Pacote do Oscar 2026 – 2

Marty Supreme – Indicado a 9 Oscars (Incluindo Filme, Diretor e Ator Principal)

Thimotée Chalamet entrou numa jornada para vencer um Oscar que parece dominar todas as suas escolhas profissionais. Marty Supreme é mais um trabalho dele que grita ambição, mas é apenas chato. Tudo acontece o tempo todo, todos gritam sem parar e ações vão se sucedendo, levando não se sabe a onde. Para quem conhece a obra do diretor Josh Safdie, basta dizer que é um Bom Comportamento (Good Time, 2017) bem piorado e com um protagonista (e ator) muito mais prepotente.

A subtrama envolvendo Gwyneth Paltrow é tão rasa quanto a interpretação da atriz. O diretor e corroteirista Safdie achou que bastava jogar num caldeirão um tanto de situações exageradas e sem nexo, dar a entender que se trata da cinebiografia de alguém real e acelerar a velocidade para não dar tempo para o público parar para pensar. Não a toa, o longa teve 11 indicações ao Bafta e não levou nada. O que pode se repetir no Oscar.

A Hora do Mal (Weapons) – Indicado a 1 Oscar (Atriz Coadjuvante)

Um dos melhores filmes de terror dos últimos tempos, A Hora do Mal acompanha o desaparecimento, ao mesmo tempo, de 17 alunos de uma mesma sala na escola. Vídeos de câmeras de segurança mostram essas crianças abrindo as portas de suas casas e saindo correndo em direção ao escuro. Conhecemos os principais envolvidos no mistério, como a professora da turma (Julia Garner), o pai de um dos meninos (Josh Brolin) e o diretor da escola (Benedict Wong), enquanto montamos o quebra-cabeças.

Apenas Amy Madigan, irreconhecível, foi indicada ao Oscar, já que o gênero não costuma ser lembrado em premiações. O roteiro original e a direção de Zach Cregger, o responsável pelo chocante Noites Brutais (Barbarian, 2022), são dignos de aplausos, e devem continuar garantindo a ele muitos trabalhos. As histórias vão sendo apresentadas e, em algum momento, se juntam, levando a uma conclusão bem satisfatória.

Sonhos de Trem (Train Dreams) – Indicado a 4 Oscars (incluindo Filme e Fotografia, para o brasileiro Adolpho Veloso)

Contemplativo, com um ritmo deliberadamente lento, o longa reflete sobre a passagem do tempo, a evolução tecnológica e a chegada do “progresso”, com o protagonista pulando de uma obra para outra, indo onde o trabalho o leva. Robert (Joel Edgerton) cresce sem lar e sem um propósito, encontrando uma direção ao se casar com Gladys (Felicity Jones). O longa acompanha décadas da vida de Robert, que vai a vários lugares e conhece diversas pessoas, sendo assombrado por situações vividas.

Indicado ao Globo de Ouro, Edgerton dá a força apropriada ao personagem, fazendo parecer que a vida está passando por ele, e só se movimenta quando necessário. A fotografia, trabalho do nosso Adolpho Veloso, chama mais a atenção, já tendo levado alguns prêmios e indicações. É ela que ajuda a definir o olhar poético do longa

A Meia-Irmã Feia (Den stygge stesøsteren, 2025) – Indicado a 1 Oscar (Maquiagem e Cabelo)

Inspirada pelo conto de fadas de Cinderella, a diretora e roteirista norueguesa Emilie Blichfeldt faz sua estreia em um longa-metragem com a suposta história de meia-irmã da Princesa Disney. Já sabemos como termina, mas não imaginamos como será o desenrolar. Adicionando informações que não conhecíamos (porque não existiam), Blichfeldt faz um filme ligeiramente nojento e bem criativo. Diversão boa para aqueles com estômagos mais fortes.

A intérprete da protagonista, Lea Myren, traz bastante simpatia para sua Elvira, e conseguimos entender um pouco de seu ponto de vista. Sua mãe se casa com um viúvo cuja filha, Agnes (Thea Sofie Loch Næss), é tida como linda e atrai toda a atenção masculina. Obcecada em chamar a atenção do príncipe, Elvira parte para esforços por melhorias físicas, o que joga o filme no subgênero “body horror”. Inspirada por extremos como o mestre desse filão, David Cronenberg, e o diretor de pornografia Walerian Borowczyk, passando por Julia Ducournau, Blichfeldt cria uma boa expectativa para seus próximos trabalhos.

A Vizinha Perfeita (The Perfect Neighbor, 2025) – Indicado a 1 Oscar (Documentário)

“Eu sou a vizinha perfeita”, gaba-se a senhora que fica brigando com as crianças que brincam na rua. Usando principalmente imagens captadas pelas câmeras dos policiais que respondiam aos inúmeros chamados de Susan Lorincz, Geeta Gandbhir constrói um documentário bem editado, que segue a história cronologicamente e vai levando o público numa crescente tensão até que o conflito exploda.

Todos os policiais são calmos e bem humorados, talvez por saberem estarem sendo filmados (ou por serem bons seres humanos), e conseguimos acompanhar o caso perfeitamente pelas filmagens. Algumas boas discussões são levantadas, como aquela acerca do funcionamento da lei de legítima defesa nos EUA. Temos, aqui, uma das grandes vilãs do Cinema de 2025. Pena que seja real.

Sobre Marcelo Seabra

Jornalista e especialista em História da Cultura e da Arte, é mestre em Design na UEMG com uma pesquisa sobre a criação de Gotham City nos filmes do Batman. Criador e editor de O Pipoqueiro, site com críticas e informações sobre cinema e séries, também tem matérias publicadas esporadicamente em outros sites, revistas e jornais. Foi redator e colunista do site Cinema em Cena por dois anos e colaborador de sites como O Binóculo, Cronópios e Cinema de Buteco, escrevendo sobre cultura em geral. Pode ser ouvido no Programa do Pipoqueiro, no Rock Master e nos arquivos do podcast da equipe do Cinema em Cena.
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