Loki bagunça as linhas temporais da Marvel

Terceira série do Universo Cinematográfico Marvel, Loki nos leva de volta ao último filme dos Vingadores, Ultimato (Endgame, 2019), quando o Deus da Trapaça rouba o Tesseract e bagunça nossa linha do tempo. Dessa forma, o personagem é usado para formatar a fase 4 do MCU, corrigindo possíveis erros e abrindo caminhos para universos alternativos. Um propósito glorioso, no entanto, não garante o sucesso da atração.

Muito incensada por fugir do padrão dos super-heróis, a série acaba caindo em um non-sense que nem sempre funciona. Às vezes exagerada, outras parecendo não chegar em lugar nenhum, ela não deixa de ter momentos inspirados, mas dá a impressão de ser muito mais longa do que o necessário.

Tom Hiddleston volta ao papel que o consagrou como o irmão invejoso e mentiroso de Thor. Mas o elemento que deixava o personagem mais atrativo parece ter se perdido. Ele está muito bonzinho, quase um herói. O carisma de Hiddleston segue intacto e ele domina bem sua missão. E a química com Owen Wilson (de Extraordinário, 2018) funciona muito bem, como em várias comédias de parceiros como Os Bad Boys ou Um Estranho Casal. Wilson vive um funcionário da agência responsável pela manutenção da nossa linha temporal. Ele deve controlar o estrago causado por Loki, mas eles acabam desenvolvendo uma relação interessante de desconfiança.

Como os agentes da autoridade do tempo conseguem transitar entre linhas temporais, eles acabam tendo contato com diferentes versões das mesmas figuras. É aí que entram vários Lokis, que têm em comum apenas a essência e a origem. É uma boa oportunidade para criações e participações inusitadas, mas fica uma incômoda sensação de que esses artifícios se tornam a atração principal, deixando a trama para escanteio.

Duas importantes adições ao elenco respondem por Gugu Mbatha-Raw (de Brooklyn: Sem Pai Nem Mãe, 2019) e Sophia Di Martino (de Yesterday, 2019), que vivem antagonistas fortes que ganham tempo suficiente para ganharem importância aos olhos do espectador. A veterana dubladora Tara Strong (dos desenhos dos Jovens Titãs) empresta sua voz para uma espécie de Alexia da agência. E Jonathan Majors (de Lovecraft Country) faz uma participação pequena, mas impactante. O sujeito misterioso promete causar nesse universo.

O criador de Loki, Michael Waldron, não à toa é o roteirista da próxima aventura do Dr. Estranho, que provavelmente vai levar adiante a proposta da série de escancarar a porta da Marvel para múltiplas realidades. Pena que a direção das obras desse universo não tenha muita identidade, perdendo um pouco o sentido de o estúdio buscar diversidade. Loki é 100% dirigida Kate Herron, vinda de séries como Sex Education, e a torcida é para que ela ganhe novas oportunidades no futuro para deixar sua marca.

O Agente Mobius e Loki têm uma relação de amizade e desconfiança

Marcelo Seabra

Jornalista e especialista em História da Cultura e da Arte, é mestre em Design na UEMG com uma pesquisa sobre a criação de Gotham City nos filmes do Batman. Criador e editor de O Pipoqueiro, site com críticas e informações sobre cinema e séries, também tem matérias publicadas esporadicamente em outros sites, revistas e jornais. Foi redator e colunista do site Cinema em Cena por dois anos e colaborador de sites como O Binóculo, Cronópios e Cinema de Buteco, escrevendo sobre cultura em geral. Pode ser ouvido no Programa do Pipoqueiro, no Rock Master e nos arquivos do podcast da equipe do Cinema em Cena.

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