A cidade de Batman ganha série de TV

por Rodrigo “Piolho” Monteiro

Gotham

Todo fã de quadrinhos sabe que Gotham City não é simplesmente a principal base de atuação de Batman. Gotham, com sua arquitetura gótica, suas vielas escuras, sua criminalidade e seus mantenedores da lei é um personagem tão importante para a mitologia do Homem Morcego quanto o Robin ou o Coringa. E são a cidade e, especialmente, seu departamento de polícia, as estrelas da série Gotham que teve sua estreia no dia 22 de setembro nos EUA e chegou às telas brasileiras no dia 29 do mesmo mês.

Levemente baseada em Batman: Ano Um e na série policial Gotham Central (no Brasil, Gotham City Contra o Crime), Gotham tem início quando o detetive James Gordon (Ben McKenzie, da série The O.C.), recém-chegado à cidade, tem um grande problema nas mãos: localizar e prender o responsável pelo assassinato de Thomas e Martha Wayne, um dos casais mais ricos e influentes daquela metrópole. Seu parceiro, o veterano detetive Harvey Bullock (Donal Logue, de Vikings), no entanto, não está muito animado com a tarefa, já que o assassino não deixou praticamente nenhuma pista e a única testemunha do crime, o filho do casal, Bruce (David Mazouz), não tem muito a contribuir. Mesmo relutante, Bullock decide levar seu parceiro aos antros mais sórdidos de Gotham e mostrar-lhe a real natureza da cidade.

Gotham cast

Até o momento, a série mostrou pontos interessantes que devem agradar e desagradar, na mesma medida, públicos diferentes. Pelo que se viu até agora, o foco será o trabalho do Departamento de Polícia de Gotham, especialmente nas investigações conduzidas pelo honesto Gordon e o duvidoso Bullock. Há todo um clima noir e de suspense que deve agradar os fãs de séries do tipo, com o diferencial de que aqui há espaço para figuras bizarras como os futuros Pinguim (Robin Lord Taylor), que também tem um papel de destaque na série, já que vemos seus primeiros passos rumo ao topo do crime de Gotham, e Charada (Cory Michael Smith), em versões prévias àquelas conhecidas pelo grande público.

Por outro lado, pelo fato de se inspirar livremente na mitologia de Batman, Gotham faz uma bela “bagunça” com a cronologia do personagem, chegando a introduzir novas caras, como a gângster Fish Mooney (Jada Pinkett Smith, a Gloria de Madagascar) e alterar a dinâmica da futura relação entre aqueles que virão a ser o Cavaleiro das Trevas e a Mulher Gato (Selina Kyle, interpretada por Camren Bicondova), o que deve incomodar bastante os fãs mais puristas do Homem Morcego. Há ainda diversas aparições menores e referências a personagens já conhecidos pelo público que tornam a série mais interessante para aqueles que adoram procurar os famosos “easter eggs” em produções do tipo.

Independente disso, o resultado geral de Gotham, baseado nos episódios exibidos até então, é bastante positivo. Só esperamos que, ao contrário de Smallville, seus produtores saibam o momento de parar ao invés de arrastar a mesma história, cujo desfecho aqueles mais atentos já imaginam qual será, por uma década. Produzida pela Fox, Gotham é exibida no Brasil no canal pago Warner todas as segundas, às 22h30.

Gotham Pinguim

O Pinguim é um dos destaques da série

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Humor ácido permeia os Relatos Selvagens

por Marcelo Seabra

Relatos Salvajes Darín

São sete os pecados capitais, mas apenas um interessa a Damián Szifrón: a ira. O diretor e roteirista argentino escreveu seis histórias que retratam situações em que os personagens são levados a atos extremos conduzidos pela raiva, motivada por várias razões. A costura dessas histórias é o longa Relatos Selvagens (Relatos Salvajes, 2014), pré-candidato ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro indicado pela Argentina que chega aos cinemas nacionais essa semana. O resultado não poderia ser mais atual, escancarando a estupidez que às vezes pode brotar de um cotidiano estressante ou de uma realidade massacrante.

Como não poderia deixar de ser, o elenco da produção conta com Ricardo Darín (de Tese Sobre um Homicídio, 2013), o provável mais famoso ator em atividade do país. O que não falta no filme é oportunidade para ótimos profissionais, já que são diversos protagonistas, cada um em seu trecho. É o caso de Darío Grandinetti, Oscar Martinez, Leonardo Sbaraglia, Erica Rivas e Julieta Zylberberg, para ficar em alguns exemplos. Todos se mostram muito competentes dentro do que é demandado e o time fica bem equilibrado, sem falhas ou destaques. Tudo funciona, o que demonstra o cuidado de Szifrón (abaixo) ao orquestrar essa turma.

