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Jornalista especialista em Produção em Mídias Digitais e mestre em Comunicação Digital Interativa. Atualmente, é articulista no portal Simi (Sistema Mineiro de Inovação), ligado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e professor de jornalismo no Uni-BH e no MBA do IEC PUC Minas nas áreas de Inbound Marketing e E-commerce. Contato: VISITE MEU SITE: www.alyssonlisboa.com.br Whatsapp: 31 998316905. Email: alyssonlneves@gmail.com

Plataformas como modelos não lineares de competição

Alysson Lisboa Neves | Professor no IEC PUC Minas

David Rogers, professor da Columbia Business School, dedica o capítulo 3 do livro Transformação Digital – Repensando o Seu Negócio Para a Era Digital (2018) para falar sobre as plataformas – termo relativamente genérico, que permeia as mais diversas áreas como  as ciências sociais aplicadas, análises clínicas, administração, TI, mídia e tantas outras.

No entanto, o termo vem ganhando destaque quando nos referimos aos novos modelos de negócios em que os competidores saem de sua linearidade tradicional (setor com setor) e passam a competir ou cooperar dentro do mesmo bojo de clientes. É o que o autor chama de “coopetição”.

Rogers (2018) destaca o AirBnb como um ótimo exemplo de plataforma. Segundo ele, o negócio gerido inicialmente por Brian Chesky e Joe Gebbia e que trouxe Nathan Blecharczyk pouco tempo depois, é um exemplo da ampla transformação do domínio da competição e de como as empresas se relacionavam.

No passado a competição se dava entre negócios rivais semelhantes. Contudo, na era digital, como destaca Rogers (2018), as fronteiras entre os setores estão cada vez mais nebulosas, “assim como parceiros e concorrentes. Hoje, todos os relacionamentos entre empresas são uma mistura de competição e cooperação, em constante mutação”. (Rogers, 2018: p. 76.77)

Um dos fatores preponderantes dessa mudança se dá também pela “desintermediação”, o que nos leva a pensar que a competição hoje perpassa setores e envolve parceiros de confiança mútua, com foco único no sucesso dos negócios. Um exemplo claro desse novo processo de competição refere-se aos smartphones. iOS da Apple e Android do Google atraem os desenvolvedores de softwares e games que, por sua vez, atraem consumidores para comprar seus smartphones. Esse modelo de negócios em rede constrói ecossistemas e induzem os clientes a interagir uns com os outros.

Interação crescente para tornar-se relevante

O valor de uma rede social ou de um aplicativo de sucesso hoje se mede pelo grau de interação e atividade realizada dentro da plataforma pelos clientes. Estima-se que o Instagram tenha valor de mercado próximo a US$ 100 bilhões, exatamente pela atividade constante de seus usuários na plataforma consumindo mídia e publicidade. Outro belo livro que trata do assunto Transformação Digital foi escrito por Geoffrey G. Parker, Marshall W. Van Alstyne e Sangeet Paul Choudary – Plataforma a Revolução da Estratégia (2016), que aborda também a mudança dos concorrentes dentro desse novo sistema de gestão. Um ponto interessante é que o efeito de rede pode recriar mercados e não apenas reagir a eles.

Os autores ilustram com um bom exemplo. Ao invés de dividir o bolo (entre as partes do negócio), as plataformas em geral fazem o bolo crescer, como conseguiu a Amazon, introduzindo recursos como autopublicação e a publicação sob demanda para além da venda de livros.

Outra realidade trazida pelos autores diz respeito à capacidade das plataformas de transformar os negócios, transferindo a influência administrativa de dentro para fora dos limites da empresa. “Agora, uma companhia não precisa mais explorar cada nova oportunidade por conta própria. Em vez disso, pode perseguir apenas aquelas que considerar as melhores, dando margem para parceiros do ecossistema desenvolverem as demais.” (PARKER, 2016: p. 227). Parceiros podem agregar funcionalidades e gerir parte do negócio, tirando a centralização comum no passado.

Mas afinal, o que é plataforma?

“O termo ‘plataforma’ é um conceito dominante tanto para o posicionamento de empresas de mídias sociais no mercado quanto para o modo como elas se dirigem aos usuários. Essa noção tem sido amplamente aceita pelos consumidores e pela imprensa” (GILLESPIE, 2010). Mesmo que a definição esteja impregnada na estrutura das mídias sociais e no contexto da comunicação contemporânea, buscaremos aqui trazer uma conceituação um pouco mais ampla.

A descrição mais exata de plataforma, no contexto que estamos abordando aqui, vem do trabalho de Andrei Haiu e Julian Wright – Multi-sided platforms – MIT (2015): Plataforma é um negócio que cria valor, facilitando interações diretas de dois ou mais tipos diferentes de clientes. Observamos aqui que tipos de clientes podem ser compradores e vendedores, desenvolvedores e consumidores, comerciantes, titulares de cartões e banco, entre outros.

A plataforma, até por sua própria natureza de crescimentos exponenciais em gestão descentralizada, deve permitir uma interação direta entre os dois lados envolvidos com certo grau de independência. Deve também, por último, permitir que as interações sejam facilitadas pela plataforma.

Para finalizar, trago o pensamento de Rogers (2018) sobre competição no modelo de plataforma. Ele afirma que “o resultado final dessas mudanças é um grande deslocamento no lócus da competição. Em vez de uma batalha de soma zero entre rivais semelhantes, a competição é, cada vez mais, uma disputa por influência entre empresas, com modelos de negócios muito diferentes, cada uma buscando conquistar mais alavancagem junto ao consumidor final”, completa o autor.

Abaixo, como exemplo, algumas plataformas e os clientes que elas reúnem:

Airbnb Anfitriões (locadores), locatários

Uber Motoristas autônomos, usuários (passageiros)

PayPal Correntistas, Comerciantes, Bancos

Youtube Espectadores de vídeos, Produtores de vídeo, Anunciantes

Google Search Usuários de mecanismos de busca, Criadores de sites, anunciantes

Android Usuários de smartphones e de tablets, fabricantes de hardware, desenvolvedores de aplicativos, anunciantes em aplicativos

Fonte: Livro Transformação Digital

vidadigital

Jornalista, blogueiro e consultor sobre novas mídias e marketing digital. Mestre em comunicação digital interativa e especialista em produção em mídias digitais.

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