Sabe aquele resfriado que você pegou no passado? Ele pode te proteger do COVID-19

Um estudo publicado pela American Society for Microbiology (clique aqui, caso queria ler o original) mostrou que os resfriados que já pegamos no passado podem nos oferecer alguma proteção contra o COVID-19. Outra boa notícia deste estudo é que a imunidade ao COVID-19 pode durar muito tempo – talvez pela vida toda. 

A síndrome respiratória aguda grave, provocada pelo SARS-CoV-2, iniciou-se na China no final de 2019, e rapidamente se espalhou por todo mundo. Além da apreensão de lidar com um novo patógeno, a comunidade científica previa dificuldades, pois a população não tinha memória imunológica preexistente para combater o vírus e limitar a progressão da doença. 

O que aconteceu nos meses subsequentes ao início da epidemia (depois classificada como pandemia) você já sabe. Segue desconhecida grande parte do comportamento do COVID-19, embora haja grandes avanços no tratamento de suas entidades clínicas. 

 A boa novidade que esse estudo traz é a possibilidade de haver algum tipo de imunidade “cruzada” ao COVID-19, em virtude dos resfriados que já tivemos no passado. Vou explicar melhor:

Existem 4 tipos de coronavírus que provocam resfriados comuns, aqueles que todos já tivemos. Como alguns desses vírus pertencem à mesma família do COVID-19, poderíamos pensar que as células de proteção – criadas pelo organismo quando se combate os vírus – atuariam contra o SARS-CoV-2. Entretanto, desde o início da epidemia, muitos estudiosos pensavam que essa imunidade prévia seria improvável, devido às diferenças estruturais entre os patógenos. 

De acordo com o professor Mark Sangster, principal autor do estudo citado, foram analisadas amostras de sangue de pacientes em processo de recuperação do COVID-19 e nelas encontraram células com memória pré-existente – as chamadas células B de memória -, que podem reconhecer o SARS-CoV-2 e usar seus anticorpos para atacá-lo.

Porém, esse estudo não desvendou o nível de proteção que a imunidade cruzada pode oferecer, nem como isso afeta as pessoas infectadas pelo COVID-19. Um novo estudo será realizado para correlacionar as células B de memória e a ocorrência de uma doença mais curta e com sintomas mais brandos. Quiçá, as novas pesquisas ajudarão a aumentar a eficácia das vacinas em desenvolvimento contra o COVID-19.

Cuide-se e fique bem!

Dra Júnea Chiari

Médica Psiquiatra – CRM 26828

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