Relatos Salvajes diretor

Não vale a pena adiantar as tramas, para não estragar nada. Em todas elas, há um humor negro delicioso, que se alterna facilmente entre o riso rasgado e o tenso, aquele em que o público ri apesar do que parece que virá a seguir. As situações começam como possivelmente aconteceriam do lado de cá da tela grande, mas acabam tomando grandes proporções e virando algo absurdo. Vingança é o tema recorrente e, se o diretor defende uma tese, é a de que violência gera mais violência. Mas sem se levar muito a sério, já que ele escancara a falta de noção dos envolvidos. Usar humor é uma forma fantástica de fazer críticas, já que o resultado ao mesmo tempo é leve e faz pensar, além de envolver o público, que não pisca na maior parte do tempo. As risadas eram altas durante a sessão, para logo em seguida todos estarem apreensivos e o silêncio pairar.

A proposta de Szifrón era tão original e interessante que atraiu dois produtores ilustres, os irmãos espanhóis Agustín e Pedro Almodóvar, além do premiado compositor Gustavo Santaolalla (de Brokeback Mountain e Babel). A obra vem sendo ovacionada por onde é exibida e parece estar agradando tanto à crítica quanto ao público. Com menos de um mês em cartaz, já era o filme mais visto do ano na Argentina, batendo até blockbusters americanos. Além de Cannes, onde teve grande destaque, Relatos Selvagens participou de vários festivais e ainda pode se consagrar na noite de premiação da Academia. Claro que vamos torcer por Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014), não por ufanismo puro e simples, mas por se tratar de um ótimo representante. De qualquer forma, Szifrón já é um vencedor.

A primeira história já estabelece o tom do filme

A primeira história já estabelece o tom do filme

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Seymour Hoffman luta contra o terrorismo

por Marcelo Seabra

A Most Wanted Man

Com a morte de Philip Seymour Hoffman, o mundo perdeu um grande ator, e isso fica bem claro após uma sessão de O Homem Mais Procurado (A Most Wanted Man, 2014). O longa, que está em cartaz no Brasil, será sempre lembrado como o último trabalho protagonizado por este grande artista, mas as pessoas não devem assistir a ele apenas por esta triste curiosidade. Trata-se de um ótimo thriller de espionagem, bem longe do glamour de um James Bond, que conta com uma história moderna de ninguém menos que John le Carré, o papa do gênero.

David John Moore Cornwell, mais conhecido por seu pseudônimo, John le Carré, escreveu os livros que deram origem a filmes como O Espião Que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy, 2011), O Jardineiro Fiel (The Constant Gardener, 2005), O Alfaiate do Panamá (The Tailor of Panama, 2001) e A Casa da Rússia (The Russia House, 1990), entre outros. Mais uma vez, um texto seu se mostra totalmente apropriado para o Cinema, privilegiando o desenvolvimento dos personagens e as jogadas necessárias para que se atinja o objetivo. As coisas são muito mais burocráticas do que a ficção costuma fazer parecer, há diversos interesses envolvidos e todos querem levar a melhor.

PSH

A trama começa quando um imigrante ilegal (Grigoriy Dobrygin) chega à Alemanha e uma organização alemã de segurança começa a segui-lo para descobrir suas verdadeiras motivações. O fato de ser meio russo e meio checheno já conta contra ele, e um país que sofreu um atentado pouco antes fica em alerta com qualquer nova possibilidade. Assim, o grupo liderado por Bachmann (Seymour Hoffman, acima) dá seus pulos para investigar Karpov e as pessoas que o ajudam, como a advogada vivida por Rachel McAdams (de Questão de Tempo, 2013). Completam o elenco Willem Dafoe (de Tudo por Justiça, 2013), Robin Wright (de House of Cards), Daniel Brühl (de Rush, 2013) e Homayoun Ershadi (de A Hora Mais Escura, 2012).

Para uma história como essa, sem muita ação e com diálogos bem elaborados, o estilo do diretor Anton Corbijn casa perfeitamente. Como visto em Control (2007) e Um Homem Misterioso (The American, 2010), ele busca reflexões, filma longos trechos contemplativos que mostram claramente os demônios internos com os quais os personagens de debatem. É um mundo imperfeito, de muito cinza, onde se toma uma decisão que, espera-se, vai ajudar mais do que prejudicar. Seymour Hoffman, quase como um Brendan Gleeson mais novo, transmite cinismo e idealismo na mesma medida, como um militante que batalha por um mundo melhor usando os recursos que tem em mãos, evitando pensar em questões éticas. Na luta contra o terrorismo, diz-se, vale tudo. Uma suspeita já é suficiente para prender alguém.

