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Jornalista especialista em Produção em Mídias Digitais e mestre em Comunicação Digital Interativa. Atualmente, é articulista no portal Simi (Sistema Mineiro de Inovação), ligado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e professor de jornalismo no Uni-BH e no MBA do IEC PUC Minas nas áreas de Inbound Marketing e E-commerce. Contato: VISITE MEU SITE: www.alyssonlisboa.com.br Whatsapp: 31 998316905. Email: alyssonlneves@gmail.com

Saída da HyperloopTT de Contagem é um retrocesso incalculável para Minas Gerais

Chegou rapidamente e já está partindo. O trem bala Hyperloop TT, anunciado na antiga gestão da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sedectes), está de malas prontas para partir. Viajando a 1.280 quilômetros por hora, a ideia inovadora idealizada por Elon Musk percorreu o mundo inteiro em busca de parcerias e foi parar aqui. Entre os diversos países e cidades interessadas, Contagem, em Minas Gerais, parecia ser o lugar ideal para a construção de seu Centro de Pesquisa e Desenvolvimento.

Em 20 de junho de 2018, com toda a pompa, o Governo de Minas anunciava a chegada do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa (P&D). Participei da cobertura jornalística do evento, – escrevi um artigo sobre o tema – que contou com a participação de prefeitos, secretários de estado, autoridades e diretores de grandes empresas locais. Parecia que Minas Gerais iria realmente olhar para a inovação com a seriedade necessária.

Dependência da mineração, até quando?

Seria possível que o P&D da Hyperloop se desenvolvesse em Minas? Afinal, somos completamente dependentes da mineração e da exportação do café. A inovação e o empreendedorismo estão despontando como um forte vetor de crescimento, não só no Brasil, mas em diversas partes do mundo. Mas conseguimos desafiar o status quo?

A chegada da Hyperloop era a esperança que traria novo impulso aos jovens empreendedores e alunos ligados à área de Tecnologia da Informação. Vale lembrar que a UFMG é referência mundial quando assunto é a formação de engenheiros e temos escolas técnicas de qualidade reconhecida pelo mercado, como é o caso do Cotemig e do CEFET MG.

Enquanto discutimos a precariedade e o aumento de preços das passagens do metrô de Belo Horizonte, com seus 23 quilômetros de extensão – o que não leva a muitos lugares. Enquanto isso, deixamos passar uma oportunidade única para Minas Gerais. O motivo da saída, pelo que consta, é a falta de recursos do Estado. Os R$ 13 milhões iniciais para alavancar o projeto não chegaram.

Inovação é, antes de nada, uma questão cultural

O Vale do Silício, nos Estados Unidos, é reconhecido por todos como a meca da inovação do mundo. No entanto, quando se olha com mais atenção para a região, foi o seu passado que trouxe a cultura da inovação para a região e atraiu empresas bilionárias, como Facebook, Twitter, Netflix e tantas outras. Com o surgimento de empresas como HP, em 1939, Intel em 1968, Apple em 1976, o interesse de instalar empresas no local transformou a região em um potente ecossistema.

O círculo virtuoso atraiu centenas de empresas de várias nacionalidades e regiões, como a italiana Olivetti, as japonesas Sony e Hitachi e a holandesa Philips. Transferindo para a nossa realidade, trouxemos o primeiro Centro de Engenharia do Google na América Latina, que foi expandido em abril de 2016. Isso aproximou o Google de nossos estudantes de engenharia, o que atraiu empresas de outras cidades e estados e consequentemente empresas estrangeiras.

Um movimento natural

Hoje a aproximação de soluções no mesmo espaço geográfico é o que orquestra a complexa e dinâmica rede de contatos, parcerias e produção em série de novos negócios. Minas Gerais está perdendo o trem da história da inovação. Não por ser a Hyperloop, mas que a tecnologia exigida de um modal de transporte disruptivo como esse iria também atrair as melhores mentes para o Estado.

Perde Minas e o Brasil e também as escolas e faculdades. Parece que na era dos ganhos exponenciais e tecnologias disruptivas, desejamos olhar a história dentro de uma Maria Fumaça. Apesar de sermos a segunda maior comunidade de startups do Brasil, não conseguimos contribuir olhando apenas para dentro de nossas startups. Precisamos de empresas globais para desafiar o modo como fazemos e gerimos nossas empresas.

vidadigital

Jornalista, blogueiro e consultor sobre novas mídias e marketing digital. Mestre em comunicação digital interativa e especialista em produção em mídias digitais.

5 thoughts to “Saída da HyperloopTT de Contagem é um retrocesso incalculável para Minas Gerais”

  1. Blogueiro, obrigado pelo comentário. Como mineiro, compactuo com sua frustração e concordo que Minas Gerais parece depender ainda de carros-de-boi para se locomover, tamanha dificuldade de olhar para a inovação.

