Quarta feira de caos na cidade inteira, BH parou e o prefeito cruzou os braços

Belo Horizonte viveu nesta última quarta feira (14), mais um dia de caos.  Os engarrafamentos se multiplicaram praticamente o dia todo, as retenções pereciam não ter fim. Para a turma do deixa disso e para os jornalistas que retratam a cidade de dentro de estúdios com ar condicionado, acreditando em imagens do COP (Centro de Operações da Prefeitura) e no discurso oficial, a justificativa para tamanha desordem, foi o feriado e o “excesso” de veículos. Carros não são conduzidos por ETs, devo lembrar.

Declarar que o problema é do “excesso” de veículos é um equívoco que serve tão somente para deixar os incompetentes que nos governam com a sensação do dever cumprido, como se a culpa da perda de tempo, da poluição provocada pelo trânsito que não anda e pelo estresse que aumenta a cada dia fosse da população que usa o transporte individual, e não da ausência total de planos para enfrentar o problema que se agrava a passos largos.

A cidade está travada, o número de veículos aumenta, mas ao invés de desobstruir vias, o gestor do trânsito afunila cruzamentos, retém o tráfego por meio de sinais em onda vermelha acreditando que medidas como essas, e outras que beiram a insanidade, como Zona 30 e MOBI Centro, serão estímulo para que as pessoas mudem hábitos  e passem a andar a pé, de bicicleta ou de BRT. É inacreditável que uma cidade com quase 2,2 milhões de veículos circulando tenha que se contentar com tamanha mediocridade.

Não existem planos de emergência com intervenção humana

Não existem planos de emergência e nem planejamento, os gargalos se multiplicam. Medidas como sinais em onda verde nos grandes corredores foram substituídas por armadilhas em cada esquina. Os famigerados detectores de avanço, verdadeiras maquininhas “caça níqueis”, cumprem o papel de arrecadadores eletrônicos, sem nenhuma função pedagógica. O desespero da BHTrans para não deixar o trânsito fluir é algo patológico que precisa ser estudado por especialistas da psiquiatria. A desculpa é sempre a mesma, esfarrapada, mentirosa e politicamente correta: para proteger o pedestre.

Ao circular pela cidade fica fácil constatar que em centenas de cruzamentos os puxadinhos já não suportam mais o volume de tráfego e que as intervenções de engenharia são inevitáveis, terão que ser feitas urgente. A cidade precisa de corredores sem interrupção de trânsito, vias expressas capazes de permitir fluidez, ligando Zona Norte a Zona Sul e Zona Leste a Zona Oeste, usando o complexo da lagoinha como centro de distribuição, permitindo que as grandes avenidas possam ser artérias livres e conectadas. É assim que funciona em qualquer cidade bem administrado do mundo.

Rotas Alternativas existem, mas não são conhecidas e sinalizadas.

Belo Horizonte têm centenas de rotas alternativas que se bem asfaltadas, com sinais sincronizados e bem sinalizadas, conhecidas pela população, podem distribuir melhor o tráfego dentro dos bairros, aliviando os grandes corredores. São mais de 200 gargalos que precisam de intervenções de engenharia para permitir fluidez, porém, até que o time que cuida do assunto seja substituído por profissionais menos acomodados e mais comprometidos, a cidade precisa de um plano de emergência, pelo menos nos horários de pico, com intervenção humana no trânsito. Sinais e vias saturadas viram problema quando o volume de tráfego é maior do que eles suportam. 

Com efeito, a infraestrutura que está aí esperando por obras há 40 anos não atende  mais a quantidade de veículos em circulação. Não enxergar isso é falta grave, passível de exoneração. É desesperador também assistir tamanha irresponsabilidade do prefeito ao delegar o tema para quem não tem compromisso com resultados. A população perde tempo que deveria ser usado para a produção, para o lazer. A cidade e o meio ambiente perdem ao receber toneladas de dióxido de carbono emitido por carros parados em filas cada vez maiores. Todos perdem com a falta de compromisso daqueles que são pagos para gerir a cidade e que não cumprem com suas obrigações de servidores públicos. Até quando?

Imprensa pode mudar o discurso inútil pelo debate pró-ativo

Com efeito, cabe também à imprensa promover fóruns de debates, de preferência ao vivo, ao invés de repetir diariamente e centenas de vezes o que todo mundo já sabe: Onde o transito está parado não é novidade, o que a população deseja e precisa saber é o que está sendo pensado para mudar este cenário estarrecedor que virou a mobilidade urbana na capital, e que é assunto de saúde publica, de política, a boa política, não o populismo e a superficialidade que estamos assistindo inertes.