O diretor apresenta o elenco principal

O diretor apresenta o elenco principal

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Robert Downey Jr. confronta O Juiz

por Marcelo Seabra

The Judge

Ele é um playboy bem sucedido, com um carro possante, uma vida confortável e faz questão que todos o achem um babaca pretensioso e convencido, apesar de no fundo ter um grande coração. Ah, e é vivido por Robert Downey Jr. Não estou falando de Tony Stark, mas de Hank Palmer, protagonista de O Juiz (The Judge, 2014). Com aquela velha história do figurão da capital que é obrigado a voltar à sua cidadezinha natal e repensa sua vida, o filme se dá bem ao contar com bons atores e a criar momentos que funcionam maravilhosamente bem isolados, mesmo que com derrapadas aqui e ali. E, por incrível que pareça, não tem nem sinal de John Grisham, mesmo com esse título.

Para a figura de patriarca da família, poucos fariam tão bem quanto Robert Duvall, que traz na bagagem clássicos como O Poderoso Chefão, Apocalypse Now e O Sol É para Todos em mais de 50 anos de carreira. A interação entre os Roberts é fantástica, e eles quase saem ilesos dos clichês dramáticos em que a produção cai. Outros nomes do elenco mantêm o nível de competência, principalmente o ótimo Billy Bob Thornton (visto há pouco na série Fargo), que tem algumas das cenas mais interessantes. Vera Farmiga, a Norma de Bates Motel, traz inocência e força à sua garota do interior, completando um time que ainda conta com Vincent D’Onofrio (de Rota de Fuga, 2013) e Jeremy Strong (de The Good Wife) como os outros irmãos Palmer.

The Judge scene

Hank fica sabendo, durante uma audiência, que sua mãe faleceu e volta à pequena cidade onde nasceu. Rever o pai não será fácil, e as coisas ficam piores quando o Juiz Palmer é suspeito de um homicídio. Devido a este caso policial, o roteiro de Nick Schenk (Gran Torino, 2008) e Bill Dubuque consegue fugir do melodrama habitual, caso do sofrível Álbum de Família (August: Osage County, 2013), e proporciona ao público uma boa diversão, com personagens mais profundos que o usual. Algumas relações são pré-formatadas por motivos que ficam muito claros. O fato do irmão mais novo ser deficiente, por exemplo, serve para que eles tenham uma desculpa para explicar tudo o que o espectador precisa saber, o que leva a diálogos pavorosamente expositivos. Muita coisa que já estava clara acaba ganhando uma explicação mais detalhada, para não ficar dúvida na cabeça de ninguém. E a trama se estende bem mais do que deveria, com pelo menos 15 minutos de gordura no final. Mais curto, o filme teria se beneficiado muito, nos poupando inclusive de ver a bandeira norte-americana balançando e cortando informações que poderíamos facilmente deduzir.

A fotografia, assinada pelo favorito de Spielberg, Janusz Kaminski, mostra belas paisagens do campo, ajudando a construir aquela sensação de “vamos voltar para o interior, que é bem melhor”. Só estraga o mau uso do fundo verde, quando vemos Downey Jr. claramente recortado e inserido num fundo artificial. A trilha de Thomas Newman só evidencia o óbvio. A impressão de uma tentativa de fazer um novo clássico, à imagem de O Sol É para Todos (que é citado), é clara e prejudica o resultado. Afinal, David Dobkin (de Eu Queria Ter a Sua Vida, 2011) não é bem um diretor que entrará para a história. Ao menos, não de forma positiva. Sorte dele contar com atores capazes de segurarem até falas mais bestas e de transitarem entre gêneros, indo da comédia ao drama e passando pelo suspense.

Um dos raros momentos de família unida

Um dos raros momentos de família unida

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Grande elenco se encontra no lixão

por Marcelo Seabra

Trash posterJá se vão 14 anos desde que Stephen Daldry fez sua estreia na direção de um longa, o elogiado Billy Elliot (2000). Agora, para dificultar um pouco, as novas crianças com quem ele trabalha são brasileiras, e sem experiência alguma na sétima arte, ou em qualquer outra. Rickson Tevez, Eduardo Luis e Gabriel Weinstein são a atração principal de Trash: A Esperança Vem do Lixo (2014), e são a principal causa do sucesso do filme. Para reforçar, há nomes importantes do Cinema brasileiro no elenco, além de duas participações americanas, fundamentais para que o público de fora dê atenção.

Apesar da trama de passar em um lixão do Rio de Janeiro, a produção dá a impressão de ser limpinha até no esgoto. Isso passa um pouco da visão romanceada que estrangeiros podem ter das nossas favelas, de que a vida lá chega até a ser divertida. O fio condutor é apropriado para o momento em que vivemos, envolve eleição e corrupção entre políticos e policiais. A fotografia, de Adriano Goldman, nos dá uma boa noção do espaço, uma área à beira mar onde todo aquele lixo é jogado e selecionado pelos moradores. E os pontos turísticos da cidade não aparecem, evitando imagens de cartão postal tão saturadas. Pode-se dizer que Trash é a resposta brasileira a Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire, 2008), apenas com mais violência.

