Hipercentro de BH tomado por moradores em situação de rua mobiliza comerciantes

Comerciantes e moradores do hipercentro de Belo Horizonte se reúnem para cobrar das autoridades medidas urgentes contra moradores em situação de rua que transformaram marquises e portas de lojas da região em moradias. Quarteirões inteiros estão sendo ocupados impedindo a circulação de pedestres, tirando o sossego de moradores e comerciantes do centro histórico da capital. Os números da PBH mostram que 70% dos oito mil moradores em situação de rua na cidade estão concentrados na região Centro Sul, no hipercentro e região hospitalar, bairros de Santa Efigênia e Barro Preto. Eles ocupam passeios, canteiros, marquises e estão vivendo e condições precárias de higiene, fazendo suas necessidades a céu aberto, de forma desumanas e degradante.

A reunião dos comerciantes e moradores aconteceu na tarde desta terça feira (2) na sede da Associação dos Comerciantes do Hipercentro na Rua São Paulo, e teve a presença de representantes da Prefeitura, Regional Centro Sul, Polícia Militar, Guarda Municipal, ACMinas – Associação Comercial, CDL – Clube de Dirigentes Lojistas, CMBH – Câmara Municipal, Associação de Moradores e pelo menos 40 comerciantes que atuam próximos a Praça Sete, local onde concentra o maior numero de moradores em em situação de vulnerabilidade.

Prefeitura não vê solução em curto prazo

Para Rodrigo Pessoa, chefe da fiscalização da população em situação de rua da PBH, o fenômeno não é tão simples de ser resolvido, em que pese às ações da prefeitura, com mais de 1.200 abordagens. “BH é capital de um estado com 853 municípios, boa parte deles sem perspectivas de emprego, o país vive um momento difícil na economia, e as pessoas vêm em busca de trabalho e quando não encontram, acabam na rua”. Rodrigo lembra ainda que as pessoas tem o direito de ir e vir e por isso a abordagem precisa seguir critérios estabelecidos por lei. “Cada morador de rua pode ter como pertence pessoal um carrinho destes de supermercado, um colchão, roupas em sacolas e nós não podemos tomar isso deles”, afirma o chefe da fiscalização que admite a complexidade do problema sem perspectivas de resultados a curto prazo.

Recentemente a PBH fez um acordo com o Ministério Publico, através da Promotoria de Defesa dos Direitos Humanos que estabelece condutas de abordagem pelos fiscais no sentido de preservar os direitos das populações em situação de rua. Para o Presidente da Associação dos Comerciantes do Hipercentro, Flávio Froes Assunção a prefeitura perdeu o controle e o número é muito maior do que aquele divulgado. “Os comerciantes compreendem a situação e o drama destas pessoas, mas é preciso ações do poder publico no sentido de devolver dignidade para elas, isso não pode ser motivo para destruir o centro da cidade que já está abandonado”. O representante do comércio lembra que “não existem políticas claras e o tema é tratado com viés eleitoreiro”, afirma. Outro problema levantado pelo comércio é a ocupação das calçadas por deficientes físicos como camelôs. Flávio lembra que a economia está sendo prejudicada, uma vez que a população tem evitado o centro em virtude da desordem, e que isso vai piorar ainda mais a situação provocando desemprego. “Ninguém gosta de fazer compras em locais desorganizados e sujos, o centro de Belo Horizonte está definhando, foi esquecido pelo poder”, conclui o presidente que relata fechamento de várias lojas.

