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Jornalista especialista em Produção em Mídias Digitais e mestre em Comunicação Digital Interativa. Professor e coordenador de Pós-graduação no IEC PUC Minas nas áreas de Marketing, Gestão e Vendas. VISITE MEU SITE: www.etcdigital.etc.br Marque uma consultoria pelo whatsapp: 31 998316905. Email: alysson@etcdigital.etc.br

Você é feliz no trabalho? A ciência pode explicar

ikigai - motivo pelo qual acordamos todas as manhãs
ikigai – motivo pelo qual acordamos todas as manhãs

É possível ter felicidade no trabalho? Dinheiro traz felicidade? São esses e outros questionamentos que iremos discutir neste artigo. Para isso, entrevistamos o professor Renato Bruno, especialista em Marketing, com graduação e pós-graduação em Educação e profundo conhecedor do assunto. Esse tema é fundamental também para quem trabalha com Gestão de Pessoas e quer estimular os colaboradores para uma gestão mais eficiente e um ambiente de trabalho mais feliz.

Renato, você tem um currículo muito vasto na área de negócios e percebeu ao longo de sua jornada como a felicidade afeta os negócios. Por isso criou um conceito dentro do seu espaço de coworking, o Ikigai – Happiness For Business. O que significa isso?

Há um tempo eu fui convidado a lecionar uma matéria de Gestão de Pessoas para oferecer algo inovador e comecei a pesquisar muito. O que eu poderia trazer de inovador para a gestão de pessoas? E eu me deparei com um livro do Martin Seligman, Felicidade Autêntica. Nesse livro, o autor aborda a felicidade por uma perspectiva científica. Ao estudar a obra e os demais autores que ele cita, entendi o que verdadeiramente faz as pessoas serem felizes. Então pensei comigo: Se a máxima do ser humano é a busca da felicidade, se eu tornar os colaboradores felizes, o nível de produtividade aumenta. E aí surgiu o Happiness for Business, que nada mais é do que uma estratégia corporativa que visa aumentar a experiência dos colaboradores, promovendo o bem-estar. Consequentemente, o resultado é o engajamento e o aumento espontâneo de produtividade dos colaboradores.

Mas o que traz felicidade para o colaborador não é um bom salário? Quais são os outros aspectos? Dizem que se não trouxer felicidade a gente compra, não é verdade?

Vamos desmistificar essa questão. Dinheiro traz felicidade, sim. É fato. Realização pessoal, profissional e financeira são os pilares para atingir a felicidade. Os estudos comprovaram que se eu supero minhas necessidades básicas e tenho um pouquinho de luxo, acima disso o dinheiro não impacta diretamente na felicidade. Então não é só dinheiro. Eu sempre falo para os gerentes, líderes, colaboradores e donos das empresas: se você estiver pagando o valor que o mercado paga e implantar uma campanha de meritocracia dentro da sua empresa (quem produz mais, ganha melhor), o resto não faz tanta diferença assim. É importante entender que a felicidade é um constructo complexo, que não pode ser definido apenas por realização pessoal e financeira. Quando falamos de felicidade, temos que falar de propósito, noções positivas e relacionamentos de qualidade. As empresas precisam criar estratégias corporativas para que os colaboradores sejam verdadeiramente felizes. Shawn Achor, autor do livro O Jeito Harvard de Ser Feliz, deixa claro que não é mais sucesso que traz felicidade, e sim o contrário: felicidade traz mais sucesso.

Você tem um espaço aqui em Belo Horizonte, na Avenida Prudente de Morais, 755, o Coworking Ikigai, Happiness for Business. O que torna esse lugar um coworking feliz?

Legal, boa pergunta! Começa pelo nome, né? O nome Ikigai significa, em japonês, razão de ser. Traduzindo para o português, seria como propósito ou sentido para nossa vida, um dos pilares da felicidade. A estrutura do coworking foi baseada nos cinco pilares propostos pelo autor Martin E. P. Seligman, do livro Felicidade Autêntica, quando ele era presidente da Associação Americana de Psicologia. E quais são esses pilares? Sentido e propósito; Emoções (alegria, contentamento, amor e esperança); Engajamento (viver verdadeiramente o momento presente); Realização pessoal, profissional e financeira e, por último, Relacionamentos de qualidade. Não existe um pilar mais ou menos importante que o outro, mas acredito que dois pilares são cruciais para nossa felicidade, principalmente para nossa cultura brasileira, que é o relacionamento de qualidade e a gente enxergar sentido para a nossa vida. Acho que todos são pilares que compõem a felicidade nas nossas vidas.