A história começa com José Ângelo (Wagner Moura, de Praia do Futuro, 2014), um faz tudo de um político corrupto que dá um belo desfalque em seu chefe. As evidências do esquema, que envolve pessoas e empresas importantes, se perdem quando o sujeito é capturado pela polícia. No entanto, os garotos do lixão encontram a carteira que levará à descoberta do caso todo. Um policial truculento (Selton Mello, de O Palhaço, 2011) fará o possível para acobertar o potencial escândalo, e os garotos só podem contar com dois estrangeiros: o padre Juilliard (Martin Sheen, o tio Ben dos novos Homem-Aranha) e a voluntária Olivia (Rooney Mara, de Terapia de Risco, 2013), que ensina inglês na favela. Nenhuma família é mencionada, eles só têm uns aos outros, e é essa amizade e a vontade de fazer a coisa certa que os conduz.

Trash elenco

Daldry toma algumas decisões acertadas ao apresentar objetivamente os personagens e o lugar, e seu co-diretor, Christian Duurvoort, faz um ótimo trabalho de direção de atores com os adolescentes. Foi Duurvoort quem treinou os atores de Capitães da Areia (2011), filme que vem à cabeça durante a exibição de Trash. O uso da câmera em primeira pessoa é interessante, para que os personagens externem certos sentimentos e percepções, e é onde estão alguns dos momentos engraçados do filme. A missão de adaptar o livro de Andy Mulligan coube a Richard Curtis (que escreveu e dirigiu o ótimo Questão de Tempo, 2013), e Felipe Braga (de Cabeça a Prêmio, 2009) fez os acertos para que tudo casasse melhor com a nossa realidade e com a nossa língua.

Como foi filmado no Brasil, Trash não poderia ser diferente: traz um grande e respeitável elenco de apoio formado por gente como Nelson Xavier, Stepan Nercessian, Jesuíta Barbosa, Enrique Diaz, Leandro Firmino, Júlio Andrade, André Ramiro e José Dumont, todos em pequenas participações. A Mara e Sheen cabe o papel de ajudar a produção a conseguir financiamento e audiência fora do país, e seus personagens são bem formulaicos. Sheen, no entanto, é sempre uma presença forte e relevante. Em meio a tantos nomes famosos, quem domina Trash mesmo são os garotos, que mantêm o interesse do público por quase duas horas alternando momentos tensos, dramáticos e cômicos. Torçamos para que eles não sumam de vista.

Stephen Daldry e seu elenco estrangeiro: Rooney Mara e Martin Sheen

Stephen Daldry e seu elenco estrangeiro: Rooney Mara e Martin Sheen

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A boneca Annabelle volta a assombrar

por Marcelo Seabra

Annabelle

Após o lançamento de Invocação do Mal (The Conjuring, 2013), ficou claro que Annabelle se tornaria um dos mais marcantes bonecos malditos do Cinema – se é que esta galeria existe. Mas ela precisava ter sua história contada, ou assim pensou algum produtor de olho numa oportunidade de ganhar dinheiro com algo já estabelecido. Assim, surgiu Annabelle (2014), o filme de origem da maldição da boneca que pegaria todo aquele público que havia sido conquistado pela trama envolvendo o casal Warren.

Ed e Lorraine eram demonologistas que ajudavam pessoas com problemas ligados ao sobrenatural. Para prevenir futuros problemas, eles passaram a guardar os objetos que alegadamente haviam sido usados por demônios para tentar possuir humanos, ou roubar suas almas. O museu de itens macabros permanece aberto para visitação e uma das atrações principais é a boneca. James Wan, criador de Jogos Mortais (Saw) e Sobrenatural (Insidious), iniciou uma nova franquia que agora tem uma pré-continuação. O diretor entra apenas como produtor. No comando, está John R. Leonetti, um sujeito que precisa se desculpar pelo horrendo Mortal Kombat – A Aniquilação (1997), e conta com o estreante Gary Dauberman no roteiro.

Tudo apontava que Annabelle seria um desastre. Tamanha foi a surpresa ao descobrir que não se trata de um filme ruim. Não é nada inovador, claro, mas é uma atração de terror bem respeitável, que procura criar um clima de perigo iminente ao invés de ficar apostando em sustos fáceis. A morada do casal é bem explorada geograficamente, com uma câmera que se posiciona bem e nos dá uma boa noção do que está havendo. Alguns clichês, claro, não vão faltar, mas nada que comprometa. Até os efeitos sonoros estão sob controle, outro grande pecado geralmente cometido nesse tipo de filme.