    Bom, perita-me algumas correções no seu texto:

    • O Centro de Engenharia do Google em BH já existe há 13 anos. No seu texto você disse que ele aportou em terras mineiras em 2016, porém esse ano marcou apenas a mudança e ampliação do escritório. Antes ele ficava na Bias Fortes, perto da Praça da Liberdade, e agora ele fica no no edifício em cima do Boulervard Shopping.

    • O metrô de Belo Horizonte tem 28.1km, e não 23km como foi pontuado no texto. Ok, dá na mesma, continua pequeno pro tamanho da cidade; apenas pra corrigir a informação. Com 23km ou Contagem ou Venda Nova não seriam beneficiadas com o sistema, criando uma grande defasagem no fluxo de pessoas.

    • O título de “meca da tecnologia” que muito se comenta sobre o Vale do Silício é uma autointitulação dos Estados Unidos. É fato que a região concentra grande número de empresas de tecnologia e nós, como ocidentais, acabamos vendo o lugar como referência mundial. Porém nem de longe é o lugar que mais se concentram empresas inovadoras. Moro em Tóquio, trabalho no campo tecnológico e meus colegas da área sempre refutam essa consideração superestimada ao Vale do Silício. Norte-americanos sabem fazer mídia como ninguém (não é atoa que os caras detém as maiores redes sociais do mundo) e por isso sobrestimam a si próprios o tempo todo. No entanto, cidades como Tóquio, Osaka, Seul, Xangai e Taipei atualmente concentram muito, mas muito mais empresas inovadoras que o Vale do Silício. Tóquio, por exemplo, é quartel-general e centro de engenharia de empresas como Panasonic, Canon, Nikon, Hitachi, NEC, Nintendo, Honda, Sony, Mitsui, Yamaha, Fujifilm, Toshiba, Subaro, Honda, Mitsubishi, Acura, JVC… e centenas de outras. Além disso em Tóquio são desenvolvidas tecnologias para consumo interno, como os famosos trens-bala, hoje presentes nas principais potências do planeta, todos com tecnologia originalmente japonesa. Enquanto o empresário popstar Elon Musk gasta uma saliva danada pra tentar aprovar projetos de trens de alta velocidade cheios de falhas de segurança (e por isso não consegue levar o projeto adiante), o JR-Maglev japonês já bateu seu próprio recorde, 603km por hora, plenamente capaz de levar passageiros com toda segurança do mundo.

    E graças a esse poderio tecnológico o PIB de Tóquio, sozinho, é mais que o dobro do PIB de todas as cidades do Vale do Silício juntas e é quase equiparado ao PIB de toda a Califórnia. Vale dizer que a maioria das empresas estrangeiras que estão no Vale do Silício não possuem sede lá, apenas um escritório ou um centro de desenvolvimento de algum produto. Obviamente existem grandes empresas de tecnologia verdadeiramente sediadas por lá, como Intel, Apple, Adobe, Sandisk por exemplo. Mas também tem muitas empresas que apenas desenvolvem aplicativos e redes sociais, que não podem ser chamadas, necessariamente, de inovadoras. Os medidores de inovação mundial apontam que o Japão e a Coreia do Sul lideram as listas, tendo Xangai e Taipei na lanterna. Aliás, o mundo inteiro tem percebido a ascensão da China como meca tecnológica – e em muito breve ela estará no podium mundial – já estamos sentindo os efeitos aqui no Japão.

    Além disso as empresas japonesas tem fama de duráveis. Mais da metade das empresas japonesas que eu citei já existem há quase (ou mais que) 100 anos, foram criadas antes da Segunda Guerra Mundial, enquanto as empresas norte-americanas do Vale do Silício não possuem nem 30 anos, em sua maioria. Das 5 empresas mais antigas do mundo, 4 são japonesas.

    Infelizmente por uma questão cultural não temos acesso no Brasil ao que acontece do lado de cá do planeta. Brasileiros não compreendem o idioma, não temos contato com a mídia oriental e a China ainda se mantém muito fechada ao resto do mundo. Esses fatores nos impedem de ter mais acesso a esse tipo de informação. Por isso resolvi tomar a liberdade para pontuar esses detalhes – me desculpe desde já se fui invasivo.

    Forte abraço!

    1. Uau!!! Que comentário sensacional. Muito obrigado mesmo. Adorei saber que trabalha em Tóquio. Obrigado também pelos comentários. O Centro de Engenharia do Google, quando cito, realmente falo da ampliação. Vou ficar mais atento. Topa me conceder uma entrevista para o blog e para o meu Podcast? Me envie seu email que explico melhor, tudo bem?

  2. Na reportagem sobre o Hyperlooptt. nem comentou sobre o CEFET tanto como ensino técnico quanto superior e que possui alguns cursos de engenharia muito mais voltados para o mercado.

    Devia se informar melhor.

  3. Obrigado pela informação. Sou morador de Contagem e passo todos os dias em frente ao local que seria a construção do Hyperloop. E infelizmente é triste ler uma notícia dessas, pois daria uma marco muito grande para a economia e visibilidade ao nosso estado. Eu estava na torcida que esse projeto desse certo.

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