O Hipercentro de BH tem fôlego para esperar um plano de emergência capaz de estancar a degradação?

O artigo a seguir é de autoria de um dos arquitetos mais respeitados de Belo Horizonte, com experiência em projetos multiplos residenciais e comerciais.

É mais um especialista que vem alertando sobre a importância de um plano de emergência urgente para o centro de BH, no sentido de frear a degradação numa das áreas mais adensadas da capital com importância histórica, alerta que vimos fazendo diuturnamente no blog.

O artigo foi publicado no Jornal da Cidade On-line no dia 25 de agosto. Com a devida autorização do arquiteto Bernardo Farkasvölgyi, o Blog SOS Mobilidade Urbana publica aqui para os seus leitores. 

Por: Bernardo Farkasvölgyi Arquiteto e Urbanista.

Jornal da Cidade BH Notícia boa também dá audiência!

Coluna. Bairro exige um olhar bem mais específico e todas as possibilidades que envolvem a região merecem ser consideradas

Como você vê o Centro de Belo Horizonte? Confuso, caótico, sujo, ocupado de maneira pouco coerente com a importância dessa região da capital? Como arquiteto vejo o Centro, além de tudo aquilo que ele representa historicamente e urbanisticamente, como a região da cidade com a melhor infraestrutura: água, luz, esgoto. Sendo assim, por que o nosso Centro é tão negligenciado?

Se pegarmos como exemplo o que acontece na Europa, tudo lá se volta à requalificação das regiões centrais das cidades. A reorganização do Centro como o coração pulsante de um pequeno município ou de uma metrópole é uma ideia bem clara na realidade do velho continente. Afinal, o Centro de uma cidade funciona como um núcleo e ela começa a se expandir e a se abrir num raio que se alarga sempre a partir dele.

Em Belo Horizonte acontece o contrário: o Centro está abandonado. Não se vê nenhum tipo de incentivo, nem do Poder Público, nem da iniciativa privada, de se pegar o Centro e transformá-lo, mesmo que seja redundante dizer, numa centralidade. As possiblidades? São muitas!

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Imagine um verdadeiro e inteligente uso misto desta região? E se o Centro se tornasse mais convidativo para as caminhadas, com mais áreas verdes, praças e pontos de convívio, oferecendo percursos mais agradáveis e amigáveis para poder transitá-lo e desfrutar de tudo o que ele pode oferecer? E se mais pessoas – a maioria que trabalha no Centro vive distante dele – pudessem habitar na região? Uma das possibilidades seria poder construir no Centro edifícios mais altos e sem a obrigatoriedade de vagas de garagem (situações que a legislação atual não permite).

Prédios mais altos significam maior área permeável que pode se transformar em espaços públicos; menos vagas de garagem representam uma possibilidade de oferecer mais unidades habitacionais por edifício, com um custo menor e atendendo a pessoas que hoje preferem caminhar ou utilizar transportes alternativos, como bicicletas ou patinetes. Claro, tudo isso estaria dentro de um planejamento muito maior e mais abrangente. Mas são de soluções como essas que partem as mudanças. Mudanças que têm impacto na qualidade de vida das pessoas e da cidade de uma forma geral (basta imaginar que algo do gênero serviria, por exemplo, para desafogar o trânsito tão caótico da capital).

A verdade é que o Centro exige um olhar bem mais específico e todas as possibilidades que envolvem a região merecem ser consideradas, pensadas e avaliadas. Não é mais um ponto da cidade ou um bairro: ele é O BAIRRO. Em Belo Horizonte temos partes da região central extremamente degradadas. E não me refiro ao Centro considerando somente certas áreas no entorno da avenida Afonso Pena ou proximidades da Rodoviária. Falo sim de uma área realmente abrangente, que engloba a Praça da Estação, passa pelas ruas Tupinambás e Caetés, até chegar em partes mais altas, como a avenida Álvares Cabral. Sinceramente, ainda não existe um projeto expressivo que contemple o Centro como o indispensável elemento que ele deve ser, como o verdadeiro coração da cidade. Uma coisa é clara: temos que rever o olhar que se tem sobre o Centro, pois Belo Horizonte perde muito, a cada dia, deixando de requalificá-lo.

Texto: Bernardo Farkasvölgyi – bernardo@fkvg.com.br

4 comentários em “O Hipercentro de BH tem fôlego para esperar um plano de emergência capaz de estancar a degradação?

  1. É José Aparecido, acho que perdemos esse bonde, porque tivemos trabalhos com essas idéias sendo iniciados e depois abandonados pela falta de continuidade. Cidade não se administra com só com o coração, mas também com a razão.

  2. Eu posso dizer que não vejo um belo horizonte para a capital montanhesa, quiçá para o centro dessa capital.
    A indigência tomou conta.
    A cidade fede a bos…
    Está completamente cag… e uri…
    Rua São Paulo entre Augusto de Lima e Bias Fortes parece uma latrina.
    Só um exemplo dentre milhares.
    Nem falo do hipercentro combinado ao eixo Paraná/Santos Dumont e adjacências.
    Barro Preto então! O inferno na Terra.
    E não há uma descarga eficiente.
    Há quantos anos eu não presencio a SLU protagonista real da limpeza, verdadeiramente lavando nossa cidade.
    Desde Sérgio Ferrara.
    As ruas, as avenidas, as praças eram lavadas.
    Com água e água sanitária ou cloro, na medida certa.
    Hoje, a desculpa esfarrapada do gasto de água.
    Mas a cidade com odor fétido e propagando doenças de tudo quanto é tipo pode.
    Sinceramente, deu pra mim.
    Nasci aqui, mas aqui não mais quero ficar, pois acredito que hoje há lugar muito melhor que BH.

  3. O que a matéria sugere é o oposto do que é normalmente defendido neste blog. O Centro, aqui, é mais visto sob a ótica econômica (construção de edifícios comerciais) e do transporte individual (alargamento de vias, edifícios-garagem, etc.) do que um espaço misto e compartilhado. O texto anterior está muito mais próximo da primeira visão enquanto este dialoga melhor com a visão de um centro “para pessoas”, situação quase sempre criticada aqui.

    Também não é honesto afirmar que o Centro está muito pior que antes. As avenidas Santos Dumont e Paraná, com a implantação do MOVE e das estações, estão melhores. A rua dos Caetés, muito mais agradável de se transitar, apesar dos comerciantes locais preferirem a situação anterior. A Praça da Estação, então! Sem comentários!

    O centro se desqualificou porque abriu espaço apenas para automóveis e comércio. Não se vive no centro, apenas se trabalha e passa-se por ele. Nos núcleos regionais de bairros, atividade econômica se concilia com residentes. Todos se sentem pertencentes àquele lugar do qual querem bem cuidado. Já outros núcleos reproduzem o centro, como por exemplo, a região central de Venda Nova. Sofre da mesma degradação!

  4. O Dr Célio de Castro comprou brigas homéricas com os camelôs e os perueiros e ganhou. O Centro foi momentaneamente revitalizado, porém os bananas que o sucederam se deixaram levar pela política do menor esforço. O lugar hoje é muito mais deteriorado do que o Dr Célio recebeu.

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