BH segue em 2020 tropeçando nos mesmos problemas de 1920. De quem é a culpa?

Foto: alagamentos em BH no inicio do século passado. Internet

O que mais precisa acontecer para o povo compreender que a propaganda oficial apresentada na TV não representa a realidade de Belo Horizonte. Os problemas continuam os mesmos do século passado. Não é segredo para ninguém que parte da imprensa está tratando os estragos provocados na tarde deste domingo (19) como efeito do excesso de chuvas e não da incompetência de quem nos governa.

São Pedro é o culpado na leitura daqueles que fazem vista grossa para ausência de ações do governo municipal capazes de sanar um problema que se repete todos os anos. Acontece a mesma coisa na abordagem do tema mobilidade urbana; população em situação de rua; abandono do hipercentro; sujeira e degradação da cidade; filas de 7 horas em UPAS da capital; transporte coletivo precário e caro; puxadinhos no lugar de obras etc.

Foto: G1 – Chuvas de 2018 – Avenida Teresa Cristina

A abordagem sempre considera o efeito, e não a causa, evidentemente para preservar o comercial da maioria dos veículos de comunicação que dependem de anúncios da PBH. Se junta a isso a falta do jornalismo combativo e a formação de jovens repórteres incapazes de fazer leituras críticas da realidade. No caso da mobilidade só se ouve dizer que o caos é em razão do “excesso” de veículos e não da omissão de agentes públicos que deveriam e não fizeram o dever de casa há 40 anos no quesito infraestrutura. Reina na PBH uma acomodação jamais vista no setor público.

Foto: Av. Teresa Cristina ontem na hora do temporal, fechada 9 vezes nos últimos meses.

A omissão vale para o tema drenagem da cidade. As bacias de contenção, bem como obras de canalização ultrapassadas em córregos que viraram avenidas na capital seguem sendo negligenciadas. Todo mundo sabe quando chove e onde os problemas ocorrem em maior ou menor escala. Obras que eliminariam estragos provocados pela água que desceu a Av. Teresa Cristina neste domingo foram prometidas e não cumpridas. Mas ninguém além dos afetados vai lembrar disso. A avenida já foi fechada pelo menos nove vezes nos últimos meses.

A bacia de contenção do bairro Calafate foi promessa do prefeito monarca em um de seus arroubos pós alagamentos da Tereza Cristina logo no início de governo, na prática nada aconteceu . Não custa lembrar também que a cabeça do prefeito e seus aliados no momento está focada no estádio do Galo e na sustentação de uma “mentira sincera” que agrada ao povo, a de que 5 milhões de pessoas estarão nas ruas da capital para pular o carnaval.

Foto: Arquivo Belotur – Carnaval de BH 2019

Para a sorte do prefeito fanfarrão que vem ganhando no grito graças a complacência de parte da imprensa e a falta de opositores, o carnaval está próximo, o galo vai bem e o povo tem memória curta. O prefeito reunirá repórteres amigos, perguntas ensaiadas e previamente combinadas serão feitas, e tudo seguirá como antes, até que outra catástrofe, ou simplesmente, outra chuva desça com maior intensidade para mostrar o tamanho dos homens públicos que nos governam. O que está acontecendo com o povo de BH?

jaribeirobh@gmail.com – WhatsApp: 31-99953-7945

3 comentários em “BH segue em 2020 tropeçando nos mesmos problemas de 1920. De quem é a culpa?

  1. De quem é a responsabilidade pelo caos?!
    Atualmente a responsabilidade é deste prefeito, seus secretários e da câmara de vereadores. Antes deles, obviamente, seus antecessores.
    Varrer o problema para debaixo do asfalto, isto é, cobrir cursos d’água, impermeabilização solo, ocupação das margens, lógicas e notórias áreas de inundação, entre muitos outros fatores contribuem para as consequências, cada vez mais graves, das chuvas torrenciais. E não é apenas alagamento, inundação, temos escorregamentos de terra, movimentação de maciços e etcetera.
    Tudo isso pode ser minimizado?! Claro que sim, mas para isto precisamos de vontade política, qualidade e planejamento, tanto das obras, quanto da cidade.
    O estádio do Galo não tem nada a ver. É uma obra de um grupo rico, que vai bancar a obra em seu terreno próprio e em tese, com recursos próprios.

    Enfim, temos muitos problemas. Falta-nos interesse, vontade competência, planejamento, foco e autruismo.

  2. Somos acomodados e anestesiados. Enxergamos estes políticos como Deuses, monarcas, alguém muito longe de nós. Sabemos que foram nossos dedos podres que elegeram e deram poder para estes políticos. Povo gosta de pão e circo. Vem carnaval e vem estádio mas a qualidade de vida daqueles que dependem dos serviços públicos morrem nas promessas.

