Sing Sing (2023) – indicado em três categorias: Ator Principal (Colman Domingo), Canção Original e Roteiro Adaptado.

Participando de um programa de teatro na prisão de segurança máxima Sing Sing, John “Divine G” Whitfield (Colman Domingo) encontra seu propósito na arte, despontando como uma das lideranças do grupo, enquanto tenta provar sua inocência e recuperar a liberdade.

Indicado ao Oscar pela segunda vez consecutiva, novamente vivendo uma figura real (como em Rustin, 2023), Colman Domingo faz o detento Divine G, o principal nome do RTA, sigla em inglês do programa Reabilitação pela Arte. Além de atuar, ele escreve peças e ajuda o diretor (Paul Raci) a orientar os colegas. Tudo isso sem perder de vista seu objetivo principal: provar sua inocência e sair da cadeia. Domingo mostra mais uma vez ser um dos melhores atores em atividade, sempre com muita naturalidade em diálogos por vezes complexos e em cenas que exigem emoção.

Tirando Domingo, Raci (de O Som do Silêncio, 2019) e Sean San Jose, atores profissionais, o restante do elenco principal é formado por ex-detentos de verdade, pessoas que cumpriram sua dívida com a sociedade e passaram pelo programa Reabilitação pela Arte. Há, no filme, imagens reais deles representando, o que torna a história ainda mais pungente. Um dos atores principais, Clarence “Divine Eye” Maclin, usa seu próprio nome, já que o personagem que ele vive é muito próximo dele mesmo.

O grande trunfo de Sing Sing, a realidade daqueles personagens e suas histórias, acaba sendo também o problema do filme. Não há um clímax e os pequenos conflitos que surgem são bem discretos, fazendo parecer que tudo acaba de repente. Você está acompanhando, esperando algo que vá sacudir aquela realidade, e a sessão chega ao fim. Dá a entender que essa trama funcionaria melhor no teatro, onde a direção mais convencional de Greg Kwedar seria bem adequada. Ainda assim, é uma bela obra sobre esperança e sobre o poder transformador da arte.

Maclin descobriu o RTA depois de seis anos em Sing Sing

Marcelo Seabra

Jornalista e especialista em História da Cultura e da Arte, é mestre em Design na UEMG com uma pesquisa sobre a criação de Gotham City nos filmes do Batman. Criador e editor de O Pipoqueiro, site com críticas e informações sobre cinema e séries, também tem matérias publicadas esporadicamente em outros sites, revistas e jornais. Foi redator e colunista do site Cinema em Cena por dois anos e colaborador de sites como O Binóculo, Cronópios e Cinema de Buteco, escrevendo sobre cultura em geral. Pode ser ouvido no Programa do Pipoqueiro, no Rock Master e nos arquivos do podcast da equipe do Cinema em Cena.

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