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11 comentários em “Quarta feira de caos na cidade inteira, BH parou e o prefeito cruzou os braços

  1. José Aparecido tenho que parabenizar sua visão de mobilidade em BH. O trânsito está péssimo todos os dias. Chega de procurar desculpa. Nada está sendo feito de efetivo e definitivo. Só vemos puxadinhos e provisórios. . Conseguem piorar o que já está ruim. Fizeram um gargalo na região hospitalar, que se tiver um incêndio na região, o caminhão dos bombeiros terá que subir no passeio para fazer a curva. Precisamos de mais pessoas com seu olhar para fazer diferença em nossa cidade e no país. Porque o slogan “governando para quem precisa” é balela

  2. Parabéns pelo artigo. Convém lembrar que o Prefeito Kalill se elegeu prometendo, dentre outras, “abrir a caixa-preta da BHTrans”. É incrível como várias décadas de erros na administração do trânsito da capital não geraram qualquer ensinamento aos gestores.

  3. Para uma Via 710 levar quase 30 anos (desde a concepção de projeto até o que se encontra feito lá) – esperamos o quê das “administrações passadas” e devemos esperar o quê dessa “administração”?

    Para uma Avenida Dom Pedro II levar mais de 30 anos para traspassar um terreno ilegalmente invadido que foi a Vila São José e encontrar com uma Avenida Presidente Tancredo Neves, devemos esperar o quê da vontade de nosso povo?

    Quanto ao número de carros crescente nesta nossa capital e não diferente nesta nossa Região “Extrapolitana”, “Exploditana”, eu ando pela Avenida Amazonas, nas imediações da Barroca, e paro diante da louca e nunca expressa via, olhando com piedade para todos os ônibus, microônibus e vans, sempre abarrotados do local e desejo em mais ardente oração e fé:

    “Ó Senhor das nossas vidas, Deus Pai Eterno, desejo que cada pessoa que está dentro de cada ônibus, microônibus e van que circula nesta avenida neste momento, como em todas as outras avenidas e ruas desta cidade, que tenha a facilidade rápida de conseguir a sua habilitação para motorista (aos que não tenham) e tenha condições mais que rápidas de conseguir comprar seu automóvel (aos que ainda não tenham), e possam colocar aqui Ó Senhor, nestas avenidas e ruas caóticas…”

    rsrsrsrs

    Calma, José Aparecido!
    É só pra detonar com a BHTrans e com a Maria Caldas!
    Um momento isso tudo vai ter fim.
    Toda ditadura cai.
    Essa BHTrans também.

    • Li o artigo e pretendia comentar. Mas após ler o comentário do Daniel, me “acalmei” e achei desnecessário….

      “Calma, José Aparecido!
      É só pra detonar com a BHTrans e com a Maria Caldas!
      Um momento isso tudo vai ter fim.
      Toda ditadura cai.
      Essa BHTrans também.”

      QUE COISA BOA DE SE LER…adorei!!!
      Parabéns pelo artigo José Aparecido!

  4. BH não tem estrutura mais para suportar o peso de uma cidade grande pois os 3 governos não tem interesse em investir na mobilidade urbana em Belo Horizonte já se passaram 35 anos o último investimento da expansão do metrô até venda Nova cade o nosso trem metropolitano as linhas existem mais o investimento nada …

  5. Li o artigo e pretendia comentar. Mas após ler o comentário do Daniel, me acalmei e achei desnecessário….

    “Calma, José Aparecido!
    É só pra detonar com a BHTrans e com a Maria Caldas!
    Um momento isso tudo vai ter fim.
    Toda ditadura cai.
    Essa BHTrans também.”

    QUE COISA BOA DE SE LER…adorei!!!
    Parabéns pelo artigo José Aparecido!

  6. Além da BHTrans (Torno), outro vilão do trânsito é o cartel dos empresários de ônibus, que há décadas influenciam no desenvolvimento da cidade.
    Exemplo: O projeto do Monotrilho de Belo Horizonte, recebeu um prêmio em Milão, mas foi engavetado e não se fala nele… É possível ligar o Barreiro ao Belvedere, os trilhos estão lá! Sem contar com o trem metropolitano, ligando BH, Contagem e Betim, com poucas intervenções necessárias… Depois chamam BH de roça iluminada e as pessoas esperneiam…

  7. Todas as ruas e avenidas fora do perímetro da contorno são mais estreitas que as de dentro raríssimas excessões). Fruto de especulação e dindin para aprovação – sem contar a falta de visão e mentalidade tacanha.
    Sinto muito, não há de ser apenas um prefeito para dar um jeito.

  8. Querer boa fluidez do trânsito sem congestionamentos e gargalos é justo e legítimo. Mas, não implica que outras medidas e iniciativas não possam ser feitas. Zona 30, ciclovias, MOVE, etc. são alternativas para uma cidade diversa.

    Tradicionalmente, o Brasil tem sido o país da monocultura (açúcar, café, minerais, etc.) e muitos atribuem a isso o atraso econômico nacional. Não se pode repetir o mesmo erro e crer que a mobilidade urbana tenha uma solução de monocultura. Se bem gerido e articulado, um plano de mobilidade urbana promove a diversidade de soluções que podem coexistir. Investir tudo que se tem em veículos de passeio é uma solução míope e distorcida das necessidades das pessoas.

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