Fiscais são submetidos a leis que incentivam moradores em situação de rua

Para o gerente de fiscalização da regional Centro Sul, William Nogueira, um dos mais experientes servidores, com mais de 25 anos de atuação na área, houve uma descontinuidade na fiscalização que iniciou em 2002 quando as ocupações dos passeios estavam controladas. Ele traçou um panorama da evolução dos problemas do hipercentro e disse que a prefeitura sozinha não consegue resolver. “Com o Código de Postura conseguimos transferir os camelôs das calçadas do hipercentro para os shoppings populares em 2002, fizemos valer a lei, mostrando para as pessoas que o espaço público não pode ser usado para atender a interesses particulares, sejam eles quais forem”, lembrou o chefe da fiscalização. Ele acredita que a solução passa pelo mesmo caminho, “não pode haver exceções, a lei vale para todos, camelôs, “toreros” e para moradores em situação de vulnerabilidade”. Willian acredita que sozinhos eles não deixarão as ruas e nem obedecerão aos fiscais que garantem marquises e portas de lojas livres. O agente conclui dizendo que “a sociedade precisa se envolver para encontrar soluções, pois ela acaba sendo a maior prejudicada”.

PM comemora índices de criminalidade comparáveis a cidades Norte Americanas e Europeias

A Polícia Militar tem feito o que pode, de acordo com o Tenente Coronel Micael, Comandante do 1º Batalhão que possui três companhias no olho do furação, 4ª 5ª e  6ª cias da PM responsáveis pela segurança do hipercentro, Savassi, Barro Preto e área hospitalar, onde concentra a maior parte do problema. O comandante lembra que em termos estatísticos, a área do 1º Batalhão sob seu comando só tem a comemorar: “Os índices de criminalidade do batalhão tem as menores taxas de crimes contra a vida dos últimos 25 anos”, informa o militar. Ele faz comparações com índices de Toronto no Canadá e Londres na Inglaterra. “Nossos resultados são menores do que os de Chicago nos EUA”, relata. Porem ele admite que em ambientes degradados como os do hipercentro de BH, a sensação de segurança fica prejudicada. O militar afirma que a PM tem feito o que pode apoiando a fiscalização e agindo preventivamente. “Nos últimos seis meses houve uma queda nos homicídios de 50%, porém os poucos que ocorreram tiveram a participação de moradores em situação de rua, como vítimas ou autores”, lembra o Cel PM que aponta o centro como local seguro, e que o problema não é de policia, mas de falta de políticas sociais.

Comerciantes são ameaçados por moradores em situação de rua

Guilherme Sales, comerciante e diretor da famosa Casa Sales, que atua no ramo de armas acredita que a prefeitura não está compreendendo a dimensão e nem tampouco a urgência do problema. Quanto pior o ambiente do centro, maior será a queda na arrecadação da prefeitura, ele lembra que o poder público tira seu sustento dos impostos, portanto o problema não é do comerciante, mas do prefeito e seus secretários, “já pagamos muito e ainda temos que resolver questões que não são nossas”? Reclama o comerciante da demora na resposta da PBH para apresentar soluções. Um comerciante que preferiu não se identificar disse que sofre ameaças de moradores em situação de rua quando ele pede para sairem da porta da sua loja. “Eles ameaçam quebrar a vitrine se reclamarmos da presença ali, e gritam dizendo que sabem dos seus direitos, inclusive falam que irão chamar o Ministério Público se algum pertence for tirado do lugar e se continuarem a ser incomodados”. O comerciante está pensando em fechar a loja e mudar para outro local mais seguro e tranquilo em outra cidade. “Estou desistindo de BH, aqui empresário é tratado como inimigo, e isso é um verdadeiro absurdo. Depois que o PT passou a decidir os rumos da cidade, tudo piorou, inclusive a pobreza”, conclui o comerciante.

O Chefe da Guarda Municipal, Inspetor Crislem informou que tem agido na medida do possível no sentido de garantir o direito dos comerciantes e moradores de terem suas portas desobstruídas, mas lembrou que a lei garante ao morador em situação de rua muitos direitos, e quase nenhum dever. Ele compreende o drama das pessoas e é solidário a elas, mas não acredita que irão deixar as ruas se não for através de um programa de inclusão e oportunidade de emprego. “As pessoas precisam ter dignidade e o único caminho para se libertarem de políticos e agentes públicos oportunistas que se aproveitam disso para conseguirem votos é o emprego”, conclui o Inspetor que dirige a Guarda Municipal e tem 70% do efetivo empenhado na região.

