Skip to main content
 -
Jornalista especialista em Produção em Mídias Digitais e mestre em Comunicação Digital Interativa. Atualmente, é articulista no portal Simi (Sistema Mineiro de Inovação), ligado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e professor de jornalismo no Uni-BH e no MBA do IEC PUC Minas nas áreas de Inbound Marketing e E-commerce. Contato: VISITE MEU SITE: www.alyssonlisboa.com.br Whatsapp: 31 998316905. Email: alyssonlneves@gmail.com

A violência está no modo como nos comunicamos

Saber ouvir e entender o sentido real da mensagem que o outro está querendo nos dizer é um dos princípios para compreender melhor aqueles que nos cercam. Afinal, não é à toa que temos dois ouvidos e uma boca. Há quem pense que a Comunicação não violenta (CNV) é algo ligado ao espírito, meditação ou uma jogada de marketing. Mas não é nada disso.

Quando paramos para observar o que comunicamos aos outros, podemos constatar que existe uma diferença significativa entre o que queríamos transmitir e o que, de fato, foi dito. Há em nós uma consciência negativa frente à postura agressiva das pessoas, mas poucas vezes identificamos que partem também de nós as reações e os discursos violentos.

 

O pesquisador e escritor Marshall B. Rosenberg, autor do livro Comunicação não violenta – Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais

O pesquisador e escritor Marshall B. Rosenberg, autor do livro Comunicação não violenta – Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais, debate o tema que vem ganhando cada vez mais visibilidade e importância nas empresas e na vida em sociedade.

Quando o presidente norte-americano Donald Trump escreve em seu Twitter: “Meus colegas americanos, meu primeiro e mais alto dever como presidente é defender nosso grande país e o povo americano. Eu jurei defender as leis de nossa nação – e é exatamente isso que farei…”, ele mostra que o enfrentamento e a imposição do poder do Estado não terão trégua. Ao invés de construir um diálogo, ele propõe o embate. Ele esquece que a reação da sociedade frente à morte de George Floyd parte de uma ação de um dos seus subordinados, o policial Derek Chauvin.

A CNV, segundo Rosenberg, promove maior profundidade no escutar, fomenta o respeito e a empatia, além de provocar o desejo mútuo de nos entregarmos de coração. 

Em momentos de confinamento, os relacionamentos ainda mais próximos com a família, filhos, esposas e maridos gera tensões, conflitos e atritos. Em tempos de isolamento, não deixamos de nos irritar com o que é dito pelo outro e comunicar bem passa a  ser um valioso recurso. 

Compassivo natural

Em nossas relações precisamos nos colocar em um estado compassivo natural, segundo Rosenberg. Esse estado deixa brotar em nós a doação do tempo. Parar o cotidiano um pouco e olhar ao redor. Quando nos doamos, é reforçada em nós a auto-estima, que também nos beneficia. Então dedicar-se ao outro pode contribuir também para o nosso bem-estar.

A felicidade mora ao lado?

A infelicidade é um sentimento que alimentamos diariamente. Estamos sempre nos comparando com o outro – muitas vezes essa comparação nos leva a um lugar de inferioridade. A grama do vizinho é sempre mais verde que a nossa. Há sempre no outro algo que não temos ou achamos que não podemos conquistar. Damos luz a certas crenças que, na maioria das vezes, não fazem o menor sentido e nos colocam em posição menor. Trabalhar a auto-estima doando nosso tempo faz também com que enxerguemos nossa responsabilidade com nós mesmos. 

O que falamos ou reforçamos em nossa mente torna-se verdade. Acreditar que não somos capazes, ora ou outra pode cristalizar tais ideias. Negar a responsabilidade nos desloca e carrega peso. Termino esse texto com as negações de responsabilidade muito bem descritas por Rosenberg, que revelam um lado obscuro dos seres humanos. Caso você se identifique com algumas das negações listadas abaixo, pode ser que seja necessário mudar seu jeito de encarar as coisas. 

Negações de responsabilidade

Forças vagas e impessoais são vistas como na frase: “Limpei meu quarto porque não tive escolha”. É também negação de responsabilidade considerar nossa condição, diagnóstico, histórico pessoal ou psicológico como algo imutável: “Bebo porque sou alcoólatra”. Outro estado comum é nos ancorarmos nas ações dos outros: “Bati no meu filho porque ele correu para a rua” ou “menti para o cliente porque o chefe me mandou fazer isso”.

A negação de responsabilidade cabe também quando colocamos pesos e etiquetas em nossas costas nas quais, como bem escreveu Rosenberg, revelam muito sobre nós: São papéis sociais regidos pelo sexo, idade e posição social. “Não gosto de trabalhar com isso, mas tenho que ir porque sou pai de família. A compulsão tem lugar garantido quando o assunto é negação: “Fui tomado por um desejo de comer aquele doce”. 

Mudar esses hábitos não é fácil nem acontece do dia para a noite. Nosso modo de falar e de negar é culturalmente aceito. Observar alguém que quer alterar um hábito, mas não consegue por fatores externos, é visto por muitos como algo real e fácil de ser compreendido. Muitas vezes temos exemplos disso em nosso próprio círculo familiar.

A comunicação pode alienar e aprisionar. Não devemos nos esquecer de que somos responsáveis por nossos pensamentos, sentimentos e atos. E não são os modelos de Estado, os governantes, a família ou o meio em que vivemos os reais culpados pela nossa conduta. Somos frutos do coletivo, mas também somos guardiões de nossas escolhas e de nossa vontade de fazer o bem ou o mal. 

vidadigital

Jornalista, blogueiro e consultor sobre novas mídias e marketing digital. Mestre em comunicação digital interativa e especialista em produção em mídias digitais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *