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Deixe-me ser Atleticano

Ontem, em meio a esse momento tenso da nossa Atleticanidade e num grupo sem qualquer relação com esse assunto, recebo um belo texto atribuído a Mário Quintana. Alguns imputam ser de Concita Weber. Seja do gaúcho, poeta e jornalista ou da pintora e escritora maranhense radicada na Alemanha, me acalentou e provocou reação ao mau humor dos resultados recentes. Queiramos ou não, o ambiente ao nosso entorno contamina para nosso astral. Seja positivo ou negativo.

Pois bem, lá pela terceira vez ouvindo esse áudio me flagrei libertando do pessimismo que anda atormentando esse início de temporada Atleticana. Até porque se perder, em que pese a decepção, não vai afetar minha condição ou impedir de usar a camisa preta e branca listrada do nosso Clube Atlético Mineiro. Assim como nas vitórias, sempre muito comemoradas, não irão me levar ao embalo e imaginar que meu time é o melhor do mundo. Com a cautela recomendável, o Galo será sempre o maior em toda e qualquer situação.

Independente da condição que estou vivenciando, mesmo fora da arquibancada nas minhas outras atividades secundárias – já que a principal é ser Atleticano -, aprendi que nem tudo é permanente. Nossas emoções, boas ou ruins, são transitórias. Quando está tudo dando certo, sei que é momentâneo e me preparo para o revés ali na frente. Se as coisas caminham pelo lado errado, sou paciente pra saber esperar o tempo de maturação e dar a volta por cima. São as ondas da vida!

Na oração poética, do Quintana ou da Concita – tanto faz -, “deixe-me envelhecer, sem compromissos e sem cobranças” me encantou os pedidos do/a autor/a por respeito aos seus desejos e aceitação com dignidade e serenidade nessa viagem pelo plano físico. E, espiritualista que sou, me projetei sobre esses tempos difíceis de Torcedor do Galo. Ainda em relação ao comando dessa nau Atleticana, onde existem pessoas que me merecem respeito e consideração e outras que me aguçam e estimulam por cobranças. Desnecessário separar os dois lotes, pois diariamente deixo isso bastante explícito nas postagens.

Confesso que essa reclamação não me faz bem, não tivessem sido elas motivadas pela frustração que nos causaram. Porém, como está no texto que me motivou essa postagem, “agradecer pelos dias que ainda me restam…não quero perder meu tempo precioso…minha luta não foi em vão, teve um sentido…não quero ser um exemplo…ser um velho consciente e feliz”.  Pois que, quero ser Atleticano, assim como a vida sempre me conduziu. Nem nos anos 90, quando nosso time foi uma draga e a luta era para chegar ao final de cada temporada com dignidade, a atmosfera foi tão hostil como vem sendo nos tempos recentes.

Diante disso, cada qual com seu livre arbítrio, desde os profissionais do Galo – jogadores e comissão técnica -, gestores e Torcedores que se conscientizem do seu papel nesse processo. Se tem uma torcida nesse Brasil que sempre abraçou o time, nos bons e maus momentos foi a Massa. Tenho certeza que vamos dar a volta e sair inteiros desse momento, desde que – reafirmo – todos se unam em torno do mesmo ideal. Tá na hora, já passando, de baixar a guarda e buscar essa reabilitação e melhorar o astral. Não sou de extremos em nada na vida, não será agora com minha maior e histórica paixão que vou radicalizar. “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia”, aprendi com Chico Buarque. Cobrar sim, sempre! Apoiar sim, sempre! Atacar o meu time do coração, jamais! Sigamos! Deixe-me ser Atleticano!

Blogueiro

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  • O futebol mudou e talvez a gente ainda esteja tentando entender isso

    Quem frequenta o Canto do Galo sabe: aqui tem muita gente de outros tempos. Tem gente que aprendeu a amar o futebol indo ao estádio cedo, entrando com radinho de pilha, comendo tropeiro raiz, tomando uma cerveja quando sobrava dinheiro ou, quando não sobrava, encarando um sanduíche de carne sem frescura. O foco era simples: ver o jogo.

    O estádio era extensão da arquibancada popular, não um cenário para fotos. O futebol era o espetáculo; o resto vinha junto, mas nunca na frente.

    Hoje, o cenário é outro. O tropeiro virou gourmet, o espetinho ganhou nome em inglês, a cerveja artesanal custa o ingresso de antigamente, e as selfies muitas vezes parecem mais importantes que os 90 minutos em campo. Não é julgamento é constatação. O futebol mudou.
    E mudou não só na arquibancada, mas principalmente fora dela.