  3. Olá José Aparecido,
    2020 começou com tudo e mais um pouco, não é verdade?
    Cerveja, chuvas.
    Tudo muito “líquido”, “nebuloso”, “lamacento” e caótico.
    Pois bem.
    Eu já escrevi aqui em seu blog, que Belo Horizonte é uma cidade de pouco mais de cem anos com problemas de dois mil desses anos.
    Crônicos, arrastados, entretanto por mais incrível que possa não parecer, eles são de fácil solução. Países menores que o nosso conseguem resolver problemas muito mais graves, penosos, e nós aqui, “deitados eternamente em berço esplêndido, ao som do mar e à luz do céu profundo” ainda andamos em círculos viciosos – propositalmente. Céu profundo em águas, essa é a verdade!
    Falta de responsabilidade, de vontade, mas também de um profundo entendimento e compreensão das coisas, das situações e da história. E isso quer dizer com todos os envolvidos no cenário de estado de coisas, não apenas com os políticos – sempre os culpados da história toda, mas também com o cidadão comum – é ele que elege os seus, muito lembrando do seu texto anterior, citando Platão, elegemos os famosos e não os vocacionados – e capacitados. Quem os colocou lá nos paços, e nas assembleias? Ora pois, vivemos em uma democracia. O povo (que diz ser sábio e ter a “voz de Deus”) os conduziu para estes recintos com toda pompa, glória e circunstância. E com banda de música.
    Não tenho nenhuma razão, eu devo escrever demais…
    Eu não tenho preguiça em escrever…

    A primeira fotografia deste texto aqui, me remete à 1987.
    Eu sou de Belo Horizonte e cresci meus dedos, meus dentes e cabelos no Bairro Calafate (Rua Platina), ali coladinho com essa avenida da foto.
    Eu tinha exatos 8 anos e apesar desta época, ainda ser criança eu ainda tenho memória viva e completa de tudo que aconteceu nessa região.
    Quer alguns exemplos?
    A canalização do Ribeirão Arrudas – em todo o trecho compreendido entre a Via Expressa que se confunde com a Avenida Governador Benedito Valadares, Avenida Presidente Juscelino Kubitschek e Avenida Tereza Cristina (uma bagunça cartográfica impressionante e lamentável) e a Avenida do Contorno, lá embaixo na antiga “Ponte do Perrella”, próximo ao Hospital da Polícia Militar, este trecho já denominado de Avenida dos Andradas – o outro segundo trecho compreendido pela Avenida do Contorno até o Bairro Mariano de Abreu/Casa Branca mais especificamente Rua Marzagânia – lá embaixo foi um segundo trecho, mais tardio feito entre 1987 e 1992. O primeiro trecho foi construído pela Construtora Cowan (nossa trágica conhecida…) e o segundo trecho pela Construtora Mendes Júnior; a canalização, urbanização e encontro da Avenida Silva Lobo e seu córrego das Piteiras, lá da sua nascente no Morro das Pedras e que junta-se em confluência com o córrego Homem de Melo que vem debaixo da Avenida de mesmo nome, desemboca neste Ribeirão citado anteriormente numa bifurcação até considerável; O viaduto Ulisses Guimarães (do antigo projeto da Via Expressa que como sempre tudo em Belo Horizonte fica incompleto pelo caminho), terminado de ser construído em 1987/1988, pela Construtora Vale do Piracicaba – Convap/o projeto original da Via Expressa e dessa obra de arte de fato era da Construtora Andrade Gutierrez); o “metrô” de Belo Horizonte, e aí sim toda a prospecção, terraplanagem, montagem e construção do mesmo, o enquadramento da linha da Rede Ferroviária Federal S.A. que passava bem rente às casas em curva (casas que eram dos ferroviários inclusive e de suas famílias) passando a ser em linha reta.
    E tem muito mais.
    A construção do terceiro trecho de canalização do Ribeirão Arrudas, em 1995/1998 feito pelo Consórcio Construtor Sagendra/Marins, no Governo Eduardo Azeredo, obra inclusive que ficou muito mais cara que o orçado/planejado, compreendido entre a Via Expressa que se confunde com a Avenida Governador Benedito Valadares, Avenida Presidente Juscelino Kubitschek e própria Avenida Tereza Cristina (uma bagunça cartográfica impressionante e lamentável) e a Avenida Presidente Castelo Branco, já no município de Contagem, localização atrás da Domingos Costa Indústrias Alimentícias e a antiga Pohlig-Heckel do Brasil, na Cidade Industrial Juventino Dias.
    E ficou caro sem tantas indenizações por desapropriação e a obra não ficou adequada o suficiente para suportar o que recebe de seus afluentes principalmente em épocas como essa. Mas essa obra em si, não tem tanta “culpa”.
    Vou parar aqui, pois a memória vem, vem, vem e é uma loucura!
    E o que tem isso tudo.
    É que como eu escrevi no meio desse texto e talvez não tenha sido percebido, tudo que é feito no Brasil, mas especificamente em Minas Gerais e mais mesmo em Belo Horizonte, tudo em nossa aldeia fica incompleto pelo caminho.
    Vou dar a senha do cofre.
    Se a gente deseja respostas para os problemas somente da Avenida Tereza Cristina, precisamos voltar lá atrás na concepção do Fundo SOMMA e do PROSAM.
    Busquem saber o que é Fundo SOMMA e PROSAM. Eu sei.
    E vão entender que obras ficaram incompletas. Que os municípios envolvidos na Bacia do Arrudas sejam eles Ibirité, Contagem, Belo Horizonte, Sabará, precisavam agir consorciadamente e jamais fizeram assim. E justamente o que foi feito no terceiro trecho de canalização do Ribeirão Arrudas, feito pelo Consórcio Construtor Sagendra/Marins, no Governo Eduardo Azeredo, obra inclusive que ficou muito mais cara que o orçado/planejado, compreendido entre a Via Expressa que se confunde com a Avenida Governador Benedito Valadares, Avenida Presidente Juscelino Kubitschek e própria Avenida Tereza Cristina (uma bagunça cartográfica impressionante e lamentável) e a Avenida Presidente Castelo Branco, já no município de Contagem, localização atrás da Domingos Costa Indústrias Alimentícias e a antiga Pohlig-Heckel do Brasil, na Cidade Industrial Juventino Dias, não haveria como suportar o dilúvio de nuvens cumulo-nimbus que às vezes podem possuir em média mais de 30/40 km de altura em determinadas regiões e casos, com um ciclo de vida médio de chuvas de uma hora.
    Quanto à fotografia, vamos lá.
    Meu pai, Afonso, vivo graças a Deus, e também testemunha viva de muitos outros fatos nessa nossa aldeia conflitante, me chamou logo após a densa chuva de verão de 1987 para irmos ate ao caracol da Estação do “Metrô” Calafate, ver o mar que virou a Avenida Tereza Cristina, dias após a inauguração do trecho feita pelo então 31º governador de Minas Gerais, Hélio Garcia. Foi de arrasar. E de refazer muita coisa.
    Essa fotografia foi tirada do Viaduto José Viola. Que (não) liga o Calafate (de fato) ao Carlos Prates/ Padre Eustáquio.
    Ali vemos um ônibus se “afogando” em meio às volumosas águas. Era da antiga linha 5601 Vila Maria Virgínia (hoje Palmares) ao Conjunto Bela Vista (4º seção do Bairro Padre Eustáquio) Hoje, a linha seria a 8405.
    À frente dele, vemos um posto de combustíveis de bandeira Shell, o Quick – até hoje ele está lá prestando bons serviços (olha a propaganda rsrsrs…)
    Atrás dele tinha um supermercado de baixo custo, o Link, que era um ponto promocional de produtos Epa (propaganda de novo!). Tudo inundado, gente arrastada, só tragédia…
    E mais á frente tínhamos, carros arrastados, toras de madeira espalhadas (acho que vieram lá da Mannesmann – lá em cima foi um arraso também), um ônibus rodoviário da Viação Santa Edwiges enlameado (amarelo e verde) que fazia a linha BH x Igarapé (Igarapé nesse tempo nem era Região Metropolitana de Belo Horizonte, imaginem – e a Rodovia Fernão Dias nem era duplicada…). Não acompanhei o que aconteceu lá na parte central. Só lembro do Neimar Fernandes noticiando tudo isso no MGTV 2a. edição, e as fotos estampadas no saudoso Diário da Tarde.