Vereador vê interesses eleitoreiros na condução do problema

Já vereador Mateus Simão (Partido Novo) vê na falta de políticas claras da PBH para enfrentamento do problema, interesses eleitoreiros e vieses ideológicos. “A prefeitura age sob a lógica do voto, portanto se não houver pressão dos comerciantes e da população para solução do problema, não haverá enfrentamento, esta havendo um acomodamento”, adverte o vereador. Mateus Simões lembra ainda que promotores de justiça, juízes e membros do judiciário que atuam no sentido de garantir muitos direitos e nenhum dever para populações excluídas precisam sair dos gabinetes e conhecer a realidade. “Essas pessoas precisam de amparo, oportunidades e reinserção social, não é lavando as mãos, ou deixando elas fazerem o que querem que vamos tirá-los da degradação, eles precisam de norte; não adianta cruzar os braços e assistir eles perambularem pelas ruas simplesmente para dizer que são livres e tem direitos”, isso é falácia, e o vereador conclui dizendo que tem muito romantismo e poucas atitudes, fruto do distanciamento das autoridades que não conhecem o problema na sua essência.

Comerciantes prometem mobilização para levar o assunto ao prefeito e se necessário irão ocupar a porta da PBH na Av. Afonso Pena com barracas para protestar contra o que chamam de abandono total do hipercentro, palco deste e de dezenas de outros problemas como calçadas abandonadas, iluminação precária, mobilidade comprometida, afetando o ambiente empresarial e agravando ainda mais a crise no comércio.

jaribeirobh@gmail.com – WhatsApp 31-99953-7945

20 comentários em “Hipercentro de BH tomado por moradores em situação de rua mobiliza comerciantes

  1. Não sabem como resolver um problema tão grave
    mas o Museu do sexo e das Prostitutas já tem verba concedida e local definido!
    Realmente a nau está completamente sem rumo!
    Pergunto ao querido amigo,
    Existe alguma poaaibilidade
    de solução???

    • O museu é da iniciativa privada em um imóvel tombado que precisa da autorização da PBH para reformas. Não há investimento público nisso…

    • Realmente é alarmante a situação de BH, outrora uma capital chamada de cidade jardim, uma das melhores para se viver no Brasil, hoje uma capital abandonada , degradada e completamente jogada ao Deus dará, o centro e arredores se tornou um nicho de moradores de rua, sujeira, abandono, pichação, falta completa de manutenção, total descaso do poder público, arrependo amargamente de ter votado sem Kalil, mas em suma se providências sérias não forem tomadas, a cidade vai ver um êxodo, igual Detroit viu nos EUA, porém na cidade americana por outros motivos, aqui será por abandono, degradação, falta de manutenção e investimentos

  2. No meu entender, o principal problema na remoção dos moradores de rua reside nas drogas. Boa parte deles é viciada em álcool ou crack, e fazem a clara opção por elas ao invés de aceitarem o tratamento em abrigos, onde teriam condições de vida decentes, com cama, comida, banho e até roupas, mas não terão drogas. São doentes que precisam ajuda mas a lei não permite a internação compulsória para tratamento, e enquanto persistir essa legislação o problema não se resolverá.
    Recentemente houve tentativa de modificação da lei, mas o assunto deve ter caído no esquecimento.

  3. Essa questão dos moradores de rua é o calcanhar de aquiles do Prefeito Kalil (do qual fui eleitor). Em B.H. inverteu-se a lógica e agora governa-se para a minoria. Nossa ex-linda cidade virou lixão a céu aberto. A praça Raul Soares é um bom exemplo: lá arma-se barracas, cozinham em fogão de lenha, jogam futebol no gramado, usam a fonte como banheiro, espalham os pertences e lixo nas calçadas, tudo sob o auspício da PM, que todos os dias coloca lá uma ou duas patrulhas. A maioria da população, a que trabalha, consome e paga impostos, já não conta mais.

