ladrões, 2010). Os realizadores de obras vazias como esta parecem acreditar que basta um final impactante para salvar o dia e deixar uma boa impressão. Invariavelmente, eles entregam algo sem sentido, que força a barra e deixa o público com mais raiva ainda. Como curiosidade, temos a participação de atores do clássico, como Gunnar Hansen e Marilyn Burns. Mas isso nem de longe faz valer o ingresso.

Eis o Leatherface original, de 74, vivido por Gunnar Hansen

Eis o Leatherface original, de 74, vivido por Gunnar Hansen

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Terapia de Risco seria uma boa despedida

por Marcelo Seabra

Side Effects

Em seu possível último filme para o cinema (será mesmo?), Steven Soderbergh resolveu focar na indústria farmacêutica. Mas ao invés de fazer um longa político, com ataques filosóficos, ele partiu para uma trama engenhosa de suspense, sem tentar enganar o público. O resultado é Terapia de Risco (Side Effects, 2013), terceira parceria do diretor com o roteirista Scottt Z. Burns (de O Desinformante e Contágio) que traz bons nomes no elenco e um resultado bem interessante.

Com uma carreira bem movimentada nos últimos anos, Soderbergh anunciou em 2010 que já tinha planos de parar, e seria bem agora. Ao menos, com Cinema, já que parece ter se cansado de lidar com os orçamentos gigantescos necessários atualmente e com a expectativa de lucro que eles geram. Seu projeto seguinte, Behind the Candelabra (2013), estreia este mês na HBO americana e já foi bem recebido em Cannes. Parece que o diretor vai passar a trabalhar na TV, comandando uma série, talvez. Em entrevistas, ele diz que pretende comandar uma temporada inteira, só não se sabe do que.

Side Effects couple

Em Terapia de Risco, ele traz como protagonista Rooney Mara, a bonitinha que convenceu a todos como a hacker esquisita de Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres (2011). Ela vive Emily, a jovem esposa de um executivo do mercado financeiro que amargou quatro anos de cadeia por lidar com informação privilegiada. Quando Martin (Channing Tatum, de Magic Mike, 2012) volta para casa, parece que tudo vai ficar bem, mas é aí que a depressão bate mais forte e Emily precisa de um acompanhamento com o Dr. Banks (Jude Law, também de Contágio). Entre as várias atividades de sua rotina corrida, Banks decide tratar de Emily e usa uma droga nova, apesar dos efeitos colaterais que ela possa ter.

No elenco, Mara é realmente o grande destaque. Ela convence como uma vítima do “mal do século” e as coisas vão tomando um rumo que nos faz nos preocupar com ela, que realmente parece estar em risco. À medida que a ação vai se desenrolando, novos e inesperados conflitos se apresentam. Em determinados momentos, não parece mais o mesmo filme que passava há minutos. Law, como o psiquiatra obcecado pelo caso da paciente, usa sua habitual fleuma britânica, que geralmente funciona e aqui não é diferente. Tatum, o muso atual de Soderbergh, não tem muito o que fazer, se resignando ao papel de marido. Completando o quadro, há uma Catherine Zeta-Jones (de Rock of Ages, 2012) no piloto automático que não fede nem cheira.

Ninguém realmente acredita que Soderbergh vai deixar o Cinema de vez e se dedicar exclusivamente à pintura e à TV. Mas ele pretende mesmo dar uma pausa, já que concluiu o último de seus projetos pendentes. Se Terapia de Risco for o derradeiro, terá sido uma boa hora para parar: por cima. E o público só terá a lamentar.

Side Effects Law

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