Fargo é o novo destaque na TV

por Marcelo Seabra

Inspirada no longa homônimo de 1996, a série Fargo estreou na TV americana em meados de abril e já coleciona diversos elogios. A história não tem ligação com a anterior, mas recria o mesmo clima de humor negro envolvendo crimes bizarros, personagens violentos e estúpidos e um sotaque característico da região. E o pior de tudo é que em todo início de episódio é afirmado que trata-se de eventos que realmente aconteceram, por mais absurdos que possam parecer. Mal True Detective terminou, já temos outra candidata a melhor série do ano.

Em 1996, quando Fargo foi lançado, os irmãos Ethan e Joel Coen já tinham uma carreira estabelecida no Cinema. Mas sua fama cresceu com a quantidade de prêmios aos quais foram indicados por esta obra, e levaram um Oscar de Melhor Roteiro Original. Agora, anos depois, resolveram ser produtores executivos da adaptação para a televisão, mas não é exatamente uma adaptação. Criada pelo produtor e roteirista Noah Hawley (de Bones), a série passa por algumas cidades vizinhas que têm Fargo como uma referência, onde as coisas importantes acontecem. Mas não há nenhum personagem em comum.

Em Bemidji, conhecemos Lester Nygaard (Martin Freeman, de Sherlock e dos novos Hobbit), um vendedor de seguros que é a personificação do perdedor. Nem a esposa o respeita, deixando claro o arrependimento por ter se casado com ele. A vidinha besta de Lester é sacudida quando um psicopata cruza seu caminho e simpatiza com ele. A escolha de Freeman para viver um dos protagonistas foi muita acertada, ele se mostra um americano médio perfeito – mesmo sendo inglês. O esquisito Billy Bob Thornton, antigo colaborador dos Coen (de O Homem Que Não Estava Lá e O Amor Custa Caro), é melhor ainda como o homicida loucão que não é nada discreto e deixa um rastro de destruição por onde passa.

Os demais nomes do elenco são ótimos e não deixam a desejar. Allison Tolman (de Prison Break) é a assistente do xerife que tem um bom palpite e quer seguir as pistas, mas o chefe é muito tapado para permitir. Colin Hanks (de Dexter) é um policial limitado, da cidade vizinha, Duluth, que tem um encontro rápido com o psicopata e passa a ajudar no caso. Kate Walsh (de Private Practice), Adam Goldberg (de Zodíaco, 2007), Oliver Platt (de X-Men: Primeira Classe, 2011), Keith Carradine ( de Dexter) e Bob Odenkirk (de Breaking Bad) são alguns dos nomes que aparecem aqui e ali, entre os episódios.

Com apenas três episódios exibidos até hoje, pode ser cedo para jogar tantos confetes. Mas Fargo parece ser de fato uma das melhores coisas na TV no ano, com aquele humor interessante que respeita a inteligência do público e não deixa de surpreender. Assim como True Detective, deve ser uma história limitada a poucos episódios –dez, mais especificamente. Mas isso não impede que uma segunda temporada, com tudo diferente, venha por aí. Basta fazer sucesso para virar uma fórmula e ser requentada por muito tempo.

Tolman, a bem intencionada, e Odenkirk, o tapado

Marcelo Seabra

Jornalista e especialista em História da Cultura e da Arte, é mestre em Design na UEMG com uma pesquisa sobre a criação de Gotham City nos filmes do Batman. Criador e editor de O Pipoqueiro, site com críticas e informações sobre cinema e séries, também tem matérias publicadas esporadicamente em outros sites, revistas e jornais. Foi redator e colunista do site Cinema em Cena por dois anos e colaborador de sites como O Binóculo, Cronópios e Cinema de Buteco, escrevendo sobre cultura em geral. Pode ser ouvido no Programa do Pipoqueiro, no Rock Master e nos arquivos do podcast da equipe do Cinema em Cena.

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