Seth MacFarlane parte para o cinema com Ted

por Marcelo Seabra

Histórias sobre crianças e seus ursinhos geralmente são bonitinhas, assim como o mascote em questão. Mas o que acontece quando essa criança cresce e o tal animal continua ao seu lado nunca é mostrado. O intrépido Seth MacFarlane, criador das séries cômicas Family Guy, American Dad! e The Cleveland Show, decidiu partir para a tela grande, com atores de carne e osso, e deu vida a Ted (2012), uma comédia sobre dois grandes amigos de infância: um sujeito imaturo sem muitas perspectivas profissionais e seu urso. Nada mais nonsense!

Mark Wahlberg (de O Vencedor, 2010) vive John Bennett, um atendente de uma locadora de carros que divide seu tempo livre entre ficar com a namorada (Mila Kunis, de Amizade Colorida, 2011) e com seu urso de pelúcia, Ted (voz de MacFarlane). Quando criança, John desejou ter um grande amigo e isso bastou para que seu brinquedo ganhasse vida e passasse a dividir com ele todos os momentos, bons e ruins. Aos 35 anos, é bem complicado continuar amigo de um urso de pelúcia, ainda mais quando ele passa o dia por sua conta, totalmente dependente.

Ted atrapalha a vida de John de várias formas e o impede de amadurecer e se tornar o homem com quem Lori sonha se casar. O fato de Ted ter se tornado um cínico que só quer fumar maconha, beber e pegar mulheres não ajuda em nada. Complicam a trama o chefe de Lori, um playboy que vive dando em cima dela (Joel McHale, de Community), e um pai ligeiramente transtornado que quer presentear o filho comprando Ted (Giovanni Ribisi, de Diário de um Jornalista Bêbado, 2011).

O elenco defende a história com unhas e dentes, o que leva o público a crer nesse absurdo. Wahlberg faz muito melhor o cara preso na juventude dos anos 80 que Adam Sandler, que não melhora com a prática. A animação de Ted é muito bem feita e já adianto que corre o risco de o filme ficar com o prêmio de melhor briga no próximo MTV Movie Awards. A participação de Ribisi, acertadamente caricata, é reforçada por um clima de desenho animado à Scooby Doo que torna as coisas mais divertidas. É bom reforçar que o longa, apesar de contar com um urso de pelúcia como um dos protagonistas, em momento algum é indicado para o público mais novo, e sim para maiores de 16 anos – ao contrário do que acreditam imbecis que levam o filho de 11 anos para uma sessão e depois inventam de tentar proibir novas exibições.

MacFarlane e seus parceiros de Family Guy Alec Sulkin e Wellesley Wild usam e abusam de referências a ícones culturais, como Star Wars, Indiana Jones e o clássico trash Flash Gordon, que ganha um destaque grande na trama. Em meio a muitas tiradas inteligentes e engraçadas, como já é padrão nas séries de TV de MacFarlane, há também os momentos além da conta, como aqueles em que críticas extremadas são jogadas ao vento, conversas são recheadas de palavrões desnecessários e gags extrapolam seu tempo, perdendo o efeito buscado. De uma forma geral, dá para rir muito, há passagens bem interessantes e MacFarlane mostra estar no caminho certo nesse terreno desconhecido para ele que é o cinema.

Deu para perceber que Ted não é um ursinho bonzinho qualquer

Marcelo Seabra

Jornalista e especialista em História da Cultura e da Arte, é mestre em Design na UEMG com uma pesquisa sobre a criação de Gotham City nos filmes do Batman. Criador e editor de O Pipoqueiro, site com críticas e informações sobre cinema e séries, também tem matérias publicadas esporadicamente em outros sites, revistas e jornais. Foi redator e colunista do site Cinema em Cena por dois anos e colaborador de sites como O Binóculo, Cronópios e Cinema de Buteco, escrevendo sobre cultura em geral. Pode ser ouvido no Programa do Pipoqueiro, no Rock Master e nos arquivos do podcast da equipe do Cinema em Cena.

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