por Marcelo Seabra
A História normalmente dá certos pulos, indo de um evento considerado importante para outro. Por isso, muitas vezes ficamos sem saber o que acontece nos intervalos. E é exatamente neste ponto que ataca Jackie (2016), longa que conta com uma interpretação fantástica de Natalie Portman. Ela vive a ex-primeira-dama dos Estados Unidos em um período crítico de sua vida, quando estava ao lado do marido durante o fatídico desfile por Dallas em que ele foi alvejado na cabeça. O que teria acontecido na sequência é o alvo aqui.
O filme compreende o espaço de quatro dias entre a morte de John Kennedy e seu enterro, cobrindo todos os acertos necessários e indo e voltando no tempo de forma muito bem montada para que conheçamos o que aconteceu e o que se passou na cabeça dos envolvidos. Ao assistir a uma entrevista de Jacqueline Kennedy no YouTube, podemos notar o detalhismo da interpretação de Portman (de Thor: O Mundo Sombrio, 2013), que está sempre contida, calculando seus movimentos, e só perde a linha nos momentos mais dramáticos, em meio ao desespero que volta e meia toma conta. Não à toa, a atriz é uma das fortes concorrentes ao Oscar na categoria, e o filme ainda disputa Melhor Figurino e Trilha Sonora – tudo muito merecido. Um reconhecimento à montagem também teria sido justo, já que ele é costurado de forma a conseguir deixar algum suspense para o final, tudo bem compreensível.
Ao lado de Portman, Peter Sarsgaard (de Sete Homens e Um Destino, 2016) está muito bem. Ele vive Bobby Kennedy, irmão do então presidente, que fica sempre ao lado da viúva. Em pequenas participações, outros grandes aparecem, com destaque para o já saudoso John Hurt, falecido na semana passada. Como o padre confessor de Jackie, ele oferece uma interpretação forte, trazendo questões interessantes e até surpreendendo sua interlocutora. Richard E. Grant (de Downton Abbey) tem uma aparição discreta, mas ele é sempre interessante. Quando não é um filme para a Greta Gerwig (de Mistress America), ela consegue não ser irritante e cumprir bem sua função. Destaque ainda para Billy Crudup (de Spotlight, 2015) e John Carroll Lynch (de Milagres do Paraíso, 2016), irreconhecível com a peruca de Lyndon Johnson. E o ator que conseguiram para o papel de Jack Kennedy, o dinamarquês Caspar Phillipson (acima), é bem parecido!
Pablo Larraín é um diretor cada vez mais elogiado. Lançou, num curto espaço de tempo, dois filmes que ganharam bastante atenção – sendo o outro Neruda (2016), também sobre um evento envolvendo uma figura histórica. Em relativamente pouco tempo, em torno de 100 minutos, o filme consegue passar de forma satisfatória o que aconteceu nos “meios”, com as reações dos personagens, e não deixando de lado o pano de fundo político, com Johnson tomando posse logo após a tragédia. O roteirista, Noah Oppenheim, foi premiado em Veneza e é um bem sucedido produtor da TV. A opção de fazer um recorte curto permite tratar com mais detalhe o objeto, sem necessidade de abraçar o mundo.
O casal real, bem próximo do retratado
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