O povo do Amapá pede socorro, o caos na saúde expõe a ineficiência da política

Há duas semanas o experiente jornalista Roberto Cabrini do Sistema Brasileiro de Televisão – SBT, no Programa Conexão Repórter, revelou para o Brasil o caos na saúde da cidade de Macapá, capital do Amapá. Nesta quinta feira (04) a TV Record exibiu matéria de conteúdo similar na cidade de Laranjal do Jari, interior do mesmo estado. Em ambas, fica evidente o abandono da população por parte de políticos, agentes públicos, incluindo o judiciário, executivo e entidades de defesa da vida, em um dos estados mais carentes de recursos do Brasil. O Amapá pede socorro!

Conheço Macapá e parte do belíssimo estado do Amapá, pois tive a honra de viver lá ocupando cargo de secretário de governo por dois anos, entre 2009 e 2011. Reconheço as qualidades e sei dos defeitos, tive por ofício a necessidade de conviver com políticos, inclusive os Senadores Randolfe Rodrigues, o Presidente do Senado Federal David Alcolumbre, o Governador Waldez Góes e boa parte da bancada federal do estado em Brasília, todos ao que parece, omissos e culpados pelo caos que se abateu na saúde do Amapá. Não sou eu quem está dizendo, são os fatos.

A intenção deste artigo não é afrontar autoridades, especialmente os dois senadores e o governador. Tendo laços fortes com o povo que me recebeu tão bem e por quem nutro respeito e gratidão, estou aqui para um apelo na expectativa de que as denúncias sirvam para que atitudes em defesa dos menos favorecidos que são maioria no Amapá, sejam tomadas. É fato que a pandemia pegou todo mundo de surpresa, mas o problema da saúde do Amapá não é novo, arrasta-se há décadas, assim como a falta de infraestrutura básica e as oportunidades de sobrevivência via empregos.

No Amapá quem não é funcionário público, tem poucas oportunidades para manter um padrão de vida condizente com a classe média. Portanto você é rico ou é pobre, no mais das vezes pobre de marré. Não é de hoje que a saúde em Macapá vem sendo assunto de calamidade pública. A má gestão do setor já deixou as páginas da política e da ciência para figurar nas de polícia, dezenas de vezes. A corrupção no Amapá tem sido endêmica, parece ser antropológica, isso também é fato notório, basta ver o noticiário e os escândalos que levaram gente graúda para cadeia.

A população submete-se aos desmandos de políticos corruptos há décadas. A vocação e o idealismo são dispensáveis como quesito para ocupação de mandatos. O que vale são os interesses de grupos familiares que dominam o poder há séculos. Oligarquias sobreviventes que mandam e desmandam desde tempos remotos. Todos bastante conhecidos e com sobrenomes que se revezam no poder. O Estado é o mais devastado pela Covid-19 em termos per capta, e não é por acaso.

Não falta só saúde no Amapá, a educação, a infraestrutura e as dificuldades de emprego agravam as condições de vida de 850 mil pessoas, sendo que 70% moram em Macapá e Santana, as duas maiores cidades, das 16 que o estado possui.

Não custa lembrar que “José de Ribamar”, ou para os íntimos, José Sarney era presidente quando o Amapá foi emancipado em 1988, data de entrada em vigor da “Constituição Cidadã”. Em troca, o Amapá e as famílias já citadas ofereceram ao “amigo”, nada menos do que um mandato de senador da República, sem nunca ter pisado lá, se não para registrar seu título de eleitor e manter um endereço de fachada.

Sarney foi negado pelos maranhenses, e coube ao povo sofrido do Amapá a missão de mantê-lo na política, guiados pelos mesmos caciques de sempre. O que ele fez em troca? Pergunte ao povo e não se surpreenda. O privilégio na manipulação das massas no Brasil não é só no Amapá, de um modo geral a população é manobrada de acordo com os interesses de grupos que se perpetuam no poder e que hoje são ameaçados em seus privilégios pela política do presidente Jair Bolsonaro. Não é por acaso a virulência dos ataques que ele recebe de políticos e da mídia, inclusive os do Amapá, senadores “combativos”.

