Fibromialgia e dor

Em meu consultório recebo frequentemente pessoas com o diagnóstico de Fibromialgia, uma doença reumatológica caracterizada por dores generalizadas no corpo. Sei que todos têm dores eventuais e sofrem com cansaço e sensação de esgotamento, porém na Fibromialgia a dor torna-se uma experiência diária, que traz um grande prejuízo na qualidade de vida do portador e de sua família.  

A  Fibromialgia  não é uma doença fácil de ser identificada, seu diagnótico baseia-se apenas nos sintomas clínicos , não existem exames que a comprovem. Para que seja cojitada é necessário descartar todos os diagnósticos que geram dores “explicadas” ou necessita-se que a dor seja crônica (persista por mais de 3 meses). Assim dá para imaginar o sofrimento do paciente que sente dores constantes, sem explicação, que peregrina de um médico a outro e, muitas vezes, sofre com a incredulidade de médicos e familiares. 

Os principais sintomas:

Na Fibromialgia, a dor prolongada é o principal sintoma. As dores podem ser sentidas por todo o corpo, em partes, em ambos os lados, na frente ou nas costas, e acima e abaixo da cintura. Podem acontecer nos músculos e/ou nas articulações. Geralmente há alívio com medicacoes para dor, mas não há cura.

A fadiga é o segundo sintomas associado à Fibromialgia: constitui um grande cansaço sem relação com esforços realizados ou crises de cansaço, que pode levar a pessoa para a cama. Apesar de não haver sempre uma queixa de insônia, a maioria das pessoas com esse transtorno queixa-se de um sono não-restaurador, independente das horas dormidas. Talvez por isso, as dificuldades de raciocínio, atenção e memória são muito presentes também. 

Outros sintomas relatados com frequência são: problemas no trato gastrointestinal (como dores de estômago, diarréia, constipação e inchaço na barriga), excessiva sensibilidade na bexiga e necessidade de urinar com frequência (cistite intersticial). 

Levando em consideração a pluralidade dos sintomas descritos, fica fácil constatar que, antes do maior conhecimento da Fibromialgia, um portador destas queixas passava anos percorrendo diversos médicos e outros profissionais da saúde até conseguir um diagnóstico. Além da exaustão que isso trazia ao próprio paciente, era comum a família ficar cansada das repetidas queixas de dor de seu ente, levando ao descaso e ao julgamento do paciente. 

Causas da Fibromialgia: 

Não sabemos exatamente o que causa a fibromialgia. A hipótese mais aceita é que portadores de fibromialgia têm uma alteração neuronal na percepção da dor. É como se essas pessoas percebem mais os estímulos dolorosos do dia-a-dia, e coisas que não doem nos outros parecem doer nelas (por exemplo: alguns fibromiálgicos sentem dores apenas quando tem a musculatura massageada).

Associado a isso, as comorbidades psiquiátricas como depressão e ansiedade são muito comuns na Fibromialgia, o que torna as coisas um pouco mais difíceis. Muitas vezes, não sabemos quem “nasceu” primeiro: a Fibromialgia pode resultado de um adoecimento emocional; em outras vezes, o sofrimento crônico leva a um profundo desgaste na saúde mental. 

A Fibromialgia é mais comum em mulheres (em cada 10 casos, 9 são mulheres), com a idade inicial mais comum em torno dos 35 anos. Parece ocorrer em famílias, então pode haver alguma tendência genética. 

Como lidar como a Fibromialgia?

Embora a maioria das pessoas veja uma melhora dos sintomas com o tempo, a Fibromialgia é uma condição de longo prazo. Os sintomas aparecem e desaparecem, existem dias bons e dias ruins. Mesmo não havendo cura estabelecida, o tratamento pode ajudar a controlar os sintomas, diminuindo o impacto das dores e prejuízos funcionais. 

Se você se identificou com os sintomas ou conhece alguém que parece sofrer de Fibromialgia, converse com seu médico. O conhecimento é um fator indispensavel em qualquer tratamento. 

 

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