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Jornalista especialista em Produção em Mídias Digitais e mestre em Comunicação Digital Interativa. Professor e coordenador de Pós-graduação no IEC PUC Minas nas áreas de Marketing, Gestão e Vendas. VISITE MEU SITE: www.etcdigital.etc.br Marque uma consultoria pelo whatsapp: 31 998316905. Email: alysson@etcdigital.etc.br

Sorria, você está sendo vigiado pelo Facebook

Facebook tem atraído a atenção da mídia após o escândalo de vazamento de dados. Foto: Lawrence Jackson

Escândalo envolvendo o vazamento de dados do Facebook coloca em xeque a segurança da rede. Mas realmente estamos preocupados com isso?

Cerca de 87 milhões de perfis no Facebook vazaram. A empresa Cambridge Analytica foi responsável pelo problema, que foi parar no Congresso norte-americano. Na semana passada, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, teve que dar explicações para os parlamentares daquele país. Entre uma resposta e outra, um discurso cauteloso para não abalar as finanças de uma empresa que vale hoje meio trilhão de dólares.

Segundo a CNN, a empresa perdeu US$ 80 bilhões em uma semana de escândalo. Com quase dois bilhões de usuários ativos, vale lembrar que o Whatsapp e o Instagram pertencem também ao grupo, o que amplia, ainda mais, o alcance da empresa.

Não adianta reclamar. A partir do momento em que você cria uma conta na rede social, seus dados começam a ser monitorados, medidos e “trabalhados” pela empresa. Você se conecta utilizando o botão “Login com o Facebook”? Pronto, seus dados passam a ser compartilhados automaticamente para as empresas. Informações do seu perfil como número de amigos, preferências, locais que frequenta, entre outros, revelam muito sobre você.

“Eu sei o dia que você vai começar a namorar”

A pesquisa Formation of Love, realizada pelo Facebook em 2012, foi capaz de prever que um casal mudaria o status de “solteiro” para “relacionamento sério”. O gráfico mostra os níveis de interação (curtidas, cutucadas, likes…) que crescem com o passar do tempo até atingirem o pico no centésimo dia.

A pesquisa realizada de forma anônima nos mostrou a capacidade da plataforma em prever acontecimentos e, usado no âmbito do marketing, pode indicar o momento exato ou mais “propício” para entregar uma publicidade matadora. Não estamos imunes ou seguros. Nossos dados estão espalhados por caminhos que nem sequer imaginamos.

Presidente do Facebook teve que dar explicação para os deputados norte-americanos

Faça um teste para saber como seus dados estão expostos

Gente para bisbilhotar a nossa vida sempre existiu. Em pequenas doses sempre havia aquela pessoa que dava conta da vida de toda a vizinhança, não é mesmo? O problema continua a existir, mas agora em escala global. Para se ter uma ideia, o aplicativo Data Selfie monitora o comportamento do usuário no Facebook e entrega um relatório sobre seu comportamento enquanto navega. Basta instalar o App para receber os relatórios.

É possível reduzir a insegurança?

Você pode escolher utilizar ou não as redes sociais, mas será bem difícil evitar totalmente a exposição dos seus dados pelos programas como mapas, e-mail, browsers e o pior, tudo passa pelos smartphone. Os aparelhos celulares “ouvem” os sons ambientes de seus usuários durante algumas horas por dia. De modo aleatório, os sons capturados vão ajudar na melhoria da acurácia dos softwares de reconhecimento de voz, pelo menos isso é o que alegam as empresas como Google e Amazon.

A pesquisadora Amanda Jurno da UFMG estuda os algoritmos do Facebook

Pesquisadores tentam entender o comportamento do algoritmo

Será que os programas que invadem nosso cotidiano expõem apenas informações parecidas com as quais já estamos habituados? Nossas preferências estão alinhadas às preferências de nossos amigos? Como saber se não estamos sendo manipulados e “forçados” a pensar de um modo construído pelos algoritmos?

Não é uma tarefa fácil, entender como funcionam os algoritmos é como descobrir a fórmula da Coca-Cola. Esses desafios estão na mesa dos pesquisadores em comunicação mundo afora. A doutoranda Amanda Jurno da Fafich na UFMG estuda as interfaces entre o jornalismo e a plataforma Facebook. Segundo ela, é difícil saber exatamente como funciona o algoritmo das redes sociais, mas o que se sabe é que a plataforma nos entrega conteúdo a partir de nossas ações na rede, em outros site, pelo interesse de nossos amigos e também por relevância.

“O que os algoritmos do Facebook escolhem nos mostrar varia  a cada dia, em razão das várias alterações nos seus critérios e na sua composição. Essas alterações podem ter alguns objetivos – como favorecer vídeos, aumentar engajamento, desfavorecer notícias. Em 2014, a plataforma realizou um experimento que media o humor dos usuários a partir do conteúdo exibido. Os resultados geraram uma enorme discussão sobre a imprevisibilidade da seleção feita pelos algoritmos”, completa a pesquisadora.

O certo é que o nosso conceito de privacidade vai ficando cada dia mais obsoleto e os limites entre a ética das empresas de tecnologia e o lucro que elas obtêm são linhas tênues no emaranhado universo das mídias sociais. Enquanto os jovens buscam, cada vez mais, empresas transparentes e ligadas a propósitos claros que permeiam a ética nos negócios, parece que a fúria dos investidores não deixar que os ganhos e a lucratividade fiquem em segundo plano. É hora de você escolher em qual rede ficar, mas saiba: não estamos imunes. Seremos sempre, e cada vez mais, vigiados.

vidadigital

Jornalista, professor IEC Puc Minas, blogueiro e consultor sobre novas mídias e marketing digital. Mestre em comunicação digital interativa e especialista em produção em mídias digitais.

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