Plano Diretor, Kalil e a esquerda vencem, mas BH perde com mais um imposto

POR: José Aparecido Ribeiro – (opinião)

O prefeito Alexandre Kalil venceu as eleições de 2016 se fazendo passar pela antítese do político. O discurso era de que o povo estava cansado das velhas práticas, e as urnas provaram que ele tinha razão, foi eleito com folga para assumir o governo da capital mineira em janeiro de 2017. No entanto a paixão pelo poder foi arrebatadora, levando o ex-presidente do Galo esquecer-se do discurso e adotar outra postura na prática, a de falar o que a população gosta de ouvir, no modelo populista que garante a fidelidade do povo, independente das consequências, ainda que elas comprometam o futuro da cidade e do próprio povo que delira com os seus conhecidos e festejados arroubos. 

Cercado por uma entourage que também fala o que ele gosta e não o que ele precisa ouvir, composta por técnicos de carreira com fortes vínculos no modelo petista de governança, Kalil acaba de jogar a cidade em um precipício sem fundo que pode durar pelo menos uma década. Herdou um Plano que representa prejuízos para a economia da cidade, matando no peito sem fazer o devido distanciamento, cujas consequências são imprevisíveis. O  prefeito ainda adotou método pouco republicano para aprovar o famigerado Plano. Convocou a tropa e conversou no português claro: “quem discordar do Plano da Maria é meu inimigo, e não precisa contar com o prefeito nos projetos de asfaltamento de vias, quebra molas, postos de saúde etc.”, o varejo do toma lá dá cá que vereadores necessitam, especialmente aqueles incapazes de se posicionarem pelas ideias.

Recentemente Kalil convocou coletiva com o intuito de colocar uma pá de cal nos movimentos que eram contra o Plano. A data de 21 de maio ultimo não deve ser esquecida por empresários, independente de ser um micro empreendedor ou uma grande empresa. O prefeito fez acusações graves aos que não concordavam com ele, revelando o seu método de fazer política e a sua megalomania. Aos berros professou que empresários são inimigos dos pobres. Eu estava lá e fui testemunha. Para quem se dizia antipolítico, sobrou demagogia, populismo e faltou sensatez. Os fins justificando os meios no modo prático da esquerda, a mesma que tomou a PBH há 35 anos e que Kalil se aliou sem titubear. Explico.

Ao jogar trabalhadores contra empregadores, pobres contra ricos, esquecendo sua própria origem, o prefeito fez acusações que não podem cair no esquecimento. Ele saiu em defesa do Legislativo Municipal como se a CMBH não tivesse líderes eleitos, quebrou a independência dos poderes deixando indícios claros de que a casa legislativa está sob seu comando, fazendo inclusive prognóstico que veio a se confirmar. Com os 35 votos a favor e cinco contra, exatamente como antecipou na coletiva de 21 de maio, o Plano da Maria foi aprovado da forma que sua pupila petista Maria Caldas e ele queriam. No entanto, a cidade que existe na cabeça dela e dos aliados de ocasião não é a BH que conhecemos. Na que ela entende como próspera e progressista BH está no caminho certo e o mundo está no caminho errado. Equívoco maior não há.

Estudos mostram impactos negativos na economia de BH

O IPEA apresentou estudos que revelam efeitos do Plano Diretor na economia, mostrando que ele está na contra mão da geração de empregos e do progresso, com perda de produtividade na ordem de 32%, pois dispersa as centralidades e esvazia o centro. O Plano também provocará aumento  no custo de obras, que serão repassados integralmente para imóveis, empurrando populações carentes para bairro afastados do centro. Um contrassenso no discurso apresentado para os movimentos populares que são manipulados de acordo com interesses puramente eleitoreiros. Brincam com a inocência do povo, fazendo dele massa de manobra cuja moral varia de acordo com a pauta do dia.

Outro fator negativo está carimbado na venda de outorga onerosa que acorrerá apenas uma vez, e isso mostra mais outra faceta política ideológica do plano com fortes vínculos eleitoreiros. Ainda que fosse um sucesso a arrecadação com a venda de outorga durante o período de transição, com uma corrida para aprovação de projetos, no longo prazo a cidade perde com arrecadação de IPTU, já que haverá inevitável queda no valor de terrenos.

