Wicked (2024) – indicado em 10 categorias, incluindo Filme, Atriz Principal (Cynthia Erivo) e Atriz Coadjuvante (Ariana Grande).

A bruxa má do oeste, uma das vilãs mais famosas da literatura e do cinema, de O Mágico de Oz, morreu, e a outra bruxa ilustre da história, Glinda (Ariana Grande), relembra sua relação com a ex-amiga. Elphaba (Cynthia Erivo), uma jovem que curiosamente nasceu com a pele verde, sempre deixada de lado pela família, acompanha a irmã mais nova à escola de magia onde ela vai estudar e acaba matriculada também, e tem uma jornada meteórica até conhecer o grande e poderoso Mágico de Oz, mas descobre também uma verdade chocante.

Depois de assustadoras 7500 apresentações na Broadway, ao longo de mais de 20 anos, e originando montagens em outras cidades e países, a peça Wicked finalmente chegou ao Cinema, depois de uma longa gestação. Cynthia Erivo e Ariana Grande vivem as protagonistas (apesar de Grande ser lembrada nas premiações como coadjuvante), as duas ótimas em seus papéis. Grande, especialmente, está muito engraçada, e muito à vontade, com Erivo bem perto, dando simpatia e humanidade a uma personagem que nos habituamos a odiar.

Um musical da forma que imaginamos um musical ser, clássico, Wicked conta com músicas bem feitas, que entram em momentos chave da trama e a fazem avançar, ou até esclarecem como os personagens se sentem. A lógica do que já conhecemos daquele universo é respeitada, funcionando como uma pré-continuação de O Mágico de Oz – e até vemos Dorothy e sua turma de relance. Ter a sempre interessante presença de Jeff Goldblum é um toque impagável! E há uma pancada de participações especiais, incluindo as intérpretes das protagonistas na peça: Idina Menzel e Kristin Chenoweth.

Com cores chamativas, figurino luxuoso e cenários grandiosos, Wicked é um filme bonito de ver, com uma fotografia que explora bem a terra dos Munchkins. E há ainda a trilha original de John Powell, que ressalta momentos importantes sem se sobrepor ou incomodar. Depois do sucesso de Podres de Ricos (Crazy Rich Asians, 2018), Jon M. Chu passou batido com Em um Bairro de Nova York (In the Heights, 2021), e aqui volta a chamar atenção e a mostrar seu talento na direção, entregando uma obra divertida, coesa e fluida. E a segunda parte, Wicked: For Good, filmada junto, chega aos cinemas em novembro próximo.

De uma forma bem leve, o filme não deixa de tratar de um assunto bem pesado: o autoritarismo. A relação daquela sociedade com os animais, até então falantes e inteligentes – que o diga o Dr. Dillamond de Peter Dinklage – vai se deteriorando até o ponto em que os encontramos, numa metáfora fácil com qualquer minoria do mundo real. A amizade entre Galinda e Elphaba também é um ponto sensível, ela passa de uma antipatia a uma relação de interesse até chegar a ser de fato algo real e honesto, apenas para chegar a um impasse. E vemos, mais uma vez, que as aparências enganam, e o que acontece nos bastidores muitas vezes não chega ao grande público. Que segue celebrando a morte da bruxa má do oeste sem saber quem são os verdadeiros vilões.

A irritante Galinda é um grande momento na carreira de Ariana

Marcelo Seabra

Jornalista e especialista em História da Cultura e da Arte, é mestre em Design na UEMG com uma pesquisa sobre a criação de Gotham City nos filmes do Batman. Criador e editor de O Pipoqueiro, site com críticas e informações sobre cinema e séries, também tem matérias publicadas esporadicamente em outros sites, revistas e jornais. Foi redator e colunista do site Cinema em Cena por dois anos e colaborador de sites como O Binóculo, Cronópios e Cinema de Buteco, escrevendo sobre cultura em geral. Pode ser ouvido no Programa do Pipoqueiro, no Rock Master e nos arquivos do podcast da equipe do Cinema em Cena.

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