Os adolescentes e a quarentena #1: a falta de rotina

De repente, veio a quarentena… já assustava quando  pensávamos em 40 dias e agora já se vão mais de 5 meses. De repente, também o mundo do adolescente foi reduzido ao mundo virtual. Sem contatos reais com os colegas, com os professores, sem a prática de esportes e sem vida social – nada de resenhas, baladas e encontros. Só isso já seria de desnortear qualquer um, compreensivelmente, só que eles ainda têm que lidar com todos os difíceis processos da adolescência. Neste artigo, falo sobre algumas estratégias que os adolescentes e seus pais podem lançar mão para tornar esse período mais produtivo.

O Ensino Médio já é um grande desafio para qualquer adolescente; novas matérias, muitos horários, a inevitável pressão do Enem, a diminuição do tempo de lazer associado a uma alta demanda de vida social. Para dar conta de tudo isso, o adolescente precisa de ter uma grande habilidade de gerenciamento de tempo, motivação interna, uma boa função executiva (que é o conjunto de ferramentas cognitivas que nos faz iniciar, persistir e terminar uma tarefa), além de precisar ter uma estrutura emocional para lidar com desafios e frustrações.

Ser privado, nesta quarentena, da escola presencial faz com que o adolescente sinta-se desorganizado, confuso com relação ao método de ensino e a priorização de tarefas, sem saber o que esperar. Se, por ventura, esse jovem tem TDAH, tudo fica absurdamente caótico!

Então o que fazer? Como o próprio adolescente pode ser mais produtivo e como os pais podem ajuda-los? Quais são as princiapis dificuldades e como ameniza-las?

Durante esta semana farei vários artigos abordando esse tema, discutindo os principais pontos e sugerindo estratégias que possam ajudar a tornar a quarentena menos estressante.

Problema #1 – Falta de rotina diária e alteração de fase do sono

Por bem ou por mal, o adolescente tem uma rotina de sono durante o período escolar. Geralmente acordam cedo (mesmo que seja na base da insistência), vão para escola na parte da manhã (no Ensino Médio muitas escolas já ocupam alguns períodos da tarde) e reservam o restante do dia para as tarefas da escola e atividade física, em geral.

Veio a quarentena e a necessidade de acordar cedo acabou! O jovem, que já tem uma tendência biológica a dormir e acordar mais tarde (sim, não é só preguiça!), provavelmente tenderá a inverter seu ciclo de sono. É de enlouquecer qualquer pai/mãe a vã tentativa de fazer seu filho dormir mais cedo e tentar tirá-lo da cama antes das 10 horas da manhã.

O que fazer?

A rotina é uma grande “ajudante” que temos, por mais que pareça chata. Quanto mais habituados estamos a fazer determinadas coisas em determinados horários, menos sofremos. Já pensou se você tivesse que deliberar todas as manhãs se vai ou não escovar seus dentes? Seria bastante desgastante, mas como  você já criou uma rotina (ou hábito) com relação a isso, você escova os dentes sem pensar.

Então o melhor a fazer é criar uma rotina para si. É necessário criar um cronograma, com horários para acordar e dormir, tempo de estudo, tempo de lazer. É bom também determinar períodos limitados para jogos ou  redes sociais. Por exemplo: você pode combinar consigo que irá olhar seu whatsapp ou seu Instagran por 20 minutos de manhã e 20 minutos à tarde. Com isso, você diminuiu a vontade e a ansiedade em saber das novidades e pode estabelecer um período de descanso enquanto faz isso.

É importante escrever ou fazer uma tabela de sua rotina e pode ser muito mais eficaz se você compartilhá-la com alguém de sua confiança, como seus pais ou  um grande amigo/namorado(a). Será mais fácil para você cumprir seu “combinado” quando existe um compromisso externo também.

Se você for pai de adolescente (e se for pai de uma criança isso é ainda mais essencial!), deve ajudar seu filho a criar esse cronograma, fornecendo uma  estrutura ao dia dele, mas sempre pedindo a opinião dele! Lembre-se que ele já cresceu e deve ser capaz de assumir compromissos e escolher as melhores formas de realizá-los.

Após definir a rotina, será bom fazer algumas conferências, ver o que está funcionando e o que não está. Se for necessário, adapte o que não está sendo cumprido, para que você possa ter a melhor rotina possível!

Siga o nosso blog para continuar a ler essa matéria. Abraços,

Júnea Chiari

Médica Psiquiatra – CRMMG: 26.828

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