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Jornalista especialista em Produção em Mídias Digitais e mestre em Comunicação Digital Interativa. Professor e coordenador de Pós-graduação no IEC PUC Minas nas áreas de Marketing, Gestão e Vendas. VISITE MEU SITE: www.etcdigital.etc.br Marque uma consultoria pelo whatsapp: 31 998316905. Email: alysson@etcdigital.etc.br

Usuários valem mais que produtos no mundo das plataformas

O sucesso de empresas nascentes como Instagram, Uber ou AirBnB pode ser explicado pela preocupação constante dessas empresas em colocar toda a energia na interação dos usuários com a plataforma

Os desafios vivenciados por empresas e indústrias de todos os portes e segmentos a partir do início do século XXI têm movimentado empresários na inevitável adoção de novos modelos de negócios. Há quem diga que mudança agora é mais emblemática e profunda que até mesmo a Revolução Industrial, ocorrida na Europa a partir do século XVIII. Por isso, não mudar o modo de gerir os negócios pode significar a derrocada ou o abandono por parte dos usuários e clientes.

Como é a nova economia que atravessamos atualmente e que plataformas competem com empresas tradicionais? Autor do livro Plataforma – A revolução da estratégica,Marshall Van Alstyne é um dos maiores especialistas do mundo sobre o tema. Formado pela Boston University e com especialização em Ciência da Computação pela Universidade de Yale, ele esteve no HSM Summit – Leadership & Innovation no mês passado para abordar o tema.

Exemplos não faltam para mostrar como a economia alterou profundamente as empresas baseadas em pipelines – linha de montagem tradicional. A Kodak, uma gigante com mais de 130 anos, em seu auge, chegou a ter 145 mil funcionários e a valer US$ 30 bilhões. Atualmente, ela está avaliada em apenas US$ 145 milhões. Por outro lado, o Instagram em 2010 tinha apenas 13 funcionários e foi adquirido pelo Facebook por US$ 1 bilhão, exatamente pela capacidade da plataforma em atrair novos usuários.

Das marcas mais famosas do mundo hoje, 60% são plataformas. A Coca-Cola era a mais valiosa do planeta há três anos e foi superada pela Apple e pelo Google. Em 2009, a Blackberry tinha 40% do mercado e hoje tem apenas 2%. Mas o que explica toda essa mudança?

O sucesso de empresas nascentes como Instagram, Uber ou AirBnB pode ser explicado pela preocupação constante dessas empresas em colocar toda a energia na interação dos usuários com a plataforma. A Nike é tradicionalmente conhecida como uma fábrica de artigos esportivos, porém, a mudança ocorreu quando ela, utilizando tecnologia e dispositivos acoplados ao corpo, conhecidos como wearables, se reinventou e converteu consumidores em usuários.

Os aplicativos e produtos da Nike (veja vídeo abaixo) geram dados que informam o deslocamento, performance e competição com outros membros da comunidade. Essa imbricada teia de ações baseadas em dados aproxima os usuários que buscam, entre outros atributos, desempenho, qualidade de vida e longevidade. Competir, encontrar pessoas, calcular distâncias percorridas, construir comunidades em uma profunda rede de relacionamentos são os objetivos das empresas plataforma.

Para entender um pouco como a plataforma é uma importante estratégia, outro exemplo interessante é observar a indústria japonesa Sony. Líder mundial de entretenimento e equipamentos eletrônicos no século passado, a gigante não conseguiu perpetuar seu sucesso em todos os segmentos em que atuava, porque suas divisões eram independentes demais e atingiam públicos que não se conectavam de alguma maneira por meio de seus produtos.

Diferentemente do que aconteceu, por exemplo, com a Apple, os produtos da empresa estavam, de alguma maneira, atrelados a outros, como sistemas operacionais e aplicativos. Desse modo, o usuário se sentia mais confortável em trafegar.

Efeitos de rede

Usuários geram valor para os usuários, que geram mais valor para a plataforma, que atrai mais usuários e, assim, sucessivamente. Esse é o ciclo que coloca todos nós como agentes centrais no negócio. Agora existem mais pessoas fora que dentro das empresas e os gestores precisam entender essa nova dinâmica.

O Facebook abriu sua API para que desenvolvedores pudessem criar jogos e outros produtos de entretenimento mantendo, assim, seus usuários o maior tempo possível dentro da plataforma. Essa medida foi uma das responsáveis pelo crescimento exponencial da plataforma a partir de 2012.

Mas será que toda empresa pode se transformar em uma plataforma de negócios? A resposta é sim. Todas as empresas precisam compreender que esse é o caminho. Parece estranho, mas empresas nascentes estão desbancando indústrias consolidadas em diversos setores no mundo. Quanto mais o foco estiver no cliente, maiores serão os ativos, o crescimento da marca e seu valor de mercado.

Conteúdo divulgado originalmente em www.simi.org.br

vidadigital

Jornalista, professor IEC Puc Minas, blogueiro e consultor sobre novas mídias e marketing digital. Mestre em comunicação digital interativa e especialista em produção em mídias digitais.

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