Castellers – as torres humanas

Publicado em Barcelona, Tradição
Casteller visto de cima – Crédito: El País

 

No post sobre a Festa de Santa Eulália, contei que uma das atrações era a apresentação dos grupos de castellers, que são, literalmente, torres humanas. Vamos conhecer um pouco mais sobre essa tradição catalã, que é bem antiga e faz parte de praticamente todas as comemorações na região? Vamos!

Para poder entender e explicar melhor para vocês, fui em um dos ensaios de um dos grupos de castellers – que são chamados de colas – da cidade. Ao todo, em Barcelona, são seis colas, algumas mais recentes e outras mais tradicionais, e que normalmente são identificadas pelo bairro.

Na cola do Poble Sec, eles ensaiam cerca de três vezes na semana. No dia que fui, era uma terça-feira e fui muito bem recebida. Eram duas pessoas responsáveis por receber os novos integrantes e visitantes. Eles são super-organizados e a sensação que passam é que são como uma família. São pessoas de tudo quanto é idade e tamanho, homens e mulheres. A impressão é que cada um tem a noção do seu papel no grupo e todo mundo se ajuda. Segundo o nosso host, a cola do Poble Sec reúne cerca de 300 pessoas, que dividem os custos do aluguel da sede e outros gastos.

É muito legal e emocionante ver de pertinho as torres humanas se formando e aprender sobre a organização deles. Para a “subida” de cada castell, um coordenador explica qual tipo de torre será montada e, à medida em que as pessoas vão subindo, esse mesmo coordenador, do chão, vai falando o que deve ser melhorado, principalmente na postura. A parte que mais me impressiona, sempre, mesmo depois de três anos, é que quem forma o topo das torres são as crianças. E tãaao pequenininhas!

Outro aspecto interessante dos castellers são as roupas. Sempre calça e blusa de manga comprida com gola, para proteger a pessoa quando a outra está subindo ou descendo. Eles também enrolam, bem apertado, um pano resistente em volta da barriga (que é a parte mais exigida durante a montagem) para dar sustentação ao corpo e servir como apoio para o pé, na hora de subir ou descer.

Se você estiver aqui em Barcelona e também quiser ver de perto essa tradição, mesmo que seja um ensaio, basta aparecer na sede da cola do Poble Sec (calle Blesa, 7 – http://castellersdelpoblesec.cat/2014/). Com certeza, será uma experiência bem bacana, ainda mais se você for mais corajoso que eu e aceitar o convite deles para participar – o que eu não fui.

História e características – Os castellers (que significa castelo) começaram a surgir no final do século XVIII, na região de Valls, em Tarragona, quando grupos (as colas) começaram a competir construindo diferentes tipos de torres humanas.

Os castellers são formados por três partes. A pinya, que é a base e onde ficam mais pessoas. É aqui que todo o peso da torre é sustentado e também estabiliza e fortalece a estrutura. Ah, e se algum acidente acontecer, os integrantes da pinya servem como proteção para quem cai. Já o tronc, como o nome diz, o tronco, é a parte vertical do castelo humano e é a em que realmente a torre começa a subir. A terceira e mais alta parte é o pom de dalt, que é o topo, e onde ficam os mais novinhos e leves.

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