Idris Elba sai no braço com A Fera

Para tentar se reconectar com as filhas jovens, que o culpam por ter se afastado da esposa quando ela ficou doente, um médico resolve levar as duas para visitar o vilarejo africano onde a falecida nasceu. Esse é o ponto de partida para A Fera (Beast, 2022), novo longa do subgênero drama de sobrevivência a chegar aos cinemas. A boa notícia é que ele trata bem o seu público, com situações interessantes e bem tensas.

Ajuda muito ter o ótimo Idris Elba no elenco. Ele funciona como anti-herói (O Esquadrão Suicida, 2021), herói (o Heimdall de Thor), vítima (Depois Daquela Montanha, 2017) ou vilão (Star Trek: Sem Fronteiras, 2016). Nem sempre acerta na escolha do projeto (A Torre Negra, 2017, ou Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw e Cats, ambos de 2019), já que ninguém é infalível. O importante é que Elba sempre sai ileso, fazendo o seu melhor, por pior que o resto à volta dele seja.

Em A Fera, temos um leão sanguinário mostrando quem manda na região. Os atos dele são exagerados, mas isso não deixa de ser uma alegoria sobre o troco que a natureza dá nos humanos quando é agredida. Geralmente, a vingança não atinge quem supostamente a merece, atinge o primeiro que passar na frente. No caso, o Dr. Nathan, as filhas e o velho amigo vivido pelo sul-africano Sharlto Copley (muito lembrado por Distrito 9, de 2009). Buscando aproveitar ao máximo a viagem, eles fazem passeios por belas paisagens, veem animais exóticos e acabam se deparando com uma fera assassina.

O islandês Baltasar Kormákur já comandou embates entre o homem e a natureza em Evereste (Everest, 2015) e tem aqui um resultado mais bem sucedido. A dupla Jaime Primak Sullivan (história) e Ryan Engle (roteiro) se reúne pela segunda vez nas mesmas funções (depois de Invasão, 2018) e cria uma trama simples, mas bem costurada e que funcionada de maneira bem eficaz. Nada é forçado e até o velho conflito entre pais e filhos é colocado de forma prática e objetiva. O Dr. Nathan só não esperava que, além de enfrentar as filhas, ficaria cara a cara com um baita leão.

É impossível não associar A Fera a outros longas de temáticas similares, como A Sombra e a Escuridão (The Ghost and the Darkness, 1996), sobre leões atacando os trabalhadores de uma construção, ou mesmo A Perseguição (The Grey, 2011), que acompanhava um grupo de petroleiros assombrados por uma matilha de lobos. A trama direta, a atuação de Elba e a química dele com as meninas fazem o filme se destacar na multidão, entretendo o público por seus rápidos 90 minutos. E ainda torna possível discussões sobre a preservação de fauna e flora e, quem sabe, sobre a brevidade da vida, sobre sempre acharmos que vamos ter tempo para consertar erros e como nem sempre isso é possível.

A química entre a família ficcional ajuda muito no sucesso do filme

Marcelo Seabra

Jornalista e especialista em História da Cultura e da Arte, é mestre em Design na UEMG com uma pesquisa sobre a criação de Gotham City nos filmes do Batman. Criador e editor de O Pipoqueiro, site com críticas e informações sobre cinema e séries, também tem matérias publicadas esporadicamente em outros sites, revistas e jornais. Foi redator e colunista do site Cinema em Cena por dois anos e colaborador de sites como O Binóculo, Cronópios e Cinema de Buteco, escrevendo sobre cultura em geral. Pode ser ouvido no Programa do Pipoqueiro, no Rock Master e nos arquivos do podcast da equipe do Cinema em Cena.

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