Kick-Ass ganha nova aventura

por Marcelo Seabra

Quando você conhece uma forma mais excitante e atraente de viver e é forçado a voltar ao cotidiano entediante de antes, você experimenta a sensação que vem atormentado Dave Lizewski, o adolescente que teve seus dias de glória como o herói Kick-Ass. Por que parar, então? Esse é o mote para Kick-Ass 2 (2013), sequência das aventuras do herói menos poderoso de todos os tempos. Se o primeiro filme trazia um certo ar de novidade e as referências ao universo dos quadrinhos eram interessantes, agora é mais do mesmo. Exatamente por isso, para ter um diferencial, os realizadores julgaram que precisavam levar a violência a outro nível, e podemos ver mais sangue.

Matthew Vaughn deixou a cadeira de diretor, ficando como produtor. Jeff Wadlow, responsável por bobagens adolescentes como Cry-Wolf (2005) e Quebrando Regras (Never Back Down, 2008), assumiu a batuta, incluindo mais elementos dos estudantes colegiais e aumentando a participação da justiceira juvenil Hit Girl. E fica a sensação clara de que um filme sobre ela seria bem mais divertido. Chloë Grace Moretz rouba o filme como a garota obrigada a viver como as demais colegas da escola, ignorando o mundo de lutas e armas para o qual seu falecido pai a preparou. Dave (novamente Aaron Taylor-Johnson) a procura para formarem uma dupla, mas ela é enquadrada pelo pai adotivo (Morris Chestnut, de Chamada de Emergência, 2013) a ter uma vida normal. Por isso, Dave vai atrás de outros como ele.

O quadro de personagens usando fantasias cresce consideravelmente nesta continuação. Chris D’Amico (Christopher Mintz-Plasse, acima), antes filho do vilão principal, agora pretende ser o próprio (o Mother Fucker), e reúne um bando de psicopatas mercenários para ajudá-lo, já que ele mesmo não seria capaz de roubar uma velhinha. E há um tio D’Amico (Iain Glen, de Game of Thrones) que nunca mostra a que veio. Do lado dos mocinhos, a principal adição é o Coronel Estrelas e Listras, vivido por um Jim Carrey acabado, bem diferente do que estamos acostumados a ver. Ele é o líder do grupo Justice Forever, uma reunião de desajustados que querem fazer o bem e não sabem exatamente por onde começar. As duas gangues vão ter um óbvio embate, e muita gente vai sofrer no processo. Algumas piadinhas funcionam bem; outras, nem de longe, assim como os coadjuvantes.

Para escrever o roteiro dessa segunda parte, Wadlow misturou duas minisséries de Mark Millar e John Romita Jr., Kick-Ass 2 e Hit Girl. Caso o plano seja fazer mais filmes com os personagens, já está em lançamento nos Estados unidos a revista Kick-Ass 3, que seria a última. Mas Millar já avisou que deve haver mais uma. Kick-Ass 2, o filme, se pagou nas bilheterias estrangeiras com pouco mais de um mês em cartaz. Isso costuma indicar que vem outro por aí. Torçamos para que seja mais como o primeiro: melhor desenvolvido, mais inventivo e menos apelativo.

Isso é Jim Carrey, que depois disse reprovar tanta violência

Marcelo Seabra

Jornalista e especialista em História da Cultura e da Arte, é mestre em Design na UEMG com uma pesquisa sobre a criação de Gotham City nos filmes do Batman. Criador e editor de O Pipoqueiro, site com críticas e informações sobre cinema e séries, também tem matérias publicadas esporadicamente em outros sites, revistas e jornais. Foi redator e colunista do site Cinema em Cena por dois anos e colaborador de sites como O Binóculo, Cronópios e Cinema de Buteco, escrevendo sobre cultura em geral. Pode ser ouvido no Programa do Pipoqueiro, no Rock Master e nos arquivos do podcast da equipe do Cinema em Cena.

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  • Não curti muito Kick-Ass 1. Depois disso acho que vou deixar para assistir em DVD ou Blu-Rae, se eu tomar vergonha na cara e comprar um aparelho. rsrsrsrs.

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