Estamos em plena pandemia, ninguém pode mais viajar como antes, estamos fazendo aulas, estudando e trabalhando dentro de casa e tendo que lidar com inúmeras adversidades, como barulhos, qualidade da internet etc. Antes da pandemia, por exemplo, você podia se deslocar desse “caos” e diferenciar o ambiente de trabalho do ambiente de casa. Hoje essa não é a realidade. Como as pessoas podem buscar equilíbrio dentro do cenário que vivemos agora, o cenário de pandemia?

Excelente pergunta. O desafio aumentou. É uma das grandes mudanças comportamentais, se trouxermos os níveis neurológicos da PNL. Uma das primeiras coisas que impactam o nosso comportamento é o ambiente. Uma dica crucial que sempre trago para as pessoas é separar a vida pessoal e a profissional. No momento, você precisa estar em home office, então é importante separar ao máximo sua identidade pessoal de sua identidade profissional.

Mas como fazer isso?

A começar pelo ambiente. Ele influencia diretamente o nosso comportamento. Então, se você está de pijama na sala da casa ou mesa de jantar, sua mente não entende que aquilo é trabalho. Comece pela roupa que você vai vestir e o ambiente que você vai estar. Se você tem a possibilidade de sair, venha para o Ikigai ou para qualquer outro espaço de coworking, onde você terá a opção de verdadeiramente mudar de ambiente. Isso influencia, sim. Trabalhando de casa, acho que o rendimento é muito baixo porque temos geladeira muito acessível e outras coisas para tirar a nossa atenção. A diferença é que quando estamos em um ambiente colaborativo, no qual todo mundo está trabalhando, acabamos nos estimulando.

Acima você falava de uma pesquisa sobre felicidade no trabalho. O que podemos extrair da pesquisa?

Uma pesquisa do Instituto Gallup mostrou que 72% das pessoas não gostam do próprio trabalho. E olha que curioso: para você que é empreendedor, dono de empresa ou gerente, desses 72%, cerca de 18% estão tão desengajados com a empresa que têm interesse em prejudicar o local onde trabalham. Veja que interessante como funcionam esses números da felicidade no trabalho e se as pessoas estão verdadeiramente satisfeitas e felizes no ambiente corporativo. Eu tenho uma frase muito legal: “Se você é infeliz no trabalho, meus pêsames, porque você passa no mínimo um terço da sua vida trabalhando”. Não dá para ser infeliz um terço do tempo de sua vida.

Mas como alcançar essa felicidade?

Primeiramente, é ter uma meta clara, saber exatamente onde você quer chegar. Não importa o caminho. Fazer faxina, trabalhar de Uber, repositor de supermercado e vendedor, como eu fui, todas essas atividades pavimentaram a estrada para eu chegar onde quero estar hoje. Sou professor, consultor e palestrante destes segmentos (marketing, vendas, comportamento humano e produtividade clara para atingir a felicidade). Eu tive um caminho. Não importava o que eu ia fazer, desde que fosse ético, para chegar onde eu queria chegar. O caminho, por mais que não fosse exatamente o que eu gostava de trabalhar, foi suave e prazeroso, porque eu entendi a qual ponto queria chegar.

Por ter uma jornada com objetivo de chegar em um lugar, independentemente do que você estava fazendo até essa jornada ser cumprida, deixava sua cabeça tranquila, correto?

Sim. Eu era feliz sendo repositor, garçom e vendedor, porque eu sabia exatamente onde eu queria chegar. Então não importa qual é o caminho, se vai ter pedra ou cobras. Ter a mente muito clara de onde você quer chegar é o primeiro passo.

