Prefeitura de Ribeirão das Neves promove cidadania através do asfalto

Se você nasceu há mais de 40 anos em bairro de periferia de Belo Horizonte de certo lembra que boa parte das ruas não eram asfaltadas. A poeira na seca e a lama dos períodos de chuva transformavam a vida de milhares de pessoas em um martírio permanente na saída e na chegada do trabalho, do lazer ou mesmo da escola. Hoje poucos bairros na capital sofrem com a poeira ou com a lama. Porém, não precisa ir longe para constatar que muita gente continua convivendo com o drama da poeira ou do barro em cidades do colar metropolitano, e Ribeirão das Neves é uma delas, ou pelo menos era, e eu explico.

A Prefeitura Municipal do município vizinho iniciou recentemente um programa de asfaltamento de ruas que merece destaque não só por acabar com sofrimento de centenas de pessoas em ruas sem asfalto, mas pelo desdobramento da atitude de quem governa a cidade, na auto estima da população. O asfalto transforma a vida de pessoas, e só quem já morou em uma rua de terra sabe o significado de receber asfalto na porta de casa.  Mais do que permitir acesso com conforto, o asfalto leva esperança, inclusão e por isso programas como os da Prefeitura de Ribeirão das Neves devem ser destacados e aplaudidos.

Tive acesso a um vídeo de depoimentos de moradores de Neves enviado por um colega, também jornalista e fiquei motivado a escrever sobre o assunto. Nasci e vivi até os 18 anos numa rua de terra e me lembro com detalhes o que foi a chegada do asfalto na porta da minha casa, lá pelos idos de 1982. Até hoje sonho com a rua de terra e a angustia que aquilo significava quando tínhamos que receber uma visita, sobretudo se ela fosse de alguém que morava melhor do que a gente, parentes, amigos e até prestadores de serviços que cobravam mais caro pelo pneu sujo depois da visita.

O Programa Asfalto Novo que o vídeo mostra já na sua segunda etapa em vários bairros de Neves, pretende levar asfalto a mais de 200 ruas melhorando a vida de quem vive em bairros periféricos da cidade. Mais do que asfalto, ele devolve cidadania. Para muitas pessoas, investimentos como esse são tratados com desdém e até como uma forma de  populismo de governantes. Não conheço e nem sei o nome do Prefeito de Ribeirão das Neves, mas quero parabenizá-lo pela iniciativa e dizer a ele que asfalto, assim como saúde e educação é sim prioridade para populações esquecidas por governo anteriores.

Para os que são do contra e acha que a cidade tem outras prioridades, sugiro ao prefeito que os convide para viver ainda que temporariamente em um bairro onde as ruas permanecem de terra, e não tenho dúvidas de que depois da experiência entenderão o valor da iniciativa da prefeitura. Com efeito, o asfalto abre os horizontes, resgata a autoestima e transforma a vida das pessoas para melhor, merecendo reconhecimento ao governante que tem a sensibilidade e age para levar progresso e qualidade de vida em cidades sofridas como Ribeirão das Neves.

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4 comentários em “Prefeitura de Ribeirão das Neves promove cidadania através do asfalto

  1. Que bom seria se todos os dias pudéssemos ter o conhecimento de notícias como esta. Fico pensando como é maravilhoso ver o próximo progredindo, tendo mais qualidade de vida, realizando sonhos, sendo feliz. Deixando um pouco de lado a política ou a “politicagem”, e falando de GENTE. Por que há tanta ausência de empatia, de humanidade, de generosidade????
    Sei que ficarei sem resposta, mas isso não impede que eu sonhe com dias melhores, com pessoas mais humanizadas, menos egoístas, menos gananciosas, que pensem no coletivo.
    PARABÉNS pelo artigo, pelo depoimento pessoal. Achei verdadeiramente incrível!

  2. É maravilhoso ver o respeito compromisso e o amor ao próximo que a atual gestão tem com essa cidade. Parabéns ao prefeito e a toda a gestão

  3. De fato, uma rua pavimentada melhora a qualidade de vida e o conforto das famílias. E Ribeirão das Neves merece um tratamento mais humano e digno por parte do poder público. A iniciativa é boa, mas precisa ser contínua, pois há muito para se fazer na cidade. Há tempos que a cidade não recebe investimentos e o déficit é alto demais.

    Apesar dos elogios, ainda que merecidos, é preciso ter olhar sempre crítico e cauteloso. É verdade que o asfalto promove qualidade de vida, mas sabemos também que programas parecidos sempre são realizados no penúltimo e último ano do mandato com vistas a ganhos eleitorais. Sabemos também que várias vias são asfaltadas com material de baixa qualidade e a preços superfaturados. Por isso mesmo, duram pouco e deterioram com rapidez. Sabemos ainda que várias ruas são asfaltadas sem a drenagem adequada, às vezes sem meio-fio ou calçadas, e quase sempre sem que tenha sido feito o esgotamento sanitário. Imagine só logo após o asfaltamento da rua vir obras de ligação de água e esgoto desfazendo o serviço anterior! Rotineiramente acontece isso em BH.

    Para dar um exemplo do interior, a cidade de Abaeté foi praticamente toda recapeada no final do mandato do atual prefeito, reeleito inclusive, para em seguida ser renovada a licitação com a Copasa para o tratamento de água e esgoto. Resultado: toda a tubulação de água e esgoto (este último até então era responsabilidade da prefeitura), conforme previsto em contrato, está sendo substituída e todas as ruas recentemente pavimentadas foram abertas dos dois lados. Sabemos que os remendos não ficam a mesma coisa!

    Assim, em se tratando de Brasil, até com notícia boa precisamos ficar “com um pé atrás”. Desejo que essa realidade mude e torço muito por isso. Como disse, Ribeirão das Neves merece ser melhor cuidada!

  4. Uma vez, salvo engano, durante uma entrevista do então governador Fernando Pimentel, ele afirmou que a crise na saúde, refletida na superlotação da UPA Venda Nova, era consequência da falta de ação do governo municipal de Ribeirão das Neves. Sem serviço de qualidade, especialmente na saúde básica, a população da cidade buscava tratamento em Venda Nova.

    Curiosamente, esse discurso tem se repetido nas falas do atual prefeito de BH, denotando uma tendência de atribuir uma espécie de culpa aos municípios e Estados mais pobres por não fazerem o “dever de casa”, tornando-os responsáveis exclusivos pelas suas próprias mazelas. Falas vindas, claro, daqueles mais ricos e bem sucedidos (estados e municípios), aos quais não faltam recursos, investimentos e tudo mais.

    Esquecem, entretanto, que são moradores de Ribeirão das Neves, assim como de outras cidades da região metropolitana, que fornecem mão de obra e geram renda também para a capital ao consumirem produtos e serviços em BH. O que têm de volta? Escárnio! Em piadas jocosas, como muitos se referem a Ribeirão das Neves? “Ribeirão das Trevas”! Uma injustiça com muitos “cidadãos de bem”, como gosta a “direita”, que cometeram o único “crime” de serem pobres e “não gostarem de trabalhar”. Por isso, “escolhem” morar em lugares assim: invadidos, beira de córregos, loteamentos ilegais, sem água, luz, saneamento, asfalto, etc. Lamentável as pessoas serem tratadas assim! É uma visão muito limitada de cidadania e humanidade!

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