por Marcelo Seabra
Com mais de duas décadas de carreira como diretor e roteirista, o francês Jean-Paul Civeyrac resolveu usar sua longa experiência acadêmica em seu novo projeto. Juntando situações reais e a ficção, ele criou Paris 8 (Mes Provinciales, 2018), novidade nos cinemas que nos apresenta ao mundo da prestigiada universidade parisiense que dá o nome nacional ao longa. Apesar de contar com personagens bem pretensiosos, o longa é uma realista visão sobre um tema bem corriqueiro no Cinema: o amadurecimento e a perda das ilusões de adolescência.
Mais um acerto da Cineart, que distribui o filme por aqui, Paris 8 nos apresenta a Etienne (Andranic Manet), um jovem que deixa sua Lyon natal e segue para a capital, onde pretende estudar Cinema e realizar obras que possam contribuir para um mundo melhor. Mais idealista, impossível. Ele deixa uma namorada e os pais para trás e faz amizades em seu novo cenário. Jean-Noël (Gonzague Van Bervesseles) se apaixona platonicamente por Etienne, e acaba trazendo para o grupo o convencido Mathias (Corentin Fila). Completa o núcleo principal a colega de apartamento de Etienne, Valentina (Jenna Thiam), e o curioso é que todos são do interior – ou provincianos, como o título original indica.
A bela fotografia urbana em preto e branco nos leva pelas ruas de Paris juntos com os estudantes, que passam seus anos lá aprendendo tanto dentro quanto fora da universidade. As questões existencialistas, somadas às paisagens, compõem um filme tipicamente francês. Em suas ações e interações, os personagens em sua maioria demonstram vaidade e egocentrismo, fazendo elogios vazios e irônicos uns aos outros apenas para demonstrarem superioridade. Nesse quesito, Mathias se supera, com filmes experimentais mais famosos do que de fato vistos, e ele se aproveita dessa fama para criticar tudo e todos. Ou seja: uma figura facilmente encontrada por aí.
Em meio aos jovens, ainda temos a participação de um professor (Nicolas Bouchaud) que, ao mesmo tempo em que incentiva e encoraja seus alunos, tem problemas com o filho, que não o respeita. São alguns estereótipos que se misturam a personagens melhor desenvolvidos para contar uma história que já conhecemos, mas não dessa forma. Civeyrac é muito habilidoso em envolver o público, que passa a se importar com aquelas pessoas. Eu não me importaria de ver uma continuação em alguns anos, mostrando o futuro deles.
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