Renato, você falou de jornada, objetivos e trajetórias. Você estava lá como garçom, mas sabia onde queria chegar. Essa maturidade, claro, não veio do dia para a noite, imagino. Além disso, você também não é da Geração Z, mais ansiosa, que quer tudo de maneira muito imediata. Essa questão de crescer na empresa, como os nossos pais, ficando por 20 ou 30 anos no mesmo trabalho para subir de cargo, não é mais comum. Então, como a gente consegue falar para os nossos colaboradores ou para os nossos filhos para que tenham essa resiliência e paciência que você teve?

Realmente é muito difícil para as novas gerações. Vivemos na era da informação, então agora se quisermos, por exemplo, falar com alguém no Japão pegamos o celular e nos conectamos. A primeira coisa é, como você comentou: eu construí isso ao longo da minha carreira. Eu não sabia quando tinha os meus 17,18, 20 anos o que gostaria de fazer. Porém, sabia o que eu era bom em fazer. Tal Ben-Shahar, professor em ciência da felicidade de Harvard, que por sinal é uma das matérias mais concorridas de Harvard até hoje, tem um modelo que eu acho muito interessante. Nele, conseguimos identificar o nosso propósito, porque já está interno, ou seja, ele já é nosso. O problema é descobrir esse propósito. Existem diversas ferramentas para ajudar a fazer essa reflexão de qual é o nosso sentido na vida. O autor faz uma intersecção entre três coisas importantes. Uma delas é o que me dá sentido, o que eu faço que me dá esse sentimento de preenchimento; o segundo é o que me gera prazer, um sentido mais físico, como uma viagem, ler um bom livro ou até ficar com os amigos. E por último, quais são suas forças e virtudes. Quando percebemos isso fica fácil identificar o que a gente ama fazer.

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Quando você fala “O que eu faço, me gera prazer e as pessoas identificam forças e virtudes”, percebo que temos um problema em algumas empresas, principalmente aquelas que nasceram no século passado, onde há punição em relação ao erro. A escola é assim também, você erra e sua nota é vermelha no boletim. O erro é sempre visto como algo negativo e as pessoas têm medo de errar. Resultado, elas se fecham e, se fechando, ficam mais tímidas, consequentemente fecham menos negócios, ganhando assim menos dinheiro e ficam infelizes. É uma bola de neve. A pergunta é: Como ensinar então para as pessoas que o erro faz parte do processo?

Esse é um desafio gigante. Acredito que a base seja a família. Temos que mudar a concepção da família e das escolas sobre os erros. Exemplo: o aluno tira 10 em Português, 10 em Literatura, mas em Matemática ele não tirou uma nota muito boa. E a mãe vai olhar e falar “pô, como você não tirou 10 em Matemática?”. Acho que esse conceito tem que mudar, temos que alterar essa vertente, porque nem todo mundo consegue fazer tudo e ser bom em tudo. Quando alguém tenta fazer tudo, acaba virando um “pato” querendo nadar, voar e correr e não fazendo nenhuma das atividades com eficiência. Todos nós temos virtudes, temos que descobri-las e amenizar as fraquezas. Mas o foco tem que ser nas nossas forças e virtudes.

Qual dica você deixa para as pessoas começarem a buscar a felicidade?

Vamos falar do Ikigai, né? (risos). O principal: não existe um pilar melhor ou pior do que o outro, mas eu acho que o Ikigai é um dos principais pilares para ver sentido na vida. Tem até uma pesquisa recente demonstrando que a cada 10 pessoas que fazem terapia, sete reclamam de não estarem vendo sentido na vida. Acho que a primeira coisa é pensar o que te faz acordar todos os dias. Faça uma reflexão sobre isso olhando para dentro de si para entender o que gera em você sentido e prazer.

(*) Professor Renato Bruno é Consultor, Palestrante, especialista em Marketing, Vendas, Comportamento Humano, Produtividade, Employee experience e Ciência da Felicidade. Acesso o perfil do Linkedin.
(**) Professor Alysson é Coordenador de pós-graduação no IEC PUC Minas e também diretor da ETC Digital. Empresa especializada em Marketing Digital, Transformação Digital e Negócios. www.etcdigital.etc.br

vidadigital

Jornalista, professor IEC Puc Minas, blogueiro e consultor sobre novas mídias e marketing digital. Mestre em comunicação digital interativa e especialista em produção em mídias digitais.

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