  4. a culpa toda e do populismo do Kalil a maioria dos seus eleitores são semi analfabetos e acreditam nas bobagens que ele vomita como fazia qdo era presidente do atlético então ele sempre vai usar o seu passado e a ignorância dos torcedores e da população em geral .por isso moro desde que ele foi eleito fora de BH além de Pimentel anastasia aecio newtão ter que atura Kalil e dose pra elefante

  5. A area central de BH esta em coma e acho que tão cedo nao sairá da UTI. Crise econômica e uma confusão do poder executivo , legislativo e judiciário que se parece com o filme Deu a Louca no Mundo , mas em BH. BH, minha capital é uma das grandes cidades brasileiras, onde a area central está mais mal tratada , tanto pelo poder publico como pelos seus filhos , que sujam e poluem sem dó. Salvem BH.

  6. Como diz Kalil no slogan : “Prefeitura… governando para quem PRECISA”
    Estai ai a situação exata do que ele apregoa.
    Quem paga em dia seus impostos, ainda tem conviver com este ABSURDO!!!

  7. BHZ , há muitos está abandonada , os parasitas da câmara e prefeitura só enxergam o próprio “UMBIGO” . TODO O HOMEM É MENTIRA .

  8. SÓ TEM UMA SOLUÇÃO ; LEI NÃO COMPRIDA ; É ESTA CADA COMERCIANTE EM BH TEM PAGAR A CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ESPECIFICA SÓ ESSE FIM.
    QUAL É MAL USADA ! ESCOLA GRATUITA PARA ENSINAR TRABALHO TIPO SEBRAE.

    DROGADOS; PRISÃO SEM CONSENTIMENTO PARA INTERNAÇÃO EM CENTROS DE REABILITAÇÃO. LEI JÁ PERMITE.
    AUMENTAR NUMERO DE ABRIGOS E COM TODAS AS ACONDIÇOES HUMANITÁRIAS.
    “POLÍCIA CANINA” NAS RUAS EM PATRULHAMENTO.

  9. Essa situação já abrange outras regiões da cidade. impressiona o número de pessoas
    morando na Avenida Francisco Deslandes e região do bairro Anchieta.
    Outro fator que contribui é o preço das tarifas do transporte público. Muitas pessoas
    não tem dinheiro para voltar para casa e buscam abrigo em locais do hiper centro.

  10. O mais interessante são algumas pessoas que estão construindo um barraco na Av. Antonio Carlos alguns km após o hospital Belo Horizonte do lado direito da via em direção ao Bairro. Alí, a cada dia, ”aparece” uma nova edificação – até placa de borracharia já colocaram alí-, e ninguém toma atitude. Daqui uns dias vão emendar de moradias até a Av, Bernardo Vasconcelos.

  11. Está assim na maioria das capitais e cidades grandes, um exemplo é Floripa cujo centro foi tomado por população de rua assim como o lado norte da ilha.
    Aqui em BSB a anos o Setor Comercial Sul virou terra de ninguém, além de outras área. Lá no SCS o comércio é obrigado fechar as 17H00, no máximo as 18H00, mesmo com base da policia que assiste tudo sem fazer nada, aliás, sem poder fazer nada pois a lei impede.

  12. BH está abandonada. Invasões desde a avenida antonio carlos, passando pelo Anel rodoviário. O centro, então…nem se fala.

  13. Não entrevistaram nenhum
    uma pessoa em situação de rua. Nem uma!!! Que jornalismo é esse q não entrevista todos os envolvidos? Não são seres humanos? Não são cidadaos? Ou são apenas um saco de lixo parado no meio do asfalto, atrapalhando o fluxo??

  14. A prefeitura não resolve porque também esbarra em um milhão de leis hipócritas de que não pode isso, não pode aquilo. e blá blá blá… e quando vai tentar fazer algo… vem uma parte da população e começa com mi mi mi, choradeira. Tem jeito não… quem sabe daqui uns 150 anos, alguma coisa começa a mudar…

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