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Jornalista especialista em Produção em Mídias Digitais e mestre em Comunicação Digital Interativa. Professor e coordenador de Pós-graduação no IEC PUC Minas nas áreas de Marketing, Gestão e Vendas. VISITE MEU SITE: www.etcdigital.etc.br Marque uma consultoria pelo whatsapp: 31 998316905. Email: alysson@etcdigital.etc.br

Você consegue se livrar das mídias narcisistas?

Será que conseguimos reduzir o uso das redes sociais para uma vida mais próxima das pessoas?
Será que conseguimos reduzir o uso das redes sociais para uma vida mais próxima das pessoas?

Quando tentamos configurar nossas redes sociais, bate o desespero na hora. Um monte de coisas que não sabemos, mas precisamos aprender, começam a surgir em infinitas sobreposições de telas e mensagens. Configurações que parecem mais um labirinto e uma série de senhas para todos os lados nos dá vontade, quase incontrolável, de desistir para sempre. Mas não é tão simples assim.

Apesar dos benefícios trazidos pela internet e seus gadgets maravilhosos, a hiperconexão em diversas mídias sociais está levando, principalmente os mais jovens, a um esvaziamento. Segundo o filósofo coreano Byung-Chul Han, em seu livro No Enxame – Perspectivas do Digital, estamos vivendo uma desintegração generalizada do comum e do comunitário. Nossa mudança de papel, antes consumidores passivos, para remetentes e produtores ativos está deixando enormes sequelas sociais. A desmediatização da comunicação ocasionou novas perspectivas nas relações de poder, o que o pesquisador Roger Fidler aponta bem em seu livro Mediamorphosis.

Para Fidler, todos os meios de comunicação e suas mais variadas formas coexistem e coevoluem expandindo-se em um complexo e adaptativo sistema. Novas formas se reconfiguram e se constroem a partir de propagação de códigos entremeados de opiniões, formas, leituras e, claro, de interpretações. O que é dito não se esgota apenas na formalidade da língua, até mesmo porque a narrativa vem sempre acompanhada de novos códigos como emojis, neologismos, abreviações, gifs animados, edições, colagens e tudo que a imaginação humana pode criar ligeiramente.

Nossa confusão em entender esse complexo sistema de signos não está apenas na linguagem e suas características próprias, mas de onde partiu, por qual meio surgiu, o que foi agregado, subtraído ou recortado nessa trajetória. E, para piorar, somado a toda essa colcha de retalhos, está o famigerado algoritmo (que chamamos de inteligência artificial) que muda ao sabor do vento, entregando mais ou menos conteúdo e fazendo suas conjecturas, por mais absurdas que possam parecer.

Tudo isso em prol da suposta internet livre, na qual podemos fazer escolhas, trilhar caminhos próprios e até nos desplugar quando quisermos. Será?

Voltando ao texto de Byung-Chul Han, outro destaque interessante do autor: “A conexão digital não é, para Flusser, uma mídia compulsória pelo novo, mas sim a da ‘confiança’, que empresta ao mundo ‘um aroma’, ‘um cheiro específico’”. Esse “empréstimo” que o autor ressalta é visível quando, por exemplo, postamos algo no Instagram certos de que existirá uma chuva de likes e curtidas nos dopando de “pertencimento social”.

Telas para acalmar os filhos

Essa profusão de mídias está tirando o tempo que dedicamos ao outro. Nos restaurantes, cada qual com seu smartphone vive sua própria história. Deixamos de olhar o outro em troca de um desempenho individual, egocêntrico e fugaz. As mídias narcisistas, como aponta Byung-Chul, estão nos reduzindo a uma espécie de homus performático em um mundo que viraliza mentiras, exalta a beleza acima dos valores morais e nos distancia mesmo de quem está ao alcance dos braços.

Saiba, quando estiver se esforçando para controlar as redes sociais, reduzir seu uso. Acredite: elas não foram desenvolvidas para que você as controle, e sim o contrário. Quando terminar de estudar e aprender sobre o comportamento das mídias sociais, novas versões e “funcionalidades” brotarão instantaneamente bem na frente dos seus olhos. O jeito é compartilhar, correr os dedos e coletar os dados. Quando bater o desespero pelo excesso de informação, desabafe, quem sabe com um amigo real?

vidadigital

Jornalista, professor IEC Puc Minas, blogueiro e consultor sobre novas mídias e marketing digital. Mestre em comunicação digital interativa e especialista em produção em mídias digitais.

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