Chega essa semana aos cinemas O Ritual (The Ritual, 2025), mais um longa de terror que pretende ser o definitivo ao retratar um exorcismo, posição mantida – e nunca nem de longe ameaçada – pelo já clássico O Exorcista (The Exorcist, 1973). O diferencial da vez é a presença do gigante Al Pacino, que foi pai pela quarta vez aos 83 anos e deve ter muitas contas para pagar. Só assim para explicar a escolha do ator por um roteiro morno, já visto (melhor ou igualmente ruim) várias vezes e que não demora a ser esquecido. Era melhor quando ele vivia o diabo.

Um suposto exorcismo real realizado em 1928 permanece sendo o mais documentado, já que as anotações de um dos padres presentes se tornaram amplamente conhecidas. O nome do rapaz foi mantido em segredo, mas todos os passos do ritual foram relatados, e nem assim o diretor e roteirista David Midell usou essas informações, mudando o que quis provavelmente para atingir mais efeito dramático. Spoiler: não conseguiu.
Assim como na dinâmica de O Exorcista, em O Ritual temos a chegada de um padre veterano para se unir a um mais novo na realização do sacramento. Ao lado de um Pacino corcunda e cansado temos o insosso Dan Stevens, que errou feio ao pedir pra sair de Downton Abbey e nunca mais fez nada relevante – a exceção talvez seja a série Legião. O roteiro tenta fazer com que nos importemos com os dois apenas citando irmãos falecidos para ambos, como se isso fosse background suficiente. Afinal, o demônio precisa de informação para mexer com a cabeça do pessoal. E é compreensível que se preocupe com a saúde da vítima, mas a insistência do personagem de Stevens em chamar um médico passa da conta.

Demais participações especiais, essas bem menores, ficam com Patrick Fabian (curiosamente o pastor do melhor e mais barato O Último Exorcismo, 2010), como o Bispo local, e Patricia Heaton (mais lembrada pela série Everybody Loves Raymond), que vive a Madre Superiora. Ela tem um diálogo interessante, que ressalta o machismo na estrutura da Igreja Católica, mas nada que salve o filme. As velhas questões relacionadas a fé também aparecem, já que todos têm seus momentos de dúvida, mas não chegam a ser relevantes. Uma relação mais profunda entre o padre de Stevens e a Irmã Rose (Ashley Greene, da “saga” Crepúsculo) é sugerida, mas nunca esclarecida.
O grande problema comum à maioria dos filmes que envolvem exorcismos é serem abordados como de terror, quando na verdade são um grande drama. Acreditando-se ou não em possessão, é inegável que temos ali uma pessoa passando por maus bocados, e muitos à sua volta tentando ajudá-la. Ao invés de focar na gravidade e na tristeza da situação, diretores pouco inspirados preferem inserir um susto com um passarinho enxerido e efeitos sonoros descabidos. Ao invés de termos um bom drama com toques sobrenaturais, temos apenas mais um filme ruim.

O elenco assiste a uma exibição-teste do filme