    A chegada das SAFs é parte desse novo mundo. Gestão, planilhas, valuation, governança, compliance. Tudo isso é necessário, ninguém discute. O problema é quando se imagina que futebol se resolve apenas com lógica empresarial. Futebol não é só negócio. Futebol tem tempo próprio, cultura, vestiário, pressão, torcida, contexto. Tem coisas que não cabem numa planilha.
    É aí que, na minha visão, está o erro de quem hoje controla a SAF: não por má intenção, mas por desconhecimento do jogo. Não do jogo financeiro desse eles entendem. O problema é não entender o futebol como ambiente vivo, emocional e imprevisível. Resultado? Decisões erráticas, troca constante de rumo, muita correção de rota, aquela sensação de que se está sempre “batendo cabeça”.

    Importante dizer: não parece haver má-fé. Ninguém entra num projeto desses querendo ser rotulado de perdedor. Ninguém investe milhões para errar de propósito. O que existe é uma desconexão entre quem manda e o que o futebol realmente exige.
    Talvez o maior desafio deste novo tempo seja justamente esse: equilibrar o futebol de ontem com o futebol de hoje. Respeitar a história, entender a torcida, ouvir quem vive o jogo há décadas sem ignorar que o mundo mudou, que o estádio mudou e que o clube precisa ser sustentável.

    O saudosismo tem valor, porque ele lembra de onde viemos. A modernidade também tem valor, porque aponta para onde podemos ir. O problema não é a mudança. O problema é mudar sem compreender o que nunca deveria ser perdido.
    No fim das contas, o futebol continua sendo sobre bola na rede, identidade e pertencimento. Se isso for esquecido, não há gourmetização, selfie ou PowerPoint que sustente.

    Talvez essa seja a reflexão que precisamos fazer com calma, sem paixão cega, mas com a lucidez de quem ama o futebol de verdade.

    • Parabéns pelo texto Bruno. Concordo com quase tudo que você colocou. Só não concordo quando você afirma não ver má fé ou má intenção. A forma como compraram a SAF, vendendo de um lado e comprando do outro. Um estádio orçado em 450 milhões, ficar por mais 1.1 bilhão , ( importante dizer que não fizeram quase nenhuma contra partida). A engenharia é a expertise deles. Outra coisa que mais incomoda a torcida : as promessas : o excesso de expectativas criadas . Eu imagino, que a euforia dos donos da Saf em 2021, seria repetida. Então conseguiriam girar tranquilamente essa dívida. Não contavam que o futebol ( no campo) , não cabe em uma planilha, e a taxa básica de juros de 9,25% ao ano, para 15,5 % atualmente.

      • Boa Noite,

        As colocações foram excelentes.
        Quanto aos administradores e donos da SAF que claramente são administradores de empresa e não de clubes que possuem particularidades não exatas e muito emocionais, vivem focando no errado com relação ao crescimento do clube e ganho financeiro.
        O pior erro é exatamente terem vivenciado os anos de 2020/2021 e depois mudarem totalmente a rota.
        Nestes anos o que aconteceu com o Galo: Saímos de patamar de 180 milhões anuais para 400 milhões e chegando a mais de 500 milhões de faturamento exatamente pelo fato de se tornar uma equipe vencedora onde todos queriam vincular sua marca ao Atlético Mineiro, de lá para cá o foco mudou e só pensaram em ganhos pessoais e reaver o que investiram, daí ocorreu o reverso, redução no faturamento, degradação do time, retorno ao meio de tabela, menos faturamento com as competições e em consequência degradação do time e da imagem do clube que essa em especial teve um trabalho extra para chegar ao patamar tão baixo como estar.
        A torcida que até anos anteriores era só estádio e resultado passou a tomar conhecimento e de certa forma participar dos resultados extra campo, o que não fazia antes.
        Isso me remota ao princípio da adm do Brasil atual onde o presidente deixou claro que povo esclarecido vira povo questionador e passa a não acreditar em promessas que nunca são cumpridas.
        O problema então é a informação que está mudando o perfil do torcedor, aquele raiz que só sabia torcer e FDS o resto, acabou ou está se adaptando aos tempos modernos.
        Novos tempos, novas regras e os adm da SAF como bons adm tem que se adaptar, vimos do outro lado um adm que entendeu rápido como funciona, hoje gasta e amanhã o retorno é garantido e em dobro.
        Espero que os donos como bons adm consigam se adaptar rapidamente a nova realidade do momento.
        Detalhe, aporte b***a nenhuma, vão é tomar a percentagem da SAF, pergunto: Onde está o Sérgio, sumiu porque provavelmente não concorda com isso.