Annabelle cast

Somos apresentados ao casal que será importunado, Mia (Annabelle Wallis – sim, a atriz se chama Annabelle! – da série The Tudors) e John (Ward Horton, que fez ponta em O Lobo de Wall Street, 2013). Tudo corre bem na vida deles até que a casa é invadida e alguma força maligna se apossa da boneca do título, que já é feia feito o capeta, vale mencionar. A partir daí, coisas estranhas começam a acontecer. Ao lado dos protagonistas, há ainda um padre (Tony Amendola, de Once Upon a Time) e uma livreira da vizinhança (Alfre Woodard, de 12 Anos de Escravidão, 2013) que dão certo apoio espiritual e servem aos desígnios do roteiro.

Se, como um todo, Annabelle é bem razoável, há uns três ou quatro momentos em especial que fazem o preço do ingresso valer. Não é difícil ver gente saindo no meio de uma sessão – inclusive da pré-estreia promocional. Se você vai assistir a um filme como este, já sabe o que o espera, e faz pensar no que faria uma pessoa sair no meio. E, para quem aprecia o estilo, Invocação do Mal 2 vem aí, para o ano que vem, com mais aventuras do casal Warren.

Lorraine Warren em seu museu do oculto - a boneca Annabelle posa em sua caixa

Lorraine Warren em seu museu do oculto – a boneca Annabelle posa em sua caixa

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Affleck, Pike e Fincher procuram por Amy

por Marcelo Seabra

Gone Girl scene

Uma mulher desaparece e seu marido inicia as buscas, ao lado dos pais dela e da polícia. Isso é tudo que você precisa saber sobre a história de Garota Exemplar (Gone Girl, 2014) para decidir enfrentar uma sessão. Ou basta saber que o diretor é David Fincher, o que já é suficiente para muitos, tamanha é a competência que o sujeito vem demonstrando. E o elenco, encabeçado por Ben Affleck e Rosamund Pike, está muito mais que adequado, com interpretações acertadamente sutis que demonstram muito sem precisar de palavras.

Com roteiro da própria autora do livro que serviu como base, Gillian Flynn, Fincher constrói seu filme de maneira a sabermos apenas o que é necessário, revelando pouco a cada minuto que passa. Calculadamente, ele faz o público mudar de opinião e de sentimento por cada personagem à medida que a história avança. Os longos 149 minutos passam rápido, como é costume na obra do cineasta. O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button, 2008), por exemplo, dura 166 minutos; Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres (The Girl with the Dragon Tattoo, 2011), 158; Zodíaco (Zodiac, 2007), 157; Clube da Luta (Fight Club, 1999), 139; A Rede Social (The Social Network, 2010) é menorzinho, com 120.

Ben Affleck, o novo Batman do Cinema, não é exatamente versátil, e tem algumas bolas fora em sua carreira. Mas tem escolhido seus trabalhos com cada vez mais sabedoria e, com orientações de bons diretores, têm dado seu melhor. Quando se dirigiu, inclusive, foi esperto o suficiente para escolher papéis adequados às suas possibilidades, e os resultados (Atração Perigosa, de 2010, e Argo, 2012) são bem interessantes. Sua colega de cena, Rosamund Pike, tem de tudo no currículo, de ação (Doom, 2005, e Substitutos, 2009) a dramas de época (O Libertino, 2004, e Orgulho e Preconceito, 2005), passando por 007 (Um Novo Dia para Morrer, 2002) e comédia (Heróis de Ressaca, 2013). Tamanha variedade de repertório deu à atriz tranquilidade para viver a complexa Amy.

Gone Girl cast

Os demais nomes do elenco são tão competentes quanto os principais. Tyler Perry (de A Sombra do Inimigo, 2012 – acima, à direita) é tão canastrão quanto o advogado de semi-famosos que vive, e Neil Patrick Harris (de How I Met Your Mother – acima, à esquerda) faz um riquinho problemático como ninguém. Os policiais, interpretados por Kim Dickens (de Treme) e Patrick Fugit (de Compramos um Zoológico, 2011), a irmã do protagonista (Carrie Coon, de The Leftovers) e os pais da desaparecida (David Clennon e Lisa Banes) ajudam a compor o quadro, todos com sua importância para a trama. A parte técnica acompanha tamanha competência, com destaque para a fotografia de Jeff Cronenweth e a edição de Kirk Baxter, ambos de Millennium e Rede Social. Também desses dois filmes, Trent Reznor e Atticus Ross atingiram uma maturidade superior à apresentada anteriormente ao comporem uma trilha que não diz ao espectador o que virá, mas enriquece a cena.

