
Depois de passar pelos cinemas nacionais, Uma Batalha Após a Outra (One Battle After Another, 2025) chega aos serviços digitais para aluguel (como o Prime Video) e tem emplacado indicações em premiações como os Globos de Ouro, Critics Choice Awards e diversas associações. Não é difícil prever que o longa deve levar algumas das estatuetas principais da Academia, como Melhor Filme, Diretor e Ator. Seria mais uma consagração para Leonardo DiCaprio e o primeiro Oscar de Paul Thomas Anderson.
Assim como em Vício Inerente (Inherent Vice, 2014), o diretor e roteirista trabalha em cima de uma história de Thomas Pynchon, dessa vez focando em um grupo revolucionário que libertava imigrantes presos nos Estados Unidos. Passados 16 anos, reencontramos Pat Calhoun (DiCaprio), um sujeito de meia idade que passa seus dias invariavelmente chapado de drogas e álcool, enquanto a responsável filha adolescente (Chase Infiniti) segue com seus estudos.

Como que inspirado no clássico Os Miseráveis, Anderson cria um vilão que persegue implacavelmente o grupo, sendo Pat seu alvo principal. Ao contrário do Inspetor Javert, a motivação do Coronel LockJaw (Sean Penn, de Licorice Pizza, também de Anderson – acima) é sexual: depois de ser humilhado pela terrorista Perfidia (Teyana Taylor, de Até a Última Gota, 2025), ela passa a desejá-la. Assim, temos o nosso núcleo principal, cercado por coadjuvantes bem interessantes. Benicio Del Toro (de O Esquema Fenício, 2025) talvez seja o melhor, e menções em premiações não serão acidentes.
Quase como um cosplay de Jack Nicholson, DiCaprio passa boa parte do filme de roupão, com uma acertada cara de perdido, entre o trágico e o cômico, que cabe bem em seu personagem. Penn também capta com sucesso o espírito de seu militar perturbado, que monta toda uma operação para fins pessoais e consegue perturbar uma cidade inteira. Numa mistura de espírito livre e depressão pós-parto, Taylor ainda consegue acrescentar sensualidade a Perfidia, a razão de ser desse filme. Tudo gira em torno dela, e para ela.
Com essa premissa maluca, Anderson faz um filme acelerado, bem montado, que não deixa muito tempo para pensar no absurdo do cenário. Rapidamente, você compra a ideia e segue junto com os personagens. Os heróis são os ditos terroristas e os vilões são as autoridades, os homens de bem, fascistas membros de um clubinho tão exclusivo quanto ridículo. O diretor aproveita para dar umas cutucadas, apontar uns dedos, da forma mais bem sucedida: fazendo um filme divertido.

PTA dirige DiCaprio rumo a prêmios