      • Adiro, totalmente, às colocações suas, Bruno, resumindo, parte delas, numa frase dita por você mesmo e que, no meu modesto sentir, diz tudo: " O que existe é uma desconexão entre quem manda e o que o futebol realmente exige". No meu papo reto e direto, desprovido da sua elegância nas colocações, sempre disse e repito que temos donos incompetentes para o futebol, ainda que bem intencionados.

  • Contratação de jogadores que ninguém sabe quem é. Parece que estão pegando o refugo de vários times pelo mundo. O final deste roteiro será trágico.

  • E o Hulk, heim?
    Continua a mesma ameba do ano passado!!
    E lembrar que tem quem defenda ele no time titular do Galo………

  • Falando por mim. Deixar de ser Atleticano, nunca! Mas,no entanto, porém, quando a indiferença substitui a indignação, o torcedor não está mais bravo; ele simplesmente não se importa mais. É o estágio final do desencanto. As cores que um dia representaram tudo, hoje parecem desbotadas e distantes. A alma do Clube parece ter se esvaído, deixando apenas a estrutura e o vazio.A indignação que sempre me acompanhou - arquibancada forma carácter - e me conectava ao Clube se perdeu desde q ele foi cooptado por essa gestão atual, hj tanto faz qtº tanto fez, jamais imaginei passar por essa situação,masss...indiferença q chama. Até isso esses " formados em quê" conseguiram e foda$$3 eles...

  • Bom dia! Eu acho que o grande problema, é que nós como leigos, sabemos que essa SAF tem um grande produto na mão, que a base de tudo é a torcida apaixonada e que consome esse produto, sempre. Não estão sabendo gerenciar essa nossa Atleticanidade, em que colocamos o Galo acima de tudo e que passa de geração em geração. Fazem promessas e não cumprem, deixar o barco correr, sem a turbulência necessária, e que sempre nos moveu. Estão tentando tirar a emoção, que é a base do futebol e gerir o Galo como um negócio. Não vai dar certo! Mudando para o time, acho que esse Sampaoli só insiste com Igor Gomes, Bernard, Alonso e Rony, para forçar a diretoria a se mexer. Naquele velho estilo Vanderlei Luxemburgo: Se deixam jogadores ruins no elenco, vou utilizar.

  • Devolvam meu Galo

    É certo que o torcedor mudou e aquele raiz, forjado na dor, apoiador incondicional, deu lugar, ao exigente, corneteiro e leão de rede social, decorrentes inclusive d renovação da torcida
    Mas esta mudança que muitos veem como maléfica, tem o seu lado positivo, que foi a não aceitação e passividade costumeira da época.
    Então meus caros, não adianta remar contra a maré, pois isto vem ocorrendo em todos os times e o Galo não é uma exceção.
    Mas como estamos falando de Galo, esta cobrança poderia muito menor e menos traumática, se as outras partes do processo (conforme listado pelo Guru) tivessem o mesmo objetivo do torcedor atleticano, ou seja, o bem do Clube Atlético Mineiro, mas não cada um quer atingir e ter em foco somente o seu objetivo pessoal. Choque de realidade.

  • Parece que somente a intervenção de Padre Torga para reverter este problema astral! Precisamos de um livramento!

  • Bom dia! É isso, estávamos acostumados ao sofrimento e nos prometeram a bonança, so que entregaram o inferno. Antes tínhamos jogadores ruins, jogavam com raça e ganhavam pouco. Agora temos jogador ruim, custando caro e que nao entrega nada, daí a diferença.

  • Belíssimo texto, meu caro blogueiro democrático. Muitas vezes, quase que na maioria, ATUALMENTE, tenho sido pessimista e muito sem esperança com nosso querido Clube Atlético Mineiro. Mas, isso porque, não sei se equivocadamente, a totalidade, quando nada a grande maioria dos presentes no blog, cada qual à sua maneira, são amiGalos e, em sendo assim, entendo que "roupa suja se lava em casa", SEM PERDER A ATLETICANIDADE. Dito isso, posso dizer, também, que, NÃO IMPORTAM AS CIRCUNSTÂNCIAS, a minha bandeira continua e continuará hasteada, bem em frente à minha casa, exposta aos atleticanos que caminham ou correm na minha rua, com muitos gritando "galooo" ao passarem em frente dela. E os que torcem pelo CSA, com os quais não me preocupo, sempre calados ou morrendo de inveja... Assim é e assim será, enquanto vivermos!

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