Do limão a limonada

Com efeito, o desastre provocado pela disputa do Plano Diretor da Maria cuja vitória está sendo comemorada por Kalil, Maria Caldas e Léo Burguês, impõe na verdade uma derrota da cidade, que precisa deixar lições. Serve para unir empresários, trabalhadores e população esclarecida. O valor simbólico da “derrota” deve ser confrontado com metáfora do limão e da limonada: A guerra que está começando e tem seu campo de batalha na política, mostrou que o caminho para livrar a cidade das forças retrógradas de esquerda inevitavelmente é unico: As urnas.

Quem de fato constrói a cidade? Comerciantes, empresários, prestadores de serviços, profissionais liberais, empregados e empregadores ou o prefeito, vereadores e suas entourages? Quem de fato movimenta a economia, gera emprego, impostos não é o prefeito, o legislativo e nem tampouco os burocratas que criam dificuldades para vender facilidades, estes são entraves para o progresso, e isso ficou claro na experiência que encerrou no dia 06 de junho de 2019 com aprovação do Plano Diretor da Maria. Que a lição tenha serventia, não saia da memória e provoque atitudes, no momento certo.

jaribeirobh@gmail.com – 31-99953-7945 WhatsApp

9 comentários em “Plano Diretor, Kalil e a esquerda vencem, mas BH perde com mais um imposto

  1. Que artigo fenomenal José Aparecido, assim como toda a sua contribuição para que o plano diretor não fosse aprovado.
    Incoformada, ainda assim, te aplaudo de pé.
    Que este desatino, este crime cometido contra a nossa cidade, não seja esquecido, até mesmo porque diante das consequências desastrosas acho impossível que isso aconteça…
    Os responsáveis pela aprovação do plano diretor, terão a nossa resposta, a nossa “vingança”, o nosso posicionamento nas próximas eleições…eles que nos aguardem…
    Sinto a necessidade de te parabenizar. Você é um dos grandes responsáveis pelo crescimento do interesse da população de BH nas questões políticas e sociais. É o meu sentimento, o meu entendimento que aflora diante da repercussão quando compartilho seus artigos em grupos de amigos…Gratidão!

  2. Além do dito e redito acima em excelente artigo…ficam perguntas: quando e como os moradores da cidade que residem em apartamentos irão contribuir com o tal fundo sugerido pela desajustada Maria? Porque somente os donos de terrenos e casas terão que fazer essa contribuição imposta pelo plano? Não residimos na mesma cidade…? Não pagamos o IPTU? Não temos os mesmos direitos e deveres?O valor do IPTU cobrado pela PBH irá ser reduzido de acordo com o novo valor de mercado dos imóveis?

  3. É com muita tristeza que vejo esses políticos inescrupulosos assumirem o comando dos executivos e legislativos pelo país afora. Não se preocupam com o crescimento e desenvolvimento da nação para que mais pessoas tenham boas oportunidades e melhores condições de vida.
    Pelo contrário, suas preocupações são sempre voltadas para proveito próprio e suas reeleições, com planos e idéias mirabolantes e populistas que vêem sempre a calhar para suas intenções.
    E que dane-se o povo e o país. Se com suas idéias de cunho populistas conseguirem a musculatura necessária para se reelegerem, o objetivo foi alcançado.
    O que me entristece mais ainda é vermos políticos como Kalil e Léo Burguês, que já foram e ainda são da iniciativa privada e sabem das dificuldades que o Estado impõe ao empreendedor brasileiro, que é quem realmente gera empregos e contribui para o desenvolvimento do país, estando agora no poder não se preocupam se suas ações criarão ainda mais dificuldades para o desenvolvimento da sociedade.
    O que eles aprovaram foi um verdadeiro “confisco” de parte do patrimônio do contribuinte, que terá mais uma vez que suportar o peso do Estado ganancioso e arcar com as loucuras desses políticos que desconhecem o que é ter caráter.

  4. Não há como descaracterizar esta nova lei como sendo um novo tributo e assim sendo, o bolso da classe trabalhadora será mais uma vez sugado. Quem garantirá que o valor do novo imposto será usado como foi pproposto ?E se não fôr, não acontece nada pois a câmara que deveria ver isto, estará, como sempre, em minoria e assim vai a vida do brasileiro, vítima permanente de ter nascido num país de 4o. mundo, já beirando o 5o.

  5. Veremos no âmbito municipal o q a velha política faz com a população…e políticos travestidos de gente do povo! Kalil representava esperança…triste! Q pelo menos na esfera federal as coisas mudem e q nas próximas eleições municipais essa corja fique de fora

  6. Não vi durante todo este tempo de batalha de aprovação ou não deste plano diretor, uma alternativa ao que propuseram. Só reclamações daqueles que não estão nem aí para a cidade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *