Entre os bordões na transmissão dos jogos do futebol mineiro, lá pelo final dos anos 60 e início dos 70, alguns ainda sobrevivem na minha memória. “Vai tomando nota“, (Joaquim, Juan de la Pássion, Cidinho, Zé Alberto e outros nomes dos idos 1960/1970), na voz do locutor. Me esforcei para lembrar quem era esse narrador, mas meus registros já não são tão preciosos como outrora. Se Silvio Luiz, seguramente o campeão dessas criações, usava “acerte o seu aí, que eu arredondo o meu aqui”, me recordo que antes dele outro – aqui das nossas Minas Gerais – anunciava “anote o seu aí, com o meu aqui”. Concluo, sem afirmar, que o locutor paulista pode ter feito uma colinha. Se Vilibado Alves (creio que sim), do J Júnior, Jairo Anatólio Lima, Dênio Moreira (antes de seguir por outros caminhos passou pelo rádio) ou qual seja, não sei. Fato é que ontem viajei nesses tempos vividos nos anos 60 e 70.
Já explico a razão desse devaneio, pois que segui pela noite lembrando desse mesmo Vilibaldo com seu “advinhe”, Albertinho “gol gol gol” (ei amigo, nosso cafezinho tá defasado), Willi Gonzer “Lá dentro … é do Galo” seguido com “o meu time é a alegria da cidade”, Sasso “tá no filó”, Kafunga “gol barra limpa” e tantos outros. Atualmente vibro é com “caixa”. Evito meu dileto amigo Pequetito com essa de “vai que eu to te vendo” e tolero o Ênio Lima com “marcou” e curtia quando era “mascou”. Ainda o amiGalo e xará Madeira (Willi Cover), com seu “lá dentro”, ao melhor estilo Fritz Gonzer. E, não vou negar, adoro quando o locutor adversário não consegue chegar até a exaustão de um gol e é atropelado por “ahhhhh infeliz”. No passado e no presente, fazem a alegria do futebol das Gerais.
Toda essa viagem começou tão logo tomei conhecimento da retirada de pauta e o consequente Termo de Transação Disciplinar Desportiva firmado entre os dois clubes e a Procuradoria de Justiça Desportiva da fmf. Sem entrar no triste episódio da final do campeonato estadual, ao entendimento do blogueiro, esse acordo de cavalheiros é completamente nocivo ao futebol. Péssimo exemplo quando se busca inibir e coibir a violência entre torcedores em ambientes fora e dentro dos estádios. Na partida, eu estava presente, foi claro e explícito que as duas torcidas estavam inflamadas tão e somente no apoio aos seus times. Tanto que depois desse triste e deprimeente espetáculo, cada metade retornou para casa sem que houvesse o conflito sugerido no gramado. Quem ganhou comemorando, quem perdeu – onde me encontrava – triste com a perda do hepta.
Evitando punir, de maneira exemplar, encontram num acordo de bastidores uma saída feia e que agrava – ainda mais – a descrença e desconfiança dos tempos recentes do “business” do futebol brasileiro. Multa de 400 mil a cada clube e punição de quatro jogos por cada denunciado, a ser cumprido na competição estadual da próxima temporada. As cenas foram claras e os denunciados tiveram ações e reações desproporcionais e desiguais que mereciam análise individual. Mas o que tem isso a ver com a abertura da nossa resenha? Simples! O título é o “vai tomando nota”. Vale dizer, registre! Tá na cara, escancarado diria, duas realidades a ser confirmada lá na frente. Falando sobre o nosso lado, mas a mesma lógica se aplica na outra margem da lagoa. Entre os nossos 11 penalizados, anote aí a primeira afirmação, seguramente alguns não estarão mais no Galo e tampouco atuando em Minas Gerais. Segunda, sobre os remanescentes, quando chegar na virada do ano “anote o seu aí com o meu aqui” o presidente em exercício do tribunal aceita e concede a conversão da penalidade pelo pagamento de multa e tudo seguirá como dantes no quartel de Abrantes.
São arranjos desse tipo que estão destruindo com as competições estaduais e nacionais, afastando o torcedor das arquibancadas, sinalizando por decretar a falência do futebol brasileiro. Outrora o melhor do mundo, campeão cinco vezes da Copa do Mundo, a seguir por este caminho dificilmente vai conseguir avançar às fases decisivas da competição. Tri- campeão em quatro participações: 1958, 1962 e 1970, na última reagiu a uma péssima campanha de 1966. Depois levou 24 anos – seis Copas – para chegar ao tetra em 1994, perdeu 1998 sendo vice para a anfitriã França (jogo marcado por suspeição), novamente conquistou o título em 2002 e agarrou no penta. Nesta temporada de 2026, novamente 24 anos – mais seis Copas – após aquela última conquista. A julgar pela motivação das ruas, apesar das mudanças no regulamento, a expectativa é de avançar até a fase de do mata mata. A conferir.
Me lembro que as Copas dos meus tempos de infância eram com 16 países, depois elevaram para 24, mais à frente 32 e agora já são 48 numa disputa milionária. Em 1970, depois da fase de grupos, com os dois primeiros avançando entre quatro, já íamos para as quartas de finais. Com 24 e 32 fizeram uma ginástica (quase pirotecnia) e acresceram a fase oitavas. Agora, com a classificação dos dois melhores de cada chave e ainda oito os melhores terceiros colocados, o mata mata começa com – acreditem – dezesseisavos de final (disfarçam pela feiura do nome para segunda fase ou playoff). Pontuei isso para concluir que a pseudo punição de ontem, na verdade, tem origem lá na fifa, passa pela conmebol, depois cbf, federações e ofendem ao torcedor aqui na base. E a seguir assim, no caso nacional, esqueçamos de Copa do Mundo, a imundice se instalou na cbf desde meados dos anos 70 e não emite sinais de moralização. Sigamos! Aqui é Galo!