Uma crítica muito acertada que Garota Exemplar faz diz respeito á mídia e, mais especificamente, à televisão. As pessoas formam opinião sem ter elementos em que se basear, apenas usando a emoção, as aparências e o senso comum. Isso é suficiente para condenar, expor, até manchar reputações. E a TV vem tendo um grave papel nessas execuções públicas, com a desculpa de dar ao povo o que o povo quer. É um círculo vicioso, já que esse tipo de programa acaba tendo audiência e alimenta mais esses julgamentos apressados e infundados. A opinião pública pode chegar a influenciar a polícia, que corre o risco de se precipitar apenas para atender a demanda da população.

Fincher é hábil ao construir o filme, conduzir seus atores, amarrar os talentos técnicos, fazer críticas e entreter. E ainda faz pensar no que foi visto por um bom tempo após o fim da exibição. Talvez por isso, o diretor venha conseguindo unir sucesso de crítica e bilheteria, e chama atenção para projetos também na TV. Seu próximo projeto é a já aguardada Utopia, versão americana para uma série britânica a ser produzida pela HBO. Veremos como o diretor se sai lidando com o sobrenatural.

Fincher chamou a atenção para Flynn e garantiu mais duas adaptações para a escritora

Fincher chamou a atenção para Flynn e garantiu mais duas adaptações para a escritora

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A Cidade do Pecado ganha novas aventuras

por Marcelo Seabra

Sin City A Dame to Kill For Banner

A partir de 2005, os fãs de Sin City começaram a aguardar ansiosos pela continuação. Tanto tempo passou que a ansiedade acabou indo junto, e parecia que esse filme nunca chegaria. Pois está em cartaz Sin City: A Dama Fatal (Sin City: A Dame to Kill For, 2014), longa que traz de volta alguns dos personagens apresentados na aventura anterior, mesmo que com atores diferentes e numa cronologia que não fica clara, já que nunca dá para estabelecer se trata-se de uma sequência ou de uma pré-continuação. Não há continuidade, apenas novas tramas com as mesmas figuras de Basin City, como acontecia há décadas em revistas, rádio e TV.

O subtítulo (mal traduzido) faz referência clara aos clássicos da literatura pulp, as histórias sempre traziam uma mulher fatal misteriosa que podia estar escondendo muito mais do que revelava. Essa pode ser a descrição de todas as personagens femininas do filme. Mas acaba caindo melhor para Ava, beldade que chegou a ter Angelina Jolie escalada e acabou no corpo de Eva Green (de 300: A Ascensão do Império, 2014). Ela é casada com um milionário e faz um jogo de sedução com o errante Dwight, agora vivido por Josh Brolin (de Refém da Paixão, 2013), que substitui Clive Owen. Essa é uma das várias pequenas histórias que se misturam, ou que apenas coexistem. São outros intérpretes, mas novamente usando uma técnica mais teatral, caricata.

Sin City A Dame to Kill For AlbaJoseph Gordon-Levitt (de Como Não Perder Essa Mulher, 2013) aparece como Johnny, uma adição ao elenco, e ele é mais um dos freqüentadores do bar onde Nancy dança. A garota continua sendo interpretada por Jessica Alba (ao lado), o que é uma incógnita. Trata-se de uma stripper que parece incomodada enquanto faz sua performance e que nunca tira a roupa. Os homens só não invadem o palco para pedir mais desinibição porque a garota é protegida do gigantesco Marv. Como Mickey Rourke havia sido uma das principais atrações do filme anterior, Marv está de volta, com ainda mais destaque. Atores do primeiro, como Bruce Willis, Powers Boothe, Jaime King e Rosario Dawson, interagem com novatos desse universo, como Dennis Haysbert, Ray Liotta, Christopher Meloni e Lady Gaga. Muitos, em participações bem pequenas, caso por exemplo de Christopher Lloyd, o eterno Doc Brown de De Volta para o Futuro, e Jeremy Piven (de No Limite do Amanhã, 2014).

Ao contrário de A Cidade do Pecado, este A Dama Fatal parece mal amarrado. Suas histórias não cruzam com naturalidade, e parecem não ter muito fôlego. Resoluções fracas e apressadas não faltam, dando a impressão de que faltou planejamento. Há imagens muito bonitas, mas as composições de claro e escuro ficam repetitivas, e o uso das cores é banalizado. Os cenários falsos, desenhados, e os contrastes entre o preto e branco dos homens e as cores berrantes das mulheres impedem o espectador de criar qualquer conexão, a sensação de estranhamento perdura pela hora e meia de exibição. Muita coisa, claro, é uma repetição do primeiro, mas era mais suave e servia a um propósito mais nobre. Os filmes seguem o caminho das revistas originais: as primeiras eram boas histórias com efeitos e artifícios elaborados, mas esses recursos logo passaram a ser o foco de Miller. O impacto inicial passou e não sobrou muita coisa.

Sin City A Dame to Kill For Green Brolin

Procurando emular o clima de mestres como Raymond Chandler ou Dashiell Hammett, Frank Miller e Robert Rodriguez passam longe, incapazes de criarem personagens perspicazes, cínicos ou mordazes. Todos os homens são burros, conclusão à qual chegamos por suas ações estúpidas e impensadas. A sensualidade, que seria a arma principal de Ava, consiste em mostrar Eva Green sem roupa. Não que alguém vá achar ruim de ver aquele belo corpo, mas o resultado fica vulgar, barato, quando deveria ser sexy e sedutor. A sensibilidade dos detetives, que no fundo são uns sentimentais, não existe, são todos uns perdedores, sem rumo, apenas esperando por uma oportunidade de se darem mal.

Os exageros, como os grandes pulos, as quedas do alto, os murros fantásticos e as muitas balas de revólver que miram e não acertam evidenciam a predominância do estilo sobre a substância. Isso, por si só, não seria um problema. Mas Miller e Rodriguez querem chocar sem conteúdo, buscam desesperadamente fazer algo escandalizante, mesmo com um material fraco. Diretores como David Fincher ou Martin Scorsese fazem esse tipo de coisa facilmente. Mas esta seria uma comparação covarde.

O Marv de Mickey Rourke continua sendo uma das melhores coisas do filme

O Marv de Mickey Rourke continua sendo uma das melhores coisas do filme

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Dwayne Johnson encara o peso de ser Hércules

por Marcelo Seabra

Hercules

Uma surpresa positiva nem sempre é o mesmo que um bom filme. Pode ser apenas que a expectativa sobre aquele lançamento estivesse tão baixa que qualquer coisa mediana pudesse surpreender. Esse é o caso de Hércules (Hercules, 2014), adaptação de quadrinhos da Radical Comics que propõe humanizar o semideus, mostrando a suposta verdade por trás do mito. A premissa é interessante e o filme se beneficia da presença carismática de Dwayne “The Rock” Johnson, mesmo com uma cabeleira ridícula, e tem contra um roteiro desequilibrado e a direção de Brett Ratner, realizador sem personalidade que não traz qualquer tipo de estilo, além de não ter ideia de como fazer uma boa sequência de ação.

Johnson (de Sem Dor, Sem Ganho, 2013) vive um mercenário extremamente forte cujas peripécias são conhecidas em todos os cantos do mundo. Ajuda o fato de ele andar com um contador de histórias, seu sobrinho (Reece Ritchie, de Príncipe da Pérsia, 2010), que aumenta seus feitos e alimenta a história de que Hércules seria filho de Zeus, o que o torna muito mais que um mero mortal. Com seus companheiros de armas, o anti-herói aceita trabalhos bem pagos, o que o leva à Trácia para defender o povo e o Rei Cótis (John Hurt, de Amantes Eternos, 2013) dos invasores impiedosos liderados por Reso (Tobias Santelmann, de Expedição Kon Tiki, 2012).

As reviravoltas que se seguem podem ser previstas sem qualquer poder paranormal e os personagens são tão rasos quanto bichinhos de desenhos animados, de onde vem a maior parte da experiência de Evan Spiliotopoulos, um dos roteiristas – o outro, Ryan J. Condal, faz sua estreia no Cinema. Acontece num número incômodo de vezes de um personagem mudar radicalmente de ação ou de lugar, o que mostra um descaso com a continuidade e deixa o público confuso. Não deixa de ser divertido ver o herói parar um cavalo com um soco e arremessá-lo, mas o ritmo é bem irregular, alternando momentos de humor deslocados, cenas confusas de batalhas e conversas mais intimistas marcadas por diálogos expositivos e motivacionais que parecem saídos de um livro do Paulo Coelho.

McShane Hercules

Apesar de seus vários defeitos, Hércules tem Johnson, um gigante cativante que tem desenvolvido seu talento para comédia ao mesmo tempo em que pode recorrer a seus músculos. Mesmo com discursos constrangedores, ele é um líder inegável, e ainda permite que seus colegas de elenco tenham destaque. O mais interessante, de longe, é Ian McShane (de Jack, o Caçador de Gigantes, 2013 – acima), que rouba cenas como o espirituoso profeta que alega saber a hora de sua própria morte. Rufus Sewell (de Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros, 2012), que vive o braço direito do protagonista, continua inexpressivo como sempre, mas funciona no papel de guerreiro durão. O mesmo pode ser dito de Joseph Fiennes, que leva sua afetação habitual ao Rei Euristeu. Os veteranos John Hurt e Peter Mullan (de Inimigos de Sangue, 2013) são competentes até quando não têm muito o que fazer.

Como as adaptações de quadrinhos estão em alta, veio a calhar ter a história The Thracian Wars à mão. Compensou mesmo em meio a um imbróglio com Steve Moore, o roteirista da revista, que não ganhou um centavo e ainda viu mudarem muito do que escreveu. E pouco antes da estreia de Hércules, havia outro filme em cartaz com o personagem e com o mesmo título, que em inglês é The Legend of Hercules. Problemas à parte, o longa já faturou o suficiente para garantir uma sequência, e a revista para servir de base já existe. É só aguardar.

