F1 (dirigido por Joseph Kosinski)
Impulsionado pelo acesso sem precedentes aos bastidores da Fórmula 1, inclusive com a presença de vários nomes reais, o filme aposta na imersão como principal motor narrativo, acompanhando um piloto veterano que retorna à categoria principal para provar que ainda há espaço para ele em um esporte obcecado por juventude e dados. Brad Pitt encarna esse arquétipo com carisma relaxado, quase melancólico, enquanto a direção de Joseph Kosinski transforma cada curva em espetáculo sensorial, buscando um resultado ainda superior ao de Top Gun: Maverick (2022). A história segue o manual do drama esportivo clássico, com rivalidades previsíveis e conflitos resolvidos na pista, mas o impacto vem menos do roteiro batido do que da autenticidade cuidadosamente construída, com a técnica imperando.
Missão: Impossível – O Acerto Final (Mission: Impossible – The Final Reckoning – dirigido por Christopher McQuarrie)
No suposto encerramento da saga de Ethan Hunt, a narrativa gira em torno de uma ameaça abstrata e contemporânea — o controle total da informação —, servindo como pretexto para uma sucessão de desafios que testam não apenas a lógica do mundo, mas o próprio corpo do protagonista. Tom Cruise, novamente no centro de tudo, atua como último bastião de um cinema baseado em presença física, enquanto o elenco de apoio funciona mais como engrenagem do que como contraponto dramático real. É muita gente boa reunida para servir como escada. A história avança em escala global, com perseguições e dilemas morais que prometem muito mais do que entregam, reforçando a sensação de que o filme está mais preocupado em se afirmar como evento do que em fechar seus conflitos com densidade. A sensação de que tudo foi ensaiado permanece até o fim.
Pecadores (Sinners, dirigido por Ryan Coogler)
O foco do filme recai sobre personagens aprisionados em escolhas duvidosas, em um contexto onde fé, poder e violência se misturam sem possibilidade clara de redenção. A trama acompanha figuras que sabem estar erradas, mas seguem adiante mesmo assim, num jogo de culpa que se acumula ruma a uma conclusão que eles esperam que seja positiva. O diretor Ryan Coogler parte para uma história diferente de suas escolhas usuais, com muita música envolvida. O elenco, liderado por Michael B. Jordan, em mais uma colaboração com o diretor, sustenta esse peso moral com atuações contidas, evitando o melodrama fácil. Quando o roteiro confia nos silêncios e nas tensões implícitas, ele cresce, como num bom filme de terror.
Thunderbolts (dirigido por Jake Schreier)
Na periferia do universo Marvel, os Thunderbolts são como um time B dos Vingadores. A história se organiza em torno de um grupo formado não por heróis, mas por sobras: personagens usados, descartados e reunidos mais por conveniência política do que por afinidade. Florence Pugh dá densidade emocional à narrativa ao interpretar “a outra Viúva Negra”, alguém que oscila entre cinismo e desejo de pertencimento, enquanto figuras como o Soldado Invernal de Sebastian Stan reforçam a ideia de passado mal resolvido como identidade. A trama aposta em missões sujas e acordos morais questionáveis, mas frequentemente recua quando ameaça tensionar demais o status quo. O resultado é um filme que ensaia maturidade e, mesmo sem chegar muito longe, consegue divertir.
Casa de Dinamite (A House of Dynamite, dirigido por Kathryn Bigelow)
O thriller se constrói a partir de um espaço fechado, físico e emocional, no qual personagens em atrito transformam decisões pequenas em desastre em potencial. A história avança lentamente, apresentando relações frágeis, interesses conflitantes e um clima constante de iminência, mais interessado no “antes” do colapso do que em sua explosão de fato. O elenco trabalha de forma contida, sustentando a tensão no olhar e na pausa, ainda que o roteiro nem sempre saiba quando parar. Quando evita o excesso explicativo e confia na ameaça latente, o filme encontra força; quando cede à necessidade de impacto, dilui aquilo que tinha de mais instigante. E acaba.
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