Existem duas realidades distintas e extremas alí: A classe política, servidores públicos, médicos e empresários que se beneficiam da cereja do bolo. E a classe pobre, domesticada, doutrinada que trabalha para os mais abastados em troca da sobrevivência. Há pelo menos 100 anos dos 262 que o estado tem, os problemas são os mesmos: Falta infraestrutura, falta educação de qualidade, falta na saúde EPI’s, respiradores, soro, luvas e até cidadania. 90% do esgoto de Macapá, pasmem, é jogado em fossas ou in-natura no Rio Amazonas. Lembro que estamos em 2020.

A cidade parou no tempo, não avança. Macapá viveu tempos de prosperidade durante o ciclo da mineração e da celulose, mas as duas atividades cessaram. Hoje, prevalece o silêncio, a omissão, a dor dos mais humildes que não encontram ecos onde deveria. A grandeza e a beleza do Delta do Rio Amazonas está sendo ofuscada pelo luto de inocentes, vitimas da política que começa e encerra em si mesma, nos interesses pessoais de homens que mudam de partido, de dentes, mas não consertam o caráter.

A pandemia trouxe dor, agonia para quem precisa do serviço público de saúde, as cenas foram de terror, mas serviram também para revelar o que o Brasil e o mundo não sabiam, o grito de socorro incontido daqueles que ainda sobrevivem e clamam por justiça. Um grito desesperador, digno de piedade. O que vimos nas reportagens exibidas pelo SBT e pela TV Record deveria servir para sensibilizar o governador Waldez Góes, os Senadores Randolfe Rodrigues (crítico ferrenho do atual governo) e, sobretudo o jovem David Alcolumbre, PRESIDENTE DO SENADO FEDERAL. Nada justifica uma cidade com mais de 500 mil habitantes ter 6 respiradores apenas.

O apelo também serve para os homens e mulheres de bem, os esclarecidos do Amapá. A Guerra vivida pelo povo humilde é desleal, pois ele não dispõe de armas para o combate, e quando tem, não faz bom uso delas. O voto serve a povos educados, emancipados, e não aos iletrados submissos. A agonia vista nos corredores do Hospital Geral de Macapá precisa tirar os esclarecidos da condição cômoda e covarde de isentões, URGENTEMENTE.

Oremos pelo AMAPÁ. Que DEUS e o Brasil tenham misericórdia, e que haja uma intervenção divina enquanto o socorro humano não chega para tirar inocentes dos escombros provocados pela Covid-19 e pela má política.

José Aparecido Ribeiro é Jornalista em Belo Horizonte e ex secretario de governo da prefeitura de Macapá.

jaribeirobh@gmail.com – WhatsApp: 31-99953-7945

5 comentários em “O povo do Amapá pede socorro, o caos na saúde expõe a ineficiência da política

  1. Macapá precisa tirar os esclarecidos da condição cômoda e covarde de isentões, URGENTEMENTE.
    Macapá, esta jogado em fossas no Rio Amazonas.
    Lembramos que estamos em 2020, falta saúde, educação e infraestrutura.
    Que DEUS tenha misericórdia, ficou evidente o abandono da população por parte de políticos, agentes públicos em defesa da vida, Amapá pede socorro!

  2. Sobre o norte e nordeste do Brasil o povo está pagando por escolherem a parte podre da política e de se venderem por mixarias.
    As hienas de plantão fazem governos corruptos e sem escrúpulos.
    Esse Randolfe com aquela voz de moleque e cara de palhaço de cx. de lápis de cor, é um enganador barato.
    O Alcolumbre parece aqueles gordos que tem medo da comida acabar, outra peso na sociedade.
    Não gosto de políticamente correto, o que presta e o que não presta tem que serem ditas.
    O Amapá já foi um Eldorado, a área de agropecuária é forte.
    Tomara que o povo aprenda.

  3. Também tive a oportunidade de trabalhar por quase 2 anos em Macapá. Aquiele lugar é uma vergonha, a forma como os políticos administram o estado é caso de polícia ou paredão direto.
    Pobre e sofrido povo amapaense ….

  4. É um estado onde o turismo poderia ser explorado. Poderia ser uma especie de Porto Seguro da Amazonia. Tem o melhor sorvete do Brasil.

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