*imagens: arquivo do Galo
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Parabéns ao Galo, pelos 118 anos. Sou de uma família exclusivamente de Atleticanos, e apareceu um corintiano que é o ex-marido da minha filha. mas é gente boa! Lembro que em 1.964 papai me levou ao independência para ver o Pelé jogar, contra o Galo! E também parafraseando João Nogueira, troquei de mal com ele, quando não me levou na inauguração do Mineirão. Hoje entendo, pois ele saiu de casa às 10 da manhã e voltou as 22 horas. Também em 1.991 levei meus 3 filhos ao Mineirão, com 5 e 6 anos para assistir Galo x Remo. Bons tempos. E lembrando mais um bordão: Januário de Oliveira: Taí o que você queria......
A impunidade é um dos maiores problemas deste país grande e bobo.
Pena que até no esporte tenhamos este "pano quente" como aconteceu na decisão da desportiva sobre a final do mineiro de 2026.
O título da coluna de coluna de hj poderia ser também "faça o que mando e não o que faço ".
A turma da cartola cobra da torcida para se comportar como se estivesse em uma "missa do Papa Leão" e nos gramados rola pancadaria com transmissão nacional e internacional que fica impune.
Menos gente, menos ...
Cruz credo ...
Assim deve estar falando a turma lá de cima que assiste as desmantelas no futebol.
Bom dia xará e amigalos. PARABÉNS GALÃO DA MASSA!! 118 ANOS DE GLÓRIAS!!!!!! Pena que a situação de hoje esteja degradante. Quem sabe estes "dirigentes" aprendem a investir corretamente no futebol. A esperança é a última que morre. Aguardando os 45 pontos e a festa do CANTO DO GALO: AQUI É SÓ GALO!!!!!
Galo 118
O ano era de 1969, eu americano já que jogava na base do meleca (dente de leite).
Meu pai Atleticano de quatro costados me chamou e deu o ultimato: te levo no Mineirão no domingo, se vc virar atleticano!
Pobre de mim, ainda criança e sofrendo suborno sentimental.
Pois bem, resolvi que iria ao Mineirão pela primeira vez assistir ao jogo do Galo atendendo ao suborno do meu pai e depois, espertamente, voltaria a torcer pro Melequinha.
Resultado? Depois de ver o Galo dando uma sapecado no Uberlândia, voltei do jogo mais atleticano que meu próprio pai e meu padrinho que tb ajudou no suborno.
Obrigado meu pai e padrinho por me ensinarem a ser feliz!
Parabéns Galo!!!!!
Bom dia amiGalos!!!
Gostaria de parabenizar o Clube Atlético Mineiro Galo Forte e Vingador pelos 118 anos de história, resistência e tradição. Somos o time do povo, que sai ano e entra ano, estamos com o grito de Gaaaalooo!!!!! em alto e bom tom.
Não será essa SAFada, que hoje conduz as redes dessa entidade centenária e venerada por milhões, que vai tirar esse sentimento atleticano de nós que somos os verdadeiros responsáveis por esse clube existir.
Gostaria de parabenizar ao blogueiro também pelos notáveis serviços prestados por meio deste espaço que leio diariamente. Em cada assunto tratado neste espaço, me recordo, na maioria, de histórias atleticanas contadas por meu pai sobre sua infância e meu avô que nos fez atleticanos de corpo e alma.
Que Deus abençoe o glorioso Clube Atlético Mineiro!!!! 118 anos de muita história de raça e amor!!!!!!!! Que a má fase seja apenas uma pequena turbulência e que voltemos a festejar as glórias no cenário esportivo mundial!!!!!!! Que assim seja!!!!!
Prezado Mestre Ávila,
Em relação aos bordões dos anos 70 e 80, época de ouro do rádio, esse locutores eram sensacionais e conseguiam fazer na transmissão de um simples jogo morno em um jogaço de bola através da locução. Saudades desta época.
Salve Massa e Guru
O que fizeram é um escárnio, uma vergonha e um mal exemplo.
TB o que esperar de um país, onde a impunidade é soberana?
Se fosse briga entre torcidas, com certeza o Ministério Público, estaria denunciando e exigindo a suspensão de comparecimento ao estádio ou até extinção.
Duvido que no período de suspensão dos jogadores por quatro jogos, será marcado algum jogo entre eles.
A sujeira varrida pra debaixo do tapete e depois querem cobrar do torcedor bom comportamento.
Que este conchavo sirva de exemplo pros trouxas que ficam por ai brigando entre si, enquanto os times se abraçam e os jogadores adversários andam saindo pra balada juntos.
Bom dia Ávila. Bom dia a todos, exceto para o Ernest Soares e o Teobaldo! Eu agora vou seguir apenas a filosofia do Valdoveu! Parabéns Galo pelos 118 anos! Só de existir o Galo me deixa feliz!
Eu mando mensagem para os amigos no privado, mas eles nem me respondem mais. Acho que fui bloqueado! Muito triste, mas o que eu posso fazer além de lamentar?
Resumo de tudo que foi dito no texto de hoje e que me faz lembrar também de muitas coisas: o futebol está ficando sem graça!
Bom dia!
Entre os locutores, me lembro do Moreno Neto, da antiga tv Vila Rica(atual band), que além de falar o nome completo dos jogadores, ainda tinha o hábito de sempre dizer no início das transmissões: Deus não permita que sejamos injustos em nosso trabalho.
E o Sasso: Olha o tempo magafa!
Abraço.