Hercules cast

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3 Dias para Matar e Anjos da Lei 2

por Marcelo Seabra

Nas últimas semanas, a correria da vida cotidiana não permitiu a este pipoqueiro colocar no “papel” as impressões sobre os filmes mais recentes a estrear. Sessões de Cinema não faltaram, mas não sobrou tempo para escrever. Por isso, seguem abaixo algumas linhas sobre as principais produções a chegarem à tela grande que ainda não apareceram por aqui.

3 Days to Kill

A nova macaquice de McG a chegar aos cinemas é a típica produção descartável estrelada por Liam Neeson, com a diferença que o ator não aparece, dando lugar a Kevin Costner. 3 Dias para Matar (3 Days to Kill, 2014) é uma ação protagonizada por um agente fodão e pai de família, apesar de separado da esposa e emocionalmente distante. Seria um prato cheio para Neeson (de Sem Escalas, 2014), mas é Costner (de O Homem de Aço, 2013) quem vive o assassino da CIA que pretende completar sua última missão para se aposentar. Sua vida, inclusive, depende disso, já que ele só terá a droga experimental para curar sua doença se eliminar o malfeitor da vez.

O diretor, mais lembrado pelas duas aventuras das Panteras (de 2000 e 2003), está mais genérico do que nunca, assumindo aqui o papel de pau mandado do roteirista e produtor Luc Besson, que assina diversas produções por ano, em funções variadas. Costner, sempre uma figura marcante e carismática, é o responsável pelo filme funcionar moderadamente, em meio a tiros, correrias e risos involuntários. Afinal, além de salvar o seu país, ele precisa ajudar a filha a passar pelas crises da adolescência. Hailee Steinfeld (de Bravura Indômita, 2010) vive a garota e passa uma relação crível com o pai, tendo um pouco mais de importância para a trama que Connie Nielsen (de Ninfomaníaca, 2013), que faz a mãe. O papel de Amber Heard (de Machete Mata, 2013), a mulher fatal que comanda o agente Renner, é o mais difícil de engolir, já que ela passa de “certinha do escritório” para “linda das ruas” de uma cena para a outra.

Costner e Heard

O resultado de 3 Dias para Matar é o filme da TV usual, que você vai assistir no dia que faltar o que fazer e você preferir evitar a trouxa de roupas para lavar. Tem momentos engraçadinhos, outros que não deveriam ser e acabam sendo, e mostra uma dose de ternura quando enfoca o relacionamento da garota com o pai. Como bônus, podemos ouvir a clássica Make It With You, da banda Bread, e Sweet Disposition, canção mais moderna, da Temper Trap. Há de agradar gerações diferentes.

Cartaz 22Outro longa que mistura comédia e policial, com perseguições, tiroteios e trapalhadas, é Anjos da Lei 2 (22 Jump Street, 2014), sequência do sucesso de 2012 que atualizou para o Cinema a série de TV exibida entre 1987 e 1991. Um pouco velha para o colegial, a dupla Jenko (Channing Tatum) e Schmidt (Jonah Hill) agora tem uma missão na faculdade. Uma mexida aqui, outra ali, e o que temos é mais do mesmo: outro caso de drogas, com uma investigação que começa após um óbito.

A interação entre os protagonistas, que funcionou tão bem da primeira vez, continua tendo sua força. Mas a repetição pura e direta e a recorrência do mesmo tipo de piadas irrita. A brincadeira da confusão dos dois com um casal gay, por exemplo, é usada à exaustão. A metapiada de se tratar de uma continuação também cansa. Eles arrumam uma forma engraçada de sustentar o título original, já que o endereço do quartel general deles mudou, mas não param de afirmar que essa missão é igual à anterior. Mas “a segunda vez é sempre pior”, como um personagem diz certa hora.

Os policiais têm nova cena com uso de drogas, se envolvem a fundo na vida que deveria ser apenas um disfarce, passam por situações que requerem improvisação e dão muitas mancadas. Tudo como ocorreu da primeira vez. Mas sem o frescor, o ineditismo que chamou a atenção há dois anos. A dupla de diretores, Phil Lord e Christopher Miller, lançou também em 2014 Uma Aventura LEGO (The LEGO Movie), filme despretensioso que funciona infinitas vezes melhor. E o dinheiro que esta continuação gerou já garantiu um terceiro, que tem até um roteirista contratado, Rodney Rothman, um dos três desse segundo episódio. Resta saber onde Jenko e Schmidt vão se infiltrar dessa vez.

A dupla vai para a Spring Break a trabalho

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