    E o que falta?
    Falta de responsabilidade, de vontade, mas também de um profundo entendimento e compreensão das coisas, das situações e da história. E isso quer dizer com todos os envolvidos no cenário de estado de coisas, não apenas com os políticos – sempre os culpados da história toda, mas também com o cidadão comum (todos nós em maior ou menor grau de envolvimento) – é ele que elege os seus, muito lembrando do seu texto anterior, citando Platão, elegemos os famosos e não os vocacionados – e capacitados. Quem os colocou lá nos paços, e nas assembleias? Ora pois, todos nós vivemos em uma democracia.
    O povo (que diz ser sábio e ter a “voz de Deus”) os conduziu para estes recintos com toda pompa, glória e circunstância. E com banda de música. E fogos de artifício.

    Esse ano, mais uma vez, temos eleições municipais.
    É preciso explicar ou desenhar o cenário?

    Não é apenas pagar o tributo e jogar na cara do “político” que é ele o responsável por fazer.
    Falta profundo entendimento e compreensão das coisas, das situações e da história.

    Vamos começar a fazer algo por essa aldeia, a começar estudando, perquirindo, diligenciando e escolhendo os vocacionados – e capacitados?
    E participando ativamente e incisivamente de todas as decisões, fiscalizando os atos dos dois poderes que vivem o município – legislativo e executivo?
    Não defendo Alexandre Kalil, tampouco Alexis de Freitas.
    Não tenho compromisso com eles, nem compromisso com políticos de estimação.

    “O” político que aprendi a admirar está lá atrás, em um passado um tanto distante. E ele merece minha admiração.

    Apesar de deixar Belo Horizonte, foi nela onde nasci, e aprendi as coisas.
    Devo respeitá-la como cidade e lamentar muito pelas “administrações” que ela recebe – e como resultado, sofre continuadamente.

    Não tenho nenhuma razão, eu escrevo demais…

    Abraço.

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