Netflix reúne veteranos para uma Operação Fronteira

por Arthur Abu

Um grupo de ex-soldados de operações especiais se reúne para uma última missão. O alvo? O chefe de um dos maiores cartéis de drogas da América do Sul. O propósito? Ficarem ricos.

Apesar dos dias de glória dos “guerreiros”, como se intitulam, terem ficado para trás, o elenco de Operação Fronteira (Triple Frontier, 2019) está longe de ser um grupo de veteranos esquecidos. Os amigos são recrutados por Santiago “Pope” Garcia (Oscar Isaac, de Star Wars – Os Últimos Jedi, 2017) e liderados pelo relutante Tom “Redfly” Davis (Ben Affleck, o atual Batman).

Eles são levados à tríplice fronteira da América do Sul inicialmente apenas para uma missão de planejamento estratégico. Mas a oportunidade de voltarem para suas vidas monótonas com os bolsos cheios de dinheiro certamente vai complicar não apenas a missão, mas a confiança entre eles. Com os personagens aos poucos mostrando suas verdadeiras facetas, nos questionamos se queremos ou não que eles completem a missão.

Completando o time de soldados, temos o palestrante do exército e condecorado capitão William “Ironhead” Miller, interpretado por Charlie Hunnam (do novo Rei Arthur, 2017). Apesar de, em seus últimos projetos, ter feito o papel de líder rebelde, Hunnam entrega uma performance mais discreta e deixa a liderança para a experiência de Affleck e o carisma de Isaac.

Pedro Pascal (de Narcos) está bem como o problemático piloto Francisco “Catfish” Morales e Garrett Hedlund (de Mudbound, 2017) fecha o time, como o irmão mais jovem de Ironhead. Sua interpretação varia de jovem irresponsável ao mais humano entre um esquadrão treinado para matar. Fora o quinteto, temos Reynaldo Gallegos (de Logan, 2017) como o chefão do tráfico, Lorea, e a bela Adria Arjona (de Círculo de Fogo 2, 2018), que faz o contato de Pope no cartel.

Decepcionam-se aqueles que assistem querendo apenas explosões e tiros do começo ao fim. O filme não é tão raso. A Netflix volta a abordar a lealdade entre “irmãos de armas” e o sentimento de rejeição sentido pelos ex-combatentes, temas recorrentes na recém-cancelada série O Justiceiro. Mas mesmo essa lealdade é testada e a ganância pode transformar essa fortuna em um Tesouro de Sierra Madre (como no filme de 1948).

A trilha sonora, empolgante desde o início, vai do Trash Metal, com Pantera e Metallica, aos clássicos de Bob Dylan, Creedence Clearwater Revival e Fleetwood Mac. O roteiro demora a retomar o ritmo explosivo do começo, com a sequência numa favela, e utiliza a trilha recheada de sucessos talvez para manter interessados os espectadores em momentos mais monótonos.

A produção sofreu vários atrasos e mudanças no elenco. Inicialmente, a vencedora do Oscar Kathryn Bigelow (de Guerra ao Terror, 2008) estava cotada para dirigir um elenco que cogitou Tom Hanks, Johnny Depp, Channing Tattum, Tom Hardy e Mahershala Ali. Bigelow acabou ficando com a produção executiva, mas seu parceiro constante Mark Boal se manteve como roteirista. A direção de J. C. Chandor (de O Ano Mais Violento, 2014), como sempre, nos presenteia com um bom filme, com uma história ambiciosa. Aqui, o porém é o ritmo inconstante.

Durante as filmagens, o elenco fez a festa de funcionários de um restaurante no Havaí

Sobre opipoqueiro

Marcelo Seabra - Jornalista e especialista em História da Cultura e da Arte, é o criador de O Pipoqueiro. Tem matérias publicadas esporadicamente em sites, revistas e jornais. Foi redator e colunista do site Cinema em Cena por dois anos e colaborador de sites como O Binóculo, Cronópios e Cinema de Buteco, escrevendo sobre cultura em geral. Pode ser ouvido no Programa do Pipoqueiro e nos arquivos do podcast da equipe do Cinema em Cena. Twitter - @SeabraM
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